Terça-feira, 25 de Setembro de 2007
A "benção da liberdade"
Apesar de todos os esforços e protestos do governo Iraquiano, os mercenários da Blackwater vão permanecer neste país e já retomaram mesmo as suas operações. Ao abrigo de uma lei aprovada pelo antigo administrador americano no Iraque, Paul Bremer, o Governo iraquiano não tem jurisdição sobre os actos destas companhias de mercenários. São inimputáveis por todas as mortes e crimes cometidos, tornando o Iraque numa versão moderna do velho oeste norte-americano.

A democratização do Médio Oriente começa em Bagdad e vai até Riade, assegurava há uns anos José Manuel Fernandes, quando ainda lhe escorria uma “lágrima furtiva” ao ver os soldados americanos entrarem em Bagdad para fazerem um novo “25 de Abril”. Era este o nível do debate há 4 anos, quando a imprensa estava ocupada por artigos a defender a ocupação do Iraque para garantir a a democracia, a liberdade e a soberania ao povo iraquiano. Embrenhados na sua retórica, esqueceram-se foi de nos explicar que a soberania nacional e o estado de direito têm limites muito precisos, só se aplicando quando não põem em causa os interesses e negócios da administração Bush.

Faz hoje uma semana que George Bush agradeceu a José Sócrates a sua contribuição, e o apoio do povo português, para que o povo iraquiano descobrisse a "benção da liberdade". Talvez por estar pouco à vontade com o inglês técnico, o primeiro-ministro não reagiu à forma como Bush o vinculou a uma estratégia pela qual já ninguém quer dar a cara.
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publicado por Pedro Sales às 08:04
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Comentários:
De Lino Jposé a 25 de Setembro de 2007 às 14:17
Os tipos da Blackwater estão lá contratados pela admnistração americana para assegurar a defesa da sua embaixada e não sei se de mais instalações.

Não sei dizer se tal está certo ou errado, assim como tenho séŕias dúvidas de que os elementos da Blackwater possam ser apelidados de "merceneários".

A Blackwater é uma companhia legal, certificada, e que presta serviços de segurança, com profisionais igualmente certificados. Não estou a ver onde esteja o "mercenarismo".

Como eu não acredito que se ponham a disparar às cegas a menos que sejam atacados, julgo que há aqui neste comentário muito anti-americanismo primário, típico da esquerda radical, que ainda não engoliu o facto de a maioria dos marxismos terem colapsado e atribirem as culpas desse facto aos americanos.

Também acho estranho que se refiram às "mortes e crimes" cometidos por estes elementos, dado que não sei em que dados se baseiam para lhes atribuirem tais epítetos. Ou por outra... sei. São americanos.

Que eu saiba mais de 90% das mortes ocorridas no Iraque nem sequer tem nada a ver com os Estados Unidos ou com a Blackwater. Essas mortes são o resultado de um extremismo religioso totalmente faccioso e criminoso, que leva seitas a matarem indiscriminadamente membros de outras seitas. É isso que eu vejo todos os dias na televisão.

Claro que para muitos ilustres esquerdistas, que fazem do anti-americanismo primário, profissão de fé, os crimes referidos no parágrafo anterior não são nada daquilo que eu disse, são isso sim, uma luta justa e brava contra o "invasor e ocupante americano". Ah... e imperialista também.


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