Sábado, 8 de Setembro de 2007
Há bits e biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiits
O Departamento de Justiça dos Estado Unidos declarou-se contrário à manutenção da neutralidade da internet, o princípio que garante a igualdade no acesso a todas as páginas da rede. Com esta decisão, está dado um importante passo para uma velha pretensão dos principais operadores: poder cobrar dinheiro directamente aos sites garantindo, em troca, um acesso prioritário às suas páginas. As auto-estradas podem estar a chegar à net, mas desta vez não é para garantir uma maior rapidez. Apenas pretendem deixar os pequenos produtores e negócios indesejados na berma da estrada regional.

Esta discussão pode parecer estranha no nosso país, onde todas as decisões verdadeiramente importantes nunca são debatidas e raramente são escrutinadas, mas nos EUA tem sido alvo de intensa atenção legislativa e das entidades reguladoras. A democraticidade da internet sempre passou pela manutenção de uma arquitectura interna não hierarquirizada. Todos os sites e conteúdos são tratados de igual forma, destacando-se pela sua relevância.

Para justificar a sua pretensão de pôr fim à regulamentação na net, entregando-a à regulação feita pelo mercado, o Departamento de Justiça recorda que os consumidores encaram com naturalidade a existência de serviços com diferente rapidez na distribuição do correio postal. Uma analogia sem qualquer sentido, uma vez que, na net, os consumidores também já pagam diversas velocidades no acesso, desde o modem analógico, até à adsl e às potentes redes das maiores empresas. O que está em causa não é a velocidade no acesso, mas a igualdade de tratamento de todos os conteúdos. Quem quiser um mail mais rápido, ou um blogue que não fique horas para ser aberto bem pode começar a pensar em abrir os cordões à bolsa. Os dias da gratuitidade na net podem ter os dias contados.

O alcance desta medida é também outro. Lá, como cá, a maioria dos operadores estão ligados a empresas de comunicações que não vêm com bons olhos o crescimento e proliferação dos serviços de telefone pela net, como o Skype, sentindo-se ameaçados no seu modelo de negócio tradicional. Remetendo-o para o fim da linha, afectam a qualidade do serviço até o tornar obsoleto. Ou isso, ou a Skype aceita pagar aos operadores, passando a cobrar por um serviço que está apenas a consumir a largura de banda já paga pelos seus clientes. Admirável mundo novo em que se esmaga a concorrência, cobrando duas vezes por um serviço, e se diz que é para garantir a liberdade do mercado. A net é mesmo a rede das redes. Até na metáfora da vida.

publicado por Pedro Sales às 11:35
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Comentários:
De busilis a 10 de Setembro de 2007 às 17:38
Os grandes states vao agora trazer finalmente a democracia para a net.Aleluia Aleluia,ponham-se finos nao vao os vossos blogs ser considerados armas de destruiçao em massa...


De Pedro Sales a 9 de Setembro de 2007 às 01:58
Jam,

tem razão, mas repare que esta decisão é preocupante. Mais de metade do tráfego da net passa pelos EUA. Qualquer decisão que aí ocorra tem tendência para ser seguida no resto do mundo. Principalmente quando é o lucro das operadoras que está em causa e a hipótese de bloquearem modelos de negócio alternativos que escapem ao seu controlo. E não, nem é preciso alterar o contrato.


De Jam a 8 de Setembro de 2007 às 23:58
To be honest, essas ideias peregrinas não parecem ter qualquer eco fora dos EUA... e o resto do mundo é muito maior.

De qualquer forma, também não vejo como é que será possível às operadoras alterar milhões de contratos com a passividade dos utilizadores, diminuindo a real velocidade de acesso.

E ainda por outro lado, o futuro próximo passa pela IPTV, televisão de qualidade HDTV, por adsl, com ligações cada vez melhores...

Mas é de notar, Pedro Sales, que estas ideias já têm muitos anos... e as preocupações de páginas demorarem horas abrir e afins, são sobretudo argumentos desses tempos, em que as ligações eram, no geral, fracas. Hoje em dia já não é um argumento plausível. Aliás, hoje em dia, há-de reparar que raramente faz uso da totalidade da sua largura de banda e isso não se deve a qualquer restrição do seu operador, mas sim a limitações do lado que lhe manda a informação, que pode estar sobrecarregado, quer isso signifique pouca capacidade ou muitos utilizadores em simultâneo. São mesmo muito poucos os sites donde consegue fazer uso pleno da sua largura de banda... Um deles é certamente a Microsoft, sempre foi.


De Arrebenta a 8 de Setembro de 2007 às 17:33
Veja como Durão Barroso também já está a usar detergente biográfico, na "Wikipédia"...

http://asvicentinasdebraganza.blogspot.com/2007/09/o-ip-781300132.html#links


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