Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007
O papel social do Estado: discriminar positivamente os ricos
Para os detractores da escola pública, um dos sinais da sua falência é que os ricos e a classe média alta colocam os seus filhos em colégios privados. Uma situação que retira a liberdade de escolha das famílias que, mesmo colocando os seus filhos num colégio, continuam a pagar o sistema de educação público. A solução, dizem, é implementar o cheque ensino.

Todos os indicadores demonstram que os ricos e a classe média alta colocam os seus filhos no ensino superior público, restando aos mais pobres e remediados o recurso às faculdades privadas. A solução para os defensores do cheque ensino: ficar como está.

Quando os ricos escolhem uma escola privada, alguma direita defende que se entregue directamente o dinheiro às famílias para acabar com esta dupla tributação. Curiosamente, quando os pobres e a classe média baixa são empurrados para uma escola privada, continuando a pagar com os seus impostos a faculdade dos ricos, já ninguém os ouve a falar da liberdade de escolha. Significativo.

PS: Não vale a pena dizer que o cheque ensino não tem razão de ser no ensino superior porque este não faz parte da escolaridade obrigatória. O ensino secundário também não e isso não inibe que defendam o cheque ensino para este nível educativo.

publicado por Pedro Sales às 18:49
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Comentários:
De busilis a 3 de Novembro de 2007 às 22:41
O discriminar positivamente jà me parte o canàrio que chegue...


De Jorge A. a 3 de Novembro de 2007 às 21:00
Caro s.v.,

"Voltamos ao mesmo... se a pessoa não tem condições familiares que lhe permitam estudar e ser psicologicamente saudável... obviamente que não tem as mesmas condições de quem é afortunado de ter um clima familiar estável, saudável e não tenha grandes preocupações sobre o seu bem estar."

E isto é resolvido pela escola pública? O que propõe então?

"Análise superficiais não levam a nada"

Ajude-me, então...


De IDEAL COMUNISTA a 3 de Novembro de 2007 às 18:48
Pois, o cheque ensino não faz sentido em lado nenhum. Tal como as propinas. O que lhe dá espaço é a existência de ensino privado e a demissão do Estado das suas responsabilidades; ou melhor, das responsabilidades da educação pública. Esta, a pouco e pouco, seguirá o caminho da saúde - a usurpação pelo capital privado.
Afinal, o Estado é uma máquina está ao serviço de uma classe, a dominante. Como não são parvos tiram partido disso mesmo.


De S.V. a 3 de Novembro de 2007 às 15:17
"não são os ricos que colocam os seus filhos... os filhos é que tem notas que os colocam lá... penso eu de que..."
Com uma catrefada de explicadores a quase todas as disciplinas e muitas das vezes nada mais na vida em que pensar senão no que vai vestir no dia de amanhã na escola ou se o piano está afinado... os ricos colocam os seus filhos. Tivessem todos essas mesmas vantagens e se calhar o panorama era outro.

"Se os pobres e a classe média baixa são empurrados para uma escola privada é porque tem maus resultados escolares"
Constata-se o óbvio sem se querer perceber a razão dos maus resultados. A raíz do problema permanece debaixo da terra.


"no ensino superior" há "selectividade"
A começar pela económica. As bolsas a descer a cada ano que passa... residências não aumentam, despesas e propinas a aumentar, é cada vez mais díficil ter um ou mais filhos na Universidade mesmo não ganhando mal. Depois temos aqueles que recebem bolsas e andam de automóvel... mas como a declaração de impostos dos papás não declara tudo o que recebem (sem sigilo bancário este país era uma beleza, quem não deve não teme)...

"Já no ensino superior, se alguém não entra numa determinada faculdade, tal não tem origem no rendimento familiar, mas sim nas notas obtidas."
Voltamos ao mesmo... se a pessoa não tem condições familiares que lhe permitam estudar e ser psicologicamente saudável... obviamente que não tem as mesmas condições de quem é afortunado de ter um clima familiar estável, saudável e não tenha grandes preocupações sobre o seu bem estar.
Análise superficiais não levam a nada, apesar de serem muitas vezes usads para grandes reformas... depois vê-se o seu resultado.


Cheque ensino é mais uma oportunidade para alguns exercerem o seu chico-espertismo e entrarem em falcatruas que lhes permitam receber, mesmo que nem ponham os pés numa escola. Não resolve nada, apenas cria mais problemas e só é duplamente taxado quem quer, se não quer por os filhos na escola pública é opção de cada um e só temos que fazer com que a escola pública seja melhor que qualquer privada, é nesse sentido que devemos caminhar, não o contrário.

Acho muito bem que todos paguemos a escola pública dos nossos impostos. A Educação é do interesse nacional e um direito que deve ser universal. Como tal deve estar sob alçada do Estado. O dinheiro não é gasto, é investido e todos nós ganhamos com uma população mais esclarecida, com mais conhecimentos e competências.


De Jorge A. a 2 de Novembro de 2007 às 22:17
"os ricos e a classe média alta colocam os seus filhos no ensino superior público"

não são os ricos que colocam os seus filhos... os filhos é que tem notas que os colocam lá... penso eu de que...

"Curiosamente, quando os pobres e a classe média baixa são empurrados para uma escola privada, continuando a pagar com os seus impostos a faculdade dos ricos, já ninguém os ouve a falar da liberdade de escolha."

Se os pobres e a classe média baixa são empurrados para uma escola privada é porque tem maus resultados escolares - no ensino superior à selectividade. Dúvido aliás que para um liberal, a solução para o ensino superior não passasse pelo financiamento exclusivo da mesma pelos alunos que frequentam tal ensino - com a introdução de mecanismos que garantissem o acesso dos mais desfavorecido a tal ensino.

Tem de perceber que no ensino secundário os pais com menos recursos não tem acesso ao colégio privado porque pagam impostos que lhes garantem o ensino estatal - sendo-lhes então impossível pagar duplamente para pôr o filho num colégio privado. É um sistema que beneficia os ricos, e prejudica os pobres. Já no ensino superior, se alguém não entra numa determinada faculdade, tal não tem origem no rendimento familiar, mas sim nas notas obtidas. Se introduzisse o cheque ensino no ensino primário e secundário, talvez a situação do panorama socioeconómico dos habituais alunos das faculdades públicas e privadas mudasse.


De Rui Carlos Gonçalves a 2 de Novembro de 2007 às 20:47
De certa forma, o cheque ensino já está implementado no ensino superior. Aí uma parte (cada vez mais) significativa dos custos já é suportada pelos alunos, que recebem o cheque ensino por forma de bolsas de estudo. Com a particularidade de que o cheque ensino só a dado a quem precisa (ou pelo menos era isto que devia acontecer).

Se calhar era um bom sistema para implementar também no ensino secundário (não no básico, visto que esse é obrigatório). Os alunos pagavam propinas mais elevadas, e em função das capacidades económicas de cada família, esse dinheiro poderia lhes ser devolvido.


De Tiago Loureiro a 2 de Novembro de 2007 às 19:31
O tom discriminatório de uma certa opinião não retira viabilidade ao cheque-ensino... Uma coisa não tem que ver com a outra.

http://oamigodoalheio.blogspot.com/ (http://oamigodoalheio.blogspot.com/)


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