Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008
Não disse, mas podia ter dito



publicado por Pedro Sales às 02:21
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Serviço público

Para todos aqueles que pretendam ver as mais recentes séries norte-americanas, o site de vídeos Hulu é uma boa solução. A qualidade de imagem é excelente, e, aturando muito menos anúncios do que em qualquer canal nacional, é possível assistir a grande parte das série de maior sucesso no dia seguinte à da sua emissão nos EUA. A melhor parte: entre os vários programas disponíveis, já se pode encontrar os excelentes Daily Show e Colbert Report. Infelizmente, o serviço só funciona nos EUA. Isto, claro, se não se conhecer este pequeno programa. Depois de instalado, é só corrê-lo de cada vez que se quiser ver um programa ou série em hulu.com.


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publicado por Pedro Sales às 02:17
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Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008
Marlboro MenS

O MMS, um novo partido que promete ser ainda pior do que aqueles que já conhecemos, defende um verdadeiro “combate e repressão à criminalidade”. Como? Com o abandono dos tabus da polícia na utilização de armas de fogo, a ideia peregrina de que a vítima deve ter uma palavra na escolha da pena do seu agressor, ou a convicção de que têm que ser os detidos a pagar os encargos do sistema prisional. Para defender esta barbaridade, como a classifica um conhecido constitucionalista, não é preciso um nome modernaço. O que não falta são modelos históricos de “combate e repressão à criminalidade”, como a entende o MMS, desde o faroeste das pradarias norte americanas até aos gulags, rapidamente entendidos por Estaline como uma forma de colocar os presos a pagarem os custos da sua detenção.



publicado por Pedro Sales às 19:27
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O garantismo de direitos, essa patologia do politicamente correcto

Só num país em que não se dá nenhum valor à liberdade, como é o nosso, é que é possível ver um conhecido jornalista pedir o levantamento de direitos e garantias constitucionais, alegando uma eventual "situação excepcional" causada pelo assalto a meia dúzia de bancos e bombas de gasolina. Quando a defesa do Estado de direito não resiste a uns bandidos de meia tijela, é melhor nem pensar no que seria dito e exigido se tivéssemos sofrido um ataque terrorista como os que tiveram lugar a 11 de Março ou Setembro.

  

Mas não se pense que o disparate ficou por aqui. Mais grave, porque proferidas por um juiz, foram as afirmações de que a insegurança só está a aumentar porque não são os políticos, mas os cidadãos comuns, as suas vítimas. Uma declaração inaceitável e que torna bem visível a mentalidade reinante em significativos sectores da Justiça, já patente em casos como o Envelope 9 ou as fugas de informação provenientes do gabinete do anterior PGR.



publicado por Pedro Sales às 19:00
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Terça-feira, 26 de Agosto de 2008
Prevenção e dissuasão, diziam eles

Na sequência do júbilo público com o “sucesso” da operação de resgato do BES de Campolide, o que não faltaram foi vozes a dizer que o tiro de um sniper "foi mais importante para a prevenção do crime violento do que muitas leis”, ou a defender o "efeito dissuasor" que o mesmo ia representar no "mundo do crime violento". A julgar pelas imagens que têm aberto os noticiários da última semana, das duas uma: ou o pessoal do mundo do crime violento não tem televisão em casa e ainda não percebeu o alcance da mensagem, ou os nostálgicos do faroeste nunca perderam muito a pensar no assunto, caso contrário teriam reparado no escasso impacto que a severidade das penas ou a violência policial produz na prevenção da criminalidade, como se pode facilmente reparar pelo exemplo dos EUA



publicado por Pedro Sales às 21:27
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Mãe, sou uma vedeta do Youtube

Por muito genial que seja, nem Tiger Woods consegue andar na água enquanto joga golfe. Num vídeo chamado “Jesus Shot”, um utilizador do Youtube denunciou o erro numa das séries de jogos vídeo mais famosas do planeta. A Electronic Arts é que não ficou nada convencida e, no anúncio televisivo para promover a nova versão do jogo, aproveitou para dizer que nunca houve erro nenhum, Tiger Woods é que é mesmo bom. Vale a pena ver, mais não seja para constatar a crescente importância que, depois dos políticos, também as empresas começam a conferir ao carácter viral da internet.


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publicado por Pedro Sales às 17:40
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Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008
Um partido afónico

Na sexta-feira o PSD pediu a demissão do ministro da Administração Interna, justificando o pedido com o aumento da criminalidade e com a ausência de esclarecimentos do governo. No sábado, num artigo de opinião sobre o "alarmante aumento da criminalidade" e o  "inaceitável silêncio" do primeiro-ministro sobre o assunto, em nenhum momento Manuela Ferreira Leite solicita a demissão de Rui Pereira. Está visto, o "novo" PSD fala pouco. Para o país...e uns com os outros.



publicado por Pedro Sales às 18:24
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para acabar de vez com a tanga do turismo olímpico

A propósito dos posts que eu e o maradona fomos escrevendo sobre os críticos da prestação portuguesa nos Jogos Olímpicos, O Rodrigo Moita de Deus diz que, de repente, “todos se lembraram de dizer mal do futebol”, esse nicho de qualidade e excelência que rompeu com a mediania desportiva nacional. Comecemos pelo óbvio. Faz tanto sentido dizer que alguém que assina como maradona "anda a dizer mal do futebol", como classificar de anti-comunista o tonto que acaba de chamar José Estaline ao filho. Pela parte que me toca, e enquanto o Hugo Viana se mantiver longe de Alvalade, também nada me move contra o futebol (estando até a mentalizar-me para resistir aos 238 trocadilhos idiotas que a imprensa vai inventar com o nome do novo avançado do Porto).*

 

Até concordo com quase tudo o que diz o Rodrigo (**), a começar pela natural constatação de que o futebol é o ultimo a poder ser culpado pelo desinteresse generalizado que os portugueses nutrem pelas restantes modalidades, mas a verdade é que o seu post nada nos diz sobre o clima mental que se instalou no país enquanto o Nélson Évora não saltou 17 metros e 67.


Vale a pena recapitular. Partindo de uma representação nacional que em nada se distinguiu pela negativa das anteriores, a imprensa começou a dar como certo que os atletas nacionais não tinham "brio", "honra" e "ética". Depois já não eram os resultados, eram as desculpas. Pouco interessava que as "desculpas" até nem se tenham destacado face à das restantes delegações. O veredicto estava traçado. Foram fazer turismo olímpico, ainda por cima à custa dos nossos impostos, começaram a escrever uma dúzia de colunistas, apenas interessados nos resultados de Pequim para confirmar que o nacional porreirismo é um fado nacional que nos condena como povo. Foi o que fizeram, só para dar dois exemplos mais recentes, o Henrique Raposo e o Alberto Gonçalves. Este último, capaz de pérolas  retóricas como “correr e saltar são exercícios de que qualquer bruto é capaz”, encontra a justificação suprema para a pequenez dos portugueses nas declarações de Gustavo Lima – que, em três olimpíadas, teve num 6.º lugar o seu pior resultado – e numa atleta que “ficou em 46.º lugar (entre 50)”. Ora, até mesmo o Alberto Gonçalves tem condições para perceber que essas 50 foram as que obtiveram os mínimos olímpicos - um rigoroso critério de selecção da elite mundial. Não é “46.º lugar (entre 50)”. É a 46.ª melhor do mundo na sua actividade.

 

Mas, que é isso, para o prolixo colunista? Como todos sabemos ninguém pára o Gonçalves. Ele são as palestras em Yale, Cambridge, Harvard e as constantes edições na Oxford University Press. Com tanto trabalho, de um dos 46 mais conceituados sociólogos do mundo, quem é que pode levar a mal que ele - e aos outros que se lhe juntaram na desbunda - ande para aí a criticar a preguiça nacional?

 

*. Hulk.

**. as restantes objecções ao texto do Rodrigo encontram a resposta nesta fotografia que o maradona colocou no seu blogue. Mas também podíamos falar no ABC, um clube que, num país sem tradição em andebol, conseguiu ir a 2 finais europeias de clubes.


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publicado por Pedro Sales às 17:23
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Há coisas fantásticas, não há?

Está um tipo dez dias na China a acumular todas as medalhas que encontra pela frente, para dar ao volta ao mundo e ver-se utilizado numa provinciana fotografia de um governo sedento de boas notícias nas capas de jornais


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publicado por Pedro Sales às 05:04
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Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008
Ainda a tanga do turismo olímpico

Não sei como é que o campeões de sofá ainda não repararam, mas o turismo olímpico não começou em Pequim. Há quatro anos, em Atenas, um desses atletas sem "brio", "honra" e "ética" fez o quarto pior resultado na sua modalidade.  Mais um fraco “que não aguentou a pressão” e que se divertiu à custa dos nossos impostos, tendo mesmo conseguido a proeza de terminar a sua participação com um resultado inferior ao que fazia quando ainda era júnior. O seu nome? Nélson Évora.


É um exemplo limite, mas que permite perceber a estupidez de usar o exemplo de atletas na sua maioria amadores, e que correm perante 200 pessoas no Estádio Universitário, para fazer umas graçolas com pretensão a leitura psicanalítica sobre a incapacidade lusitana para vencer e da ausência de uma mentalidade vencedora como fado lusitano.


As cíclicas depressões nacionais têm destas coisas. Exigem cada vez menos matéria para a sua combustão. Nem que se trate de crucificar atletas que fizeram os exigentes mínimos olímpicos e que, mesmo treinando a desoras e normalmente depois do trabalho ou faculdade, estão entre os melhores do mundo. Não ganharam 23 medalhas, é verdade, mas desde quando é que isso era suposto acontecer? E a Irlanda, Suécia, Grécia ou Bélgica, que ainda não levaram nenhuma medalha de ouro, e que estão a ter uma participação inferior à portuguesa? Também serão uns indolentes sem capacidade de vencer? Condenados à mediocridade porque não se conseguem superar nos momentos decisivos?


Verdade, verdadinha é que confrangedora ignorância da maioria da opinião publicada e da imprensa que percebe tanto de desporto como eu de física quântica, se está nas tintas para os atletas, interessando-lhes apenas mais um motivo para fazer umas tiradas sonoras sobre a pequenez da "alma lusitana" e do nosso triste destino. Os olímpicos de Pequim são apenas um pretexto para exultar com a humilhação dos “derrotados”. Que, pelo caminho, estejamos a criar as condições para perder uma dúzia de excelentes atletas que, como o Gustavo Lima, não está para aturar estas merdas, está longe de lhes merecer um pingo de atenção.



publicado por Pedro Sales às 18:03
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O gostinho ideológico

É duvidoso que o presidente da República alguma vez tenha lido a nova lei do divórcio antes de a devolver à Assembleia da República. Pelo menos a acreditar na sua mensagem, onde parece estar a falar de uma qualquer outra lei que não aquela que se conhece. Por três vezes se refere que o novo regime possibilita o divórcio unilateral. Ora, mesmo nas raríssimos casos em que a nova lei prevê o divórcio a pedido de um dos membros do casal, ele nunca é unilateral e tem sempre que passar por um juiz. O que o novo regime acaba é com o divórcio litigioso, terminando com a necessidade de apurar a culpa.  


É esta novidade que preocupa Cavaco Silva, dizendo que assim se está a colocar em causa "a parte mais fraca". Qual? A mulher, diz o P.R., apresentando como exemplo as vítimas de agressão doméstica. É possível que ainda não tenha reparado - até porque é do conhecimento público que não dedica mais do que cinco minutos à leitura da imprensa -, mas não é através da “alegação da culpa do outro cônjuge” no processo de divórcio que se defende o "poder negocial" das vítimas. A violência doméstica é crime. E público. 

 

O Presidente não gosta, como bem resume a jornalista Ana Paula Correia, do novo regime do divórcio. As objecções de Cavado Silva não são processuais nem formais. Têm a ver com o conteúdo do diploma. O casamento é para a vida. Nem que seja imposto. O coro da Igreja só torna tudo mais claro.



publicado por Pedro Sales às 03:03
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A palavra aos especialistas

O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa considera o novo regime do divórcio “ofensivo do valor da religião para a estabilidade das relações afectivas”. Deixando de lado a óbvia tentativa de imposição das orientações morais de uma confissão religiosa como lei, o que choca é a mundividência e arrogante convicção de que a religião é um valor necessário para a existência de relações afectivas. Estáveis, claro, até porque os ateus são todos uns empedernidos badalhocos, sem afecto e sem moral.  Haja paciência, que já começa a faltar.



publicado por Pedro Sales às 02:33
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À atenção de Cavaco Silva

Portugueses têm mais confiança nas associações ambientais que na Igreja.



publicado por Pedro Sales às 02:28
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Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008
Lamentável

As declarações de Mário Lino, tentando capitalizar politicamente a tragédia que ontem tomou conta de Madrid, são uma lamentável demonstração de oportunismo político e da total ausência de bom senso que caracteriza o ministro das Obras Públicas. 



publicado por Pedro Sales às 17:49
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Pssst, não façam muito barulho...

...para não incomodar os campeões de sofá que andam há uma semana a exigir uma chuva de medalhas e a bater na “anedótica” delegação olímpica nacional, mas, com a vitória de Nelson Évora, Portugal conseguiu a melhor participação de sempre nos Jogos Olímpicos.



publicado por Pedro Sales às 15:17
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Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008
Dezanove.Ponto.Trinta


publicado por Pedro Sales às 20:17
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Terça-feira, 19 de Agosto de 2008
Têm a certeza que querem medalhas?

Capas do jornal "Record" desde o início dos jogos olímpicos. Não consegui fazer um slideshow com as d´"A Bola" e do "Jogo", mas a relevância dos temas deve ser idêntica.


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publicado por Pedro Sales às 19:09
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Num país onde ninguém gosta de desporto, todos querem medalhas

Um país que não gosta de desporto acorda, de quatro em quatro anos, em sobressalto público com a participação dos atletas olímpicos. Comentadores televisivos, imprensa e blogosfera unem-se em coro para encontrar os culpados pela “lamentável”, “confrangedora”,”patética” e anedótica delegação nacional. Não passa pela cabeça de ninguém que num país em que existem três jornais desportivos diários que nunca falam de desporto, mas das contratações e tricas do mundo do futebol, dificilmente existe espaço para aparecerem desportistas de elite. Sem interesse mediático não há interesse comercial. Os clubes não funcionam sem dinheiro e só por anedota se pode falar de desporto escolar. As empresas portuguesas não apoiam o desporto. Investem nos nomes que ganham projecção internacional. É normal. Os portugueses não gostam de desporto. Gostam de ver “os seus” ganhar “lá fora”.


Mas a sanha está apertada e o país quer sangue. Os atletas não tiveram "brio", nem “orgulho nacional”. Como dizia hoje a SIC, houve participações “menos éticas”. Umas declaração manifestamente infelizes sobre as saudades da caminha, a arbitragem e umas provas em que os atletas estiveram longe do seu melhor foram projectadas a tragédia nacional. É preciso o sentido das coisas. Pouco éticas foram as participações dos únicos atletas nacionais que ganham dinheiro a sério e que acabaram um europeu e um mundial ao soco e à chapada aos árbitros. Curiosamente, as mesmas vedetas que enchem as capa dos jornais desportivos e que, quando se juntam, partem os balneários e vão aos J.O de Atenas perder com a selecção de futebol do Iraque em guerra.


Na RTP, um comentador resumia a coisa. A participação de João Neto, nono classificado na sua prova de judo, acabou “sem glória nem honra”. Sem honra, veja-se bem. Compreende-se bem as palavras de Gustavo Lima, depois de anunciar que abandona a vela. Sem dinheiro, mas com sacrifico pessoal as coisas ainda se aguentam, agora “para andar a ouvir frases como os portugueses andam a gastar o dinheiro dos contribuintes eu prefiro sair fora e sair de consciência tranquila”. Não deve ser o único.
 



publicado por Pedro Sales às 18:49
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Num país onde ninguém gosta de desporto, todos querem medalhas (II)

O problema do desporto português não são as desculpas dos atletas, a isso obrigados pela pressão de uma imprensa que não percebe nada de desporto e que julga que se ganham medalhas olímpicas como quem vai à praia. O problema é que não existem escolas desportivas. Os russos podem ter ganho poucas medalhas na natação e os americanos podem ter levado um banho na velocidade, mas têm uma escola. Depois dos atletas que levaram a Pequim, mal ou bem sabem que terão outros de topo em Londres. Em Portugal não. Vivemos do génio e carolice de alguns malucos que, quase sempre depois do trabalho, encontram tempo e motivação para treinar. Mas num país com dez milhões de habitantes, a conjugação do génio com o espírito de sacrifício acontece com a mesma frequência que um eclipse lunar. É quando ganhamos medalhas. Tivemos uma escola. A do Sporting, no meio fundo e fundo do atletismo. Acabou em menos de uma geração, com o abandono de Moniz Pereira. O melhor saltador nacional salta menos dois metros do que Nelson Évora. Quando ele e a Naide abandonarem deixamos de ter atletas de elite mundial nos saltos do atletismo. Com sorte, pode ser que apareça um no remo ou na marcha. É a diferença entre os países em que se percebe a importância do desporto e Portugal, onde os principais protagonistas desportivos são os árbitros de futebol.



publicado por Pedro Sales às 18:13
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Têm a certeza que querem medalhas? (II)

O presidente da delegação olímpica da Austrália está a pressionar o governo para que mantenha o actual investimento, de 126,8 milhões de euros anuais, até aos J.O de 2012. São 507 milhões em quatro anos. O orçamento da delegação portuguesa no mesmo período foi de 15 milhões de euros. Mesmo representando o maior investimento público de sempre numa delegação nacional, a Austrália investe 33 vez mais dinheiro do que Portugal. Eles têm 35 medalhas, Portugal tem uma. Estas coi$as contam. Têm a certeza que querem medalhas ou é só conversa? É que os outros não andam a dormir.



publicado por Pedro Sales às 18:02
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Têm a certeza que querem medalhas? (III)

Rui Santos, na SIC Notícias, dizia que temos que comparar a nossas medalhas com países que têm a nossa dimensão. Como a Holanda, explica. As coisas são como são, e talvez valha a pena lembrar que a Holanda tem um banco, o Rabobank, que investe tanto no ciclismo como a totalidade das empresas nacionais em todo o desporto extra futebol. No seu site, podemos ler que o investimento na cultura e desporto reforça a sua imagem social, investindo no ciclismo, hipismo e hóquei em campo. Profissional e amador, lançando novos atletas. É toda uma diferença cultural que produz resultados. A competição ainda não acabou, e já ganharam três medalhas nestas modalidades, e vão bem lançados para ganhar o hóquei feminino e masculino. Este é um exemplo, mas podemos falar em dezenas deles. Se ninguém vai ver um jogo de andebol, e se as audiências das transmissões da liga são os familiares dos atletas, por que raio é que as empresas quererão gastar o seu dinheiro a promover o que ninguém quer ver?



publicado por Pedro Sales às 18:01
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Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008
(Agosto 2009)Um dia normal em Santo Tirso


publicado por Pedro Sales às 23:12
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E nunca mais digam mal do choque tecnológico

José Sócrates regressou de férias para anunciar o “compromisso” da PT em criar 1200 postos de trabalho, para o ano que vem, num gigantesco campo de trabalhos forçados "call center" em Santo Tirso. “Postos de trabalho qualificados”, sublinha. Os trabalhadores são qualificados, o trabalho é que é desqualificante e degradante. Os “call center” não são a imagem de modernidade apresentada por José Sócrates, são o dia-a-dia da geração dos 500 euros: trabalho semi-escravo, pago a 2,5 euros à hora, que faz tábua rasa das qualificações de milhares de jovens, com horários e condições de trabalho completamente absurdas. É o salve-se quem puder com vista para o cubículo da frente e do lado. José Sócrates está contente. Encontrou a razão de ser do choque tecnológico. Pôr meio país a atender o outro.


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publicado por Pedro Sales às 18:31
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Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008
Ainda o código deontológico dos ladrões

A Helena Matos, em resposta e este meu post, acusa-me de má fé. Parece que, estando eu entretido “com a vontade de fazer gracinha com o código deontológico dos assaltantes”, não percebi que “roubar é crime”. Confesso que fico baralhado, porque julgava ter ficado perceptível que a gracinha partia exactamente do pressuposto que eu sabia que a Helena Matos - como eu ou qualquer outra pessoa - sabe que “roubar é crime”. Logo uma atitude irresponsável. Ora, entre perder tempo a apelar ao sentido de responsabilidade de quem manifestamente não a tem ou às forças de segurança de um Estado de direito, eu prefiro concentrar-me na segunda hipótese. Porque espero que, em democracia, o escrutínio das acções de um organismo público surta efeito sobre os seus excessos. É por isso que não faz sentido colocar polícias e ladrões no mesmo plano.

 

Concentrar-mo-nos na evidente irresponsabilidade de levar uma criança para o local de um delito afasta-nos do essencial: sendo certo que roubar é crime, não deve condenar ninguém à morte. Quer se trate de uma criança de 13 anos ou do ladrão, maior de idade e vacinado. Por isso, e atendendo ao elevado número de tiros que em vez dos pneus encontram um corpo humano, é que a Inspecção Geral da Administração Interna emitiu um anota para que as forças policiais só usem as armas de fogo durante uma perseguição policial para se defender ou defender a vida de terceiros.

 

Quanto à acusação de má fé. É certo que a Helena Matos não disse que «é legitimo utilizar uma arma de fogo para parar um assalto que não coloca ninguém em risco». Mas não é menos certo que foi a Helena Matos quem, no preciso momento em que começaram a surgir declarações nos blogues e na imprensa a questionar a actuação da GNR, sentiu a necessidade de lembrar a responsabilidade dos ladrões no sucedido. É tudo uma questão de prioridades. Fazendo minhas as suas palavras: “Quando de todo em todo é impossível ignorar o crime, passa-se para a outra fase ou seja faz-se o que fez” a Helena Matos. Mesmo sabendo que apelar ao sentido de responsabilidade de delinquentes é uma discussão condenada ao insucesso.



publicado por Pedro Sales às 16:25
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Para isso estamos cá nós

John McCain: "In the 21st century, nations don’t invade other nations."


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publicado por Pedro Sales às 13:59
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Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008
Aprendeu bem e depressa

“Eu só quero que ele retire as passagens que sabe não serem verdadeiras”. Quem o diz é Salman Rushdie, que pretende processar um dos agentes especiais que assegurou a sua segurança, esperando que o tribunal impeça a publicação de On Her Majesty's Service. Um dos símbolos mundiais da liberdade de expressão, diz que o livro deste polícia o apresenta como um “homem mau", razão suficiente para pretender censurar a sua publicação. Tantos anos passados, e Rushdie parece-se cada vez mais com os ayatolas. A verdade é só uma e cabe aos eleitos defendê-la. Salman Rushdie aprendeu com os mestres.



publicado por Pedro Sales às 15:33
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Terça-feira, 12 de Agosto de 2008
Como eu sou mau a matemática...

...e não percebo grande coisa de estatística, alguém me faz o favor de calcular as probabilidades de duas balas, que são disparadas para os pneus, fazerem ricochete num qualquer objecto e acabarem por se alojar no corpo do mesmo ocupante do carro?

 



publicado por Pedro Sales às 19:11
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Tarefa urgente: criar um código deontológico do assaltante

A Helena Matos pergunta se “ninguém é responsabilizado por levar uma criança para um assalto”. Não satisfeita em colocar as forças policiais de um Estado de direito no mesmo plano que delinquentes que roubam meia dúzia de patacos, Helena Matos parte do princípio de que é legitimo utilizar uma arma de fogo para parar um assalto que não coloca ninguém em risco. Mais a mais quando omite, deliberadamente, que existe um lugar para se responsabilizar os pais da criança. Chama-se tribunal. É lá que se deve fazer justiça, não é com a desproporcionada utilização das balas dos agentes da GNR. Os mesmos que, como é costume, já mudaram duas vezes a versão dos factos.


Mas fica o desafio para um debate interessante. Delimitar e estabelecer os critérios éticos que devem ser seguidos pelos assaltantes. Pode ser que eles ouçam.



publicado por Pedro Sales às 19:02
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Mais um "dano colateral"

A GNR parece ter percebido o clamor popular pelo “sucesso” de Campolide, abatendo uma criança de 12 anos que seguia num carro em que os alegados assaltantes de material de construção fugiam da GNR. Para todos aqueles que ainda ficam chocados com a brutal desproporcionalidade dos meios envolvidos – e já não estou certo que sejam muitos -, talvez valha a pena lembrar o que andou a escrever meio mundo depois do assalto à agência do BES.

 

Quando a perda da vida de um sequestrador nem chega a ser um “dano colateral”, saudada pelos mais variados comentadores como o elemento que “veio dar aos cidadãos uma réstea de esperança, um sentimento de conforto”, que faz mais pela “prevenção do crime violento do que muitas leis”, necessária para que nos possamos “sentir muito mais seguros”, é normal que as forças policiais percebam a mensagem.

 

No espaço de dois anos é a terceira perseguição policial que a GNR resolve, depois de disparar para os pneus do carro, com a morte dos ocupantes do carro em fuga. Desta vez foi uma criança, mas este modus operandi tem definitivamente que ser terminado. A força policial exige proporcionalidade. Que pode ter sido certeiramente utilizada em Campolide, mas que falhou rotundamente neste caso. Mais vale deixar fugir os assaltantes de um crime banal do que colocar em risco a vida dos delinquentes e, vale a pena lembrar, de todos os cidadãos que têm o azar de cruzar a estrada à hora errada. Um inquérito interno da GNR, como a própria força propõe, não é solução para este caso, exigindo-se um inquérito da Inspecção Geral da Administração Interna.



publicado por Pedro Sales às 12:49
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Kinder disparate

O Parlamento Alemão anunciou que pretende proibir a comercialização dos ovos de chocolate Kinder Surpresa, argumentando que as crianças não conseguem distinguir os pequenos brinquedos dos bens alimentares. “É triste, mas isso quer dizer que temos que acabar com os ovos Kinder Surpresa”, assegura a responsável parlamentar. Triste, triste, é este disparate. Mais um em direcção à redoma protectora em que a sociedade insiste em colocar os mais pequenos. Na ânsia de proteger as crianças de tudo acabamos por torná-los incapazes de se defenderem de qualquer coisa.


Sintomaticamente, o parlamento alemão não apresenta nenhum caso ou estatística que corrobore as suas preocupações. É normal. A proibição tem menos a ver com os riscos para a saúde do que com a ilusão de que se pode criar um mundo sem risco para as crianças. Só que o risco faz parte da condição humana e é um facto essencial para a nossa aprendizagem e crescimento. Esperem até ver os adolescentes que resultam destes míudos que não conheceram o risco e que nunca saíram dum casulo.


Existe a probabilidade das crianças engolirem os brinquedos? Claro. Bastante marginal, mas existe. Como acontece com os Legos e a infinitude de brinquedos que se encontram no mercado. Por isso é que existem idades recomendadas para cada um deles - a começar pelos ovos surpresa que são para maiores de 3 anos. O resto compete aos pais. Perceber onde começa e acaba o perigo. Que eles estejam muito ocupados consigo próprios e que apoiem todo o tipo de medidas asseptizantes é só a maior tristeza desta disparatada história. Vamos ver quanto tempo demora até chegar até nós.



publicado por Pedro Sales às 11:36
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