Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008
O tal canal

Portugal tem o mercado publicitário mais distorcido da Europa. Como em nenhum outro país, os anunciantes concentram o seu dinheiro na televisão (70% do volume de anúncios) e só não o fazem de uma forma mais intensa porque existem limitações legais que o impedem. A abertura do concurso para mais um canal de televisão em sinal aberto vai reforçar essa tendência, tornando ainda mais complicada a já debilitada situação financeira da maioria dos títulos da imprensa escrita. Uma comunicação social sem recursos e em permanente guerra para captar audiências e anunciantes não deveria interessar a ninguém, jornalistas incluídos. Conduz à degradação da informação. Ao fim do jornalismo de investigação. À diluição da autonomia dos seus profissionais. À diminuição da independência face ao poder politico e económico. À tabloidização de toda a imprensa, incluindo a de referência.

Abrir um canal televisivo em sinal aberto não é o mesmo que abrir uma padaria ou fábrica de curtumes. Tem profundas implicações no funcionamento do sistema democrático. A revolução não será televisionada, já diz a famosa canção dos anos 70, mas a verdade é que a democracia passa cada vez mais pela televisão. Para o bem e para o mal, a comunicação social é o principal mediador entre o sistema politico e a população. Não é por acaso que é nos liberais EUA que encontramos a legislação que mais entraves coloca à concentração da comunicação social. Por cá, contudo, o argumento liberal é que este licenciamento é um intrusão do Estado no normal funcionamento do mercado que deveria ter o direito de criar as estações em sinal aberto que entendesse. Dizem-no como se o licenciamento público das televisões generalistas fosse uma originalidade nacional e não ocorresse o mesmo em todos os outros países. Ao contrário do que argumentam, uma comunicação social sem meios de subsistência, e com profissionais cada vez mais precarizados, é que se torna refém de todo o tipo de interesses. A começar pelos mais fortes. Os do governo e os dos grandes grupos económicos.
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publicado por Pedro Sales às 16:32
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Comentários:
De telespectador a 6 de Janeiro de 2008 às 01:28
Mas olhe que não é de todo impossível que o mercado publicitário cresça mais um bocadinho (http://dn.sapo.pt/2007/11/23/media/galegos_querem_receber_televisao_por.html).. o governo é que não deve estar a fazer nada por isso...


De João Gomes a 5 de Janeiro de 2008 às 03:53
Pedro,

Tens aqui a minha opinião: http://aquelaopiniao.blogspot.com/2008/01/histria-do-tal-canal.html

Um abraço


De Rui Carlos Gonçalves a 5 de Janeiro de 2008 às 00:49
Quantos jornais existem? Acho que são bem mais do que os canais de sinal aberto.
Seguindo o mesmo raciocínio, a solução para os seus problemas seria o seu encerramento.

Muito provavelmente o Pedro Sales até tem TVCabo, e por isso não lhe faz diferença nenhuma mais ou menos canais de sinal aberto. Por mim, que não tenho TVCabo, podiam é acabar com todos os outros canais que não os de sinal aberto.


De telespectador a 4 de Janeiro de 2008 às 17:27
Mas também é verdade que os portugueses têm acesso a menos canais abertos que a generalidade dos europeus. E sobretudo não têm acesso a canais abertos locais ou regionais, o que também não é propriamente ideal para a democracia.


De Emprestimo a 17 de Janeiro de 2011 às 17:39
Adorei o blog, conteúdo muito bem escrito, layout bacana com cores amigáveis. Vou aproveitar e adicionar o blog nos meu favoritos. bjs! Maria Cecilia


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