Domingo, 30 de Março de 2008
Dom Sebastião em part-time
António Borges declarou hoje, em entrevista ao Público, que o governo cancelou todos os contratos com o banco que dirige no dia seguinte a este Dom Sebastião em part-time se ter disponibilizado para ajudar os social-democratas a fazer uma oposição mais activa ao Governo. Apesar de parecer uma desculpa esfarrapada para justificar o seu apagamento desde esse congresso do PSD, e sossegar as hostes laranjas com as costas largas da "claustrofobia democrática", não tenho, como é natural, nenhuma informação que me possa dizer quem tem razão nesta pequena polémica. Mas sei, porque isso é público, que nestes três anos ninguém deu por António Borges no PSD ou no país. O que, dando por certas as suas palavras, diz mais sobre o conceito de "oposição mais activa" das sobrevalorizadíssimas elites do PSD e dos liberais que peregrinam anualmente para o Convento do Beato para louvar a independência da sociedade civil do que sobre o eventual comportamento do Governo.

publicado por Pedro Sales às 17:15
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Sábado, 29 de Março de 2008
O fundamentalismo do vizinho é sempre maior que o meu

A divulgação do filme contra o Islão, do deputado holandês de extrema-direita Geert Wilders, promete fazer renascer o já habitual debate sobre a intolerância do islão. Curiosamente, reina o silêncio e não parece haver maneira de encontrar os mesmos inflamados editoriais sobre os limites à liberdade de expressão a propósito da censura de um anúncio de cosméticos na pacata e liberal Inglaterra. A campanha publicitária, que aqui se mostra e que descobri no 5 Dias, foi banida das televisões pelas supostas ofensas aos cristãos perpetradas por meia dúzia de modelos que aparecem a rezar para garantir a beleza dos seus cabelos. Chocante, como se percebe...

publicado por Pedro Sales às 12:41
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Sentimentos e desejo no casamento? Isso tem que ser coisa do Diabo

Para o padre Duarte da Cunha, ex-responsável, durante dez anos, da Pastoral da Família na diocese de Lisboa, o que está em causa nas iniciativas do Bloco de Esquerda e do Partido Socialista é uma "sentimentalização excessiva do amor". Reagindo às previsíveis alterações na lei do divórcio, o porta-voz da conferência episcopal, D. Carlos Azevedo, adverte que "não podemos armar o desejo em lei" e que os projectos estão "imbuídos de uma cultura individualista" perante a qual "a família corre o risco de se desagregar". De facto, nada como manter a família unida na barra do tribunal em processos que se arrastam durantes anos. Deve ser para preservar a tal "união entre as pessoas" que aponta como uma das funções do Estado. O Diário de Notícias está de parabéns. Não é todos os dias, em pleno século XXI, que se consegue um exclusivo com os bispos do Concílio de Trento.


publicado por Pedro Sales às 11:02
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Anarchy in China?

Brain Failure, Living in the City, Pequim 99/2000
A história do Punk Chinês no YouTube (aqui). Aqui para um artigo do Washington Post e aqui para Beijing Bubbles, um documentário (1 hora) sobre a cena rock e punk em Pequim.

publicado por Vasco Carvalho às 05:56
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Sexta-feira, 28 de Março de 2008
Por acaso não, não tínhamos pensado
"Nós vemos míudos que vêm de meios sociais muito baixos, com grandes dificuldades na vida, a serem capazes de aceitar disciplinas fortíssimas. Já pensaram no Cristiano Ronaldo? O que é que foi aquela escola onde ele andou?" Helena Matos, ontem, no debate da SIC Notícias sobre a violência nas escolas.


publicado por Pedro Sales às 06:05
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Quarta-feira, 26 de Março de 2008
O pelhourinho

Desculpem lá não entrar na histeria nacional que varre a imprensa e blogosfera, e que já vai no Procurador Geral da República, mas talvez valha a pena parar um pouco para perceber que o que se passou no Carolina Michaellis é um caso disciplinar que deve ser resolvido dentro da escola, sendo completamente descabido que o própro PGR se envolva pessoalmente na investigação criminal do sucedido.


O mesmo Procurador Geral da República que precisou de ler quatro edições de uma investigação efectuada pelo Expresso - com base em material de prova que estava há anos na posse do MP - para perceber que tinha que fazer qualquer coisa sobre o Casino de Lisboa, dedica agora meios e recursos para investigar aquilo que, sendo um lamentável caso de indisciplina e insolência, não deve deixar de ser equacionado à luz da relativa gravidade do incidente.

Mas o coro de apoio ao anúncio feito por Pinto Monteiro não se fez esperar. Afinal a “turba” de “canalhas” tem que ser posta na ordem e os professores não têm meios para o fazer. A sério? Será que quem anda há uma semana a proferir afirmações destas, que passam por uma verdade incontestável e inquestionável, alguma vez perdeu dois segundos para ler o que é que diz o estatuto do aluno em vigor? Se não, aqui está:

Artigo 27.º (Medidas disciplinares sancionatórias)

a) A repreensão;
b) A repreensão registada;
c) A suspensão da escola até cinco dias úteis;
d) A suspensão da escola de 6 a 10 dias úteis;
e) A expulsão da escola


Advertência, Suspensão, ou expulsão com decorrente perda do ano lectivo. O que é que querem mais? Colocar uma míuda malcriada no pelourinho e, de permeio, fazer um retrato de toda uma geração a partir de um caso que, podendo não ser isolado, será sempre ultra-minoritário? Quer me parecer que há por aí muito boa gente que "anda nisto" apenas para provar que esta é que é mesmo a geração rasca.

publicado por Pedro Sales às 22:56
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Depois da boa experiência dos ginásios...

O governo tentou hoje limpar o pecado original da sua governação: o dia em rasgou o compromisso eleitoral de não mexer nos impostos e aumentou o IVA. Infelizmente, tudo aponta para a inconsequência de uma medida que não serve para redimir, nem pela metade, o dia em que Sócrates aumentou o IVA. Nem tudo o que sobe desce, como os portugueses já perceberam com os ginásios que, vendo o IVA descer de 21 para 5%, mantiveram os preços inalterados. No dia 1 de Julho, poderemos comparar os preços. Vai uma aposta?
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publicado por Pedro Sales às 17:50
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Terça-feira, 25 de Março de 2008
Olha, olha os anti-americanos já chegaram à televisão nos States

O Daniel Oliveira responde
, ponto por ponto, ao artigo em que Pacheco Pereira se queixa de mais uma perseguição sofrida pela sua pessoa. Depois dos falsos blogues pornográficos, apenas criados para o destituírem do lugar cimeiro que merece na bloga lusa, Pacheco Pereiro é agora importunado pelo “delito de opinião [que] é ter estado a favor da invasão do Iraque e é particularmente agravado nos casos raríssimos em que se continua a estar a favor, esses então de reincidência patológica que justificam prisão e banimento.”

Pacheco Pereira recorre à preguiça intelectual que já conhecíamos do tempo da guerra, reduzindo todas as críticas ao falhanço da estratégia da administração Bush como um sintoma do anti-americanismo militante próprio do Bloco, "muitas vezes secundado pela voz de Mário Soares". Como se percebe, só mesmo um anti-americano primário é que não percebe a genialidade de uma estratégia que considera o Irão como parte do “eixo do mal”, lançando-se numa guerra para destituir o único regime com força para limitar a sua influência como potência regional. Mas não, Pacheco Pereira sabia que a guerra fazia sentido e que nunca foi por causa das armas de destruição em massa, nem da ligação de Saddam com a Al-Quaeda. Era tudo uma questão geopolítica para levar a estabilidade à região. Para além de estar na cara que essa estratégia foi mais um "sucesso" do legado de Bush, Pacheco Pereira oferece-nos uma exemplar confissão sobre o carácter instrumental da verdade e confiança assumem na sua visão da política, Não há dúvida, as lições do passado são mesmo as mais difícies de esquecer.

publicado por Pedro Sales às 20:06
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É só fazer as contas
Bush afirma que morte de quatro mil soldados no Iraque "não foi em vão" Principalmente se olharmos para os
Lucros das 5 principais companhias petrolíferas desde 2003.
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publicado por Pedro Sales às 17:17
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Despreocupação, o novo nome para a pobreza
A SIC acaba de passar uma notícia indicando que os portugueses são o povo da Europa que menos se preocupa com a sua saúde oral. Para além dos dados estatísticos, que indicam que menos de 45% dos cidadãos vão ao dentista uma vez por ano, foram entrevistar alguns desdentados idosos numa aldeia do interior do país, inquirindo-os sobre a sua renitência em se deslocarem ao dentista. A resposta, simples e directa, não se fez esperar: o país era pobre e não tínhamos dinheiro. Perante isto, o jornalista remata a peça dizendo que demora muito tempo a mudar as mentalidades. Pois, a começar pelas de alguns jornalistas...

publicado por Pedro Sales às 13:47
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A cartilha
Em vários artigos na blogosfera e imprensa, a direita liberal foi rápida a aproveitar o debate sobre a crise de autoridade dos professores para defender a sua já conhecida agenda para a educação. João Miranda ou José Manuel Fernandes (sem link) são apenas dois dos nomes que nos garantem que a solução para repor a autoridade e estancar a degradação da imagem dos docentes passa por abdicarmos de um sistema de ensino centralizado, responsabilizar as escolas pela contratação dos professores, ou caminhar para a liberdade de educação - vulgo cheque-ensino. Um problema apenas. As suas propostas - boas ou más, não interessa agora para o caso – não têm nada a ver com o assunto em apreço.
 
Senão, vejamos. O país europeu que mais se associa a esse modelo é a Inglaterra, onde não existe nenhuma limitação geográfica a condicionar a escolha da escola e existem rankings para todos os resultados dos estabelecimentos de ensino. As escolas dispõem de uma vasta autonomia que lhes permite flexibilizar uma parte do currículo e são dirigidas por um director com poderes reforçados (nomeadamente de contratação de docentes). E qual é o resultado que essa política tem sobre a imagem e autoridade docentes? Nenhum. Zero. Há muito que os alunos recorrem ao "cyber-bullying", utilizando o Youtube ou foruns da internet para humilhar e pressionar os professores.De resto, a violência nas escolas é um tema de aceso debate politico e mediático vai para mais de uma década. Já agora, e só para situarmos os planos, a discussão do momento em Inglaterra não são os telemóveis na escola, são os 25% de professores que já encontraram os seus alunos na posse de uma arma na escola.

É positivo quando se apresentam propostas, mas convém é que elas tenham alguma coisa a ver com o tema em debate e não sejam apenas mais uma oportunidade para debitar a cartilha do costume. É que pode ficar a ideia que nem é por má vontade, mas apenas por não se conhecer mais nenhuma.

publicado por Pedro Sales às 10:10
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Segunda-feira, 24 de Março de 2008
Boas notícias
As notícias do PÚBLICO na Internet passam a ter ligação directa para os blogues que as comentam, através de uma nova ferramenta que hoje entra em funcionamento. O objectivo desta medida é ajudar “na difusão das conversas que se geram na blogosfera sobre as notícias, tranformando os níveis de participação no próprio site”, explica um comunicado da empresa.

A imprensa tradicional tem sido lenta a aproveitar as potencialidades da blogosfera, olhando-a normalmente com um misto de desconfiança e sobranceria. Até por isso, a nova funcionalidade hoje posta em funcionamento pelo Público é uma excelente notícia. Mesmo com as colunas de opinião a continuarem reservadas a assinantes e as notícias que se evaporam da net sem deixar rasto, é justo reconhecer que, juntamente com o Sol, o Público é o jornal que tem olhado de uma forma mais séria para a blogosfera e outras formas de comunicação, como o twitter.

Para se ter uma ideia da importância dos novos meios e da sua relação com as políticas editoriais da imprensa tradicional, talvez valha a pena lembrar que o  New York Times teve o seu acesso na net condicionado durante dois anos ao pagamento de uma assinatura. Desistiu há poucos meses, com uma alteração radical de política que levou o centenário jornal a disponibilizar na net todos os seus arquivos, de 1851 até aos nossos dias. A razão? Nas pesquisas efectuadas através do Google, os principais blogues e a wikipedia apareciam sistematicamente à frente do NY Times. Sem links perdem-se visitantes e sem estes não há receitas publicitárias e capacidade para “fazer” opinião. Com o crescente número de pessoas que pesquisam notícias e opinião na net, a imprensa tradicional não pode continuar a ignorar a blogosfera ou outros meios de sociabilização em linha. Com o passo hoje dado, o Público provou ter a capacidade para andar um passo à frente da sua concorrência.
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publicado por Pedro Sales às 22:21
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O que resta

As autoridades chinesas prometem esmagar os protestos no Tibete, uma ameaça que é para levar a sério tratando-se, como é o caso, de um regime ditatorial que sabe impor a sua colossal força económica para garantir o silêncio e conivência internacional perante o sistemático desrespeito pelos direitos humanos. Um único problema. Os Jogos Olímpicos têm que ser um sucesso que não pode ser importunado. Os Jogos Olímpicos não são uma prova desportiva para a gerontocracia de Pequim. São o supremo acto de branqueamento de um regime que usa a memória histórica de Mao para legitimar socialmente o trabalho escravo e conta com a simpatia de um capitalismo que nunca convive mal com a falta de liberdade politica e sindical quando esta lhes garante os melhores salários e os melhores horários.

Alheio a tudo isso, o PCP garante que “está cada vez mais claro que estes incidentes têm como objectivo político comprometer os Jogos Olímpicos". Em nome de um sectarismo só possível a quem nunca compreendeu a queda do muro, resta ao PCP a associação a regimes como o chinês ou o da Coreia do Norte. Convenhamos que não é um grande cartão de visita para quem, entre portas, se reivindica portador de um discurso de defesa dos valores democráticos e da liberdade sindical.

Actualização: Já que o regime chinês, e o seu impecável registo de respeito pelos direitos humanos, merece tanta compaixão na caixa de comentários destes post, limito-me a deixar aqui os relatórios da Amnistia Internacional de 2007 e 2003...muito antes do apedrejamento de cidadãos chineses que o pacífico regime de Pequim apenas procurou suster.

publicado por Pedro Sales às 15:58
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Domingo, 23 de Março de 2008
Serviço público
Quem gosta de basquetebol e tem uma boa ligação de banda larga já não precisa da Sport TV para asssistir aos jogos da melhor época da NBA dos últimos anos, podendo seguir os desafios decisivos da temporada neste site. Para todos aqueles que precisam de dormir mais horas do que o Marcelo Rebelo de Sousa, existe mesmo a possibilidade de ver em diferido os desafios das últimas semanas.

Actualização: alertado por alguns comentários, reparo que os links não vão ter ao sítio certo. Os links estão correctos mas, por qualquer razão que desconheço, não fazem a ligação. Assim sendo, aqui ficam os endereços do site (http://www.janeironation.5gigs.com/cc.html) e dos arquivos (http://www.janeironation.5gigs.com/archive.html).

Atenção: Cada jogo corresponde a uns 500 ou 600 megas de download internacional. Quem quiser aceder intensivamente a este site deve verificar primeiro o seu plano de acesso à net.
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publicado por Pedro Sales às 22:12
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Sexta-feira, 21 de Março de 2008
O grau zero do oportunismo
CDS-PP quer ouvir Governo sobre caso de violência na escola Carolina Michaelis. Já era de esperar que, mais dia menos dia, o PP viesse demonstrar até que ponto é possível descer no aproveitamento demagógico de situações como estas. Quererá o PP fazer-nos crer que o primeiro-ministro é o responsável pelos telemóveis que entram nas salas de aula (apesar de serem proibidos), a ministra tem que responder pelos sms que os petizes enviam uns aos outros e o Presidente da República tem que "dar a cara" de cada vez que um aluno agride um professor? Mas o melhor é mesmo a "justificação" para o requerimento. É que o PP apresentou um projecto de lei, que foi rejeitado pelo Parlamento, onde se defendia a criação de um Observatório Escolar. Ora aí está. Tivesse esse Observatório sido criado e nunca, mas nunca, a aluna do 9.ª C da Carolina Micahelis teria tido a coragem de fazer o que fez à professora... O oportunismo devia ter limites.
 
PS: Na desenfreada fúria com que pretende ouvir tudo e todos na Assembleia da República, o PP podia aproveitar e exigir audições sobre os casos dos sobreiros, casino, fotocópias ou submarinos, temas esses de claro interesse público mas que parecem arredios da agenda do PP. Vá-se lá saber porquê.

publicado por Pedro Sales às 19:36
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Ignorância e preconceito
O Estado desconfia dos privados, abomina o lucro, prefere a ineficiência “igualitária” à eficiência que pode fazer a diferença. E por isso não se importa de enviar um exercito de fiscais administrativos para garantir que um operador privado não ganhará um cêntimo a mais, mesmo quando esse operador está a prestar melhor serviço às populações. José Manuel Fernandes, Público, 20 Março 2008

Se é certo que os suspeitos do costume não se cansam de lamentar o fim da gestão privada do Amadora-Sintra, o editorial de ontem de José Manuel Fernandes é merecedor de atenção especial. Em primeiro lugar porque é extraordinário perceber como é que se consegue escrever um texto com mais de 4 mil caracteres sem apresentar nenhuma fundamentação para os seus argumento, para além do nível zero da argumentação que é dizer que estamos perante uma medida “estalinista”. Quanto ao resto, o director do Público limita-se a recorrer ao já habitual chorrilho de preconceitos sobre a gestão pública e as vantagens da privada.

José Manuel Fernandes fala de eficiência da gestão, o que é estranho num hospital em que as contas estão por validar desde 2002. Diz JMF que são cêntimos, com uma estranha bonomia quando se constata que, só em 2002, o diferendo entre o Estado e o grupo Mello ascende a 18,5 milhões de euros. Não deixam de ser cêntimos, é verdade, mas são centenas e centenas de milhões deles. Quando ao exército de burocratas, talvez valha a pena lembrar que, a existirem, é para tentar evitar situações como as detectadas pelo Tribunal de Contas - quando este organismo declarou que, entre 1995 e 2001, o Estado efectuou pagamentos indevidos no valor de 70 milhões de euros ao Grupo Mello. De resto, e sendo bastante discutível a asserção sobre o melhor serviço prestado às populações pelo único hospital que não está inscrito no programa de recuperação das listas de espera cirúrgicas, não deixa de ser comovente ver JMF defender a qualidade do serviço público, independentemente dos seus custos. Um regresso ao passado, ou o resultado de escrever apenas com base nos preconceitos ideológicos?


publicado por Pedro Sales às 18:07
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Reescrever a história

Na impossibilidade de defenderem o desastre em que se tornou o atoleiro iraquiano, os defensores da guerra continuam os seus exercícios imaginários. O último é a tentativa de reescrever a história. Diz o Paulo Tunhas que, à data, tudo apontava para a "racionalidade" da intervenção militar: “Saddam e as suas múltiplas guerras, as informações dos serviços secretos – não só americanos e ingleses, mas também franceses e alemães”. Ora, como todos estamos lembrados, a Alemanha e França foram justamente dois dos países que sempre defenderam na ONU a continuação das inspecções. Que o tenham feito, como o Paulo Tunhas sugere, contra as indicações dos seus serviços secretos, teria sido notícia em todo o mundo. Onde é que Paulo Tunhas descobriu essa monumental “cacha” que mais ninguém conhece?  Agradecíamos que a partilhasse connosco.

publicado por Pedro Sales às 16:42
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Quarta-feira, 19 de Março de 2008
Os "especialistas"


Para quem acredita nessas coisas, quis o acaso do destino que os cinco anos da invasão e ocupação do Iraque coincidissem com o início de uma gigantesca recessão económica nos EUA. Para todos os outros, talvez valha a pena lembrar que os dois acontecimentos estão longe de estar desligados. Em primeiro lugar pelos custos astronómicos da ocupação do Iraque (o Congresso dos EUA já fala em 1 ou 2 milhões de milhões de dólares), com as consequências monetárias que daí resultaram. Mas também, e de  forma nada indirecta, com o decisivo impacto da guerra na escalada do preço do petróleo.

Para quem anda esquecido, um fenómeno curiosamente recorrente por estes dias, talvez valha a pena recordar que os opositores da intervenção militar foram os primeiros a alertar para a subida do preço do petróleo causada pela instabilidade geopolítica na região onde se encontram quase 2/3 das suas reservas. Quando Fernando Rosas escreveu um artigo avançando a possibilidade do crude chegar aos 80 dólares por barril foi um fartote. Durante semanas, os grandes “especialistas” económicos da blogosfera liberal juntaram-se em peso para ridicularizar o Fernando Rosas, o Bloco e os opositores da guerra.

Lembrei-me desse momento ao ler uma notícia - destacada hoje pelo João Miranda para elogiar pela enésima vez o carácter premonitório e omnisciente do mercado -, onde se pode ler que, “desde o final de 2003, o número de contratos futuros de petróleo subiu 364 por cento enquanto o consumo real subiu oito por cento”. O João Miranda não refere, como é normal, mas foi no final de 2003 que se tornou perfeitamente claro que não existia nenhuma solução fácil para o Iraque e que, nem com a colossal fortuna que os EUA estão a enterrar no deserto, se podia garantir a estabilidade da região. O resto é história... e o petróleo que já vai nos 110 dólares.


publicado por Pedro Sales às 23:37
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F for fake (2)

PBS: Buying the war 1 de 5
(aqui para partes 2, 3, 4 e 5)

5 anos de desinformação.

"There wasn't any reporting in the rest of the press corps, there was stenography. The administration would make an assertion, people would make an assertion, people would write it down as if it were true, and put it in the newspaper or on television." (Huffington)

publicado por Vasco Carvalho às 23:25
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Um intenso debate ideológico
Desde sexta-feira, os deputados do Partido Socialista já apresentaram, ou anunciaram, três versões distintas da lei que proíbe os piercings na língua e as tatuagens a menores. E ainda há quem diga que o PS é um partido sem vida interna...
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publicado por Pedro Sales às 13:15
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Terça-feira, 18 de Março de 2008
O soporífero inglês
Anthony Minghella morreu ontem, aos 54 anos. No breve obituário que lhe dedica, a generalidade da imprensa recorda-o como o realizador do Paciente Inglês. Como se não fosse suficientemente trágico morrer tão novo, associar alguém, na hora da morte, a um filme como o Paciente Inglês é uma patifaria que não se deseja ao nosso pior inimigo. O  filme é tão mau que nem a Juliete Binoche o salva, e isso é bastante revelador sobre o carácter soporífero da história. O único contributo relevante do filme foi ter originado um dos melhores momentos do Seinfeld. O que também é revelador sobre a qualidade do sketch que aqui se recorda. É a mais sentida e sincera homenagem que posso dedicar a Anthony Minghella

publicado por Pedro Sales às 23:32
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A mão invisível está com cãibras I
Estranhamente, e quando a questão já não é saber se estamos em recessão mas perceber a natureza da sua dimensão, a blogosfera liberal em peso está calada ou a assobiar para o lado. Compreende-se. Afinal, tanto latim a tentar explicar-nos os mecanismos infalíveis da mão invisível e, quando as coisas começam a dar para o torto, lá tem que ser o dinheiro público a intervir e a nacionalizar as perdas dos lucros privados. Isto tem dias que mais vale estar calado.

Só para se perceber as consequências de um mercado desregulado, e a casmurrice de andar a tentar negar a crise há mais de sete meses, vale a pena lembrar que a Reserva Federal dos EUA injectou 30 mil milhões de dólares para assumir os riscos do crédito de maior risco do Bear Strearns. No rescaldo do furacão Katrina, emprestou 10,5 mil milhões para acudir aos problemas humanitários. Prioridades...


publicado por Pedro Sales às 21:07
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A mão invisível está com cãibras II

Jon Stewart sobre a crise financeira. As declarações de Bush sobre a sua presidência são imperdíveis.

publicado por Pedro Sales às 20:57
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Palhaço, eu?

"Há aqui uns bastardos na comunicação social do Continente. Digo bastardos para não ter que lhes chamar filhos da puta...” Alberto João Jardim

Talvez consciente do simbolismo da data, o Governo regional da Madeira anunciou ontem a condenação de Daniel Oliveira a pagar 2000 euros a Alberto João Jardim. O processo tem a ver com este artigo de opinião em que, respondendo às elegantes declarações do inimputável da Madeira que acima se reproduzem, Daniel Oliveira chamou “palhaço” ao presidente da Região Autónoma.

E depois ainda há quem diga que os tribunais são conservadores e pouco atentos às mudanças que se verificam na sociedade. Nada mais injusto. Repare-se como, na Madeira, a profissão circense se encontra completamente desacreditada e as actividades profissionais da indústria do sexo são tidas numa consideração digna de destaque. Deve ser da lei da oferta e da procura. Como a palhaçada dura há 30 anos, é compreensível o incómodo quando alguém chama a atenção para as raízes da efeméride.

publicado por Pedro Sales às 17:44
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Tibete

O regime chinês é o pior de todos os sistemas, mesmo contando com todos os outros. Conjugando os piores defeitos do capitalismo com os dos regimes comunistas, a China goza da benevolência internacional só permitida a um gigante que garante os produtos baratos que mantêm a inflação controlada nestes tempos em que o petróleo se compra a preços de caviar. Perante a repressão indiscriminada e o bloqueio total da informação a partir do Tibete, a ONU pede contenção na repressão e os EUA pedem aos dois lados (!) para parar a violência.Está certo, os bons negócios são sempre entre amigos.

Concentração e vigília em frente à embaixada chinesa, 4ª feira, 19 de Março, a partir das 18.30 (R. São Caetano, 2, Lisboa, à Lapa)

publicado por Pedro Sales às 13:49
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Segunda-feira, 17 de Março de 2008
Relatório minoritário

As autoridades policiais britânicas pretendem recolher amostras de ADN dos alunos do 1.º ciclo cujo comportamento indique que podem vir a ser criminosos. "Quanto mais novos melhor", defende Gary Pugh, afirmando que as amostras devem ser recolhidas logo aos cinco anos. Uma medida "preventiva", diz o director forense da Scotland Yard, que defende esta aproximação "minimalista" devido às dificuldades logísticas e de custos inerentes à fichagem do código genético de todos os cidadãos. Não sendo possível esse sonho de qualquer ditador das mais conhecidas distopias literárias do século XX, a polícia britânica pretende que os professores denunciem os meninos mais predispostos a roubar o chupa-chupa do colega.

Curioso, é que o também porta-voz da associação de oficiais da polícia, reconhece os mais que evidentes problemas de estigmatização social, consentimento dos pais e do papel dos professores na identificação dos criminosos de fraldas. Só que, para uma polícia que já tem as amostras ADN de 4,5 milhões de cidadãos, os avanços no combate à criminalidade compensam essas minudências éticas. O que vale é que, neste admirável mundo novo, há sempre um qualquer benefício para justificar a caminhada para um Estado policial cada mais apertado e tecnologicamente evoluído.


publicado por Pedro Sales às 19:39
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Partido Somague Democrata

Na mesma intervenção em que se queixou dos condicionalismos políticos impostos pelo peso do Estado, que se propõe desmantelar em seis meses, Luís Filipe Menezes defendeu o fim do pagamento das quotas no PSD, tornando o partido totalmente dependente da subvenção estatal. Ou isso, ou dos contributos de empresas que o mesmo também defende...e que tão bom resultado já deu no PSD. 

publicado por Pedro Sales às 14:36
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Domingo, 16 de Março de 2008
F for fake

O dia da vergonha tem cinco anos.


publicado por Pedro Sales às 23:29
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Crónica de uma morte anunciada(3)

O economista enquanto cartoonista: Paul Krugman  e "a cartoon model of the crisis". O relato oficial da crise aqui, no seu blogue.

publicado por Vasco Carvalho às 18:00
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Crónica de uma morte anunciada(2)

a crise via the subprime primer


publicado por Vasco Carvalho às 08:30
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