Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008
O homem da tripla
O BCP ficou com a gerência da Caixa. Santos Ferreira para aqui Miguel Cadilhe para ali, a imprensa de hoje confere uma ampla cobertura mediática à luta pela liderança no Millennium BCP. Mas outro nome escapa ao escrutínio e passa quase incógnito: Cunha e Vaz. O mesmo homem que faz a comunicação de Menezes, e coordenava o ataque do PSD à “Opa socialista” de Santos Ferreira, fez a assessoria de Santos Ferreira para garantir o sucesso da “Opa socialista” ao BCP. Pelo meio ainda tinha tempo e energia para aconselhar o cessante Conselho de Administração do BCP. Uma verdadeira tripla. Mas há que reconhecer as vantagens de um esquema destes. Assim nunca há fugas de informação. Ela circula sempre entre a mesma gente.

publicado por Pedro Sales às 18:30
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Arranja-lhes um emprego...

Depois de andar a ver se arranjava um emprego a Cadilhe na Caixa Geral de Depósitos, Luís Filipe Menezes propôs ontem a entrada de dois comentadores para a RTP e para a Sic Notícias. Numa clara demonstração da pobreza de espírito que o anima, dividiu a coisa entre "ortodoxos" e "independentes". Parece que o PSD tem poucos dos primeiros a falar na televisão. Uma injustiça que, como recorda Menezes, tem deixado esse génio político que dá pelo nome de Ribau Esteves fora dos ecrãs televisivos. Para o homem que se propõe acabar em seis meses com o peso do Estado na sociedade, Menezes parece muito atento e preocupado com tudo o que lhe escapa ao controlo. Aguarda-se com expectativa o dia em que Menezes aparecerá a propor os nomes para a administração da Sony Portugal, Autoeuropa, Ordem dos Médicos ou o novo treinador para o Sporting. Já nada espanta neste "novo" PSD.

publicado por Pedro Sales às 12:43
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Serviço público

As coisas que se descobrem na apresentação anual da Apple! Extraordinária e viciante canção, usada no anúncio do fantástico Macbook air. Para quem quiser conhecer mais sobre a autora da música, aqui fica o site de Yael Naim.
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publicado por Pedro Sales às 00:45
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Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008
O fascismo instrumental
Numa das suas últimas crónicas no Público, o Rui Tavares chamou a atenção para os manifestos exageros retóricos de Vasco Pulido Valente e Pacheco Pereira a propósito da lei do tabaco. “Vasco Pulido Valente ameaçava aniquilar com o verbo quem se permitisse chamar “fascismo” à ditadura de Salazar — uma ditadura que censurava, prendia e torturava os seus opositores. Pacheco Pereira indignou-se por ter havido quem chamasse “fascista” a George W. Bush, — isto por causa de Guantánamo, do Patriot Act e da Guerra do Iraque. E eu levei-os a sério. E agora descubro que estes mesmos historiadores não tiveram dúvidas em classificar como “fascista” a nova lei do tabaco. Não lhe chamaram exagerada, mal concebida ou uma série de coisas que, concebivelmente, se poderiam dizer acerca de uma lei que transforma espaços que eram por regra de fumadores em espaços de não-fumadores. Não: fascista é que é.”

Precisamente porque vindo de quem, ao longo de décadas, tem vindo a exigir um rigor exegético na utilização do termo “fascista”, o caso de Pacheco Pereira é merecedor de uma atenção especial. Este prolixo autor de um blogue perseguido por meia blogosfera, tem-se empenhado na reabilitação de Mário Machado. “Tudo na longa manutenção de prisão preventiva de Mário Machado é estranho e aponta para razões puramente políticas, o que é inadmissível numa democracia”. Onde Pacheco Pereira encontra a perseguição por delito de opinião (de um movimento que se junta para cantar os parabéns a Rudolf Hess com protecção policial), o Ministério Público viu dezenas de crimes, entre os quais a posse ilegal de armas, agressões, ameaças de morte, insultos e sequestro. Mário Machado, e os seus amigos que se entretêm a profanar cemitérios judeus, é o mesmo que escreve cartas da prisão a ameaçar a vida de magistrados, coisa que se presume séria de quem já se foi preso e condenado pelo homicídio de uma pessoa que cometeu o “crime” de ter nascido com a cor “errada”. Mas, também nessa altura, Pacheco Pereira não via razões para falarmos de "fascismo". No dia 17 de Junho de 1995, poucos dias depois do homicídio de Alcino Monteiro por Mário Machado e companhia, era isto que Pacheco Pereira dizia no Expresso:

“O ridículo de falar na “noite de cristal” ou no “terror fascista” à solta em Lisboa só não salta aos olhos de toda a gente porque o nosso discurso estão tão degradado que as palavras já não têm o significado que pretendem ter”.

“Se pensam que há alguma coisa de pedagógico nesta histeria colectiva “anti-racista” e que com ela se previne qualquer outro crime, estão bem enganados: o feito será precisamente o contrário.”


“Ao se perder a medida perde-se a razão e entra-se na história do rapaz e do lobo. Ao se destruir o valor das palavras falando de “terror fascista” para com stampede racista de 50 guetos, está-se a gritar ao lobo antes de ele vir.”


"No dia em que de um Tribunal saírem para passar uns anos na cadeia os assassinos do jovem negro, a verdadeira pedagogia anti-rascista far-se-à.”


Como em quase tudo o que diz e escreve, Pacheco Pereira tem uma visão instrumental da palavra "fascismo". A sua definição, e aceitabilidade, pertence-lhe. A lei é fascista e quem não a critica nestes termos é porque convive bem com o ambiente de conformismo generalizado. Os fascistas, que matam e sequestram, são presos políticos. Pacheco Pereira tem razão numa coisa. O discurso está tão degradado que as palavras já não têm significado. E o seu discurso é apenas mais um exemplo disso mesmo.

publicado por Pedro Sales às 20:01
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Ontem, no Prós e Contras, estavam todos de acordo sobre a excelência do LNEC
A passagem pedonal da estação de metropolitano do Terreiro do Paço está a apresentar fissuras, apenas um mês depois de ter sido inaugurada. As primeiras infiltrações surgiram depois da chuva que caiu nos últimos dias em Lisboa.Segundo os técnicos, esta zona, que ainda está em obras, está com problemas já que tem uma má impermeabilização, uma vez que esta só pode ser feita em tempo seco e não com chuva. 17 anos e 300 milhões de euros depois, as obras monitorizadas e fiscalizadas pelo LNEC continuam a meter água. Também, quem é que se ia lembrar que uma estação parcialmente debaixo do rio iria precisar de ser impermeabilizada?

publicado por Pedro Sales às 17:37
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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008
E que tal um aeroporto em Moscovo?
E, de repente, o Prós e Contras sobre o aeroporto tornou-se num concurso entre Zita Seabra e Mário Lino para ver quem é que saiu mais cedo do PCP.

publicado por Pedro Sales às 23:15
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Lei que é lei, só é para cumprir quando há jornalistas por perto

Porque é que o fez, sabendo que havia jornalistas na sala?


publicado por Pedro Sales às 00:02
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Domingo, 13 de Janeiro de 2008
Não há almoços grátis (II)
Uma conhecida anedota soviética contava que, quando Gorbachev convidou Reagan para visitar o seu país, o recebeu com a mais faustosa recepção vista em Moscovo. Impressionado com o luxo e hospitalidade, Reagan perguntou onde tinham os soviéticos ido buscar tanto dinheiro, ao que Gorbachev apontou para a janela e perguntou ao presidente dos EUA se estava a ver o opulência da ponte que se encontrava à sua frente. “Não, não estou a ver ponte nenhuma”, respondeu um estupefacto Reagan. “Pois, aí está, gastámos o dinheiro na sua visita”.

O acordo do Estado com a Lusoponte é semelhante. Quando visitamos a Expo e olhamos para o Tejo só vislumbramos uma ponte onde os portugueses vão pagar três ou quatro. Que o Governo venha agora tentar sossegar os contribuintes, dizendo que a esmagadora maioria do investimento no aeroporto e TGV serão efectuados por consórcios privados seguindo um modelo semelhante ao seguido na ponte Vasco da Gama (Build, Operate Transfer) deveria ser suficiente para os portugueses começarem a remexer na carteira.

A ponte Vasco da Gama custou 897 milhões de euros, a maioria dos quais suportados por capitais privados. Em contrapartida, a Lusoponte recebeu mais de 550 milhões de subsídios do Estado (fonte, Público de ontem). Ficou com a exclusividade da concessão das pontes no Tejo a sul de Vila Franca de Xira, o prazo de concessão foi dilatado de 28 para 35 anos, e, cereja em cima do bolo, foi-lhe entregue a super lucrativa ponte 25 de Abril - na qual não gastou 1 cêntimo.

O Tribunal de Contas arrassou o acordo, valendo a pena lembrar esta passagem: "Considerando apenas o envolvimento financeiro do Estado concedente, designadamente a sua comparticipação inicial, as compensações directas e as perdas de receita de IVA e do Fee da manutenção da Ponte 25 de abril, os montantes envolvidos deverem ascender, a preços correntes, a cerca de 217 milhões de contos. Neste contexto, afigura-se bem longe de constituir qualquer ficção sustentar a ideia de que o Estado concedente tem sido o mais importante e decisivo financiador da concessão, sem a explorar. (página 84 do relatório). E isto foi em 2001...

Como se não fosse suficiente, o Estado prepara-se para renegociar novamente o contrato, atribuindo à Lusoponte a concessão da travessia entre Chelas e Barreiro. O mesmo traçado que, vai para quinze anos, merecia um largo consenso técnico mas que foi chumbado pelo então ministro das Obras Públicas: "Construir uma ponte entre Chelas e o Barreiro é trazer mais confusão para o centro de Lisboa", dizia então Ferreira do Amaral. Agora, o mesmo Ferreira do Amaral, que era contra a ligação Chelas-Barreiro, prepara-se para exigir do Estado o cumprimento do ruinoso acordo que assinou, acrescentando mais um episódio à história de sucesso do consórcio mais sortudo (e com melhores contactos) de Portugal.

Parece que os financiadores do estudo da CIP dizem ter medo das represálias do Estado. O único nome que se conhece é o da Lusoponte. Pobres e mal agradecidos, é o que é. Vivem à custa dos dinheiros públicos que, depois, passam a vida a vilipendiar. O empreendorismo nacional é assim. São todos liberais quando peregrinam até ao Convento do Beato, mas, quando fazem negócios, só se lembram do liberalismo depois do Estado lhes garantir o monopólio e assumir os riscos. O Governo fala agora em 16 000 milhões de euros em obras públicas nos próximos anos. Vai ser um festim. Pago por todos nós. Três ou quatro vezes, que é como se faz negócios no nosso país com o dinheiro dos outros.

publicado por Pedro Sales às 18:04
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Não há almoços grátis
Começa a faltar a paciência para tanto encómio, elogio, louvor e bajulação ao estudo da CIP sobre Alcochete. O momento alto foi atingido no Expresso da Meia-Noite, onde o responsável pelo estudo afirmava, perante a anuência geral, que mais importante que o aeroporto era a vitória da democracia assumida por um “conjunto de cidadãos” cansados de tanta incompetência técnica. E quem são esses cidadãos? Não se sabe nem se pode dizer, responde o autor do estudo, alegando o medo das represálias do Governo. Desculpem lá não acompanhar a comoção geral, que parece ter assentado arraiais precisamente naqueles que passam todo o ano a indicar-nos que "não há almoços grátis", mas esta treta não servia nem para uma pergunta do "Sabe mais do que um miúdo de 10 anos?". Represálias? Do Governo que mudou de posição para escolher a proposta sugerida pelo "grupo de cidadãos"? Que o único nome conhecido, o da Lusoponte, seja um dos principais interessados no projecto, talvez tenha alguma coisa a ver com o caso. Agora, as represálias?

publicado por Pedro Sales às 17:28
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Sábado, 12 de Janeiro de 2008
Sarkozy Consulting
Os ministros franceses vão passar a ser avaliados por uma empresa de consultadoria. A novidade, anunciada por Sarkozy, já tem até os critérios definidos. Segundo a Visão desta semana, a ministra do ensino superior será responsabilizada pela taxa de insucesso nas faculdades, a da cultura em função do número de espectadores dos filmes franceses e o ministro do Interior será recompensado pelo número de imigrantes ilegais que consiga expulsar (!!). Até ver, é a última novidade nesta senha liberal que insiste em quantificar todos os aspectos da vida social e política como se estes pudessem ser avaliados e escrutinados seguindo a mesma metodologia utilizada para contabilizar o número de computadores que saem de uma linha de montagem. Certamente uma coincidência, claro, mas a consultora foi fundada por alguns dos membros da elite política francesa e encontra-se em dificuldades financeiras. Está certo. Nada como pedir a uma empresa que não se consegue gerir a si própria para avaliar o desempenho de um governo. Isto promete.

publicado por Pedro Sales às 15:59
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E, agora, quem é que encerra a ASAE?
A mesma ASAE que esta semana impediu uma mercearia de Faro de comemorar o seu centenário de portas abertas (porque, horror dos horrores, não dispunha de um tecto falso e os móveis não estavam pintados na cor original), tem os extintores nas suas instalações fora do prazo há mais de cinco meses. Ainda segundo o Expresso, a ASAE pediu colaboração aos serviços secretos e forças especiais da polícia norte-americana para formar os seus agentes. Há muito que os portugueses desconfiavam, mas até agora tinha sempre faltado a coragem para atacar de frente um dos principais flagelos do país: o financiamento das redes terroristas internacionais pelos donos dos cafés, mercearias e restaurantes nacionais. Quem sabe, com a intrépida ajuda da ASAE, ainda acabam em Guantanamo.

publicado por Pedro Sales às 15:46
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Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008
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publicado por Pedro Sales às 21:14
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Manda quem pode, obedece quem deve
Um dos argumentos mais usados pelos defensores da ratificação parlamentar é que o Tratado de Lisboa e as questões europeias são demasiado complexas para permitir uma consulta popular esclarecida e esclarecedora. O João Villalobos foi um dos últimos a juntar-se ao clube, galhardamente fundado por Vital Moreira, e pergunta ”quantos dos nossos leitores conhecem as implicações que terá a nova Directiva de Crédito ao Consumo, para mencionar só um exemplo?” Poucos, certamente. Mas, como leitor do Corta-Fitas, aproveito para responder ao João com outra pergunta. Quantos portugueses é que conseguem perceber as diferentes propostas apresentadas nas eleições legislativas sobre a sustentabilidade da segurança social, regimes fiscais especiais, a Lei da Segurança Interna, Código Processo Penal ou mesmo as consequências do processo de Bolonha? E, de resto, só vota quem conhece e leu os programas apresentados pelos diversos partidos?

Se as sociedades actuais são complexas e alicerçadas num sem número de tratados, leis, normas e regulamentos de que, na sua esmagadora maioria, os cidadãos alegremente desconhecem o significado, o que fazer? Regressamos ao voto censitário, ou entregamos o nosso futuro apenas a quem conhece os meandros de Bruxelas e trata por tu os governantes e corpo diplomático? Podemos continuar nesse caminho, e confiar na apatia dos cidadãos que vão "vivendo a sua vida e perguntando se há palitos", continuando a fugir a sete pés do escrutínio popular da construção europeia. "A Europa dos cidadãos tem medo dos cidadãos", dizia alguém no Blafémias, num feliz resumo de como os 27 governos europeus têm lidado com a ratificação do Tratado. A tendência, aliás, é para que esse medo e seja crescente, pois não é possível continuar a esconder a Europa dos europeus e continuar à espera que decisões destas não deixem nódoa. Basta ver o que se passou em Portugal. Na tomada de posse do Governo, José Sócrates defendia o referendo invocando que “devemos confiar na capacidade política dos portugueses”. Agora, pouco mais de dois anos passados, invoca a “ética da responsabilidade” para esconder o Tratado do voto popular. Uma formulação simpática para dizer que somos todos responsáveis pelo futuro do Tratado e que, como não é certo que holandeses, franceses ou ingleses o aprovem, o melhor mesmo é deixarmos a consulta referendária na gaveta para não darmos ideias a ninguém. Referendo, está visto, “jamé”.

publicado por Pedro Sales às 18:15
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E a Portela?
O ministro Mário Lino, com cara de poucos amigos, junto dos gémeos Sócrates

O aeroporto vai ser em Alcochete. Depois do volte-face no pagamento às prestações do retroactivo das pensões, é a segunda vez que o Governo cede no espaço de dois dias. Só que, ao contrário da primeira, o Governo envolveu-se dos pés à cabeça na defesa da Ota. Era um “compromisso pessoal” de Mário Lino, ministro cujos acalorados argumentos entraram instantaneamente para o anedotário nacional. O Governo recuou e fica-lhe bem. Que o ministro permaneça compreende-se pior.

Mesmo cedendo na localização do aeroporto, o governo parece insistir no desmantelamento da Portela. Ontem, nunca falou na complementaridade das duas infra-estruturas. A Portela foi a carta ausente do baralho. Não se compreende. Fazia sentido complementar os dois aeroportos. Fica mais barato, permite uma construção faseada do novo e uma maior capacidade para, articulando os dois aeroportos, ir respondendo às alterações nos fluxos e a novos comportamentos turísticos. A tentação de construir uma gigantesca cidade aeroportuária e abdicar da centralidade e centenas de milhões de euros investidos na Portela é grande. Não há governo que não trema de contentamento perante a hipótese de associar o seu consulado a uma obra emblemática. Até agora, Sócrates só tem diminuído as pensões e fechado centros de saúde. Obra para encher o olho e impressionar os eleitores, nada. Sócrates pode estar de relações cortadas com Alberto João Jardim, mas sabe tão bem como este que é de inaugurações que o “meu povo gosta" Esta inacção construtora é que não pode continuar. "Jamé, Jamé".

PS:
Começam a faltar argumentos para classificar os despropósitos diários de Luís Filipe Menezes. A conferência de imprensa que ontem deu para dizer que o Governo "muda frequentemente de opinião, e que mostra convicções pouco profundas”, andando a “reboque de posições tomadas apropriadamente pelo PSD em Outubro, quanto ao referendo, e em relação à OTA, nas últimas semanas” foi patética. As mudanças de posição do Governo correspondem, sem tirar nem pôr, às do PSD. Por isso a referência às últimas semanas. É que, para ser justo, se o Governo andou a reboque de alguém foi de Marques Mendes. E Menezes andou a reboque de toda a gente, tentando fazer esquecer os dois anos em que assinou artigos a defender tudo o que Sócrates dizia, da Ota ao encerramento das urgências. O boneco do Contra-Informação de Menezes não lhe faz justiça. O original é muito mais engraçado.
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publicado por Pedro Sales às 08:24
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Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008
"Jamais"

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publicado por Pedro Sales às 20:52
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Business as usual
O PSD foi o primeiro partido político português a assinar um contrato com uma agência de comunicação, pagando 30 mil euros por mês à Cunha e Vaz para esta centralizar a sua imagem, comunicação e discurso.

Há um mês que Luís Filipe Menezes critica a OPA socialista ao BCP, denunciando o que diz serem as diligências do Governo para impor Santos Ferreira à frente do maior banco privado nacional.

Santos Ferreira contratou a agência de Cunha e Vaz para assessorar a sua lista na corrida à presidência do BCP. Ou seja, a mesma agência de comunicação que coordena com Luís Filipe Menezes o discurso sobre a “OPA socialista ao BCP”, está a assessorar a “OPA socialista ao BCP”.

publicado por Pedro Sales às 17:16
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Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008
Os dois tratados são quase iguais? "É a minha opinião"

"O PS tinha um compromisso com o Tratado Constitucional. Agora é o Tratado de Lisboa, que não existia na altura. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. As circunstâncias alteraram-se completamente. É um tratado diferente", disse José Sócrates no final da Comissão Política Nacional do PS.



publicado por Pedro Sales às 12:32
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É só dar tempo ao tempo.
Já está a tomar forma o coro de vozes a defender nos jornais e na televisão a decisão governamental de não referendar o tratado de Lisboa, apesar de ser uma promessa que consta no programa de Governo e ter sido a posição assumida pelo actual primeiro-ministro na campanha eleitoral. Cá estaremos para ver quantos dias vão passar até que, a propósito de um qualquer episódio, as mesmas autorizadas vozes apareçam nos jornais e na televisão a referir o crescente afastamento entre a população e o sistema político, a falta de confiança nos partidos ou a reduzida participação eleitoral. Como se sabe o incumprimento de promessas não tem nada a ver com o descrédito da política e é um produto do acaso.

publicado por Pedro Sales às 04:08
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Razão pela qual sempre defendi, até há 3 meses, a Ota e o TGV
"Não se pode ao mesmo tempo construir aeroportos como o da Ota, ter investimentos megalómanos como o TGV e aumentar pensões". Luís Filipe Menezes, 8 Janeiro 2008.

publicado por Pedro Sales às 03:57
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Prioridades
Durão Barroso trocou o compromisso que tinha assumido com os cidadãos portugueses no dia que lhe ofereceram um lugar na União Europeia.

José Sócrates trocou o compromisso eleitoral que tinha assumido com os cidadãos portugueses, pelo compromisso que acertou com os restantes líderes europeus para não referendar o Tratado de Lisboa.

publicado por Pedro Sales às 03:35
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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008
Cêntimo a cêntimo se faz a "justiça social" do Governo
O secretário de Estado da Segurança Social, Pedro Marques, garantiu que a diluição do retroactivo de Dezembro das pensões em prestações tão generosas como 68 cêntimos, “ao ser distribuído por todo o ano, será incorporado na pensão e vai estar na base de um aumento um pouco maior da pensão em 2009”. Infelizmente, o jornalista não lhe perguntou o valor do acréscimo causado por esses 68 cêntimos. É pena. Perdeu-se um momento televisivo dificilmente repetível de ver um governante a defender a justiça social de um aumento de 1 cêntimo.

publicado por Pedro Sales às 23:46
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Vê-se mesmo que nunca conheceram o Sampaio

Jornais, televisões e blogues americanos discutem até à exaustão a comoção de Hillary Clinton, apresentada como um raro momento de exposição pessoal na sua campanha. O vídeo já está no top dos mais vistos no YouTube e arrisca-se a ser um caso de estudo sobre as espeficidades regionais na era da uniformização e globalização comunicacional. Para um português, que se habituou a ver o ex-presidente da República a chorar desalmadamente por causa da erosão da orla costeira ou de uma bola à trave num jogo da 1.ª Liga, o vídeo é uma desilusão completa. Chorar? Aquilo? Sabem lá do que é que falam.

publicado por Pedro Sales às 18:53
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Contente com quê?
No auge do autismo cavaquista, o então primeiro-ministro orgulhava-se de despachar os jornais em cinco minutos. Sócrates deve ir pelo mesmo caminho, pois só assim se pode compreender a sua afirmação de que "2008 será melhor que 2007, como 2007 já foi melhor do que 2006". 2007 foi um bom ano? Um dia antes das janeiras que cantaram para um animado primeiro-ministro, o Público indicava que a "situação financeira das famílias [está] tão má como no auge da crise ", um dia depois o Eurostat fez saber que Portugal foi um dos dois países europeus em que o desemprego subiu em 2007. 2008 será ainda melhor, garante José Sócrates, tentando esquecer-se de que o petróleo está nos 100 dólares, da crise financeira à escala mundial e que a economia americana se encontra em retração. A vida não melhora se nos esquecermos das dificuldades, o ano não corre melhor por não nos lembrarmos dos problemas.

Apanhando a onda, o ministro das finanças diz que a economia está "robusta" e que o Governo "não vai pedir mais sacríficios aos portugueses". Pois. Ainda hoje, o Correio da Manhã dá conta de que o Governo dividiu o retroactivo de Dezembro das pensões pelos ano de 2008. Ou seja, numa pensão média de 400 euros, que tem um aumento de 9,6 euros mensais, o pensionista não está a receber este valor este mês, mas sim 68 cêntimos repartidos pelos 14 meses. 68 cêntimos. Sempre dá para beber mais um café por mês. Razão tem o ministro das finanças. Acabaram-se os sacrifícios. Agora é só a normalidade da governação. O que, no seu caso, não é grande razão para alívio.

publicado por Pedro Sales às 10:08
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Imigrantes e emigrantes

No preciso momento em que alguns candidatos republicanos entram numa campanha para ver quem apresenta o discurso mais duro sobre a imigração, um insurgente foi buscar uma fantástica canção de Bruce Springsteen sobre os imigrantes. Como diz o Pedro Sette Câmara, elogiando o
cosmopolistismo que só uma sociedade aberta aos imigrantes permite, "o verdadeiro rock irlandês vem de New Jersey". Aqui em cima, fica a visão do outro lado, a de quem arrisca tudo para atravessar oceanos e continentes à procura de condições dignas de trabalho e de vida. Pelo "verdadeiro rock irlandês": os Pogues no final da década de 80.
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publicado por Pedro Sales às 09:05
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Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008
Ler os blogues
A Sara Figueiredo e a Andreia Brites andam às voltas com os livros e a literatura no espaço acolhedor do Cadeirão Voltaire. Vale a pena também passar pelo blogue do Sérgio Lavos, leitura regular na faculdade, agora reencontrado em alguns dos melhores auto-retratos da blogosfera portuguesa.
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publicado por Pedro Sales às 13:33
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Se o polícia viu a casa ser assaltada, fechou os olhos, e continuou a ganhar 20 mil euros por mês, d

“Quando uma casa é assaltada não vale a pena corremos atrás do polícia, acho que devemos é correr atrás do ladrão”. Teixeira dos Santos, tentando safar Vitor Constâncio da negligência (termo simpático) com que tratou o caso BCP em 2004, mas também tentando safar o ex-presidente da CMVM, o próprio Teixeira dos Santos, da negligência (termo simpático) com que tratou o caso BCP em 2004.

publicado por Pedro Sales às 02:50
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Domingo, 6 de Janeiro de 2008
O nojo
Segundo o Expresso, "Armando Vara vai manter o vínculo contratual com a Caixa Geral de Depósitos até conhecer o resultado das eleições para o conselho de administração do BCP". Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar, deve ter pensado este diligente representante do carreirismo rosa. Não é que esta decisão altere substantivamente a questão de fundo, mas não deixa de ser esclarecedora sobre o carácter deste senhor. É inaceitável, e inconcebível, que três administradores da Caixa saltem, de uma assentada e sem nenhum período de nojo, com todos os planos estratégicos e de expansão do banco público para o seu rival directo. Vara vai estar a discutir o futuro estratégico do BCP, a apresentar propostas e soluções, enquanto continua a ser um trabalhador da Caixa (resta saber se continua a receber o ordenado) Inacreditável é que, como representante do único accionista da Caixa, o Governo ainda não tenha posto este senhor no único sítio que ele merece. A pouca vergonha tem limites. Ou devia ter.

publicado por Pedro Sales às 16:26
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Sábado, 5 de Janeiro de 2008
Grande coisa, o BCP paga as contas todas aos amigos


publicado por Pedro Sales às 23:30
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F for Fake

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publicado por Pedro Sales às 22:43
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As terras geladas de Anadia
O 31 da Armada e o maradona envolveram-se numa polémica a propósito do encerramento dos centros de saúde. Diz o Pedro Marques Lopes que conduz à desertificação do interior e que “sem a ocupação do território a soberania sobre este deixa de ter significado prático”, responde o maradona que “a soberania exerce-se não com pessoas mas com a aplicação das leis”. É uma boa resposta, infelizmente posta em causa pelo encerramento de tribunais e postos de GNR no interior, mas o argumento definitivo ainda estava para aparecer. Diz o maradona que, se no Canadá e na Suécia é possível fazermos milhares de quilómetros só encontrando renas* pelo caminho e sem vislumbrar vivalma e centro de saúde que se preze, porque razão não podemos fazer o mesmo no nosso país? Como é um rapaz modesto ficou-se por aqui. É pena. Podia ter lembrado ao Pedro Marques Lopes o exemplo do Brasil. Alguém imagina os quilómetros que uma pessoa tem que percorrer na Amazónia para encontrar um tribunal, posto de polícia ou centro de saúde? E na Austrália, meus amigos, a mesma coisa. É possível andar-se dias só a ver kangurus ou cobras do deserto. Se funciona com esses países, porque não podemos nós encerrar centros de atendimento que se limitam a ter 40 mil consultas por ano? O Presidente da República é que tem razão. As populações não entendem a política da saúde. Tivesse o ministro o brilho retórico do maradona e estava a questão resolvida.

* Esperamos que, depois de fechados os centros de saúde, escolas, tribunais, estações de correio, ramais da CP e postos da GNR, o Governo providencie uma renas como na Suécia. Já que o interior do país pode ser encarado como uma reserva natural, sempre era bom termos uns animais engraçados para mostrarmos aos nossos filhos nas férias.

publicado por Pedro Sales às 15:30
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