Sábado, 29 de Setembro de 2007
A nova guerra fria
(Calote gelada a esverdeado. A versão de alta definição desta imagem da
Agência Espacial Europeia pode ser encontrada aqui).


O aquecimento global está a derreter o Pólo Norte a uma velocidade superior às previsões dos modelos climáticos mais pessimistas. A calote gelada tem, actualmente, 3 milhões de quilómetros quadrados, tendo diminuído na última década a uma média anual de 100 mil quilómetros quadrados. Uma redução tão acentuada que permitiu - pela primeira vez desde que há registos - a abertura de uma nova rota de navegação marítima no topo do planeta.

Uma catástrofe ecológica eminente que deveria preocupar as principais nações, poderíamos pensar. Nem por isso. Em todas as tragédias há quem vislumbre oportunidades de negócio e as que, agora, estão à mão de semear no Pólo Norte são as mais apetecíveis: petróleo e gás natural. Em grandes quantidades. Enquanto a maioria dos líderes mundiais se juntavam em Nova Iorque para anunciar a sua preocupação com o aquecimento global, o mundo que verdadeiramente conta festeja as possibilidades entreabertas com a abertura de um novo corredor marítimo que permite revolucionar o comércio internacional. Basta ler o artigo da Time, transcrito esta semana pela Visão, para perceber como só agora começou a guerra fria pelo controlo político, e económico, desta região, envolvendo os Estados Unidos, Rússia, Canadá e Noruega.

Suprema ironia. As novas reservas de combustíveis fósseis estão agora acessíveis graças à destruição ecológica causada pela emissão poluente desses mesmos combustíveis. Na natureza, nada se perde, tudo se transforma. O problema é quando o ser humano se intromete na equação.

publicado por Pedro Sales às 16:46
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Comentários:
De José M. Sousa a 30 de Setembro de 2007 às 12:01
A respeito do comércio mundial, o problema é que poderão não existir os actuais portos por onde esse comércio passa. Se o gelo oceânico(que não afecta o nível do mar) do Árctico derreter, será de presumir que derretá também o gelo continental, nomeadamente o da Gronelândia e, esse sim, poderá fazer submergir todos esses portos. Falta bom senso aos dirigentes mundiais.


De Pedro Sales a 30 de Setembro de 2007 às 08:48
Apache,

Sim, quando falo de "registos" estou a falar do acompanhamento por satélite que teve lugar nos últimos 30 anos.

Já conhecia a história de Willy de Roos, mas convém lembrar que a sua viagem demorou 3 meses! É um feito para comemorar, mas não prova a existência de um corredor navegável. Ele perdeu a maior parte do tempo da sua viagem a deslocar-se para sul e norte à procura de passagem.

Agora, pela primeira vez, existe um corredor navegável, permitindo a passagem de barcos de grande porte. Existe uma grande diferença entre um iate de 13 metros e os cargueiros que enchem os portos europeus e dos EUA de televisões ou computadores vindos da China. E esses, agora, podem passar. O que faz toda a diferença.

Fazer a travessia num iate de 13 metros é suficiente para encher as páginas de alguns livros com um feito marítimo, com barcos de grande porte pode ter consequências decisivas no comércio mundial. É isso que faz muita gente esfregar as mãos de contentamento.


De Apache a 30 de Setembro de 2007 às 03:40
Só um pequeno esclarecimento...
Quando escreve que o derretimento do gelo Árctico permitiu a abertura de um corredor navegável, "pela primeira vez desde que há registos", refere-se aos registos de satélite (que começaram em 1979) e não aos registos meteorológicos.
A última notícia da abertura deste corredor, datava de Setembro de 1977 (precisamente há 30 anos), quando o belga Willy de Roos atingiu águas do Pacífico, aos comandos do seu iate de 13 metros, de em Junho ter zarpado de um porto inglês.


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