Domingo, 27 de Janeiro de 2008
Que país é este?

Mais vale uma ambulância que leve rapidamente o paciente a uma verdadeira urgência, do que serviços que não conseguem fazê-lo com a qualidade necessária. Tem sido esta, invariavelmente, a resposta de Correia de Campos a todos quantos todos quantos têm criticado o encerramento de 30 SAP´s e urgências hospitalares. É por isso que a transcrição da conversa entre o INEM e os bombeiros de Favaios e Alijó demonstra, de uma forma destrutiva, a falência do plano do Governo: não só não se preocupou em abrir novas urgências nos centros de saúde ainda a funcionar, como continua sem garantir a ambulância.

E fica ainda o retrato de um país esquecido, abandonado e onde as ambulâncias mais próximas ficam a 60 quilómetros e demoram 1h20 a chegar. Bem pode o Governo, seguindo a moda do momento, dizer que é um problema de comunicação. Pelo contrário, há muito que os portugueses perceberam de uma forma exemplar a política do Governo para a Saúde. Não há nenhum plano de requalificação, tudo o que existe e tem sido feito tem apenas um fim: conter as despesas do Estado. Agora, como já se viu ontem no Expresso, multiplicam-se os comentadores a exigir que a oposição apresente alternativas. Não se sabe bem porquê, visto que o SNS é uma das raros matérias em que os portugueses não têm razões para temer a comparação com os indicadores internacionais de referência. Em 30 anos, o SNS catapultou um país com números do terceiro mundo para indicadores de referência que nos colocam à frente de alguns países escandinavos. Em que área da economia, ciência ou investigação é que isso acontece? Mesmo no privado. Que empresa portuguesa é que pode dizer que está entre a elite mundial na sua área?

Mas, querem uma alternativa? Não é muito difícil. O OE para 2008 consagra 380 milhões de euros para empresas de consultoria técnica e de comunicação. Uma absurda duplicação de recursos de um Governo que conta com centenas de assessores e técnicos nos ministérios, institutos, serviços centrais ou regionais. O Estado paga a assessores cuja única tarefa é adjudicar serviços a empresas externas. Podiam começar por aí e cortar mais de 90% nessa despesa de propaganda e auto-justificação das decisões políticas do Governo. Ficava mais barato do que desertificar o país e deixar as populações a mais de uma hora de um serviço de pré-emergência hospitalar. E podiam ter a certeza que os portugueses percebiam a política.

publicado por Pedro Sales às 14:13
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Comentários:
De Anónimo a 29 de Janeiro de 2008 às 23:08
Se o que havia antes, já era pouco, não é fechando serviços de saúde sem garantir verdadeiras alternativas, que mostram qualquer tipo de procupação com o bem estar das populações.....2 + 2 = 4! E, preocuparem-se com os ataques da direita? Se fosse esse o caso, o povo não tinha dado a maioria absoluta a um governo socialista (pensava-se, na altura)!


De Nuno a 29 de Janeiro de 2008 às 13:17
E o q havia antes?
Havia telefones para chamar táxis para levar o paciente ao hospital ou ao SAP para depois, nos casos sérios, serem transportados de ambulância para 1 hospital com verdadeiro serviço de urgência. Ficam melhor servidos concerteza!
Não acredito que se esteja a acabar com o SNS qdo este ministro foi um dos seus principais obreiros e defensores.
Acredito que algumas criticas são acéfalas e puramente sensacionalistas e perseguem objectivos que não são o bemn estar das populações!
Está-se a tentar salvar o SNS dos ataques da direita que tudo querem privatizar com a desculpa que o SNS tem muito desperdicio e é deficitário! Este é o caminho a seguir.


De Pedro Sales a 29 de Janeiro de 2008 às 03:23
Abrasivo,

Tem razão. A transcrição da conversa revela "fragilidade das estruturas em que assenta o SNS e não só". Mas, e aqui discordamos, põe em causa o anunciado plano de Correia de Campos. Porque é o próprio quem passa os dias na televisão a dizer que, fechando os SAP´s e urgências, as populações ficam melhor servidas com uma ambulância que as leve a uma verdadeira urgência. Ora, não havendo ambulância em tempo útil...


De Paulo Mouta a 29 de Janeiro de 2008 às 01:59
Deixo apenas um pequeno apendice a este excelente post.

O Serviço Nacional de Saúde é apenas mais um sistema a abater. Não é possível, por ser altamente contraditório, serem os inimigos do estado aqueles que o governam.

Todos os inimigos do estado pegam nele para o desmantelar e para o entregarem a interesses privados que mais tarde irão absorver os governantes que tomaram essas decisões. É regra sem excepção no nosso sistema.

O sistema de saúde está decadente porque interessa que esteja assim. Não é culpa dos médicos, não é culpa dos enfermeiros nem dos administrativos. É inteira culpa dos governos e fundamentalmente de quem os elegeu. Quando se vota nos inimigos do estado tem de se ter a consciência que todos os serviços que este ainda tem a seu cargo são para desaparecer progressivamente. Não se podem queixar os que vão às urnas e escolhem as soluções do PS (não o velho PS que esteve na criação deste SNS mas o novo travestido de esquerda), do PSD e do PP.


De João a 28 de Janeiro de 2008 às 12:39
Bom post.


De Filipe Tourais a 27 de Janeiro de 2008 às 22:53
A despesa aumentou 3,22%. Se diminuíram as parcelas correspondentes ao investimento público, às despesas de saúde que foram suprimidas com o encerramento de unidades de saúde e todas aquelas que passaram para as EPE e que deixaram de crescer para o défice, houve outras que cresceram muito mais que os 3.22%. Essas que refere. É esta a vitória deste Governo, conseguir passar a mensagem de que as contas públicas estão em ordem.


De abrasivo a 27 de Janeiro de 2008 às 18:28
Não me parece que a transcrição da conversa entre o INEM e os bombeiros de Favaios e Alijó demonstre a falência seja de que plano for.
Demonstra, quanto a mim, a fragilidade das estruturas em que assenta o SNS e não só.
É inegável que nos últimos 30 anos o SNS percorreu um longo caminho e ninguém pode ficar insensível às melhorias verificadas na Saúde em Portugal. Apesar de tudo...
Só que hoje o SNS está numa encruzilhada. Ou evolui, ou corre o risco de morrer. Até porque não faltarão razões, a quem o quer destruir, para o continuar a atacar.
Apesar de todos os ataques de que tem sido alvo, não estou convencido de que o plano do Governo para o SNS esteja errado. Até me parece o contrário.
Acontece é que ter um bom plano não basta. É preciso saber levá-lo à prática. E aqui o Governo tem falhado estrondosamente (ou talvez não!...), sobretudo porque parece querer ignorar, ou desconhecer (ou conta com isso) a realidade que a já referida gravação revela.
Ninguém começa a construir uma casa pelo telhado. O Governo parece disposto em demonstrar o contrário (talvez porque lhe convenha).
Contra isto, não há plano que resista. O problema é que, com esta actuação, se pode estar a virar as populações contra a implementação de um plano que até lhes poderia servir.
Há várias maneiras de acabar com o SNS. Dificilmente se encontraria uma mais fria, cerebral e letal.


De cadeiradopoder a 27 de Janeiro de 2008 às 18:00
Sem ambulâncias, sem bombeiros profissionais, sem GPS, e sem que o fecho das urgências tenha melhorado no que quer que seja que o Ministro ande para aí a papaguear.


De josé manuel faria a 27 de Janeiro de 2008 às 18:00
Este governo leva Portugal para o abismo.


De S.V. a 27 de Janeiro de 2008 às 16:05
As teorias da conspiração andam muito na moda... no entanto o conhecimento, mesmo de teorias da conspiração, nunca fez mal a ninguém com espírito crítico suficiente para conseguir separar o trigo do joio naquilo que vê.

http://www.zeitgeistmovie.com/



Quanto a isto tudo... um óptimo abre caminho para clínicas privadas, outsourcing de serviços de saúde e afins. A ver vamos para onde vai o nosso Ministro depois de sair do governo.

Ainda no outro dia comentava com amigos exactamente esses gastos do governo com coisas que, se realmente fosse preciso apertar o cinto, eram as primeiras a serem retiradas da dieta... mas isto iria chatear muitos compadres e padrinhos... traidores dos verdadeiros interesses da nação é o que muita desta cambada é.


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