Quarta-feira, 1 de Agosto de 2007
Mais um casmurro que ainda não compreendeu que o problema do país é a imoderação salarial
Através do Renas e Veados, descobri a surpreendente história de Adolfo Carvalho, o homem que prefere ser sem-abrigo em Copenhaga do que funcionário público em Amarante. Há sete anos, desde que tirou uma licença sem vencimento do trabalho que fazia como electricista numa escola, que vive da recolha de garrafas na capital dinamarquesa. Apesar de não ter casa, diz que nunca viveu tão bem. Todos os dias arrecada 50 euros, o que lhe dá para “comer e beber bem” e para vir, todos os anos, a Portugal de avião. É em Copenhaga que quer morrer, até porque não se está a ver a regressar a Portugal para o seu emprego que, “no máximo, daria 500 euros por mês”.

Ao ler esta história não pude deixar de me lembrar das declarações de Braga Macedo este fim-de-semana ao JN: “ao lado do rigor orçamental temos a imoderação salarial, que é absolutamente básica e em que Portugal é, infelizmente, o pior aluno da zona euro. Temos pelo menos há uns dez anos um excesso de crescimento salarial para além da produtividade que é difícil de reabsorver”. Num país onde o salário mínimo está nos 400 euros e o salário médio à volta dos 750, falar em imoderação salarial chega a ser grotesco. Não devia ser neste exemplo que pensava o antigo ministro do "oásis" cavaquista, mas até há por aí muita imoderação salarial nos salários dos administradores das empresas cotadas em bolsa.

O Adolfo Carvalho, e os milhões de trabalhadores com salários miseráveis é que não têm que passar a vida a ouvir esta história da carochinha sobre os salários elevados como se ela tivesse alguma coisa a ver com eles. Haja decência.

publicado por Pedro Sales às 15:51
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Comentários:
De Anónimo a 1 de Agosto de 2007 às 17:26
Lá se garantiram os tachitos dos boys&girls da câmara de Lisboa.


De samuel a 1 de Agosto de 2007 às 16:55
O que o Adolfo Carvalho não conta, certamente por pudor, é a quantidade de "bragas de macedo" e outros montes de merda do mesmo calibre, que todos os dias encontra no lixo onde recolhe as preciosas garrafas, só que a esses deixa-os lá ficar, pois nem reciclados valem alguma coisa.


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