Quinta-feira, 28 de Junho de 2007
Louisiana em chamas
Com calor e sem sítio para se esconder do sol, um jovem estudante negro de uma escola de Jena - pequena terra do Louisiana, nos EUA -, pediu ao director para se abrigar debaixo de uma árvore “reservada para brancos”. O responsável disse que não se importava com o sítio onde os estudantes se sentavam. Não se importava ele, mas o mesmo não pensaram os habitantes da terra. No dia seguinte, quando chegaram à escola, os alunos depararam com uma imagem que há muito se julgava perdida nos confins da história: 3 cordas estavam dependuradas da árvore.

Foi o bastante para agudizar a conflitualidade racial, sentimento reforçado quando os responsáveis pela “brincadeira” de mau gosto não foram alvo de qualquer medida disciplinar. Quatro meses depois, a 4 de Dezembro, um pequeno grupo de estudantes negros agrediu um jovem branco, que ficou com algumas nódoas negras e contusões. Começou ontem o seu julgamento, com as autoridades locais a pedirem 50 anos de prisão por um incidente que não o impediu de ir às aulas no próprio dia. A acusação, pasme-se, tentativa de homicídio em segundo grau. A fiança, inalcançável para as posses de qualquer família negra de uma localidade perdida do mundo, 138000 dólares. Numa terra onde isso ainda faz toda a diferença, só há jurados brancos e os familiares dos acusados não acreditam num julgamento justo. Ninguém os pode levar a mal, são anos e anos a verem uma árvore à distância que ainda marca o racismo da América profunda.

Hoje, continua este julgamento que deveria envergonhar qualquer pessoa com um pingo de decência. Quem está no banco dos réus não são os jovens que deram uns tabefes num colega de escola. São os habitantes de Jena, e o seu estúpido preconceito, e o sistema judicial norte-americano que ainda parece refém de um racismo que se julgava enterrado com as memórias do KKK.
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publicado por Pedro Sales às 14:01
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Comentários:
De zero de conduta a 29 de Junho de 2007 às 23:43
João,

Reconheço que a formulação não é a melhor, tem razão. Que existe racismo por aqueles lados não se pode negar. Que o mesmo é forte também, a começar pelo das autoridades. Mas nunca se deve generalizar de uma forma tão abstracta. Deveria ter tido mais cuidado na formulação da frase e dizer que eram "alguns habitantes da terra". Mesmo que sejam quase todos, assim estaria mais correcto assim.

Obrigado pelo reparo.


De Joao a 29 de Junho de 2007 às 21:45
é a maneira como se contam as coisas ... "mas o mesmo não pensaram os habitantes da terra." Todos os habitantes da terra? Todos colocaram os laços? Ou foram apenas uns parvos racistas? Racismo existe, não se pode negar.


De Dante's Phosse a 29 de Junho de 2007 às 20:09
"(...) o sistema judicial norte-americano que ainda parece refém de um racismo (...)"
Quem nos dera que fosse só nos Estados Unidos.
O racismo está em todos os lados em todos os Tribunais.


De samuel a 28 de Junho de 2007 às 14:40
Utilizando o título do post anterior, "conhecer este senhor NÃO deve ter ajudado".
Ainda vamos ter que conviver muitos anos com esta América estúpida, ignorante, racista e "evangélica".


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