Sábado, 18 de Agosto de 2007
“O pessoal tem cuidado”
Meados de Agosto em Lisboa. As ruas estão quase desertas, não restando muito trânsito. Com pressa, meto-me ontem num táxi para o centro da cidade. Apesar do trânsito fluir como só é possível em Agosto, bastou uma pequena confusão na Fontes Pereira de Melo para despertar o edil em potência que há dentro de cada taxista.

- Está a ver? É sempre a mesma coisa, não respeitam os cruzamento e o corredor bus e depois ficamos para aqui à espera.
- Pois é, respondi eu, fingindo o mínimo interesse no assunto e continuando a ler o jornal.
- Está a ver, está a ver?, gritou, ainda mais alto, na esperança de captar a atenção. Olhe, mais dois carros a meterem-se na faixa do bus, e depois isto não avança. Os carritos que para aí andam não fiscalizam nada. Eles fazem o que querem e lhes apetece. Fingem que vão virar e fazem a Avenida toda à má fila. Eu sabia como é que se acabava com isto, há sabia, sabia.
- Pois...
- É uma coisa que eu cá tenho andado a pensar. E até era bastante simples, não eram precisos esses assessores todos, secretárias e motoristas da Câmara. Era só fazerem uma lei que dissesse que, qualquer carro que estivesse a ocupar um lugar no corredor bus, era sempre responsável pelos acidentes. E pronto. Começávamos a bater-lhes por trás e eles é que pagavam o conserto. Havia de ver como funcionava.
- Desculpe!?
- Sim. Olhe, ainda a semana passada tive que arranjar um farolim e o pára-choques. Imagina quanto é que custou? Pois é. Assim, batíamos-lhe na traseira do carro e eles é que pagavam. Resolvia os meus problemas na oficina e havia de ver como não punham cá mais os pés para empatar esta porcaria.
- Mas, olhe lá, isso parece um bocado perigoso, não acha?
- Não, porque o pessoal tem cuidado. Batíamos devagar, era só para lhes meter medo e eles gastarem o guito na oficina. Olhe que a coisa funcionava, olhe que a coisa funcionava...

publicado por Pedro Sales às 09:23
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Comentários:
De Anónimo a 20 de Agosto de 2007 às 12:02
se calhar o tipo tinha visto, no último tarantino, o gozo frenético mas punitivo das heroínas (o bem) a baterem na traseira do carro do vilão (o mal). ou então limitou-se a verbalizar fantasias de todos (?) os condutores de automóveis, coisas que, como se sabem, facilmente se deixam usar como instrumentos fálicos de agressão. o ps, se violenta pensar na profissão lixada (para evitar o uso da palavra mais apropriada neste caso) do 'seu' motorista de taxi e a comparar com o salário e outras compensações (materiais ou intelectuais) que ele recebe por ela, talvez desculpe, ao edil que nele (tão bem) detectou, a violência da política municipal.
passageira do tek-si


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