Sábado, 1 de Dezembro de 2007
O vazio como imagem de marca
Pelo que tem vindo na imprensa, e pelas declarações dos dirigentes do PSD, torna-se claro que foi Luís Filipe Menezes quem forçou os vereadores do seu partido a darem o dito por não dito, forçando-os a votar contra um empréstimo que tinham aceite dois meses antes quando aprovaram o plano de saneamento financeiro da capital. Ao Diário de Notícias, uma fonte do PSD garantiu que "O dr. António Costa tem que fazer gestão e poupar, como todos os outros autarcas”. Todos, menos Menezes, que preside à segunda autarquia mais endividada do país. Como já se viu, a crise em Lisboa é totalmente artificial e não passa de uma desesperada tentativa do PSD para provar que está vivo. Que diz que não cede e que vai obrigar António Costa a negociar. Palavras fortes para quem se arrisca a não ter cartas para continuar o jogo. Quem está na Assembleia é Teixeira da Cruz que, tudo o indica, pretende viabilizar o empréstimo. Toda a restante oposição vai votar com António Costa. O PSD está preso por seis votos. Dos 56 deputados laranja, 33 são presidentes de junta de freguesia. Que precisam que se pague aos fornecedores para terem acesso aos seus serviços. Não parece haver grande solução para Negrão e Menezes. Ou o partido cede, percebendo-se que não tem poder negocial, ou não desiste e perde, mostrando que se tornou irrelevante. Em dois meses de liderança de Luís Filipe Menezes, o homem que ia provar o que era fazer oposição arrisca tornar-se numa anedota. No Orçamento ninguém viu o PSD, reduzido ao lamentável show Santana. Era contra os pactos, e não faz outra coisa todos os dias. Está em todos os noticiários, mas ainda não se lhe conhece uma proposta ou ideia. Hoje, DN e Expresso dão conta das críticas de Menezes à forma como o governo tem vindo a adiar uma decisão sobre a televisão digital terrestre. A sua solução. Não se sabe. Só em Janeiro. Começa a ser a sua imagem de marca.
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publicado por Pedro Sales às 18:06
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Comentários:
De Bernardino Aranda a 3 de Dezembro de 2007 às 17:35
O que acho incrível é que, para os jornalistas, o passivo de uma Câmara Municipal parece ser uma matéria de opinião e não de facto.

“A dívida rolante que o PSD encontrou quando chegou à CML em 2002 era de 500 Milhões de Euros e começou a ser reduzida, ainda no mandato de Pedro Santana Lopes, para 490 milhões, dizem fontes próximas de Menezes”

Mas desde quando é que a dívida de uma câmara se apura por fontes próximas, srs. Jornalistas?

Não sabem os srs. Jornalistas, que os municípios têm departamentos de contabilidade, com dezenas de funcionários competentes para o efeito, que têm que seguir as regras rígidas do POCAL, que elaboram documentos oficiais que são fiscalizados por várias entidades públicas, nomeadamente pelo Tribunal de Contas?

Os balanços da Câmara de são o que são.

Se querem fazer uma notícia sobre as dívidas da câmara, consultem as demonstrações financeiras e verifiquem que desde Dezembro de 2001 a Maio de 2007, a dívida a fornecedores passou de 10.920.323.000$00, para €532.602.170,67. Isto é, subiu (fazendo o euro a 200 escudos) subiu 875,43% no município de Lisboa.

Em www.gentedelisboa.blogspot.com


De Paulo Mouta a 2 de Dezembro de 2007 às 03:41
Embora concordando com as análises do Pedro Sales num plano geral tenho apenas um reparo a fazer. Menezes enquanto presidente do município de Gaia não pode ser visto de uma forma assim tão simplista. É que temos de verificar os números também daquilo que vai ser em muito pouco tempo uma enorme fonte de receita para este município. Gaia hoje está a anos-luz do que estava na anterior gestão autárquica ruinosa do PS. Como o Pedro diz, é a segunda autarquia mais endividada, contudo devemos contar o crescimento populacional. O número e a qualidade de projectos urbanisticos aprovados e em desenvolvimento torna Gaia, não na margem sul do Porto, mas certamente que será em poucos anos o centro desta região.
Não pretendo com estas palavras fazer o elogio de Menezes, mas é bom termos presentes os aspectos que o podem favorecer, pelo menos junto da população que o conhece, enquanto autarca.
De resto a nível da política nacional todos sabemos que PS e PSD são dois tentáculos do mesmo polvo, independentemente dos lideres. No seguimento do que diz o José Manuel Faria, gostava de ver uma esquerda, convergente e unida (mesmo que não formalmente). Infelizmente não está num horizonte próximo. primeiro têm de desaparecer alguns velhos fantasmas.


De samuel a 1 de Dezembro de 2007 às 22:03
"Em dois meses de liderança de Luís Filipe Menezes, o homem que ia provar o que era fazer oposição arrisca tornar-se numa anedota."

Pequena correcção: o homem é uma anedota!


De josé manuel faria a 1 de Dezembro de 2007 às 19:45
Por um lado é bom que o PSD continue assim, mal. Por outro lado é mau, porque o eleitorado vira-se para o PS que se sujeita a nova maioria absoluta.

O BE tem de estar atento e mostrar que é alternativa.


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