Sábado, 30 de Junho de 2007
Um governo sem sentido de humor
Sejamos claros. Os únicos comentários "jocosos", neste lamentável episódio da exoneração da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, foram todos feitos pela mesma pessoa. O ministro Correia de Campos, na polémica entrevista que está na origem de mais um caso de perseguição política na administração pública.

Senão, o que dizer do bom senso do ministro quando este diz que, ao primeiro problema de saúde que tiver de noite, vai às urgências de um hospital: ”Nunca vou a um Serviço de Atendimento Permanente, nem nunca irei!” Porquê? “Porque não têm condições de qualidade. Têm um médico e um enfermeiro e conferem uma falsa sensação de segurança”.

Não é preciso ser muito esperto para perceber que, num país em que a cultura enraizada leva cada pessoa com uma dor de cabeça às urgências, as palavras do ministro são um disparate técnico, um desastre comunicacional e um rombo na confiança que os portugueses devem colocar na qualidade dos centros de saúde. A não ser, claro, que o objectivo da entrevista fosse mesmo esse. Criar as condições para a extinção destes serviços e, com isso, poupar mais uns milhões de euros à custa do acesso de milhares de portugueses aos cuidados de saúde.

Que o ministro considere “jocosas”, e atentatórias da sua dignidade, a reprodução das suas afirmações num centro de saúde diz bem do ponto a que chegámos. Como os desígnios de Deus, também as palavras dos senhores ministros socialistas são imperscrutáveis e a sua douta interpretação só compete aos iluminados. Os detentores de um cartãozinho rosa, claro.

Não nos deixemos enganar. Podem ter sido uns jotinhas que denunciaram o caso, pode até ter sido a ARS/Norte a mexer os cordelinhos para que a senhora fosse demitida, mas quem assinou o despacho a exonerar uma funcionária pública porque esta se recusou a comportar como uma comissária política foi Correia de Campos. O mesmo Correia de Campos que foi surpreendentemente lesto a nomear para o lugar vago um vereador socialista e a vir a público, em conferência de imprensa, garantir a normalidade de toda esta trapalhada.

Tudo, nesta história, começa e acaba em Correia de Campos. Desta vez não é uma qualquer obscura directora-geral, com fama de sectarismo politico, quem está no centro das atenções. É um ministro. Não nos venham, portanto, tentar vender a ideia de que o caso Charrua foi um caso isolado. Não, a nova Margarida Moreira senta-se todas as quintas-feiras no Conselho de Ministros.

publicado por Pedro Sales às 14:43
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Comentários:
De Isabela a 5 de Julho de 2007 às 22:58
Nem mais.


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