Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007
382866
A TVI divulgou, ontem à noite, as conclusões do Inquérito da Inspecção-Geral de Saúde de 2006. Segundo esse estudo, que foi ocultado pelo governo durante mais de um ano, em 2006 existia uma lista de espera de 382.866 pedidos para uma primeira consulta de especialidade hospitalar. Uma notícia duplamente incómoda. Pelo que revela da política de saúde do Governo, mas também sobre a metodologia política do próprio. Em primeiro lugar, e como se torna evidente, um número desta grandeza é a consequênca directa de uma política continuada de concentração e encerramento de serviços. Depois, e essa parece ser a parte que o governo menos percebe, não basta ter médicos. É preciso que eles estejam nos hospitais e centros de saúde. A exclusividade da carreira deve ser valorizada como a norma e não como a excepção. O Governo tem seguido o caminho oposto e, para poupar dinheiro, tem criado e favorecido todas as condições para os médicos encararem o serviço público como um pé de meia garantido que lhes permite, depois, ganhar mais dinheiro no privado.

A forma como o documento foi conhecido, através da imprensa, é reveladora sobre o entendimento instrumental que Correia de Campos tem dos organismos da administração pública e do escrutínio democrático dos actos do Governo. É inaceitável que os dados da administração pública sejam encarados pelo ministro como propriedade sua, divulgando o que entende e quando bem entende. Pode parecer estranho a Correia de Campos, mas este dado é quase tão significativo como o primeiro.
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publicado por Pedro Sales às 19:21
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Comentários:
De busilis a 3 de Novembro de 2007 às 22:30
No dia em que obrigarem os mèdicos a trabalhar em exclusividade no serviço publico , eles vao exigir condiçoes,e è aqui que o castelo de cartas desmorona.O poder da ordem dos mèdicos è aquele que os governos lhes dao,e passa por uma coisa tao simples como isto : no dia em que um tribunal condenar um mèdico por actos barbaros que chegam ao nosso conhecimento, e que a condenaçao seja cumprida,os mèdicos vao exigir horarios e periodos de descanço conforme a lei,equipes completas e equipamento.Se isso fosse exigido hoje,o sistema de saude colapsava em 48 h. A arte de "tristes" como o actual ministro è viverem como se nada disto fosse real.Os mèdicos ,perante lorpas deste calibre vao fazendo pela vidinha,que a morte è certa.(pelo menos para quem à cautela nao fizer um seguro de saude).


De S.V. a 3 de Novembro de 2007 às 13:02
Claro que o ministro age assim. Não quer que se saiba a vergonha que anda aí, isto porque só beneficia as clínicas privadas a que cada vez mais temos que recorrer para sermos atendidos mais rapidamente, mediante um pagamento nada pequeno claro.

Acho que depois da abertura de unidades privadas em locais onde foram fechados ou reduzidos os serviços de unidades de saúde públicas diz tudo o que há a dizer sobre a missão deste ministro da saúde no Governo de Portugal. Vejamos para onde vai quando sair do Governo.


De Anónimo a 3 de Novembro de 2007 às 08:29
Gostávamos imenso de te ter como sócio do Blogue das Artes, aquele que pretende ser o blogue de referencia em Portugal.

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