Domingo, 23 de Dezembro de 2007
"Eu vejo o futuro repetir o passado. Eu vejo um museu de grandes novidades"
A Starbucks vai chegar a Portugal no próximo ano. Prometem revolucionar os cafés do país, oferecendo um espaço amplo para os clientes conversarem, lerem ou acederem à net na rede sem fios dos seus estabelecimentos. É o sinal dos tempos. Depois de, há pouco mais de 15 anos, termos assistido ao encerramento dos principais cafés do país, onde se podia conversar, estudar e ler o jornal sem ser importunado pelos empregados, vêm agora as grandes cadeias internacionais embrulhar o conceito e apresentar a mesma proposta como uma grande inovação.

Faz apenas dezasseis anos que a McDonalds instalou o seu primeiro restaurante em Lisboa nas instalações do antigo café Colombo. O local não podia ser mais simbólico. O país estava com pressa de modernidade e não tinha mais tempo para se sentar no café a ler o jornal e a conversar. Um a um, vários se lhe seguiram. O Café Portugal e a Chave de Ouro, em Lisboa, ou o Café Imperial na Praça da Liberdade, são apenas alguns exemplos. Agora, basta um breve passeio pela baixa de Lisboa e é impossível não tropeçarmos num qualquer chill out café ou lounge café . Locais onde se pode estar com tempo e com calma. Nada contra. Mas não deixa de ser um exemplar retrato da forma como a economia global nos embrulha a modernidade, reescrevendo a história e vendendo o velho como uma novidade absoluta. Não se apropria apenas das fachadas e do espaço físico. Resgata a memória e a língua. É como se nada tivesse existido antes destes espaços normalizados, estandardizados e assépticos. O velho é novo. O novo é velho. A novílingua passou por aqui. E esqueceu-se do tabaco, claro.

* título do post retirado da letra d´O tempo não pára, de Cazuza.
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publicado por Pedro Sales às 22:47
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Comentários:
De Pedro Sales a 28 de Dezembro de 2007 às 18:46
Pos e Filinto,

Já está corrigido.


De POS a 28 de Dezembro de 2007 às 13:14
Recuperando a nota do Filinto, é o café Imperial, na Praça da Liberdade e não na Avenida dos Aliados.


De luispedro a 26 de Dezembro de 2007 às 18:55
Noutros países (como no país de origem, os EUA), vingou porque era de facto um novo conceito: o café. Em Portugal, não é.

Prevejo que se safe bem em Portugal (até porque traz alguma coisa nova ou, pelo menos, ainda invulgar em portugal, como mudar o café que serve para ser do Brasil esta semana, da Colombia para a próxima; ou outro tipo de pastelarias de muita qualidade), mas não terá o mesmo impacto que noutros países onde foi um dos motores duma nova cultura de café.


De filinto a 26 de Dezembro de 2007 às 09:35
O café da Avenida dos Aliados (se for a do Porto) é o Imperial.

No Porto, muitos cafés foram recuperados ainda antes da explicação lounge (ehe) e não foram tão dizimados como em Lisboa. Vão transformar-se quase todos em locais livres de fumo, isso é verdade.


De Sushi Master a 25 de Dezembro de 2007 às 13:49
Um pouco Velho do Restelo, mas pronto. É Natal e ninguém leva a mal...


De Simões a 24 de Dezembro de 2007 às 12:20
Grande verdade. Lounge cafés é o que não falta por aí. Ainda assim, ainda há tanto e tanto estabelecimento com bom café (para começar), boa comida, bom serviço e preços muito mais atractivos que qualquer salão com puffs e cornucópias psicadélicas. E enquanto existirem estas "instituições", contam comigo como cliente.

Ah, e só tenho 23 anos. Tenho é pouca necessidade de me publicitar socialmente.

Viva a imperial e o pires de tremoços!


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