Domingo, 20 de Janeiro de 2008
O bom
As notícias que dão conta da desumanidade das juntas médicas são manifestamente exageradas. Ontem mesmo, em carta enviada ao Público, Paulo Teixeira Pinto indica que passou “à situação de reforma em função de relatório de junta médica”. Certamente ainda mal refeito da forma como foi corrido do BCP e da Opus Dei, este banqueiro de 46 anos foi considerado inapto para o trabalho, apesar de já ter arranjado um cargo numa consultora financeira.

PS: Teixeira Pinto nega ter recebido 1o milhões de euros de "indemnização pela rescisão do contrato” com o BCP, garantindo que apenas recebeu a “remuneração total referente ao exercício de 2007”: 9.732 milhões de euros em "compensações" e "remunerações variáveis". Nada como ser preciso nestas coisas. E pedir ao Estado, através da tão vilipendiada Segurança Social, que lhe conforte as agruras da vida.

publicado por Pedro Sales às 23:42
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Comentários:
De serrata a 1 de Fevereiro de 2008 às 12:22
Não tenho muito mais a dizer A. Castanho; para mim a reforma não é nada que valha a pena "caçar"; aliás é algo miserável. Não tenho a visão da reforma ser uma remuneração sem trabalho; nem tenho nem é: é apenas a devolução de dinheiro que os trabalhadores são obrigados a entregar todos os meses ao estado.

Se não entende isto, olhe, não sei mais o que lhe diga.

Agradeço-lhe de qq modo a interessante conversa.


De A. Castanho a 1 de Fevereiro de 2008 às 12:12
Não, não é justo, porque nesse caso não deveria ter sido reformado por doença, deveria antes ter simplesmente mudado de emprego.


Ao reformar-se antecipadamente, por motivos de saúde, podendo continuar a trabalhar normalmente (e, ainda por cima, a descontar para uma segunda reforma!) estará a roubar descaradamente todos os que têm de porfiar até ao limite de idade para se reformarem.


Se não fosse assim, íamos todos para futebolistas profissionais, ou ginastas, e ao fim de alguns anos (e alguns milhares de cigarros) estaríamos, justamente, reformados por motivos de "saúde", podendo contudo prosseguir tranquilamente a nossa carreira profissional de... caçadores de reformas antecipadas!


De serrata a 31 de Janeiro de 2008 às 18:47
Não estamos de acordo. O que é óptimo.

Eu acho que não há problema nenhum em pagar a reforma ao homem e deixá-lo receber ordenado por outra actividade.

Aliás, acho que quando o homem deixar essa outra actividade, seja por tempo, seja (novamente) antecipadamente por doença, deveria receber uma segunda reforma, sendo que para o cálculo desta segunda reforma, contaria somente o tempo do 2º trabalho, como é óbvio.

É que obrigar o trabalhador a decidir entre as duas remunerações, pode levar à situação injusta de ele recusar o trabalho (o 2º) pelo pagamento ser inferior à reforma que já tem (ou obrigá-lo a trabalhar de graça), ou o que seria ainda pior, a receber por "baixo" da mesa.

Não me parece justo.

Enquanto que, pagar a reforma pelo tempo e rendimentos que teve no passado e pagar-lhe o ordenado pelo novo trabalho, reiniciando-se o tempo de contagem para uma 2ª reforma, não só me parece justo como me parece simples.


De A. Castanho a 31 de Janeiro de 2008 às 18:37
Tudo bem, serrata. Estamos mais uma vez de acordo quase em tudo.

Desta vez só divirjo na seguinte distinção, que me parece indispensável, entre a reforma por limite de tempo (que deve permitir acumulação de actividades e dos consequentes proventos), com a reforma ANTECIPADA, nomeadamente por doença.


Neste caso parece-me que não deve dar direito a acumulação de rendimentos. Ou seja, se o pedreiro está suficientemente doente para trabalhar no seu ofício, mas não para ensinar culinária (por exemplo), deve poder reformar-se por doença, sabendo porém que, se aceitar emprego como formador, terá de prescindir da sua pensão de reforma, pelo menos enquanto estiver empregado e até atingir a idade para se poder reformar sem ser por junta médica.


De acordo?


De serrata a 30 de Janeiro de 2008 às 00:10
Não há nada como pensar um bocado nas coisas.

A reforma (o que se recebe do estado) não é uma esmola, uma bonomia do estado para ajudar o pobre a viver. É dinheiro que o trabalhador foi dando ao estado ao longo da sua vida de trabalho e que o estado, a partir de determina altura, devolve sob a forma de uma renda.

Sendo assim, não há qualquer imoralidade em acumular a reforma com um salário de um outro trabalho.


De serrata a 29 de Janeiro de 2008 às 21:55
Caro A.Castanho

Mesmo sem ter opinião (ou saber) sobre a "noção de reforma" há, quanto a mim, um raciocínio lógico sobre o assunto:

supondo que um tipo é reformado por motivos de saúde comprovados, o que o impede de exercer outra atividade para a qual o problema de saúde que tem não seja um óbice?

(por exemplo: um pedreiro com problemas de coluna que pode dar formação de cantaria.)

segundo me parece, nada.

a questão do $$$. obrigá-lo a optar por uma das remunerações (em princípio a maior): reforma ou formação? talvez fosse justo mas não pensei muito no assunto.

mas aí, se optasse pela formação, o tempo de pedreiro teria que contar para uma possível futura (2ª) reforma. não me parecia mal.

o mesmo digo do caso do BCP, se é de reforma que se trata.


De A. Castanho a 29 de Janeiro de 2008 às 18:57
A serrata, em parte, tem razão. Se isto é um assunto interno do BCP e em nada afecta o Estado, não se compreende a campanha histérica que originou.


Só erra quando diz: «Depois, não vejo por que não possa alguém estar inapto para presidir a um banco e apto para consultor».


Se assim fosse, a própria condição de reformado não faria sentido: ninguém fica completamente inapto para todo e qualquer tipo de trabalho antes de morrer (ou de ficar inválido).


Ou será já isso que se pretende atingir: a própria noção da REFORMA? Verstanden?...


De kontestatario a 24 de Janeiro de 2008 às 11:53
Caros senhores e senhoras

inveja ou cusquice é relativo e extemporâneo, mas acho que todos estamos de acordo em que certas coisas devem ser denunciadas, que devemos TODOS falar, lutar, denunciar as dualidades de critério, as injustiças, no fim das contas estamos numa democracia, somos humanos solidários e não egoistas ou "deixa andar que quem vier atrás que trate disto" ou estou errado? parece que há certas pessoas aqui que se esquecem de que devemos lutar por valores e se temos uma "boa vida" a devemos a outras pessoas que não pensaram como se pensa agora, alguns até pagaram com a vida...não se esqueçam disso e sejam tolerantes, pensem no próximo....
fiquem em paz...
Um abraço com estima para o autor do post e para todos os intervenientes neste "debate"


De serrata a 23 de Janeiro de 2008 às 18:25
Já agora, tenho acho muita graça aos que, agora, se apoiam na mensagem do Presidente da República sobre os ordenados dos gestores.

Aposto que alguns dos que agora o louvam, cerraram fileiras ao lado daquele que acenava a bandeira do "perigo para o regime" que seria a eleição de Cavaco Silva.

A moral é só para algumas ocasiões; pois já sabia disso.


De serrata a 23 de Janeiro de 2008 às 18:17
Cara "rosinha dos limões", se coloca a questão na ordem da moral, enfim, nem vale a pena continuar a conversa orque não vamos chegar a lado nenhum.

Eu preferia manter a discusão sobre dados concretos.

Na minha opinião, quanto ao POST e comentários seguintes, o que importa é o seguinte:

1. é falaciosa (para dizer o mínimo) a insinuação sobre as "juntas médicas". Uma coisa é a "eventual" (que ainda não vi notícia disso em lado nenhum) junta médica que o BCP terá efectuado ao P.T.Pinto; outra coisa diferente são as juntas médicas do estado a funcionários públicos (a professora com cancro, etc).

2. é falaciosa a referência à suposta incapacidade do senhor versus capacidade para dar aulas, consultoria, etc. Num caso público (que parece não ser o caso do PTPinto) eu pergunto se alguém achará estranho um tipo ser dado como incapaz de ser POLÍCIA e, ao mesmo tempo, ser considerado capaz para dar aulas na Escola Superior de Polícia. E se se reformou por incapacidade porque não há-de receber a reforma a que tem direito? Se a lei permite e não está bem, mude-se a lei, mas deixe-se o TIPO em paz.

3. é abusivo colocar a questão nos 10 vs 9.732; a diferença não está aí como já disse num outro comentário.

4. todos os valores que o senhor está (e irá até ao fim da vida) receber são pagos pelo BCP; a segurança social não tem nada a ver com o assunto (salvo erro ou omissão :).

5. não estou contra nem a favor: estou-me nas tintas para quanto o BCP, a empresa do meu cunhado, vizinho, tio, etc, lhe paga. não quero, nem tenho que, saber disso para nada.

6. O BCP funciona assim; má gestão?? gestão ruinosa?? a valorização bolsista está aí para dar conta do descontentamento dos acionistas.

Portanto, e resumindo, se não é por inveja (terei exagerado) qual é o motivo do POST?? Expliquem-me que eu não sou idiota.

Se a rosinha me disser quanto ganha, é-me ou não legítimo achar que é pouco, muito, muitissimo ou até IMORAL??

E .... o que raio tenho eu a ver com o que a rosinha ganha ou deixa de ganhar??

O que é que eu sei da sua vida (e ainda que soubesse muito), para a partir disso fazer juízos de valor sobre a sua pessoa??

Se fizer comentários, sou bem capaz de ouvir das boas não??

Pois é.

No fundo é um POST demagógico, populista e que, claro, colhe.

Eu não compro.


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