Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007
A coutada do ignorante latino
O despedimento de um cozinheiro infectado com HIV, reconhecido pelo Tribunal da Relação, vem confirmar como a mentalidade da “coutada do macho latino” continua bem presente no interior dos tribunais portugueses. Como já tinha sido confirmado pelos pareceres científicos solicitados pelo tribunal, e é reiterado por todos os médicos contactados pela imprensa, a concentração de vírus existente no suor, lágrimas e saliva impossibilita a transmissão do mesmo nessas condições. Não existe, aliás, nenhum caso conhecido de contaminação nas circunstâncias referidas pelo acórdão. Ao contrário do que afirmam os juízes, este acórdão não protege a saúde pública. Põe-na em causa. Naturalmente, se se generaliza a convicção de que o destino de um seropositivo é o desemprego, o passo seguinte é andar toda a gente a esconder a sua ficha clínica da entidade patronal. O resultado é o aumento da insegurança, nunca o contrário. Costuma ser esse o preço da ignorância.

publicado por Pedro Sales às 19:48
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Comentários:
De Rui Vasco Neto a 20 de Novembro de 2007 às 16:19
pedro,
tenho para a troca 'a coutada do macho saudita' e 'quem nunca comeu em hotéis que atire a primeira pedra'. duas pérolas, acredita, sobre a dioptria das togas.

http://setevidascomoosgatos.blogspot.com/2007/11/quem-nunca-comeu-em-hotis-que-atire.html

http://setevidascomoosgatos.blogspot.com/2007/11/coutada-do-macho-saudita.html

abraço

rvn


De Nuno a 20 de Novembro de 2007 às 13:48
Não vejo onde está a discussão. Há tempos o BE - numa polémica que não faz sentido nenhum e que mostra até uma certa alienação- levantou um pé de vento por a seropositividade ser motivo de chumbo para ingressar nas forças armadas. A mim parece-me que é perfeitamente legítimo não manter um cozinheiro com SIDA. Um cozinheiro trabalha com facas e corta-se. Há fluídos mais arriscados do que o suor de que se fala aqui. Isto parece andar tudo ao lado do fulcro. Já não me parece legítimo despedi-lo. Mas não tem sido aqui que a tónica se tem colocado. Eventualmente, será caso de reforma. Também me parece legítimo que quem tem trabalhos que impliquem riscos de cortes seja enquadrado nestes contingentes. Tal como não me parece bem manter a operar um cirugião seropositivo, parece-me ética e deontologicamente mais do que aceitável e admissível que um cirurgião peça análises de HIV aos seus operados para que possa reforçar cautelas.


De dr maybe a 20 de Novembro de 2007 às 09:53
Há uma petição online contra este acordão:
http://www.petitiononline.com/INSANE/petition.html


De Pedro Sales a 20 de Novembro de 2007 às 01:40
Cara P. Maria,

Claro. mas são, os médicos e os cientistas, e não juízes, que podem avaliar quando é que existe perigo para a saúde pública. Sucede que o tribunal decidiu em sentido contrário ao de todos os pareceres médicos e científicos que o próprio solicitou.


De Hugo a 20 de Novembro de 2007 às 01:18
Estes juízes também precisam de ler mais, para não tomarem decisões erradas como esta.


De Heliocoptero a 19 de Novembro de 2007 às 22:53
Por vezes pergunto-me se as pessoas chegam sequer a ler o que se escreve nos blogues antes de deixarem comentários...


De P.Maria a 19 de Novembro de 2007 às 21:29
e a saúde pública?
nao deve prevalecer sobre direitos individuais?


De PRS a 24 de Março de 2009 às 18:25
Eu peço desculpa mas andava a pesquisar algumas situações irregulares na Justiça e deparei-me com esta discussão já com 2 anos... Será que o indivíduo que é portador de HIV e cozinheiro não põe a saúde das outras pessoas em risco ao manusear instrumentos de corte? Vamos lá supor que o cozinheiro se corta ao usar descascar qualquer coisa e não repara no corte ou não repara que salpicou uma panela... Tenham dó e vamos a não criar a ideia de que alguém que se encontra doente pode trabalhar como se fosse alguém saudável. É quase tão ridículo como dizer que não há qualquer problema se um cozinheiro estiver constipado a espirrar para cima da comida. Bem, este apenas transmite uma constipaçãozita que 90% das vezes não mata... Talvez não seja assim tão parecida a situação.


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