Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008
Media madness




Jon Stewart e o seu tema preferido: a “independência” das narrativas jornalísticas na política norte-americana. Um exercício que pode facilmente ser transposto para qualquer acto eleitoral, em qualquer parte do mundo. Por cá, basta recordar a influência que teve nas últimas presidenciais uma certa fotografia de Mário Soares na capa de um semanário.
Etiquetas: ,

publicado por Pedro Sales às 09:52
link do post | comentar | ver comentários (1) |

Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008
Com a saúde não se brinca
Depois de semanas a garantir que o problema não era a política da saúde, mas a má comunicação da mesma, Sócrates cedeu à oposição e mudou de responsável pela pasta. E logo na semana em que Correia de Campos esteve por três vezes na SIC, e deu uma entrevista ao Expresso, a garantir que continuaria no seu lugar até ao fim da legislatura. Ironicamente, foi remodelado na véspera de se deslocar ao Parlamento para apresentar já famoso plano de requalificação das urgências.

Dificilmente o timing podia ser pior para o Governo. Mudar de ministro no meio de uma barragem da oposição, do próprio partido e de uma contestação popular sem precedentes é coisa para tirar o sono a qualquer governante. Mas não havia outra solução. Há muito que o Governo tinha perdido o controlo político e já não havia política de redução de danos que valesse a Correia de Campos. O ministro da Saúde, num certo sentido, teve azar. Porque o problema das populações não foi (só) levarem-lhe o centro de saúde. É que antes já lhe tinham tirado a escola, a GNR, os CTT e o tribunal. Correia de Campos chegou tarde à centralização dos serviços do Estado nos centros urbanos do litoral. Chegou tarde e pagou caro, talvez porque, como diz a Teresa Ribeiro, "com a saúde não se brinca".

Culpa do ministro ou não, há muito que os dados estavam lançados e os recentes casos - como o do telefonema da operadora do INEM para os bombeiros de Alijó - apenas aceleraram o passo. Sócrates pode dizer o que quiser amanhã na sua deslocação ao Parlamento. Hoje teve uma das suas maiores derrotas. Cedeu, em toda a linha, à oposição parlamentar e à ala esquerda do PS, personificada em Manuel Alegre. Que o tenha feito a pouco mais de um ano para as eleições não é um pormenor.

publicado por Pedro Sales às 23:26
link do post | comentar | ver comentários (19) |

O crime (desorganizado) compensa
A ausência de organização em rede de comunidades de imigrantes ilegais está a impedir o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras de desmantelar eventuais estruturas suspeitas no Algarve, disse hoje o director regional do organismo.

De acordo com Van Der Kellen, o "grande erro" das comunidades de Leste foi o de transportar para Portugal as estruturas de «peso», sendo mais fácil a detecção das hierarquias e de arranjar provas para levar a tribunal.
Etiquetas:

publicado por Pedro Sales às 22:26
link do post | comentar |

Uma resposta incoveniente


Questionado pelo líder parlamentar do PP, sobre a política e micro-política da CMVM na detecção da crise do BCP, Teixeira dos Santos saiu-se com a última coisa que o PP queria ouvir:"O senhor deputado não espera que, neste momento, e passados estes anos todos, tenha aqui presente na minha memória todas essas informações. Até porque não tenho por hábito fotocopiar, ou digitalizar, os arquivos antes de sair dos lugares. Diogo Feio nem levantou os olhos da mesa.
Etiquetas: ,

publicado por Pedro Sales às 18:23
link do post | comentar | ver comentários (3) |

Uma pergunta inconveniente
Toda a gente fala nas corajosas reformas de Correia de Campos. Sinceramente, sem ser o encerramento dos Serviços de Atendimento Permanente, alguém me consegue dizer de que reformas estamos a falar?
Etiquetas:

publicado por Pedro Sales às 18:00
link do post | comentar | ver comentários (17) |

Sim, é isso mesmo que se costuma dizer quando o Governo cede à oposição.
O porta-voz do PS, Vitalino Canas, diz que o governo sai reforçado com a remodelação ministerial.

publicado por Pedro Sales às 17:59
link do post | comentar | ver comentários (6) |

Alguém se enganou no número de telefone
Há dois António Pinto Ribeiro. Um, é o ex-programador da Culturgest e um dos princiais especialistas em política da cultura. O outro é advogado, especializado na defesa dos direitos humanos. O Governo nomeou António Pinto Ribeiro para ministro da cultura. O advogado.

publicado por Pedro Sales às 16:32
link do post | comentar | ver comentários (8) |

Os amigos são para as ocasiões
O mesmo Governo que reintroduziu os benefícios fiscais para os PPR, reduziu o remuneração dos certificados de aforro pela segunda vez no espaço de 18 meses. Uma medida que prejudica 700 mil portugueses, essencialmente idosos e com pequenas poupanças, que compraram os certificados confiando na palavra do Governo e se vêm agora, de um dia para o outro, com um produto que perde 10% de rendimento a médio prazo. Será normal que uma parte significativa dos pequenos aforradores emigrem para os fundos da banca, que se vê agora com produtos similares e melhor remuneração do que as novas taxas dos certificados de aforro, mas onde vão deparar com um sem número de produtos financeiros com um risco muito mais elevado. Como estamos a falar de pessoas com um escasso conhecimento dos produtos financeiros existentes, e os funcionários das agências bancárias têm metas a apresentar, será muito provável que alguns dos reformados acabem por investir as suas poupanças num “fundo fantástico na Papua Nova Guiné”. Uma sondagem do Eurostat, hoje citada no Diário Económico, diz que “só 10% dos portugueses estão optimistas com a economia”. Bate certo. Devem ser os accionistas da banca.

publicado por Pedro Sales às 10:16
link do post | comentar | ver comentários (4) |

Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008
Invertebrado
Quem ainda tinha dúvidas sobre a natureza da clique Xanana Gusmão- Ramos Horta, deve tê-las dissipado totalmente com a presença do primeiro no funeral do ditador responsável pela morte de 200 mil timorenses e com as declarações do pateta alegre que se tornou famoso pelo seu lacinho. O porta-voz do Governo de Timor-Leste garante que Xanana Gusmão foi ao funeral do ex-presidente "como expressão de reconhecimento e gratidão do povo de Timor-Leste a Suharto por aquilo que fez de positivo no país durante os 24 anos de ocupação indonésia". As palavras são tão chocantes e ignóbeis que tornam difícil qualquer reacção que não seja temer pela sua sanidade mental. Mas há muito que Xanana passou a fronteira da falta de vergonha e dignidade. Era uma questão de tempo para que o seu carácter ficasse à vista de todos. Não precisava era de ser de uma forma tão crua e despudorada.

publicado por Pedro Sales às 22:39
link do post | comentar | ver comentários (16) |

"Há dias de sorte" nos bombeiros de Mafamude

"A falecer é agora... porque os mortos sempre têm p'ra onde ir..., enquanto o governo não manda fechar os cemitérios"."Eu só não faleço hoje porque já tenho um compromisso..."
Etiquetas: ,

publicado por Pedro Sales às 16:15
link do post | comentar | ver comentários (9) |

Um Governo de palavra
Um ano antes de expulsar os imigrantes marroquinos, o Governo alterou a lei da imigração. Vale a pena ler a exposição de motivos da Proposta de Lei n.º 93/X:

"(...) Por fim, reforça-se a luta contra a imigração ilegal, através da adopção das seguintes medidas: (...) Prevê-se a concessão de autorização de residência a vítimas de tráfico de pessoas e de acções de auxílio à imigração ilegal que colaborem com a justiça. Este regime é essencial à perseguição das redes de tráfico de pessoas, sem contudo adoptar uma concepção utilitarista, na medida em que em primeira linha visa a protecção do estrangeiro enquanto vítima de um crime grave de violação de Direitos Humanos. Todo o regime de concessão de autorização de residência a vítimas de tráfico de pessoas assenta no reconhecimento de que tal prática deve ser entendida enquanto atentado inaceitável aos direitos humanos, colocando a vítima no âmbito de uma protecção muito específica por parte do Estado. Tal contribuirá em grande medida para tornar menos atractivo o território nacional enquanto país de destino de pessoas traficadas e, espera-se, para diminuir, em Portugal, o número de pessoas traficadas, em especial de mulheres." (via Aldeia Blogal)

Começa a ser congénito: não cumpre as promessas e não liga às leis que apresenta.


publicado por Pedro Sales às 10:25
link do post | comentar | ver comentários (6) |

Domingo, 27 de Janeiro de 2008
Que país é este?

Mais vale uma ambulância que leve rapidamente o paciente a uma verdadeira urgência, do que serviços que não conseguem fazê-lo com a qualidade necessária. Tem sido esta, invariavelmente, a resposta de Correia de Campos a todos quantos todos quantos têm criticado o encerramento de 30 SAP´s e urgências hospitalares. É por isso que a transcrição da conversa entre o INEM e os bombeiros de Favaios e Alijó demonstra, de uma forma destrutiva, a falência do plano do Governo: não só não se preocupou em abrir novas urgências nos centros de saúde ainda a funcionar, como continua sem garantir a ambulância.

E fica ainda o retrato de um país esquecido, abandonado e onde as ambulâncias mais próximas ficam a 60 quilómetros e demoram 1h20 a chegar. Bem pode o Governo, seguindo a moda do momento, dizer que é um problema de comunicação. Pelo contrário, há muito que os portugueses perceberam de uma forma exemplar a política do Governo para a Saúde. Não há nenhum plano de requalificação, tudo o que existe e tem sido feito tem apenas um fim: conter as despesas do Estado. Agora, como já se viu ontem no Expresso, multiplicam-se os comentadores a exigir que a oposição apresente alternativas. Não se sabe bem porquê, visto que o SNS é uma das raros matérias em que os portugueses não têm razões para temer a comparação com os indicadores internacionais de referência. Em 30 anos, o SNS catapultou um país com números do terceiro mundo para indicadores de referência que nos colocam à frente de alguns países escandinavos. Em que área da economia, ciência ou investigação é que isso acontece? Mesmo no privado. Que empresa portuguesa é que pode dizer que está entre a elite mundial na sua área?

Mas, querem uma alternativa? Não é muito difícil. O OE para 2008 consagra 380 milhões de euros para empresas de consultoria técnica e de comunicação. Uma absurda duplicação de recursos de um Governo que conta com centenas de assessores e técnicos nos ministérios, institutos, serviços centrais ou regionais. O Estado paga a assessores cuja única tarefa é adjudicar serviços a empresas externas. Podiam começar por aí e cortar mais de 90% nessa despesa de propaganda e auto-justificação das decisões políticas do Governo. Ficava mais barato do que desertificar o país e deixar as populações a mais de uma hora de um serviço de pré-emergência hospitalar. E podiam ter a certeza que os portugueses percebiam a política.

publicado por Pedro Sales às 14:13
link do post | comentar | ver comentários (10) |

Sábado, 26 de Janeiro de 2008
A lei era só a brincar, não me digam que acreditaram?
Quando alterou a lei de imigração, há coisa de um ano, o partido socialista introduziu uma série de mecanismos legais para proteger as vítimas do tráfico de seres humanos. Na primeira oportunidade que teve para aplicar a sua lei, e podendo conceder uma autorização de residência aos 23 marroquinos que denunciaram as redes ilegais que os exploraram, expatriou-os para Marrocos, onde ainda se encontram detidos com criminosos de delito comum. Foi esse o prémio por terem colaborado com as autoridades nacionais: serem recambiados, às escondidas dos seus advogados, e entregues à mercê dos criminosos que acabaram de denunciar. Deve ser a isto que o Governo chama acolhimento com humanismo.

publicado por Pedro Sales às 22:45
link do post | comentar | ver comentários (6) |

Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008
Pergunta quem paga

Das 2275 perguntas efectuadas aos candidatos presidenciais americanos nos cinco principais programas televisivos, apenas 24 estão relacionadas com as alterações climáticas.O aquecimento global apenas é referido por 3 vezes - tantas como as questões colocadas aos candidatos sobre ovnis e a vida noutros planetas! O balanço podia apenas ser revelador da forma como a imprensa se concentra cada vez mais em questões secundárias, o que é verdade, mas é bem mais revelador do que isso. Nos debates promovidos pela CNN/Youtube a omissão é total: as questões ambientais não existem. Uma lacuna que se compreende melhor quando se percebe que o principal patrocinador dos debates é o lobby das empresas de extracção de carvão. Tudo gente simpática que, no seu site, se orgulha de pretender gastar 35 milhões de dólares na campanha presidencial para melhorar a imagem pública das centrais eléctricas a carvão e apoiar os candidatos que se opõem a medidas legislativas para diminuir a emissão de CO2.
Etiquetas: ,

publicado por Pedro Sales às 20:44
link do post | comentar | ver comentários (35) |

Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008
Lost in translation
Questionado sobre o contrato com a Cunha Vaz & Associados, o secretário-geral do PSD não quis responder e avisou:"Não vou falar, nem hoje nem no futuro, mais nada sobre a vida íntima desta relação"

publicado por Pedro Sales às 23:44
link do post | comentar |

Originalidades da vida política portuguesa
Há vários anos que todos os partidos defendem a prescrição de medicamentos em unidose nas farmácias. Estranhamente, quando chegam ao governo, encontram logo uma série de "estudos técnicos" que desaconselham esta medida.
Etiquetas:

publicado por Pedro Sales às 22:51
link do post | comentar | ver comentários (2) |

A comunicação para esconder o vazio
Parece imperar a ideia, em certos quadrantes, de que a solução para todas as questões políticas com que se defrontam os governos e partidos se resolvem com inovadoras estratégias de comunicação. Luís Filipe Menezes levou essa ideia até onde nunca ninguém tinha chegado e contratou uma agência para centralizar toda a comunicação e imagem do partido. Sintomaticamente, no preciso momento em que surgem as primeiras criticas à vacuidade da sua liderança, avança com a mesma empresa para tomar conta da comunicação do grupo parlamentar. O propósito é claro. Controlar a casa, calando as vozes incómodas do grupo parlamentar, o que rapidamente foi percebido e recusado pelos visados.

Porque reduz a autonomia política da direcção e o controle democrático dos filiados de um partido sobre os processos de decisão politica, todo o contrato do PSD com a Cunha e Vaz é bastante questionável. Mas a sua extensão aos deputados, principalmente pelo que se entrevê nos seus pressupostos, entra num ponto sensível que não convém menorizar. “É provável que achem esta tentativa de pôr ordem no caos uma limitação da liberdade de expressão dos representantes eleitos da Nação”, diz o João Villalobos, num post em que elogia a decisão de Menezes. Claro que sim, João. Bem ou mal, os portugueses elegeram deputados, não votaram na Cunha e Vaz associados. Quando põem uma cruz no boletim de voto não a podem castigar - e esse não é um pormenor. É inimputável e muito pouco escrutinável. Caso não avance com esta medida, diz o João Villalobos, “ficamos a perceber que [os deputados] continuam a preferir brincar às oposições”. Desculpa lá, João, mas não é isso que o Menezes, com a prestimosa ajuda de Cunha e Vaz, anda a fazer há uns meses valentes?

publicado por Pedro Sales às 19:17
link do post | comentar | ver comentários (2) |

Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008
Anyone but Bush
(Dados até 2006. Informação mais detalhada no Wall Street Journal)
A verdade é que para demasiada gente, não importa quem vai entrar na Casa Branca. O que importa é quem vai sair: Bush. (...)Tal como aconteceu com Bill Clinton em 2000, não há neste momento quem não tenha queixas contra Bush.

A tese de Rui Ramos é simples. Todas as eleições nos EUA são um plebiscito ao presidente cessante. O que está a acontecer com Bush este ano não tem nada a ver com a natureza das suas políticas, mas sim com a forma como a política norte-americana está estruturada. É sempre assim, e já o mesmo tinha acontecido anteriormente com Clinton. Nada mais falso. Como se pode ver no gráfico acima, que agrega as taxas de popularidade de todos os presidentes norte-americanos desde o pós-guerra, Clinton foi o único que abandonou o cargo com uma taxa de aprovação superior à do dia que tomou posse. Desde que a Gallup faz estes estudos, aliás, ninguém abandonou o cargo com um popularidade tão elevada. Mas Rui Ramos recorre a outra analogia para defender Bush. Só podemos analisar o seu legado daqui a umas décadas, pois o que agora se diz de Bush já antes se dizia de Reagan, a quem foram precisos 20 anos para "toda a gente reconhecer virtudes a um outro “cowboy estúpido”, cuja presidência aliás também terminou de rastos". Não sei, novamente, onde é que Rui Ramos foi arranjar estes dados, mas está outra vez errado. Reagan acabou a sua presidência com índices de popularidade próximos dos 60%, sendo mesmo o presidente republicano mais popular das últimas seis décadas, enquanto Bush anda pelos vinte e pouco por cento (abaixo de Nixon quando este foi destituído).

Compreende-se o embaraço dos guerreiros de sofá que apoiaram Bush na mentira do Iraque, e em sucessivos abusos em nome da "guerra ao terror", com a rejeição popular sem precedentes de que goza o "seu" homem. De resto, a forma como Rui Ramos recorre à mistificação mais absurda - ignorando ou "esquecendo" todos os dados conhecidos - é bem reveladora da forma como, contra todas as evidências, continuam agarrados à defesa acrítica do homem que um dia aterrou nas Lajes para abraçar Durão e envolver meio mundo numa mentira sem nome.

publicado por Pedro Sales às 23:29
link do post | comentar | ver comentários (1) |

Vergonhoso
O Governo tem toda a legitimidade legal para expatriar os 23 cidadãos marroquinos, como também a teria se tivesse escolhido conceder uma autorização de residência (existe uma cláusula nesse sentido para quem colabora com as autoridades, fornecendo elementos que possam levar ao desmantelamento das redes ilegais de imigração). Escolheu a primeira opção, a meu ver erradamente. Mas o que não devia fazer, e fez, é começar o processo de expatriação sem avisar os advogados. É absolutamente inaceitável e viola as mais elementares regras de um Estado de direito.

publicado por Pedro Sales às 23:23
link do post | comentar | ver comentários (1) |

Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008
O buraco negro da lógica
Perante as notícias que dão conta da ruptura total das urgências de Faro, o ministro Correia da Campos reconhece o problema, anuncia um novo hospital para daqui a quatro anos, mas adverte que o hospital em "Faro tem um problema que torna difícil o seu funcionamento perfeito, que é a sua sazonalidade". "Tem uma parte do ano, dois ou três meses, em que a sua população triplica". Declarações que, certamente, devem ter sossegado todos os algarvios. Se em Janeiro é como é, com macas e macas a amontoarem-se no corredor, estará o ministro a querer dizer que em Agosto vai ser três vezes pior? Correia de Campos, não há dúvida, desafia mesmo todas as regras da lógica.

publicado por Pedro Sales às 19:48
link do post | comentar | ver comentários (5) |

Indústria do tabaco preocupada com a má imagem dos livros
Uma pequena editora britânica está a publicar, em pequenos livros de bolso com um grafismo semelhante ao dos maços de tabaco, uma selecção de contos e pequenas histórias de alguns dos principais nomes da literatura mundial. Kafka, Tolstoi, Conrad ou Stevenson, são alguns dos autores que viram algumas das suas obras "embrulhadas" neste visual distintivo. Uma verossimilhança que preocupa uma das maiores empresas tabaqueiras, a British American Tobacco, que exige a retirada imediata de circulação d´"As neves de Kilimanjaro", de Hemingway. Diz a empresa que o grafismo da obra em questão é demasiado similar à da imagem distintiva da Lucky Strike, podendo levar o público a pensar que a empresa apoiou, patrocinou ou está de alguma forma relacionada com os livros editados, uma associação "que pode diminuir a confiança na marca Lucky Srike". Compreende-se. A pessoa comprar um livro, pensando que está a comprar uma maço de tabaco, e reparar que os seus pulmões não se ressentem da compra é uma daquelas coisas que destrói a a confiança e o bom nome de uma marca. Isto há coisas...

publicado por Pedro Sales às 13:36
link do post | comentar | ver comentários (5) |

Domingo, 20 de Janeiro de 2008
O bom
As notícias que dão conta da desumanidade das juntas médicas são manifestamente exageradas. Ontem mesmo, em carta enviada ao Público, Paulo Teixeira Pinto indica que passou “à situação de reforma em função de relatório de junta médica”. Certamente ainda mal refeito da forma como foi corrido do BCP e da Opus Dei, este banqueiro de 46 anos foi considerado inapto para o trabalho, apesar de já ter arranjado um cargo numa consultora financeira.

PS: Teixeira Pinto nega ter recebido 1o milhões de euros de "indemnização pela rescisão do contrato” com o BCP, garantindo que apenas recebeu a “remuneração total referente ao exercício de 2007”: 9.732 milhões de euros em "compensações" e "remunerações variáveis". Nada como ser preciso nestas coisas. E pedir ao Estado, através da tão vilipendiada Segurança Social, que lhe conforte as agruras da vida.

publicado por Pedro Sales às 23:42
link do post | comentar | ver comentários (21) |

o mau
Ana Maria Brandão, portadora de cervicalgia e lombalgia degenerativas que a mantêm na cama vai para mais de quatro anos, soube a semana passada que a Junta de Freguesia onde trabalha lhe vai deixar de pagar o ordenado. Depois da Caixa Geral de Aposentações lhe ter negado a reforma antecipada, os 400 euros que recebia da Junta de Freguesia de Vitorino de Piães eram a única forma de sustento de uma mulher que gasta mais de 200 euros mensais em medicamentos.

publicado por Pedro Sales às 23:30
link do post | comentar | ver comentários (2) |

e o vilão
Em Novembro do ano passado, depois de ter sido instada pela Caixa Geral de Aposentações a apresentar-se ao trabalho, Ana Maria Brandão regressou à junta de freguesia, tendo cumprido o horário laboral sentada numa cadeira e encostada a uma parede, sempre acompanhada pelo pai. Nesse mesmo dia, e perante a exposição mediática do caso, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, anunciou que ela iria entrar novamente de baixa médica. Não tendo conseguido encontrar uma Junta tão compreensiva como a que avaliou o temente Paulo Teixeira Pinto, e apesar de não lhe terem mandado fazer nenhum exame, Ana Maria Brandão foi novamente considerada apta. Agora, nem recebe da Caixa Geral de Aposentações nem pela Junta de Freguesia. Deve ser a isto que se referem quando falam na perda da autoridade do Estado. Já nem uma palavrinha do ministro das Finanças livra os funcionários públicos.

publicado por Pedro Sales às 23:26
link do post | comentar |

Sábado, 19 de Janeiro de 2008
As regras da casa
Ontem, na Assembleia da República, Vítor Constâncio declarou que uma das suas principais preocupações é garantir a estabilidade do sistema financeiro, criando as condições para rácios de solvabilidade acima dos 8%. A frase resume o entendimento que o Governador do Banco de Portugal faz do seu cargo. Mais do que o regulador e fiscalizador do sistema financeiro, vê-se como uma espécie de bastonário dos banqueiros. Dois exemplos. O arredondamento das contas, sempre a favor dos bancos, que só terminou após intervenção legislativa, ou a contabilização dos dias do ano com critérios diferentes consoante se trate de juros a favor do banco ou do cliente. Esta originalidade nacional persiste, mesmo havendo um decreto governamental para lhe pôr cobro há vários meses, porque o Banco de Portugal continua a fechar os olhos a esta prática lesiva dos direitos dos clientes. Não se percebe portanto a estranheza com a forma como Constâncio, sabendo há vários anos do que algo de estranho se passava no BCP, nada fez para o evitar. A complacência com a arbitrariedade da banca faz parte das regras da casa. Garantir a solvabilidade, acima de tudo, como o próprio reconhece. Desta vez deu mais nas vistas, mas não vale a pena armar-se em virgem ofendida. Constâncio tem sido o rosto da condescendência perante um sistema financeiro que entende que todos os métodos são legítimos para sacar uns cêntimos, que se convertem em milhões, aos seus clientes. Até mudar os dias do ano a seu favor.

publicado por Pedro Sales às 14:05
link do post | comentar | ver comentários (4) |

Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008
Morrer de tédio
Camilo Castelo Branco costumava ridicularizar Almeida Garrett, dizendo que só mesmo no Frei Luís de Sousa é que se conseguia encontrar alguém que tivesse morrido de vergonha. De vergonha não constam muitos registos médicos, é certo, mas parece que há quem acredite que o tédio pode matar. Não há outra explicação para a prestação de Vitor Constâncio na interminável audição que ainda está a decorrer na Assembleia da República sobre o "caso BCP". O tom monocórdico, arrastado e vazio parece programado para adormecer os deputados, jornalistas e quem o está a seguir na televisão. Ou, pelo menos, os que ainda conseguem contar 2+2 depois de ouvir as suas declarações.

publicado por Pedro Sales às 18:33
link do post | comentar | ver comentários (3) |

"Missão Impossível 4:À procura dos neurónios"
"When you're a Scientologist, and you drive by an accident, you know you have to do something about it, because you know you're the only one who can really help... We are the way to happiness. We can bring peace and unite cultures."

publicado por Pedro Sales às 18:21
link do post | comentar | ver comentários (7) |

À atenção do João César das Neves e da Patrícia Lança
Um dos principais candidatos presidenciais do partido republicano, Mike Huckabe, comparou a homossexualidade à bestialidade e o aborto à escravatura, defendendo a revisão da constituição dos EUA para que esta respeite e defenda os "mandamentos de Deus". Esqueceu-se, talvez porque ainda não tenha tido tempo para ler o João César das Neves ou a Patrícia Lança, de equiparar a homossexualidade à pedofilia. Fica para a próxima.

publicado por Pedro Sales às 17:48
link do post | comentar | ver comentários (2) |

Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008
Guantánamo é onde o Bush quiser
Os Estados Unidos da América drogaram, entre 2003 e 2007, vários imigrantes para facilitar o processo de expulsão do país. Entre as violentas substâncias utilizadas encontra-se um anti-psicótico, Haldol, utilizado no combate à esquizofrenia. Os serviços de imigração reconheceram que 56 deportados receberam remédios psicotrópicos durante um período de 7 meses, entre 2006 e 2007, apesar de não possuírem nenhum registo histórico de problemas mentais. Vários dos deportados sujeitos a esse tratamento desumano e ilegal colocaram os EUA em tribunal, tendo o assunto já chegado ao Senado dos EUA.
Etiquetas: ,

publicado por Pedro Sales às 19:14
link do post | comentar | ver comentários (14) |

O silêncio é a alma do negócio
Sem direcção e sem médicos, o Hospital de Faro vive dias complicados, sendo comuns as imagens de macas nos corredores com idosos desamparados. Luís Filipe Menezes entendeu ir visitar o Hospital para se inteirar da situação, mas recusou pronunciar-se sobre o que viu. "Estamos numa zona muito importante para a economia portuguesa e se der ênfase aos problemas estou a contribuir para que os que são contra o Turismo do Algarve façam campanha contra ele". Ora, bem visto. Os inimigos do Algarve são poderosos e estão à espreita de todos os deslizes. Ao pé de Menezes, e das suas teorias da conspiração, o mundo do futebol tem um discurso elaborado e intelectualmente estimulante. Desgraçados daqueles que tenham o azar de viver numa zona turística. Não há bombeiros, centro de saúde ou escolas? Azar. O maior partido da oposição está calado porque isso pode prejudicar o negócio.

publicado por Pedro Sales às 15:35
link do post | comentar | ver comentários (4) |

Zero TV
ZERO DE CONDUTA
Filipe Calvão

José Neves

Pedro Sales

Vasco Carvalho


zeroconduta [a] gmail.com
Indecisão 2008
Subscreva
Zero links
arquivos

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Feeds