Sexta-feira, 5 de Outubro de 2007
Indignação selectiva
(construção da linha de alta tensão em Trajouce, Sintra)

Já passaram dois dias desde que o Supremo Tribunal Administrativo não aceitou o recurso da REN, obrigando esta empresa a desligar uma linha de muita alta tensão. A REN garante que "vai manter a funcionar a linha de muito alta tensão entre Fanhões e Trajouce, no concelho de Sintra, apesar da decisão do Supremo Tribunal Administrativo". O recurso para o Tribunal Constitucional é um expediente que, como dizem todos os especialistas ouvidos pela imprensa, não tem efeitos suspensivos sobre a decisão do tribunal. Não compete à REN julgar se o tribunal decidiu mal ou bem. Compete-lhe acatar a sua decisão e esperar que, no recurso, as suas posições prevaleçam. É assim com todos os cidadãos, não há nenhuma razão para que a REN se julgue acima das leis do Estado português.

Há dois dias que a REN desafia os tribunais e as leis da república portuguesa, perante a complacência geral e sem suscitar um milionésimo da indignação colectiva que varreu a imprensa e a blogosfera, em Agosto, com a o desrespeito pela lei e a falência da autoridade do Estado. Mas, se atendermos ao peso e responsabilidade dos intervenientes, esta decisão é bem mais gravosa que a destruição de um pequeno campo de milho por um grupo de adolescentes tardios. Trata-se uma empresa cotada em bolsa, com participação do Estado, e o recurso ao tribunal foi apresentado pela REN em conjunto com o ministério da economia.

Tudo nesta dualidade de critérios parece relevar de um puro preconceito de classe e para a origem política na indignação colectiva de Agosto. Enquanto o verde eufémia era um bando de adolescentes com um ar de freak, o José Penedos é um “senhor de bem” que veste fatos caros e gasta mais no corte de cabelo do que a maioria dos portugueses paga em electricidade. Para além disso, os cabos de muita alta tensão, por um qualquer efeito do acaso, só passam por bairros de pessoas com poucos recursos. Alguém imagina a REN a colocar estes cabos na Quinta da Marinha ou ao lado das Torres do Restelo? Pois é, também me parecia que não.

O que nos vale é que a esta hora, o Mário Crespo está a desvelar-se em contactos para garantir a presença do presidente da REN no seu programa. Tendo tomado o gosto com o Gualter Baptista, estamos certos que não enjeitará a oportunidade de confrontar, no mesmo tom jocoso e acintoso, José Penedos com o desrespeito pelo Estado de direito e a responsabilidade da sua empresa na falência da autoridade do Estado, perguntando-lhe se se julga acima da lei, das autoridades judiciais e do Estado português.

publicado por Pedro Sales às 14:20
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Comentários:
De José M. Sousa a 6 de Outubro de 2007 às 09:42
Os tribunais não têm, nestes casos, a obrigação de fazer valer as suas sentenças? Não é possível o tribunal mandar a policia cumprir a ordem? Parece que andam a gozar connosco, estes gestores destas empresas que se julgam de universo à parte neste país.


De busilis a 5 de Outubro de 2007 às 19:38
Vamos a ser realistas ò Sales uma coisa è eu ou tu ficarmos a tremelicar com uma sentença de um tribunal outra è a EDP.Em Portugal existem vàrios tipos de inimputàveis,juizes,mèdicos,politicos(os gestores publicos estao incluidos),e,(outra vez)cidadaos portadores de deficiencia mental.Logo pela lògica estes gajos cagam de alto para as sentenças dos tribunais.(conta-me algo de novo).


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