Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007
A taxa que não saiu do saco
Afinal o governo não quer cobrar nenhuma "taxa ecológica" nos milhões de sacos que são distribuídos nas grandes superfícies. Nem pensar, diz o secretário de Estado. Não passou tudo de um estudo num anteprojecto que o Governo encomendou mas não aceitou. Não por acaso, de acordo com o Público, a SONAE e as grandes distribuidoras apressaram-se logo a criticar esta hipótese. O Governo cedeu. Fez mal. Na transigência e em meter a “taxa ecológica” no saco. Todos os anos são distribuídas 2000 toneladas de sacos de plástico. São milhões e milhões, a maioria das vezes para levarem um ou dois produtos. São milhares de toneladas de CO2. Ao contrário do que o governo quer fazer crer já pagamos os sacos. Na degradação da qualidade do ar e na poluição que perdura no ar por décadas e décadas. Para nem falar das emissões ambientais

Diz o secretário de Estado que o preço dos sacos não poderá ser "tão grande que pareça desproporcionado em relação ao objectivo", devendo "sensibilizar o cidadão para outras alternativas". Pelo contrário. O preço deverá ser mesmo um facto de dissuasão. É o único eficaz. A importância de taxas como esta é a de induzirem alterações no padrão da utilização de produtos que são, por natureza, ambientalmente nocivos, passando do desperdício para a substituição. E isso só é possível se a diferença entre o preço dos sacos vulgares e os reutilizáveis for mínima. Tudo o resto é pura cosmética. É o que já está a ser feito na Irlanda e começa a ser seguido um pouco por toda a Europa. Em Inglaterra é diferente. Mais de 80 cidades preparam-se para banir, totalmente, os sacos.

Mas a forma como o governo matou, ainda antes de nascer, uma “taxa ecológica" sobre o desperdício ambiental diz bastante sobre a sua forma de acção. O mesmo governo que usa e abusa da sua autoridade sobre trabalhadores e sindicatos é o primeiro a recuar perante as pressões das grandes cadeias comerciais. Aqui já não interessa ser moderno e acompanhar os restantes países europeus. José Sócrates fez da autoridade e determinação a sua imagem de marca. Há quem o compare a Cavaco Silva. Pode ser. Mas, quando é a SONAE que protesta e se faz ouvir, é o “dialogo” e as cedências de Guterres que encontra do outro lado.
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publicado por Pedro Sales às 20:36
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Comentários:
De Á de Moura Pina a 7 de Dezembro de 2007 às 22:41
Há sempre duas maneiras de olhar para o mesmo problema. No meu caso protestei contra a instauração de tal taxa «dita ecológica». Não acredito na virtualidade das taxas. Às taxas apenas reconheço o objectivo de diminuir o défice e sempre à custa do trabalhador. Ao abandonar esta taxa «supostamente ecológica» o Governo mais não fez do que reconhecer isso mesmo. O défice não pode ser reduzido sob protesto dos tubarões.
Se o Governo está de facto interessado nas questões do ambiente, tem muita coisa para fazer. Mas isso não passa por taxas sobre sacos de plásticos, como não passa por construir mais dez barragens ou defender a construção do maior parque fotovoltaico do mundo. Nada disto faz sentido num País em que vão para o lixo 7 dos 12 barris de petróleo importados em média por cada português num ano.
Á de Moura Pina
http://abrasivo.blogs.sapo.pt


De Gonçalo a 6 de Dezembro de 2007 às 23:36
Cá não passava de dupla tributação encapotada... se querem essa taxa entãoi acabem com a sociedade ponto verde... pelos vistos não faz mais nada a não ser cobrar a eco-taxa...


De JSA a 6 de Dezembro de 2007 às 11:02
Bom, posso referir o caso daqui da Holanda, onde os sacos não estão rpesentes nos supermercados. Ou melhor, estão, mas são ao custo de 20 cêntimos e fortes o suficiente para serem levados mais umas dezenas de vezes nas próximas idas às compras. Claro que a amioria das pessoas apenas ignora essa possibilidade e tem os seus sacos grandes, fortes e feitos de outros materiais, que duram anos e são constantemente reutilizados. Pessoalmente uso a mochila, mais prática para levar depois as coisas, mas muita gente anda com uns carrinhos-malas com que vão às compras.


De Bren a 6 de Dezembro de 2007 às 05:42
Interesting. I hate to bring up the States, but even before i left, grocery stores offered both plastic and paper bags. Plastic was looked down upon by the 'green' people but those who were unaware or just stupid, took the plastic.

I just saw a program on BBC1 about people who had made cloth bags to replace both plastic and paper and were distributing them free to shoppers.

Portugal makes recycling very difficult. I can't make the walk to the 3 recycling bins. The trash truck comes by every night but Saturday. Why couldn't one night be recycling night and paper, glass and aluminum could be picked up them?

There's money in aluminum. There are people (again I must mention the states) who make a meager, daily living out of collecting aluminum cans and taking them to a recycling center. I've mentioned this to people here and they've just laughed at me. The future will show who's right. : )


De Pedro Sales a 5 de Dezembro de 2007 às 23:30
Nelson,

Obrigado. Já está corrigido


De Nelson Peralta a 5 de Dezembro de 2007 às 23:20
o link "Mais de 80 cidades preparam-se para banir, totalmente, os sacos" está quebrado!


De JRV a 5 de Dezembro de 2007 às 22:10
Enfim, um passo atrás dificilmente explicável. O Secretário de Estado quase pediu desculpa por tão grande blasfémia. É curioso ver como a política do chicote rapidamente muda de máscara e se transforma em política do lava pés. Ainda por cima em assuntos como o ambiente...


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