Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008
Foi você que falou em populismo?
Ontem foi dia de José Miguel Júdice na Sic. Começou a chamar "populista" e "gordo" a Marinho Pinto, comparando-o com Mussolini e Chavéz. Dada a salganhada ideológica, deduz-se que o termo de comparação é mesmo a proeminência da barriga. O tempo das ideologias já lá vai, pelo menos para Júdice, e nada como apontar as características físicas do adversário para marcar pontos na argumentação. Mas o melhor veio mais tarde, na edição da noite, onde tentou explicar como é que um restaurante de luxo, com uma localização ímpar no alto do parque mais central da capital, paga 500 euros de renda à câmara. Não explicou, é certo, mas nem por isso gostou de ver Teresa Caeiro lembrar que o ex-bastonário dos advogados é um dos sócios de tão suculento negócio. Uma"insinuação lamentável", disse, ainda por cima vinda de alguém que tem uma "relação íntima com um dos sócios". Nada como uma insinuação sobre a vida privada para combater uma crítica pública. Júdice anda preocupado com a figura que os outros andam a fazer. Devia olhar melhor para o seu exemplo e deixar as lições de moral, carregadas de insunuações, de lado. É que nem chega a ser populista. É só marialva.
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publicado por Pedro Sales às 08:18
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De Paulo Mouta a 9 de Fevereiro de 2008 às 23:51
Caro Lino José,

penso ter ficado bem clara a ideia, no meu comentário, que existe uma injustiça real em muitos casos de contratos antigos de arrendamento. Estamos de acordo quanto a isso. Contudo, essa conclusão não pode nem deve levar à análise que acabou de fazer.

É evidente que a sua análise não é sequer objectiva pois trata-se apenas e só de uma posição política, de uma opinião legítima mas incorrecta.

Não espero que compreenda a visão de esquerda do que é a democracia, e de que esta não pode existir sequer como conceito se não houver uma justiça social e uma distribuição justa de riqueza. Ambos sabemos que a seguir ao 25 de Abril foram tentadas muitas coisas. Umas positivas e outra negativas. Não houve propriamente uma verdadeira experiência revolucionária em Portugal e, sendo assim, os grandes culpados pelo estado das coisas são os governantes do pós-PREC e nomeadamente o PS e PSD que são os inimigos do estado e que tudo fizeram para destruir as ideias e conceitos (e consecutivamente as acções) que estiveram na origem daquilo a que o Lino José considera como estado ladrão.

A verdade é essa mesmo. O estado, desde o final desse processo conturbado e com muitos erros transformou-se. Não por culpa do processo em si mas de quem o geriu no após. Os grandes culpados pela situação que coloca não não são as loucuras da extrema-esquerda, que as houve e que muito prejudicaram e puseram em causa o processo revolucionário. A culpa é dos dois "monos" partidários que se formaram nos interesses do após e do anti, como é tão fácil de perceber nos nossos dias.

Como sabe a situação que coloca é absurda. O estado não favoreceu ninguém em favor de outros. Aliás deveria tê-lo feito e não fez. Se o estado viesse querer roubar-me os tais 80% do meu rendimento mensal não daria para sequer 1 milionésimo do financiamento que o estado faz a entidades privadas que são contratadas e concebidas muitas vezes como monopólios para determinadas compensações de concessões.

Mais lhe digo que existe uma boa parte (embora admito que seja uma minoria porque o ser humano é uma merda na sua natureza)de inquilinos que, pagando rendas irrisórias, sempre cuidou de fazer melhoramentos e benefícios à propriedade do senhorio. DOu-lhe um exemplo real que conheço. Uma casa que custou há cerca de 40 anos 150 contos na sua construção, com cinco fracções diferenciadas, foi alugada cada fracção por 1000 escudos mensais. Ao fim de 30 meses a construção ficou paga. O inquilino mais antigo estava em 2007 com uma renda de 50 euros mensais. Caro Lino José, basta fazer contas. Não podemos ver as coisas apenas e só de um ponto de vista. Nos centros das grandes cidades principalmente Lisboa e Porto vive-se uma desertificação preocupante e perigosa. Concordo consigo que muitos dos proprietários não podem, com as rendas recebidas melhorar e requalificar as suas propriedades, mas não sejamos ingénuos. Muitos casos de degradação são por puro e simples desleixo e por espera que os inquilinos morram para aproveitar os números convidativos da especulação imobiliária.

Acredite que PS e PSD são os grandes coveiros de toda a justiça social neste país. Não culpe a esquerda, mesmo que esta do Louçã e dos novos amigos recauchetados no BE tenha tido algumas culpas nas loucuras cometidas no após 25 de Abril.


De Lino José a 8 de Fevereiro de 2008 às 09:50
"Em primeiro lugar ninguém é obrigado a arrendar. Em segundo lugar, quem arrenda hoje fá-lo ao abrigo de leis que não colocam reservas ou tectos superiores de valores de arrendamento, logo não vejo qualquer razão para a choradeira dos proprietários."

Senhor Paulo Mouta

eu não falei dos contratos de arrendamento que se fazem actualmente e que não têm um tecto de renda nem uma duração ilimitada. Falo dos contratos de arrendamento antigos, cujas rendas foram congeladas durante anos a fio, por imposição do Estado, e que têm uma duração até à morte do inquilino.

Ou seja, o Estado obrigou os senhorios a "darem" as casas a outros cidadãos e limpou daí as mãos quanto ao assunto.

Os senhorios ficaram sem rendimentos, por um lado, e sem a capacidade financeira de tratarem dos seus imóveis.

Lembro que a grande maioria destes senhorios são cidadaõs que apostaram no mercado de arrendamento como forma de terem mais algum rendimento disponível, sobretudo na velhice. Foram miserávelmente ROUBADOS !

É a mesma coisa que o Estado se dirigisse a um grupo qualquer de cidadãos, por exemplo a si, senhor Paulo Mouta, e o obrigasse a abdicar de 90% dos seus rendimentos em favor do vizinho do lado que é pobre e não pode pagar uma casa.

Entretanto, os que demagogicamente se têm oposto ao fim desta injustiça, falo dos partidos de esquerda, nomeadamente o BE, e nomeadamente o senhor Louçã, são individuos, que não precisam de arriscar nada, uma vez que auferem pomposos vencimentos e têm a velhice mais do que assegurada, à custa dos nossos impostos, e mercê da sua actividade demagógica. São os Chuchialistas com o dinheiro dos outros. Ninguém os vê a darem um chavo para que um pobre possa pagar uma trenda de casa.

Os senhorios com rendas congeladas, têm mais dignidade num dedo do pé que todos os Louçãs deste mundo juntos, pois andam há anos a fio a subsidiarem DO SEU BOLSO (!) a habitação de muitos milhares de portugueses.

Não lhes peçam é que façam obras nos seus imóveis porque o que recebem deles nem dá para contratar uma mulher de limpeza.

Os hipócritas esquerdistas deram cabo do mercado de arrendamento; destruiram as legitimas aspirações dos seus proprietários, nacionalizaram-lhes os rendoimentos e os imóveis sem qualquer contrapartida; empurraram as pessoas para os braços dos bancos e depois têm a ousadia e a desfaçatez de virem reclamar que a Banca tem muitos lucros à custa do endividamento dos portugueses.


De Nuno Góis a 8 de Fevereiro de 2008 às 00:49
Voltando ao Júdice e ao Marinho Pinto, devo dizer que até estou a gostar deste início de Marinho Pinto. O que concerteza frustrará bastante Júdice, pois só em palavras Marinho já fez mais do que Júdice em todo o tempo que lá esteve.
Quanto à demagogia de dizer-se que tem que apresentar provas e ir para os tribunais...poupem-me. Toda a gente sabe de quem ele fala, toda a gente os pode pôr em tribunal. A questão que Marinho coloca é a da facilidade com que estes se safam deixando ficar mal quem os tenta incriminar. E tem mais: Marinho Pinto é bastonário e pode contribuir muito mais assim do que se tiver que se demitir para poder passar a vida a levar processos avante que em pouco ou nada darão, ou apenas resultarão em processos (injustos) de difamação contra o próprio. E esta é que é a grande questão.


De Paulo Mouta a 8 de Fevereiro de 2008 às 00:06
"Se uma renda de 500 euros é miserável o que dizer de rendas de 30 euros."

Ainda bem que temos pessoas conscientes do que é o país real! Tudo na vida é relativo e no entanto a verdade é sempre só e apenas uma. Existe efectivamente uma injustiça para com os donos de imóveis arrendados há muitos anos e cujos inquilinos nunca fizeram qualquer tipo de intervenção de melhoramento nas suas fracções. É injusto ser-lhes imputada a culpa de ter muitos desses imóveis em condições deploráveis. E aí devemos estar todos de acordo. Contudo dizer-se que 500 Euros é uma renda miserável implica estar a generalizar o que não pode ser generalizado. Em primeiro lugar ninguém é obrigado a arrendar. Em segundo lugar, quem arrenda hoje fá-lo ao abrigo de leis que não colocam reservas ou tectos superiores de valores de arrendamento, logo não vejo qualquer razão para a choradeira dos proprietários. Em terceiro lugar, muitos destes senhorios já não não os idosos mas os seus descendentes que à boa maneira portuguesa já queimaram todos os tostões que os pais lhes deixaram e agora não têm cheta para requalificar os seus imóveis mesmo que estes não estejam arrendados. Em quarto lugar, não nos podemos esquecer, existe o outro lado da questão, as largas centenas de milhares de pessoas (idosos sobretudo) que não sabem nem sonham sequem o que são reformas ou rendimentos de 500 Euros e que ainda por cima não são proprietários de coisa nenhuma.

É que esta questão dos 500 euros não nasceu aqui em vão. Ela vem de um caso concreto em que o estado, através da CML continua a fazer negócios completamente idiotas não tendo em conta o interesse do estado em si ou da população em concreto mas tomando sempre o partido da entidade privada que sai beneficiada. Enfim, nada de novo, faz lembrar as privatizações. Antes do seu anúncio toca a entupir as empresas de gastos e investimentos à custa do erário público para logo a seguir se vender por meia-dúzia de patacas aos privados.
Lá no fundo, em tudo isto o que muda é apenas o cheiro porque a merda é toda a mesma.


De Lino José a 7 de Fevereiro de 2008 às 16:14
A Câmara de Lisboa vai ter de indemnizar o construtor do Tunel do Marquês em 17,8 milhões de euros, à conta das providências cautelares do Zé.

Clarto que o Zé, como os todos os progressistas encartados, não pensa meter um chavo do seu bolso no sentido de aliviar o erário público, neste caso os Lisboetas, das despesas por ele causadas em nome do mediatismo.

Continhas feitas são aproximadamente 30.000 redas do Eleven.


De Anónimo a 7 de Fevereiro de 2008 às 13:45
o senhor lino josé - que pela conversa se situa à direita do espectro partidário - devia evitar expressões como chuchialismo ou chuchialistas, que foram usadas pelas esquerdas (designadamente pelo PCP) no contexto revolucionário. Era uma piada à falta de capacidade do PS para levar a cabo acções verdadeiramente revolucionárias e que servissem o povo. Daí gozarem, que não passavam de umas criancinhas, que ainda usavam chucha e daí o chuchialista, incapazes de fazer frente ao capital e que o capital venceria facilmente (o que aliás, era verdade). Não me parece que da sua parte uma expressão desse género faça sentido já que até os parece achar muito à esquerda (vá-se lá saber pq).


De Lino José a 7 de Fevereiro de 2008 às 13:15
Anónimo

se os prédios não têm obras à décadas é porque o Estado ROUBOU os rendimentos dos senhorios, legitimos proprietários e que pagam impostos pelas suas propriedades, impedimdo-os de as gerirem e de as requalificarem, porque as rendas miseráveis que recebm pura e simplesmente nem para levantar um andaime chegam .

O que se passa é isto : os chuchialistas da treta, demagogos e hipócritas todos eles, obrigarem os senhorios a abdicarem de 90% do seu rendimento em favor dos inquilinos. E eu pergunto : porque é que os chuchialistas, nomeadamente os que estão repimpados na AR não abdicam de 90% dos seus chorudos vencimentos e reformas em favor dos pobres inquilinos?

Não o fazem porque o "chuchialismo" sabe melhor quando é feito com o dinheiro dos outros e, sobretudo, quando à conta dele se garantem reformas vitalicias sem saber ler nem escrever.

Se uma renda de 500 euros é miserável o que dizer de rendas de 30 euros, por casas com 3 e 4 assoalhadas nos centros das cidades.

Os prédios pertencem aos senhorios ! Pagam impostos por eles ! É a eles que cabe determinar a renda que querem pedir por eles, não é ao Estado !

Se a sociedade quer proteger os inquilinos mais pobres é à Sociedade que cabe pagar os custos não a este ou àquele cidadão em particular seja ele senhorio ou não.

Há senhorios que subsidiam na casa das centenas de euros mês inquilinos que, muitos deles, nem disso têm necessidade !

Em face disto, toda a verborreia do demagogo Sá Fernandes à volta das rendas de 500 euros é isso mesmo : verborreia !!!!

Ele que se lembre que a maioria dos senhorios com rendas antigas são pessoasa de idade e, muitos deles, sem mais nenhum rendimento que aquele que expectavem receber dos seus imoveis e que o Estado lhes ROUBOU !


De Anónimo a 7 de Fevereiro de 2008 às 10:52
Sá Fernandes , tenta pôr um pouco de ordem na casa, e logo se levantam um coro de vozes a prostestarem....

A Camara cede espaços publicos para serem explorados a troco de uma renda.

O Eleven se comprasse o terreno numa zona nobre da cidade, para construir um restaurante de raiz quanto gastaria....

500 euros de renda é ridiculo, tal como os 1.000 que paga o campo de Tenis na mesma zona.

E é só disso que se trata, cobrar o justo valor pelos espaços, dar a concessão a espaços abandonados, e cobrar rendas onde isso nem sequer é feito.

Mas como se vê até temos conversa, sobre as rendas baixas, em muitos casos de predios sem obras á decadas, ás vezes sem casas de banho, mas isso é outro tema, e só quem quer atirar poeira para os olhos, mistura situações que nada têm de comparaveis.

Veja-se alguns casos de locais que há 3 e mais anos não pagavam nada....

A pergunta que se pode fazer é o que andou a fazer o vereador Antonio Proa do PSD.


De Lino José a 7 de Fevereiro de 2008 às 00:20
A propósito de rendas baixas e de rendas miseráveis o que eu tinha curiosidade era de saber o que pensa o demagogo do Sá Fernandes das rendas miseráveis de 20, 30, 40 euros que há décadas muitos senhorios são OBRIGADOS a cobrar.

Trata-se, evidentemente, de forçar esses senhorios e darem todos os meses um subsidio do seu bolso a pessoas que só conhecem por via contratual.

Trata-se além do mais de um ROUBO DESCARADO aos seus rendimentos e às suas expectativas quando dquiriram os imóveis para deles tirarem um rendimento para a velhice.

Auestão das rendas antigas é das questões mais miserévais, diria mais, nojentas que caracteriza estes socialista da trampa. Digo socialistas da trampa, porque só sabem fazer "socialismo" à custa do dinheiro e dos rendimentos dos outros, que não dos seus que estão mais do que garantidos por via do orçamento de estado.

Surpreende-me muito (ou talvez não) esta indignação do hipócrita do Sá Fernandes em relação a rendas de 500 euros quando o hipócrita do Louçã, a propósito da actualização (mais do que justa) das rendas antigas (e muito mais miseréveis que os tais 500 euros) disse que desse modo os senhorios "ficavam com a faca e o queijo na mão".


De Nuno a 6 de Fevereiro de 2008 às 18:13
A renovação da concessão já é especulação, embora seja legitma de se fazer dado o "estado da nação"! Espera-se q uma das coisas a fazer por este executivo da CML seja uma correcta gestão do património!
Qto ao caso concreto (após fazer as contas)concedo q a renda seja demasiado baixa estando-se a beneficiar privados(q não precisam daquilo para viver, precisavam antes era de pagar mais impostos).
O q me leva a perguntar qtos mais casos como este haverá poor este país fora?


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