Sábado, 5 de Janeiro de 2008
Faltam onze meses para o Governo decidir quem é que fica com o novo canal televisivo
Fazendo uma festa com essa extraordinária proeza, o Governo garante que o aumento das pensões permite a manutenção do poder de compra a 1,6 milhões de reformados que vivem com menos de 400 euros por mês. Mais papista que o Papa, o Jornal de Notícias diz que "0 poder de compra perdido durante 2007 será, assim, compensado para 2,4 milhões de reformados".

publicado por Pedro Sales às 14:16
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Cobardia é sair de uma guerra em que não se acredita
Agora que se tornou claro que foi o governo francês, liderado pelo novo ídolo das nossas direitas, que obrigou ao cancelamento do Dakar por causa de um comunicado de uma organização da Al Qaeda, estranho não encontrar nenhuma crítica à cobardia do namorado de Carla Bruni nos blogues que não pararam de zurzir na falta de coragem e no capitulacionismo de Zapatero perante os terroristas quando este retirou as tropas espanholas do Iraque. A coragem dos nossos guerreiros de sofá tem os seus dias. E as suas causas.

publicado por Pedro Sales às 10:20
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GPS killed the Dakar star
De repetente, e depois do cancelamento da edição deste ano, parece que metade do país acordou preocupado com o futuro do Dakar. Têm andado distraídos. O Dakar já estava morto há muitos anos e foi o GPS que acabou com ele. No dia em que as diferenças nas etapas de centenas de quilómetros no deserto deixaram de se medir em horas e em dezenas de minutos para passarem a ser decididas ao segundo, o Dakar foi perdendo interesse e seguidores. Perdeu a aura de aventura e de teste à resistência do indivíduo, já para não falar na incerteza competitiva até à etapa de consagração nas praias do Senegal. Passou a ser um rally. No deserto, é certo, mas até isso passa a ser secundário quando uma máquina nos aponta o caminho com a mesma precisão e certeza com que o faz nas ruas de Londres ou Berlim. Tornou-se uma prova igual a tantas outras e, portanto, periférica. Não foi por acaso que foi caindo aos trambolhões de Paris, Barcelona até chegar a Lisboa (que nem aparece no nome da prova...) e aos bolsos abertos do nosso governo e Santa Casa da Misericórdia.
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publicado por Pedro Sales às 10:04
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Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008
O espectáculo do ano já começou

Esperança e mudança. Fartos e cansados da política do medo seguida pelo sistema político de Washington durante a administração Bush, as palavras mais usadas por Obama no seu impressionante discurso de vitória no Iowa arriscam-se a ser o eixo da campanha presidencial norte americana. Não por acaso, Hillary e Giuliani, os dois candidatos mais conotados com o "sistema", foram os grandes derrotados de ontem. O problema de Hillary não foi tanto ter perdido para Obama, mas ter ficado atrás de John Edwards. Permite a este criar o momento que o legitima como um potencial candidato ganhador e que lhe permite continuar a recolher dinheiro para o manter na corrida. Ontem teve um excelente discurso, bem longe do fulgor retórico e oratório de Obama, mas provando que é o candidato mais à esquerda no campo democrata.
O João Rodrigues e o Nuno Teles já tinham chamado a atenção para as suas propostas - principalmente o plano de saúde e a retirada do Iraque - e para o apoio que tem recolhido entre os economistas de esquerda. Ontem voltou a falar de um dos temas que tem destacado nas últimas semana, criticando a "corporate greed" que tem conduzido ao aumento da desigualdade social nos EUA. Edwards pode ser a surpresa no campo democrata, afirmando-se definitivamente como um nome a ter em conta. Ainda bem. Obama parece cada vez mais ser aquilo que tanto critica nas suas intervenções, dizendo aquilo que as pessoas (e os seus financiadores) querem ouvir.

PS: Com um correspondente especial nos EUA a tempo inteiro, e um intermitentente entre Angola e Chicago, o Zero de Conduta vai acompanhar as eleições com especial atenção. Na barra da direita, já se pode encontrar o link para todos os textos sobre a Indecisão 2008. Serão muitos.
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publicado por Pedro Sales às 17:17
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O tal canal

Portugal tem o mercado publicitário mais distorcido da Europa. Como em nenhum outro país, os anunciantes concentram o seu dinheiro na televisão (70% do volume de anúncios) e só não o fazem de uma forma mais intensa porque existem limitações legais que o impedem. A abertura do concurso para mais um canal de televisão em sinal aberto vai reforçar essa tendência, tornando ainda mais complicada a já debilitada situação financeira da maioria dos títulos da imprensa escrita. Uma comunicação social sem recursos e em permanente guerra para captar audiências e anunciantes não deveria interessar a ninguém, jornalistas incluídos. Conduz à degradação da informação. Ao fim do jornalismo de investigação. À diluição da autonomia dos seus profissionais. À diminuição da independência face ao poder politico e económico. À tabloidização de toda a imprensa, incluindo a de referência.

Abrir um canal televisivo em sinal aberto não é o mesmo que abrir uma padaria ou fábrica de curtumes. Tem profundas implicações no funcionamento do sistema democrático. A revolução não será televisionada, já diz a famosa canção dos anos 70, mas a verdade é que a democracia passa cada vez mais pela televisão. Para o bem e para o mal, a comunicação social é o principal mediador entre o sistema politico e a população. Não é por acaso que é nos liberais EUA que encontramos a legislação que mais entraves coloca à concentração da comunicação social. Por cá, contudo, o argumento liberal é que este licenciamento é um intrusão do Estado no normal funcionamento do mercado que deveria ter o direito de criar as estações em sinal aberto que entendesse. Dizem-no como se o licenciamento público das televisões generalistas fosse uma originalidade nacional e não ocorresse o mesmo em todos os outros países. Ao contrário do que argumentam, uma comunicação social sem meios de subsistência, e com profissionais cada vez mais precarizados, é que se torna refém de todo o tipo de interesses. A começar pelos mais fortes. Os do governo e os dos grandes grupos económicos.
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publicado por Pedro Sales às 16:32
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Forreta mas contente

Perante as críticas da oposição sobre os miseráveis aumentos das pensões, o Governo respondeu com um comunicado onde garante que 90% dos pensionistas mantêm o poder de compra. Se a taxa de inflação for a que calcula Bruxelas (2,7%) nem isso é verdade, mas a reacção do Governo é exemplar porque nos revela que:
  1. 90% dos pensionistas têm reformas abaixo dos 611 euros.
  2. O Governo desistiu de combater a pobreza, renunciando a recuperar o poder de compra das centenas de milhar de idosos que vivem com menos de 300 euros por mês.
  3. A manutenção do inexistente poder de compra dos mais pobres dos mais pobres é quanto basta ao Governo para se congratular com os aumentos concedidos a 1,6 milhões de pessoas que recebem menos do que o salário mínimo nacional.


publicado por Pedro Sales às 09:43
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Depois de ter encerrado 2400, o Governo está preocupado com o nome das escolas
Vale a pena ler esta entrada do Daniel Oliveira sobre a absurda hiperprodução legislativa que leva o governo a criar um decreto lei em que se definem as regras para dar nomes às escolas.

publicado por Pedro Sales às 00:45
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Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008
A clarificação
fotografia SOL
O inspector geral da ASAE diz que só fumou no restaurante do casino porque, no seu entender, existe um conflito entre a lei do tabaco e a do jogo que precisa ser clarificado. Enquanto a tal clarificaçãozinha não aparece, o responsável máximo pela fiscalização do cumprimento da lei do tabaco vai regendo o seu comportamento pelo disposto na lei do jogo. Estamos conversados.

publicado por Pedro Sales às 17:03
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2007 foi também o ano em que Portugal mudou de cor neste mapa
Enquadramento legal da Interrupção Voluntária da Gravidez no mundo. Clique no gráfico para aumentar.

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publicado por Pedro Sales às 15:44
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ainda em 2007
Na Harper:
"Mil oitocentos e noventa e nove soldados dos EUA e 18,610 civis iraquianos foram mortos na Guerra do Iraque. Oitenta por cento dos Iraquianos declararam “ataques perto” e estimou-se que 90% dos artistas dos artistas do Iraque tinham fugido do país ou sido mortos. A Halliburton anunciou 13 mil novos postos de trabalho, e o Presidente George W. Bush foi submetido a uma colonoscopia. Na Venezuela, o Presidente Hugo Chavez abraçou o Presidente Mahmoud Ahmadinejad do Irão. “Bem-vindo, combatente de causas justas”, disse Chavez. O Senador Barack Obama apareceu de tronco nú no especial “Beach Babes” da People’s Magazine. A presidente da Casa dos Representantes Nancy Pelosi proibiu o fumo no salão do Capitólio, e a Senadora Hillary Clinton disse “nós queremos continuar a ser capazes de exportar democracia, mas entregues em pacotes digeríveis.” O Viagra fez 15 anos. Fogos espalharam-se do Norte de Los Angeles ao sul de San Diego, e cientistas da Universidade de Nova Iorque apagavam experiências assustadoras da memória de ratos. O primeiro congressista Muçulmano foi jurado com o Corão que pertencera a Thomas Jefferson. Esperava-se que as vendas anuais da Taser International chegassem aos 90 milhões de dólares."

continua


publicado por Filipe Calvão às 14:12
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Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008
E agora, ainda vão continuar a incomodar com essa mania do referendo?
Perante as dificuldades de crescimento da nossa economia, perante a angústia daqueles que não têm emprego e a subsistência de bolsas de pobreza, devemos concentrar-nos no que é essencial para o nosso futuro comum, e não trazer para o debate aquilo que divide a sociedade portuguesa.

Esta frase resume o pensamento democrático de Cavaco Silva. Depois de nos ter garantido que “duas pessoas com a mesma informação e com a mesma boa-fé chegam necessariamente às mesmas conclusões”, Cavaco Silva volta a provar a sua evidente aversão à ideia de que a democracia se fortalece com o confronto de opiniões distintas. Bem pode apelar ao reforço do diálogo e à diminuição da crispação social. É tudo instrumental. E com regras bem certinhas. As da resignação democrática.

publicado por Pedro Sales às 18:21
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As novidades chegam sempre atrasadas à província

"A universalidade e gratuitidade deste tipo de serviços - saúde, educação e segurança social -, é exactamente aquilo que é insustentável. É a ideia do modelo social europeu. É completamente insustentável". Pacheco Pereira, balanço de 2007 para o Expresso.


Não deixa de ser curioso que a assumpção liberal de Pacheco Pereira ocorra precisamente quando, do outro lado do Atlântico (e no único país industrializado onde se quebrou o mito da universalidade e gratuitidade deste tipo de serviços), todos os candidatos presidenciais se esforçam para apresentar planos que, de uma forma ou de outra, garantam cuidados de saúde aos 46 milhões de cidadãos que não têm direito a qualquer assistência, pública ou privada. O fim da universalidade e gratuitidade deste tipo de serviços tem vítimas. E quando Pacheco Pereira diz que o modelo social europeu é insustentável, não deve ter perdido muito tempo para reparar que os EUA, despendendo percentualmente o dobro de qualquer outro país, têm piores indicadores de saúde e deixam um sétimo da sua população ao abandono. O mesmo na educação, onde os eleitores americanos têm sistematicamente rejeitado em referendo a introdução do cheque ensino, e, no único estado onde este se encontra em vigor, os custos públicos com a educação têm disparado descontroladamente.

Se é assim nos EUA, imagine-se as consequências sociais de colocar um ponto final na universalidade dos cuidados de saúde ou educação, num país com dois milhões de pobres e onde o Estado considera rica qualquer família que se governe com dois mil euros por mês. Insustentável é esta lógica liberal, assente na sistemática campanha contra os serviços sociais prestados pelo Estado, e que nos quer fazer crer que é inevitável o fim da universalidade das prestações sociais, porque sim. Insustentável, porque é uma violência social, e insustentável porque não tem nenhuma sustentação nos factos e nos números.

Leitura recomendada: The Free Market: A False Idol After All?, no New York Times.

publicado por Pedro Sales às 11:01
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Terça-feira, 1 de Janeiro de 2008
Porque hoje é 1 de Janeiro


publicado por Pedro Sales às 00:00
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