Terça-feira, 25 de Setembro de 2007
Rabos de palha
Fotografia: (metrografismos)

Há pouco mais de uma semana, Marcelo Rebelo de Sousa disse que os dois candidatos à liderança do PSD deviam falar dos seus “rabos de palha”. Não foi preciso esperar muito, eles por si. Se a campanha já tinha demonstrado um vazio ideológico e programático que ficou bem espelhado no triste e inócuo debate televisivo, as notícias dos últimos dias são elucidativas sobre o estado a que chegou o PSD.

Quando são os próprios dirigentes que falam em “arrebanhamento de votos”, as regras eleitorais são alteradas para permitir que os militantes açorianos (que se pensa irem escolher Marques Mendes) possam votar sem terem as quotas em dia, ou se assiste a uma corrida às caixas multibanco, a altas horas da noite, para pagar centenas de quotas, dá para perceber quão ilusória é a ideia de que um dia a boa moeda tomará conta deste partido. A deriva populista de Menezes ou a ausência de estratégia de Mendes são o PSD que existe. Vazio, e sem nada para oferecer que o distancie programaticamente de um partido socialista que invadiu a sua área política. É essa a razão da crise do PSD. Marques Mendes e Luís Filipe Menezes são os protagonistas secundários.

Há demasiados anos que o PSD oferece este espectáculo. Santana Lopes, no país, ou Carmona Rodrigues, em Lisboa, são memórias bem frescas para alguém acreditar que a boa moeda aparecerá num qualquer dia de nevoeiro. O PSD há muito que está tomado pela má moeda. É ela que paga as quotas às duas da manhã e é ela que decide quem será o novo líder. A lógica é exemplarmente descrita hoje, no Diário de Notícias, por esse vulto do santanismo, Rui Gomes da Silva, que vota Menezes porque este é o "único capaz de ganhar eleições". É a única coisa que move esta gente. Voltar ao poder, ganhando eleições. Não espanta, pois, que nenhum dos candidatos tenha apresentado um programa eleitoral e se tenha importunado em apresentar alguma proposta para o país. Isso são minudências que não tiram o sono a esta gente. A essa hora estão nas caixas multibanco a lutar pela sua perpetuação no aparelho do partido.

publicado por Pedro Sales às 17:21
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Comentários:
De busilis a 27 de Setembro de 2007 às 13:16
Um fósforo,um fòsforo...o meu reino por um fòsforo...


De Anónimo a 25 de Setembro de 2007 às 20:38
Está a ficar completamente impossível viver em Portugal. A sede de poder e o vazio tomaram conta de tudo.


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