Terça-feira, 19 de Junho de 2007
Ségolène "Endemol" Royal
Ségolène Royal decidiu aproveitar os directos televisivos do rescaldo eleitoral das eleições de domingo para anunciar que se iria separar do seu companheiro, o actual líder do Partido Socialista Francês (PSF), François Hollande. Pelo meio deixou umas inacreditáveis declarações sobre a eventual infidelidade de Hollande. Na televisão. Em directo. No rescaldo eleitoral de uma eleições legislativas.

A utilização da vida privada para servir os propósitos e ambições pessoais não é novidade na carreira de Ségolène. Há poucos meses, e em plena campanha eleitoral para a presidência, Ségolène pediu em casamento François Hollande, a pessoa com quem vive em união de facto há mais de 20 anos.

Das duas vezes o mesmo padrão: a vida privada como estratégia eleitoral ou para que se fale da sua carreira politica. Primeiro, para piscar o olho ao eleitorado mais conservador, que poderia desaprovar essas “modernices” das uniões de facto. Agora, para desviar as atenções dos resultados eleitorais de domingo. É que, contra todas as previsões, que o davam como arrumado, o PSF subiu 30% em relação às últimas eleições legislativas, conquistando 44 lugares no parlamento. Um mau sinal para quem quer disputar a liderança.

Ségolène escancarou as portas da sua vida privada a milhões e milhões de franceses para iniciar, de forma aberta, a corrida para o lugar daquele que é agora o seu ex-companheiro. Ninguém toleraria um duelo familiar pela liderança partidária. Segoléne sabia-o e sabia que o papel de vítima costuma render. A vida privada para chamar o interesse, a infidelidade como trunfo, foi o que pensou.

O problema é que, aberta a porta, todos querem entrar e já não há legitimidade para chamar o porteiro para reservar o direito de admissão. O truque pode funcionar, uma, duas ou até mais vezes. Mas não funciona sempre. O final será sempre patético.

Carrilho, e a descarada utilização eleitoral da sua família nas páginas da imprensa cor-de-rosa, é o exemplo português deste fenómeno. Quando era o próprio que “encomendava” reportagens descontraídas sobre a passeata familiar à Feira do Livro estava tudo bem, o pior foi quando a imprensa começou a questionar o uso e abuso da família para sacar uns votos.

Ségolène deixou de ser a candidata a líder do PSF. Passou a ser um fenómeno cor-de-rosa. Segurança social, Constituição Europeia, impostos? Who cares? Que legitimidade terá, doravonte, Ségolène para dizer que ninguém lhe pergunta nada sobre esses temas e que só querem saber com quem é que ela acha que andava enrolado François Hollande? Nenhuma.

Resta saber, o que é bastante duvidoso, é se alguma vez Ségolène teve pretensões a que isso fosse diferente.

p.s: Não, não és a única.

publicado por Pedro Sales às 19:16
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Comentários:
De Metralhinha a 22 de Junho de 2007 às 00:21
A França já não é o que era em termos de separação entre a esfera pública e a privada. Começa agora a seguir os péssimos exemplos ingleses e norte-americanos. Quanto a nós, é melhor nem falar.


De San a 20 de Junho de 2007 às 15:15
Não nos estamos a esquecer da Mazarine Mitterand, pois não?


De Anónimo a 20 de Junho de 2007 às 02:09
Caro Pedro
Tendoa concordar, de novo, com o post (prometo não reincidir eheheh) que me parece bastante adequado. Todavia, aquilo que é feito por Segoléne às claras, é também muito comum em alguns dos nossos políticos por cá, só que feito de forma mais hábil, no fundo com o mesmo efeito, isto é, tirar vantagens públicas da exposição de matérias da vida privada. Um exemplo que sei que te é caro. Louçã (sempre como se nada fizesse) é mestre nisso. Desde a história "eu tenho uma filha você não tem e por isso não sabe o que é o sorriso de uma criança" até à parte privada que é dada para tirar vantagens públicas, nunca é visto, por exemplo, a fazer férias na neve ou em praias de fino recorte burguês, práticas supostamente mal vistas, por inacessíveis à maioria dos cidadãos. Louçã dá sempre a imagem privada que completa o seu objectivo político. Férias com muito livros, longas caminhadas a pé, reflexão no silêncio do fim do mundo na Ilha Graciosa. Nesta matéria venha quem atire a primeira pedra

Real


De josé manuel faria a 19 de Junho de 2007 às 22:31
Royal deu um grande tiro no pé.


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