Quarta-feira, 30 de Abril de 2008
O alarmismo, a doença infantil do sensionalismo
O João Gomes, na Câmara de Comuns, diz que eu não entendo o problema da violência, principalmente na juventude, considerando que a minha posição é um reflexo natural do “esquerdismo”, essa “doença primária”. Talvez valha a pena recordar ao João que o post em causa, sobre o alarmismo mediático a partir da agressão de um cidadão a dois policias à porta da esquadra de Beja, foi escrito dois dias depois de todos os canais noticiosos apresentarem insistentemente este caso como um sinal do aumento da violência e da necessidade de reforçar o número de agentes policiais. Sejamos sérios. Se dois polícias não são capazes de pôr na ordem uma pessoa desarmada, o que é que isso tem a ver com a necessidade de mais agentes? E quantos é que são necessários para responder a um desordeiro? Era esse o sentido do post. A forma como, depois da overdose comunicacional por causa da insubordinação de uma aluna, as televisões continuam a agarrar até à exaustão num caso que está longe de poder suportar qualquer tipo de análise de conjunto e montam uma vozearia que impede qualquer reflexão.

De resto, eu não desvalorizo a questão da insegurança, nem “olho com naturalidade” para o sucedido na esquadra de Moscavide - assunto sobre o qual nem me referi. A invasão da esquadra, essa sim, levanta questões que importa perceber. Por que é que uma esquadra com 48 polícias, divididos por três turnos, apenas tinha 5 de serviço às 17 horas? Mesmo entendendo que existem baixas e férias, 48 a dividir por 3 dá 16. Onde é que pára [o resto d]a polícia? Que modelo organizacional é que permite esta aparente anormalidade? Quanto ao resto, num país que tem dos menores índices de criminalidade violenta do mundo e uma elevadíssima média de polícias por habitante, quando é que chegamos ao número correcto de agentes? Ou temos que responder a cada safanão sencionalista, qual Pavlov, com a cassete da necessidade de contratar mais efectivos para as forças policiais, independentemente dos números da criminalidade e de agentes no activo? Só assim é que deixamos de ser um doentio esquerdista?


publicado por Pedro Sales às 18:40
link do post | comentar | ver comentários (1) |

O democrata
"O livro de António José Saraiva é portanto mais um livro para ler atentamente e queimar. Nada mais". Quem o disse? O democrata José Pacheco Pereira, em 1973, numa recensão sobre "Maio e a Crise da Civilização Burguesa. Segundo a edição de hoje da Visão, parece que Pacheco Pereira dá a entender que se tratava de uma metáfora. Claro. Uma metáfora com história.


publicado por Pedro Sales às 12:15
link do post | comentar | ver comentários (9) |

Terça-feira, 29 de Abril de 2008
O Youtube, não se esqueçam de procurar no Youtube
Um puto de 18 anos, com pinta de Bruce Lee e notório mau humor, mandou dois polícias para o hospital a toques de pontapé, e foi o suficiente para montar o cenário para mais uma overdose comunicacional sobre o aumento da insegurança e a necessidade de mais efectivos policiais. Alguma alminha caridosa faça o favor de colocar este vídeo no Youtube que é para termos a certeza de que temos o próximo mês por conta da crise de autoridade das polícias. Assim, em seco, é mais difícil manter o sensacionalismo.


publicado por Pedro Sales às 19:42
link do post | comentar | ver comentários (3) |

Segunda-feira, 28 de Abril de 2008
Em bicos de pés
Cunha e Vaz termina a sua delirante entrevista ao Público (que pode ser lida aqui), dizendo que nunca aceitaria ser um número 2 ou número 3 na política. “Só vou para a politica se for para mandar”. É curioso, porque lendo as 4 páginas desse monumento à mitomania que é esta entrevista, e não podemos deixar de ficar com a sensação de que foi Cunha e Vaz quem mandou nestes arrebatadores seis meses de PSD. As boas ideias foram dele, os disparates ficaram a cargo de Menezes. A tristeza das insinuações sobre a Fernanda Câncio, a inconstância do líder ou a exposição que o próprio fez da sua vida privada? Ele bem tentou, mas isso foi-lhe imposto...

Mas esta entrevista, e as dezenas de conversas privadas que revela ou inventa, demonstram bem os perigos, de que já falámos aqui, levantados por esta moda que parece acreditar que a solução para todas as questões políticas com que se defrontam os governos e partidos se resolvem com inovadoras estratégias de comunicação. Torna os partido vulneráveis à ocupação do seu núcleo de decisão por interesses que não controlam, dilui os mecanismos democráticos de decisão e retira aos militantes a capacidade de escrutínio e castigo da sua liderança. É que, ao contrário dos líderes partidários, Cunha e Vaz quer mandar sem sair da sombra e a partir do quintal das traseiras.  Como o próprio diz, é mesmo um homem pequeno. E isto não tem nada a ver com o seu tamanho.


publicado por Pedro Sales às 16:26
link do post | comentar | ver comentários (2) |

Novas oportunidades
Porque decidiu trabalhar com Luís Filipe Menezes?

Cunha e Vaz: Porque neste momento, apesar de ter um boa carteira de clientes, interessava-me também poder aceder a outro tipo de clientes, mais próximos do Estado. Mas não consigo, não sei porquê. Tenho competência para tratar de seis empresas do PSI20, para ser agente da UEFA durante três anos consecutivos, mas não me deixam tratar de nenhuma instituição pública.
 
O “interesse” de Cunha e Vaz no PSD é elucidativo da cadeia de interesses que se constroem à volta dos partidos do poder. Se repararmos que, só no OE de 2008, estão inscritos 388 milhões de euros em despesas de consultoria e que não há festa nem festança lançada pelo Governo onde não apareça o vídeo promocional, o powerpoint ou o aparato cénico montado por uma empresa de comunicação, percebe-se melhor o “interesse” de Cunha e Vaz. Fazer no Estado o mesmo que fez no PSD, eis o sonho deste aprendiz de feiticeiro.


publicado por Pedro Sales às 16:08
link do post | comentar |

E o Menezes? Era o palhaço ou o urso amestrado?
Público: Então porque não desiste de trabalhar com os políticos?

Cunha e Vaz: Porque gosto da política. Divirto-me. Ficamos a conhecê-los melhor. É como ir ao circo. 


publicado por Pedro Sales às 16:06
link do post | comentar |

Verde é a cor do dinheiro

A junta de freguesia da Ericeira foi multada em sete mil euros utilizar óleos reciclados para mover os carros do lixo, em vez de comprar combustíveis fósseis, pelo que o Estado se considera lesado. O presidente da junta, citado pela TSF, já garantiu que não vai pagar a multa.

Lê-se e não se acredita. Em vez de apoiar, ou pelo menos deixar em paz, quem não precisou de ficar à espera dos subsídios estatais para aplicar uma medida ambientalmente correcta, o Governo multa quem está a usar combustíveis verdadeiramente ecológicos (óleos reciclados). Tudo isto para respeitar uma quota, financiada pelos nossos impostos, com o embuste dos agrocombustíveis que estão a roubar espaço agrícola a outras produções alimentares e a contribuir para a crise alimentar que está à porta. O verde tem muitas tonalidades. Mas a cor do dinheiro dos impostos continua a ser a mais apelativa.


publicado por Pedro Sales às 13:36
link do post | comentar | ver comentários (5) |

Domingo, 27 de Abril de 2008
retratos da crise (1)

Come to think of it, I'm thrilled to be
anywhere with high ratings these days.


Bush, com a popularidade muito por baixo, aparece no Deal or No Deal  para desejar sorte a um soldado condecorado - voluntário, purple heart, três comissões no Iraque, ultimate american - que arrisca tudo por um jackpot milionário que pague a casa dos pais (lindo). O episódio foi um flop, 27% abaixo da audiência média do programa.
Etiquetas: , ,

publicado por Vasco Carvalho às 07:37
link do post | comentar | ver comentários (1) |

Sexta-feira, 25 de Abril de 2008
Já que fala nisso
Cavaco Silva foi hoje ao Parlamento criticar a qualidade da democracia e o alheamento dos jovens pela política, resultando na "indiferença que muitos jovens têm pelo futuro do seu País”. Curioso. Da última vez que reparei, o Presidente da República tinha acabado de chegar da Madeira, onde elogiou o trabalho de Alberto João Jardim, e era contra a realização do referendo ao Tratado de Lisboa, questionando o conhecimento de causa dos cidadãos para decidir o seu futuro.


publicado por Pedro Sales às 13:40
link do post | comentar | ver comentários (10) |

o dia inicial inteiro e limpo

Etiquetas:

publicado por Pedro Sales às 13:15
link do post | comentar |

Quinta-feira, 24 de Abril de 2008
Próxima estação Guantanamo

O Grupo de Operações Especiais (GOE) da PSP vai receber formação dos BOPE, a força policial do Rio de Janeiro que se tornou mundialmente famosa pela brutalidade dos métodos evidenciados no filme “Tropa de Elite”. O recurso à tortura e a licença para disparar a matar - que utilizam com uma benevolente permissividade nas suas incurssões nas favelas -, já faz parte da imagem de marca desta força policial que usa uma caveira como símbolo e que se tornou uma cliente habitual dos relatórios da Amnistia Internacional.

É este o bonito cartão de visita da força policial que vai formar o principal corpo de elite da PSP. Não só não se percebem as razões técnicas que levam um corpo antiterrorista, como os GOE, a recorrer ao treino de uma força especializada no combate urbano ao narcotráfico, como é completamente inaceitável a legitimação e branqueamento que a PSP está a fazer dos métodos de um corpo policial que se comporta como um esquadrão da morte. Quem sabe ainda vemos o ministro Rui Pereira a autorizar os GOE a dar um salto a Guantanamo. Sempre podiam aprofundar a matéria dada.


publicado por Pedro Sales às 22:44
link do post | comentar | ver comentários (9) |

Dead Combo

“A festa de despedida no porto de Lisboa estava cheia. Playboys e ancas jeitosas, marinheiros e oficiais despenteados, urbanos e campónios, populares e clássicos, modernos e antigos, bêbedos e alegres, tristes e melancólicos, uns dançam, outros tocam, alguns vivem, uns são convidados, outros aparecem por lá e todos fazem parte dessa mesma eternidade. Uns ficam, outros já se foram (...)”.

É assim que os Dead Combo apresentam o seu terceiro álbum. Depois de terem composto, vai para quatro anos, a banda sonora perfeita para um western de Sergio Leone, o projecto de Tó Trips e Pedro Gonçalves continua a aprofundar o registo western vadio encontra-se com o fado sphagethi do Bairro Alto. O resultado, como sempre, é de altíssima qualidade. Para quem ainda não conhece, vale a pena passar pela página dos Dead Combo e ouvir as faixas do mais recente álbum, Lusitânia Playboys. O disco já se encontra à venda, e, numa iniciativa rara entre nós, conta com uma edição de luxo com um concerto da banda no Maxime, os vídeos das músicas e um making off deste novo álbum. A comprar, claro. Hadem ver que é mesmo bom.

Etiquetas:

publicado por Pedro Sales às 08:58
link do post | comentar | ver comentários (3) |

Quarta-feira, 23 de Abril de 2008
Concorrência desleal

Depois da SIC ter investido uma pequena fortuna para contratar os gato Fedorento, Alberto João Jardim anuncia que está disponível para ser líder do PSD e tornar os noticiários televisivos de todos os canais numa imensa comédia. Isto não é coisa que se faça...mais a mais ao militante n.º 1 do PSD


publicado por Pedro Sales às 18:42
link do post | comentar | ver comentários (5) |

Humor viral

Circula uma piada na televisão e em alguma blogosfera. Com Menezes fora do PSD, e reposta a normalidade nas hostes laranja, este partido está em condições vencer as próximas eleições legislativas com Manuela Ferreira Leite. O que é estranho é que muito boa gente parece acreditar na laracha, não se apercebendo que Manuela Ferreira Leite não tem nada para dizer que a diferencie de José Sócrates. Pior. Quando diverge do primeiro-ministro é para defender mais austeridade e ainda maiores sacrifícios. Não costuma ser uma grande plataforma eleitoral, reconheça-se, mas é certo que a maioria dos colunistas associará este programa a um saudável combate ao populismo e rigor nas contas públicas. Nas mãos de Ferreira Leite, contudo, costuma apenas ser incompetência. Aumento de impostos, défice a caminho dos 6% e 150 mil desempregados, foi este o legado do “rigor” da senhora Leite. Agora, quer regressar a um passado que já todos conhecem. Por mim, estou como o João Pedro Henriques, e sempre acho que isto arrisca-se a ser pedagógico, expondo o extraordinário bluff político que a senhora representa. Isso e fazer o PP desaparecer para baixo do táxi.


Etiquetas:

publicado por Pedro Sales às 16:27
link do post | comentar | ver comentários (2) |

Terça-feira, 22 de Abril de 2008
A revolução pixelizada em toca-ecrã

Perceptive Pixel é a empresa que produz estes ecrãs. Para os aficionados das primárias, numa cnn perto de si, a noite eleitoral torna-se menos aborrecida.
Este fim-de-semana estive em Erie, Pensilvânia, e pude experimentar as novas urnas eleitoriais electrónicas, em mostra na biblioteca local. Optei pelo boletim republicano e votei em mim. A revolução será multi-toque, sem rasto de papel.


Etiquetas: ,

publicado por Filipe Calvão às 18:36
link do post | comentar | ver comentários (1) |

Vitória moral

A vaga de fundo que se agita no PSD em volta da candidatura de Manuela Ferreira Leite só tem um objectivo. Garantir a vitória moral de quem, sabendo que perdeu as próximas eleições, só tem como objectivo deixar de fazer má figura. Perder, mas de cabeça levantada, eis o notável estado de espírito dos  barões laranja. Manuela Ferreira Leite é apenas o rosto desta derrota antecipada de quem quer ir a jogo apenas para dizer que perdeu com fair play e que entregou um partido arrumadinho ao Rio que se segue. O PSD tornou-se um caso clínico.

Etiquetas:

publicado por Pedro Sales às 15:46
link do post | comentar | ver comentários (4) |

Segunda-feira, 21 de Abril de 2008
A chantagem do voto útil, reloaded
De todos os argumentos a favor de uma solução estável e credível para o  PSD, o mais espantoso vem de Vital Moreira: “se se tornar antecipadamente certa uma folgada vitória do PS em 2009, por incapacidade do PSD, quem vai ganhar com isso são os PCP e o BE, com eleitores de esquerda desobrigados de contribuir para a derrota da direita”. Extraordinário. A melhor maneira do PS conseguir a maioria absoluta é garantir os votos dos eleitores de esquerda que não pretendem votar no partido de José Sócrates, assegurando que o PSD vai a votos com força suficiente para manter o suspense eleitoral e perpetuar a chantagem do voto útil.

A piada é que, dizendo defender um PSD credível, Vital Moreira mais não faz do que reduzir esse partido ao papel de lebre para atrair os votos que o PS necessita para repetir a maioria absoluta. Esta significativa demonstração de confiança nas capacidades na governação de José Sócrates - que precisa de uma espécie de palhaço bem comportado no papel de líder do maior partido da oposição para estancar o crescimento eleitoral do PCP e Bloco -, apresenta um pequeno problema. Não só o PSD não coloca alguma espécie de medo, como é muito duvidoso que os eleitores que queiram derrotar a direita se refugiem no partido liderado por José Sócrates.
Etiquetas:

publicado por Pedro Sales às 18:04
link do post | comentar | ver comentários (1) |

Um patinho nada patusco

Há dois dias que a imprensa questiona como foi possível que a direcção do Boavista tenha sido enganada pelo conto do vigário do “investidor” Sérgio Silva? Curioso, mais a mais quando este vigarista patusco não retirou um cêntimo ao clube. Bem mais interessante, e relevante, parece-me tentar perceber como é que a família Loureiro foi enganando as contas do clube durante anos, nomeadamente o presidente do conselho fiscal, obrigado a avalizar investimentos que lesaram e descapitalizaram o clube em dezenas de milhões de euros, sem que ninguém desse por nada. Essa é que é a pergunta que eu gostava de ver respondida, de preferência pelo actual presidente do conselho de administração da Assembleia da República, o deputado do PS José Lello, e presidente do Conselho fiscal do Boavista durante o consulado da família Loureiro e que agora transitou para a Mesa da Assembleia Geral do clube. O mesmo que até fez uma auditoria às contas de 2004, quando começaram a surgir as primeiras dúvidas sobre a veracidade das finanças axadrezadas, mas nunca se apercebeu de nada. Mesmo para o habitualmente baixo nível de clarividência de José Lello, não deixa de ser comovente tanta "ingenuidade".

Adenda, via Blasfémias: Relatório da Auditoria à SAD do Boavista e o Relatório de auditoria ao Boavista F.C.

Etiquetas: , ,

publicado por Pedro Sales às 12:52
link do post | comentar |

Quem sai aos seus não degenera

Um exemplo perfeito aconteceu a 16 de Fevereiro de 2005 num cartório notarial de Lisboa, data e local para que o espaço do Estádio do Bessa hoje ocupado pelo Holmes Place começasse por ser vendido pelo Boavista à empresa Elepê - que se fez representar nesse dia por três administradores, entre eles João Bartolomeu, ainda hoje presidente do Leiria - por quase 4 milhões de euros, acabando, horas depois, por ser vendida pela Elepê à Sofinac por perto de 13 milhões de euros. Num dia, o Boavista terá sido lesado, em qualquer coisa como 9 milhões de euros. Como se não bastasse, estava inicialmente prevista a venda de um espaço de dois pisos, acabando a Elepê por ficar com cinco pisos.

É justo reconhecer que o talento de João Loureiro para os negócios ruinosos faz parte de uma longa escola de gestão enraizada nos genes familiares. Basta ver a forma como o seu pai tem vindo a alterar o PDM em Gondomar: Terreno de filho de Valentim valorizado em tempo recorde: No espaço de duas semanas, um terreno que foi comprado por pouco mais de um milhão de euros quase quadruplicou o seu valor, na sequência da sua desafectação da Reserva Agrícola Nacional (RAN).

Etiquetas:

publicado por Pedro Sales às 12:20
link do post | comentar | ver comentários (4) |

Sexta-feira, 18 de Abril de 2008
Os interesses do país acima de tudo
Ribau Esteves justifica o prazo apertado para as eleições do PSD, defendendo que em Junho o partido tem que estar unido e solidário com a selecção de futebol no Euro 2008...

publicado por Pedro Sales às 23:51
link do post | comentar | ver comentários (6) |

Quinta-feira, 17 de Abril de 2008
Em causa, em causa só quem te paga para dizer esses disparates
Só mesmo Luís Delgado para ter a lata de dizer, menos de duas horas depois de Menezes convocar eleições para a liderança de um esfrangalhado PSD, que, eventualmente, a maioria absoluta do PS "já está definitivamente posta em causa". 

Etiquetas:

publicado por Pedro Sales às 22:37
link do post | comentar | ver comentários (5) |

O irreal país laranja

O PSD apresentou ontem, em pleno debate sobre a simplificação legislativa do divórcio, cinco projectos de lei para o que dizem ser a dignificação e protecção da família. Uma breve leitura da Lei de Bases ontem apresentada dá para constatar a confrangedora vacuidade da proposta, mero pretexto para o partido apresentar a sua versão beata e ahistórica da "família", numa nada escondida piscadela de olho ao discurso da Igreja Católica.

Só que este truque é velho de anos. Em todos os debates sobre a despenalização do aborto que tiveram lugar no Parlamento, o PSD retorquiu sempre desvalorizando a importância do tema e defendendo a necessidade de apostar na educação sexual - isto, apesar de terem votado contra todas as propostas legislativas (e foram muitas)nesse sentido... O conservadorismo social é cada vez mais uma das imagens de marca de um PSD crescentemente confinado e enfeudado nos sectores mais fechados da sociedade portuguesa. Aqui há uns anos dizia-se que o PSD era o partido mais português de Portugal, uma expressão que, não por acaso, caiu em desuso. O país que hoje dizem representar é uma espécie em vias de extinção.

Ocupados com as lutas internas e obcecados com a comunicação social, não repararam que a demografia, escolarização e a tímida modernização do tecido económico mudou o mapa do país. A simples comparação dos resultados dos dois referendos à despenalização do aborto -  e o voto esmagador registado pelo “Sim” entre os jovens e principais centros urbanos - devia fazê-los perceber que a demografia tornou o “país real” que dizem defender cada vez mais uma peça de arqueologia social. De resto, basta ver quem aparece hoje a dar a cara pela regeneração do partido: Aguiar Branco, o porta-voz do “Não” no maior programa de debate televisivo no último referendo. O problema do PSD não é só Menezes. É não ter nada para dizer a camadas cada vez mais amplas da sociedade. Logo por azar, as mais dinâmicas e reprodutoras de opinião. O PSD é cada vez mais o partido da “má moeda”.

Etiquetas: ,

publicado por Pedro Sales às 20:41
link do post | comentar | ver comentários (3) |

Ninguém põe a VISTA em cima destas coisas?

Há dois dias que este vídeo, gravado por quadros do departamento comercial da Microsoft para promover a primeira actualização do seu novo sistema operativo, é o maior sucesso do Youtube. Compreende-se. A coisa é tão grotesca que resume bem como o mau gosto sobrevive como a cultura institucional da empresa que equipa (sabe-se lá como e porquê) 95% dos computadores mundiais. Ao pé disto, os já famosos anúncios da Apple a gozar com os cinzentismo aborrecido dos produtos da Microsoft até que são bem simpáticos para a empresa de Bill Gates.

publicado por Pedro Sales às 13:28
link do post | comentar | ver comentários (2) |

Quarta-feira, 16 de Abril de 2008
O jornalismo de "causas" e os factos do jornalismo

No meio da patética perseguição movida pelo PSD a Fernanda Câncio, uma das acusações que tem permanecido quase ignorada é aquela onde este partido diz que a RTP não a pode contratar porque se trata de uma jornalista de “causas” e, portanto, parcial. Apesar das denúncias contra a injustiça, tirania e corrupção fazerem parte do melhor que a história do jornalismo tem para nos oferecer, num país em que as pessoas confundem imparcialidade com ausência de opinião a acusação tem a força de um anátema.

Sucede que o incómodo do PSD, retomado por uma parte significativa da blogosfera de direita - mesmo entre a esmagadora maioria que criticou o partido de Menezes - não é tanto com a existência de “causas”, mas mais com a natureza das mesmas. Jornalismo de “causas” tornou-se, entre nós, um eufemismo para dizer que se defende a despenalização do aborto, a separação do Estado e Igreja, ou a igualdade de direitos entre todas as pessoas, independentemente do género, opção sexual ou cor da pele. São os temas “fracturantes”, outro termo que está longe de ser inocente.

De resto, não deixa de ser curioso que, mais coisa menos coisa, a agenda que é considerada fracturante seja coincidente com as posições da esquerda. À direita, como se sabe, não existem “causas”. Existem causas e factos. E é assim que temos que assistir impavidamente às intermináveis horas de televisão e capas de jornais com o alarmismo sobre a violência escolar, misturando números de tesouras e canivetes suíços com armas de fogo para darem contra de uma realidade que os números não atestam. Isso, ou constatar a artificialidade dos cíclicos climas de insegurança agitados por alguma imprensa no país com uma das menores taxas de criminalidade de todo o mundo e com um número recorde de policias na Europa.

Aí, nada. Não há nenhuma causa nem agenda política. Só a dura neutralidade dos factos, mesmo quando estes são sistematicamente desmentidos pelos números e indicadores internacionais. Mas ai de quem diga o contrário. É porque se trata um jornalista de “causas” ou tem uma agenda escondida.



publicado por Pedro Sales às 16:05
link do post | comentar | ver comentários (14) |

História universal da infâmia

Não é possível fazer a história da medicina no século XX sem recordar o seu lado mais negro, incluindo a participação de alguns dos seus especialistas na inqualificável utilização de seres humanos como cobaias para provar as teses mais bizarras. Este site apresenta uma lista com o que considera serem os 10 piores  programas de utilização de seres humanos para experiências médicas, desde a utilização de LSD pela CIA, às operações forçadas de mudança de sexo levadas a cabo pelo exército sul-africano. Atenção, como o próprio site reconhece no início do texto, a leitura de algumas partes está longe de ser fácil.

Etiquetas:

publicado por Pedro Sales às 12:15
link do post | comentar | ver comentários (1) |

Terça-feira, 15 de Abril de 2008
Um bom conselho

No último debate parlamentar, José Sócrates aconselhou “mais leituras” a Francisco Louçã quando este criticou o impacto dos agrocombustíveis no aumento do preço dos alimentos. Segundo o primeiro-ministro, como a maioria combustíveis “verdes” nacionais estão a ser produzidos a partir de oleaginosas cultivadas em Moçambique não têm qualquer influência no aumento dos preços dos alimentos. Este argumento é um disparate, e nem é preciso ler muito para o perceber.

Os preços dos bens alimentares não são fixados em Portugal. Importamos mais de 70% do que comemos. Cereais, arroz e outros produtos são comprados nos mercados internacionais de referência, onde os preços não param de aumentar. Mesmo não sendo óleos alimentares, as áreas cultivadas em Moçambique para encher os tanque de gasolina dos carros de Lisboa ou Porto não nasceram do nada. Ou levaram ao abandono de áreas dedicadas à produção agrícola, conduzindo à escassez de bens alimentares que é uma das razões da escalada dos preços, ou foram conquistados às florestas tropicais, sem as quais teremos mais Co2 no planeta. Em todo o caso, os compromissos assinados por Portugal na UE serão sempre uma tragédia. O primeiro-ministro devia seguir o seu próprio conselho e ler um bocadinho mais. A começar pelas declarações da porta-voz do Progama Alimentar das Nações Unidas que, citada ontem pelo Público, lembra que "muitos agricultores estão a arrancar as suas culturas e a substituí-las, por exemplo, por milho por causa da especulação do mercado de biocombustíveis."



publicado por Pedro Sales às 19:46
link do post | comentar | ver comentários (6) |

O senhor Silva

 



publicado por Pedro Sales às 13:45
link do post | comentar | ver comentários (1) |

Última hora: Jardim garante apoio a Cavaco em 2011
fotografia:SMN


publicado por Pedro Sales às 10:38
link do post | comentar | ver comentários (1) |

Segunda-feira, 14 de Abril de 2008
Menomale che Silvio c'è
Hino Pdl via Random Blog

Berluscão ganha. O reformismo envergonhado de uma certa esquerda moderna perde. Menomale che Silvio c'è.
Etiquetas:

publicado por Vasco Carvalho às 22:02
link do post | comentar | ver comentários (1) |

Os gordos que paguem a crise

Alegando que o peso médio dos cidadãos cresceu 10% nos últimos 30 anos, o governo japonês vai obrigar as empresas a diminuir em 10% a percentagem dos trabalhadores com excesso de peso até 2012 e 25% até 2015. As empresas que não cumprirem essa meta serão penalizadas fiscalmente, contribuindo com uma taxa extra para suportar as despesas com o sistema de saúde. Já era de esperar que, sempre em nome da saúde pública, qualquer governo viesse com um disparate destes, mas não deixa de ser irónico que tenha sido precisamente no país que reverencia como semi-deuses atletas com centenas de quilos e monstruosas percentagens  de gordura que se tivessem lembrado de condenar ao desemprego quem engordou mais do que o ministério da saúde considera aceitável. Para levar a coisa a sério, espera-se agora que também retirem o subsídio de desemprego aos obesos. Estar parado, e a viver dos rendimentos, também engorda. E engordar fica caro ao Estado. São uns parasitas, estes gordos, é o que é...


publicado por Pedro Sales às 15:45
link do post | comentar | ver comentários (3) |

Zero TV
ZERO DE CONDUTA
Filipe Calvão

José Neves

Pedro Sales

Vasco Carvalho


zeroconduta [a] gmail.com
Indecisão 2008
Subscreva
Zero links
arquivos

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Feeds