Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007
Deus fez a terra em seis dias e ao sétimo demitimos quem disser o contrário
A directora do currículo de ciência do estado do Texas demitiu-se depois de ter sido suspensa durante um mês por ter feito circular um mail anunciando uma sessão da autora de um livro crítico do ensino do criacionismo nas escolas.

publicado por Pedro Sales às 17:21
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Nove razões para uma greve

* Para 2008, a Comissão Europeia já anunciou que a inflação deverá ser de 2,4%.

publicado por Pedro Sales às 15:27
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a causa devia ser modificada
Há dois anos atrás, quando o Benfica eliminou o Manchester United na Liga dos Campeões, eu estava no Estádio da Luz . No fim desse jogo, pode-se imaginar, o contentamento era mais do que muito. E, como de costume, nestas alturas cometem-se excessos. É todavia raro que os excessos sejam tão alarves quanto o daquele dia: findos os 90', sentado atrás de mim, um sócio comenta para embaraço de todo o sector: "o Assis fez um jogo que mais parecia o Maradona".
Quem gosta de futebol sabe bem que os anúncios sobre a assunção de um novo Maradona foram quase sempre precipitados. A única ressureição maradoniana foi protagonizada pelo próprio, quando, há poucos anos atrás, conseguiu sair com vida da clínica onde estava internado.
Existe ainda assim uma diferença significativa entre os diversos anúncios de novos Maradonas. Seguramente que não é a mesma coisa dizer-se que Ariel Ortega ou Pablo Aimar são um novo Maradona e dizer-se que o Nuno Assis - um profissional muito respeitável, é certo e convém não esquecer - parece o Maradona. Aliás, eu duvidava até hoje que fosse possível o fetichismo maradoniano bater tão ou mais fundo do que naquela noite de Dezembro (?) de 2005.
Vejo, no entanto, que há quem nunca tenha chegado aos calcanhares de um Nuno Assis e já procure trepar a fama de Maradona. Lamento dizê-lo, e lamento porque eu também espero pelo dia em que um novo Maradona regresse aos relvados, mas a causa deveria ser modificada: onde está Maradona, leia-se Assis, Nuno Assis.
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publicado por José Neves às 02:22
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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2007
Relativismo liberal
Para a direita o Estado não é uma pessoa de bem quando não paga a tempo e horas aos seus fornecedores, mais a mais porque estas dívidas põem em causa a viabilidade de muitas pequenas e médias empresas. É verdade. Dão tanta importância ao assunto que o PP entregou esta semana uma petição no Parlamento a exigir a publicação na net destas dívidas. Agora, quando o PSD se prepara para bloquear a câmara de Lisboa ameaçando inviabilizar um empréstimo de 360 milhões de euros para pagar as dívidas aos fornecedores que este mesmo partido deixou, os blogues liberais uniram-se para apoiar o PSD e criticar a gestão da autarquia. “O socialismo é caro”, dizem, numa aparente crítica a Santana e Carmona que deixaram as contas neste bonito estado.

Agora já não lhes interessa a viabilidade das pequenas empresas, nem o bom nome da autarquia. Menos ainda querem saber da boa gestão dos dinheiros públicos, passando à frente do “pormenor” da câmara estar a pagar 11% de juros de mora aos fornecedores e do empréstimo, que tanto criticam, ter uma taxa abaixo dos 5%. “Ainda não é desta”, diz o JCD, lamentando-se que não esteja a ser seguida a única receita que os liberais conhecem: “diminuir o quadro de pessoal da câmara, cortar subsídios”. Fica, por saber, claro, como é que isso resolvia os 360 milhões de dívida de curto prazo a fornecedores que ameaçam cortar as relações com a autarquia deixando a capital ingovernável. A realidade nunca assumiu uma grande prioridade nas suas preocupações. É esse o problema dos “nossos” liberais. Têm umas ideias engraçadas para manter uns blogues catitas e escrever umas coisas na imprensa. Mas é inapresentável nas urnas. Valha-nos isso.

publicado por Pedro Sales às 23:28
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Sabedoria popular


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publicado por Pedro Sales às 15:11
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O que deve tornar complicado olhar-se ao espelho
Luis Delgado, na edição de hoje da Sábado, diz que um dos seus ódios são os lambe-botas.

publicado por Pedro Sales às 13:32
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É preciso topete
O mesmo partido que deixou uma dívida de 360 milhões de euros na câmara de Lisboa, depois de seis anos de desvario absoluto a que condenou a gestão da cidade, achou por bem votar contra o empréstimo para saldar as dívidas aos fornecedores que ameaçam fechar a torneira e deixar a capital ingovernável. O PSD foi a única força que votou contra o empréstimo, que tinha sido um dos principais temas da campanha, dando bem conta da irresponsabilidade que continua a tomar conta deste partido.
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publicado por Pedro Sales às 12:37
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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007
uma imensa hipérbole
Links na blogosfera, por Matthew Hurst, Discover Magazine


publicado por Vasco Carvalho às 18:47
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Arrastão
O arrastão nunca existiu. O arrastão foi uma encenação bem montada para nos entreter. O Arrastão tem, desde hoje, uma nova morada.
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publicado por Pedro Sales às 17:32
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Não é bem-vindo, mas ainda bem que vem
Robert Mugabe vem a Portugal e Gordon Brown não vai estar presente. Ainda bem. A birra inglesa era inaceitável. Goste-se ou não do regime de Mugabe, a cimeira Europa-Africa é um encontro que ocorre entre duas organizações internacionais. Se a União Europeia convidou a União Africana é porque reconhece a sua legitimidade, não lhe competindo decidir quem é que esta pode ou não fazer representar em seu nome. A pretensão britânica é uma óbvia, e ainda por cima selectiva, ingerência nos assuntos internos de um outro país e instituição internacional.

Por muito que não se goste do regime de Mugabe, e existirão boas razões para isso, não é assim tão distinto de tantos outros que estão no poder no continente africano e que vêm a Lisboa sem que isso levante qualquer tipo de celeuma. As razões de Gordon Brown não têm nada a ver com os direitos humanos. Se assim fosse, teria dito que não se reuniria com a miríade de ditadores que vão estar em Lisboa, o que não fez. Se assim fosse não se encontraria, como aconteceu há menos de um mês, com um representante da teocracia saudita que, ainda esta semana, mostrou o que valem os direitos humanos no reino com a condenação a 200 chibatadas de uma mulher, porque teve “relações impuras” com os sete homens que a violaram. O problema de Brown não são os direitos humanos. Mugabe é o pretexto para fugir aos crescentes problemas do seu governo, desviando as atenção para a causa popular e simpática entre muros da defesa dos grandes proprietários britânicos em risco com as expropriações levadas a cabo por Mugabe.

Luís Amado também está longe de ficar bem no retrato. Não se convida um líder de um país para estar presente numa reunião internacional para depois dizer que “era preferível que não estivesse”. Ainda por cima a fazer passar o recado pela imprensa. Não chega a ser troca tintas. É mesmo a proverbial falta de coluna vertebral da nossa “política externa”. Amado, e o governo português, talvez não tenha percebido a figura ridícula que está a fazer em toda esta história. Pelas “razões do costume”, como uma vez explicou o próprio ministro a propósito da visita a Portugal do Dalai Lama.

publicado por Pedro Sales às 10:14
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O Pavlov escreveu umas coisas sobre o assunto
O Governo Civil de Braga solicitou a reabertura do processo contra os sindicalistas que, alegadamente, insultaram o primeiro-ministro numa manifestação. José Sócrates já tinha garantido publicamente que o governo não tinha intercedido na decisão de processar os sindicalistas e que não tinha nenhuma intenção de o fazer. Pode ser. Mas ontem, o Governo Civil, descontente com o arquivamento decidido pelo Ministério Público, pediu a reabertura de um processo que não tem pés nem cabeça. Se não responde perante o primeiro-ministro, de quem é o representante no distrito, o governador responde perante quem? Mais do que o autoritarismo do Governo, casos como este são exemplares sobre os critérios que têm presidido à nomeação de sucessivos governadores civis, directores gerais, regionais e de serviço. Fidelidade, cartão partidário e um criteriosa "confusão" entre os interesses do Estado, governo e partido. Depois, quando as coisas correm mal e chegam à imprensa, há sempre a desculpa do excesso de zelo. Como se não tivesse sido esse um dos principais critérios para a nomeação.

publicado por Pedro Sales às 08:58
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Terça-feira, 27 de Novembro de 2007
O Privado, o Público e o Comum
O artigo da Isabel do Carmo sobre o Serviço Nacional de Saúde, publicado no número de Novembro do Le Monde Diplomatique – Edição Portuguesa, é um excelente artigo, como ali se assinalou. No entanto, diferentemente do que ali assinalaram, o ponto que julgo mais interessante destacar no artigo não é tanto o da defesa do público contra o privado. O ponto mais interessante no artigo da Isabel do Carmo, a meu ver, é a necessidade que se encontra implícita no seu apelo final: a necessidade de pensar a relação do comum com o público, necessidade que encontro presente quando a Isabel do Carmo fala da urgência de um movimento “a partir de baixo” – juntando médicos, utentes e demais – que seja capaz de responder às tendências privatizadoras em curso: «Estamos num momento de viragem em que, face ao individualismo, à selva do neoliberalismo, à falta de ética generalizada, talvez ainda seja possível juntarmo-nos, os possíveis, não para “escrever a carta ao Presidente” (ou assinar a petição na Internet) mas para inventarmos e impormos soluções. Na matéria que conhecemos, nos sítios que percebemos, com as pessoas que pudermos».
A luta contra as tendências privatizadoras exige que encaremos de frente as causas imediatas de um eventual divórcio entre a população e o público mas também exige que investiguemos as causas menos imediatas desse possível divórcio. Isto é, a luta não só exige que encaremos as causas de desconfiança no público provocáveis pela concorrência feita pelo privado e pelas ideias neoliberais, como também exige que debatamos em que medida a própria ideia de propriedade estatal constrange a experiência do público. É também porque entendo esta discussão crucial que não percebo como se pode preferir List a Marx na ida discussão do século passado, discussão que na verdade é tão actual hoje como era ontem.
Dizer ainda, e no seguimento disto, que há um ponto inicial da análise da Isabel do Carmo do qual me distancio. No início do seu artigo, ela opõe um “Estado de direita” e um “Estado de esquerda”; o primeiro seria o Estado da defesa, da justiça, da segurança e dos negócios estrangeiros; o segundo seria o Estado da saúde, da educação e da segurança social. (A mesma ideia pode-se encontrar no conhecido esquema de Bourdieu sobre a mão esquerda e a mão direita do Estado). Eu percebo que esta ideia surja para contrariar uma crítica de índole anarquista ao Estado, critica que muitas vezes simplifica o que não pode nem deve ser simplificado. Mas também não creio que a educação, a saúde e a segurança social possam ser simplesmente tidas como anéis numa “mão esquerda”; ou melhor, podemos considerar positivamente a “mão esquerda” mas enquanto o braço que a mover continuar a ser o braço do Estado, há problemas - em cuja denúncia a crítica anarquista é useira e vezeira - que não podemos secundarizar. É que na guerra – e isto pretende ser um ponto de perplexidade mais do que um ponto de chegada – mata tanto a espingarda que dispara como o soldado que na escola aprende a matar em nome da pátria.
*Isto e outras coisas poderão ser debatidas esta 5ª feira à noite, no Braço de Prata, com a própria Isabel do Carmo.
** O homem da foto chama-se Edward Palmer Thompson e sobre ele escrevi um texto ali. A sua obra é um objecto precioso para todos os debates sobre o privado, o público e o comum. Foi a partir dele, e da obra menos desconhecida de Karl Polanyi, que eu e o João Rodrigues tivemos a oportunidade de ali escrever, há já algum tempo atrás, um pequeno ensaio sobre o "Amor à Camisola" na economia política do futebol. O Thompson - cuja obra terá brevemente uma primeira edição em Portugal... - é com efeito um elemento fundamental para nos ajudar em todos os debates sobre a economia moral (economia moral que, no seu caso, era mais “da” multidão que roubava as bicicletas do que propriamente “do” socialismo...).


publicado por José Neves às 15:46
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Diz que é uma espécie de cartão amarelo
Naquela que foi a sua primeira acção de campanha como líder do PSD, Luis Filipe Menezes participou na campanha intercalar para uma junta de freguesia de Santa Maria da Feira garantindo que "votar em Alexandre Pinto é também votar no PSD em 2009, é mostrar um pequeno cartão amarelo ao Governo". Empolgado, afirmou mesmo que, a partir de São Jorge das Caldas, esta seria a primeira de “a primeira de muitas vitórias” do PSD. As eleições tiveram lugar no passado domingo. O PSD perdeu a junta de freguesia, que detinha, para uma lista de independentes. Menezes é capaz de ter razão. São Jorge das Caldas arrisca-se mesmo a ser o primeiro passo para 2009.
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publicado por Pedro Sales às 12:12
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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007
Nacionalismo Oval
Depois de mais um sorteio para mais uma a fase de apuramento para mais uma grande competição internacional, logo surgiram vozes - o televisivo Rui Santos, por exemplo - a reclamarem a criação de duas divisões europeias que separassem o "trigo" do "joio", a fim de assim se evitar que as selecções de maior nomeada tivessem que realizar jogos cansativos que só servirão para cumprir calendário. Assim, a selecção de Portugal não deveria ter que jogar com os seleccionados da Albânia e de Malta.
Não vou discutir os méritos e os deméritos destas propostas. Mas vale assinalar que elas acompanham uma certa "sensibilidade geopolítica", sensibilidade que se mostra cada vez mais irritada com toda a conflituosidade política associada aos nacionalismos de leste e que começa agora a deixar para trás a euforia celebratória que antes brindara o estilhaçamento nacionalista da URSS e da Jugoslávia. (O mesmo, embora com contornos diferentes, sucede a respeito de Timor). Resta saber se estas propostas que defendem uma competição a "duas velocidades" têm cabimento no quadro das actuais tendências da economia mundial do futebol profissional, tendências marcadas pela lógica de expansão capitalista do jogo.
Acrescento, no entanto, um argumento que os patriotas lusitanos podem brandir a favor das "duas velocidades" e da tese da separação do "trigo" do "joio": é que assim sempre evitavam os empates entre o trigo e o joio, como aquele 1-1 obtido por Portugal na Arménia. Por outro lado, convém não menosprezarmos as vantagens das teses das "duas velocidades": seguindo estas teses, teríamos sido poupados, por exemplo, aos inúmeros elogios feitos à selecção portuguesa de rugby no recente mundial da modalidade.
Ressalvo, por fim, que nada me move contra o rugby. Pelo contrário. É porque a modalidade me interessa que ademais critico a onda nacionalista que sobre ela se abateu no Verão passado. Isto porque quer-me parecer que a forma como alguns jogadores e muitos propagandistas e marketeiros do rugby comentaram a performance da selecção portuguesa se limitou a reproduzir os estereótipos mais simplistas que pairam sobre uma modalidade complexa: a ênfase colocada em virtudes como a "honra", a "coragem" e a "bravura", cristalizadas no episódio da berraria do hino nacional, acabou por reduzir, uma e outra vez, a complexidade de um jogo inteligente à imagem primária da força bruta.
O cunho aristocrata da modalidade - sublinhado aqui e ali nos elogios ao amadorismo de grande parte dos jogadores - parece aliás dar-se bem com estas virtudes guerreiras. Assim é em Portugal mas também noutras paragens: pelas ruas de Buenos Aires, podia-se ver recentemente um outdoor da VolksWagen (que julgo também ter apoiado a selecção de rugby portuguesa) no qual se legendava a equipa de rugby argentina com um slogan que, mais coisa menos coisa, rezava assim: "animais que se comportam como cavalheiros".


publicado por José Neves às 18:29
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Uma vez é erro, dez é vigarice
O Governo deve voltar a falhar este ano a meta de inflação, completando pelo menos 10 anos de erros nas suas previsões, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística e com as contas realizadas pela agência Lusa.

Desde 1998, o erro médio da previsão da taxa de inflação que consta do orçamento do Estado face à inflação efectivamente verificada foi de 0,62 pontos percentuais, sendo que em todos esses anos, com excepção para 2006, a taxa prevista ficou sempre abaixo da verificada.Curiosamente estes "erros" têm sempre lugar na semana em que se negoceiam os aumentos salariais para o ano seguinte, vá-se lá saber porquê.

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publicado por Pedro Sales às 18:17
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O Big brother está de olho nos nossos mails
O governo francês assinou, na passada sexta-feira, um acordo com a indústria de produção e distribuição cultural e os operadores de telecomunicações para garantir que os cidadãos que sejam apanhados a piratear filmes e música percam o acesso à internet. (via Arrastão) Nicolas Sarkozy chamou ao acordo um "decisivo momento para o futuro de uma Internet civilizada", o que, por si, já faz temer o pior. Olhando para a proposta, cedo se percebe que o gigantismo que permite a monitorização de todo o tráfego na net é um sistema ineficaz para combater a pirataria, uma lamentável violação da privacidade da informação que apenas aumentará os custos do acesso à net. Tudo para nos proteger, claro.

Na base do acordo está um novo sistema em que os operadores de comunicações passam a monitorar todo o tráfego que circula na rede, instalando um sistema que vigia a autenticidade dos conteúdos transferidos. A enormidade da tarefa tem custos. Que não serão pagos pela indústria, claro está, mas não deixarão de aparecer nas facturas dos clientes. Depois é inútil para travar a pirataria. A primeira coisa que os sites ou programas para transferência de ficheiros vão fazer é arranjar um sistema de encriptação dos dados, tornando inútil a sua vigilância e quase impossível detectar conteúdos pirateados. Restam-lhe os legais, claro, e é só esperar pelas reclamações dos clientes quando começarem a encontrar o acesso à net barrado porque os seus filmes legais foram apanhados na rede. Apesar do acordo estipular o fim das restrições digitais instaladas nas cópias de música digital, uma reclamação há muito defendida pelas associações de consumidores, estas foram rápidas a perceber o que está em causa com esta “internet civilizada”: é um acordo “potencialmente destruidor da liberdade, contra a economia e que vai contra o historial da era digital”.

Depois do estrondoso escândalo do governo britânico ter perdido os dados de 25 milhões de contribuintes, seria de esperar alguma contenção na forma como as autoridades pretendem tratar e concentrar a informação dos cidadãos. Mas não, o estado policial exige cada vez de maiores quantidades de informação e quase tudo o que fazemos, de uma forma ou de outra, passa pela net. Façamos um pequeno exercício e imaginemos que Portugal adopta um sistema similar. Alguém no seu perfeito estado de sanidade mental confia na Portugal Telecom, a mesma empresa que não sabe filtrar um ficheiro Excel e que envia para o MP o registo das chamadas telefónicas das principais figuras do Estado, para vasculhar a informação que circula na net? Eu, por mim, sei bem a resposta.

Não só o problema da indústria musical não está na pirataria, como a solução não é a vigilância e repressão de tudo o que circula na rede. É a porcaria dos "estrelas" musicais que nos querem impingir que estão erradas: são infantis e de má qualidade. Ponto. (ver "a indústria mais estúpida do mundo") As vendas estão estagnadas, o modelo de negócio é velho de décadas e as grandes empresas em vez de procurar reagir apenas se esforçam em reprimir para proteger a galinha dos ovos de ouro. Até porque, como vários estudos demonstram, não há nenhuma ligação entre pirataria e declínio nas vendas: quem recorre à pirataria até compra mais música. Ir buscar um filme ao P2P não significa que não se compre o filme. Muitas vezes é apenas o reflexo do estúpido intervalo entre a distribuição nos EUA e Europa, vendo primeiro e comprando depois. O resto é apenas o pretexto para o Estado controlar mais e melhor a informação que produzimos com o argumento do costume que é para nos defender de nós próprios.

publicado por Pedro Sales às 16:48
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Uma descoberta tão chocante que até vamos propor a descida da imputabilidade criminal para os 3 anos
Bernardino Soares, com 4 anos, preparando-se para atacar uma sede do CDS
(via arquivo fotocopiado do Paulo)


O líder da Juventude Centrista apontou hoje o presidente do Grupo Parlamentar do PCP, Bernardino Soares, como um dos principais protagonistas dos "distúrbios revolucionários" do "Verão Quente" de 1975, altura em que tinha apenas quatro anos. (via Arrastão)

publicado por Pedro Sales às 02:17
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Domingo, 25 de Novembro de 2007
O Anarcómetro ou o Delegado Zero

Alguns comentários, nomeadamente os do Nuno Castro, perguntam-me em que é que "isto" se distingue do anarquismo. Não vou responder directamente. Não tenho nenhum Dicionário das Doutrinas à mão e temo que se fôssemos os dois consultar o dito, ainda assim, teríamos que primeiro nos entender sobre que anarquismo falamos. Entretanto, e para encurtar caminho, adianto desde já que não me faz confusão que "isto" se tome por anarquismo.

Convenhamos, ainda assim, que já aqui dei um exemplo concreto do que entendo ser um grão na engrenagem que consagra a figura de "liderança" na vida política: a primeira fase do BE, quando o partido se afirmou como uma força que falava a mais do que uma voz. Trata-se de um exemplo não muito significativo e seguramente com contradições – mas também não estamos à espera que se possa tomar partido sem elas – mas trata-se de um exemplo que se quis desviar da celebração da figura do dirigente político. A mesma renitência podia ser encontrada no partido ao lado: refiro-me à recusa da direcção do PCP, sobretudo nos anos 80, em resumir a sua vida política ao rosto do seu líder, recusa que terá sido recentemente abandonada a julgar por todo o marketing que o partido desenvolveu em torno de Jerónimo de Sousa.

Último exemplo. Este, porém, ainda actual. Se olharmos para o zapatismo, podemos ver que aí se afirma a recusa de uma heroicização da vida política. De forma algo dilemática, é certo, o delegado zero esconde o seu rosto; e isto, e ainda que todos saibamos a importância da aura romântica de Marcos na história do neo-zapatismo, tem pelo menos o condão de não elidir o problema da corrupção da democracia às mãos da representação.

publicado por José Neves às 21:45
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A Democracia, Tipologia de uma História?

Entre algumas poucas outras coisas, ali atrás procurei dizer que uma crítica de esquerda a Chavez não tem por que ser uma crítica semelhante à crítica da direita a Chavez. E procurei também dizer que falar sobre a Venezuela hoje não pode ser apenas falar sobre Chavez. Entretanto, somaram-se várias reacções ao meu artigo no Público e também ao que escrevi ali em baixo. A talhe de foice quero pegar em dois pontos, o segundo (qual o grau de anarquicidade das minhas posições) num próximo post e o primeiro (uma dúvida avançada por um peão) aqui e agora: diz o Renato do Carmo, entre uma e outra consideração especulativa sobre o que eu escrevi, que não percebe se eu critico a democracia em si mesma ou se critico o modelo liberal de democracia. Devido à minha péssima formação liberal e ao meu não menos parco conhecimento dos debates da “ciência política”, confesso que ambas as formulações – democracia em si mesmo e modelo liberal de democracia – escapam-se-me facilmente por entre os dedos. Por isso sou forçado a colocar a questão noutros termos, contando que ainda assim não escape à questão colocada pelo Renato.
Uma das coisas que me faz alguma confusão nos debates sobre “existe ou não democracia na Venezuela?” é a facilidade – e creio que ela de alguma forma se precipita nas críticas de Pedro Magalhães a Daniel Oliveira – com que tais debates se transformam em discussões tipológicas e taxonómicas, do género, e passe a caricatura: é democracia se renovar-as-licenças-a-canais-de-televisão-mesmo-que-tenham-promovido-um-golpe-de-estado, não é democracia se puser-em-causa-as-propriedades-privadas-de-uns-poucos-num-país-em-que-milhões-estão-privados-de-toda-e-qualquer-propriedade, é democracia se não-houver-possibilidade-de-renovação-ad nauseum-dos-mandatos, não é democracia se as-armas-forem-parar-às-mãos-do-povo, etc..
Esta análise tipológica terá as suas virtudes, por certo que as terá; entre elas, por exemplo, evitarmos um relativismo conceptual insuportável para qualquer debate. Mas não é só isso que a tipologia evita. Ao aprisionar a ideia de democracia na figura do sistema (ou do modelo) – uma figura que necessariamente tende a ser estática e a-histórica – este tipo de análise deixa recorrentemente de lado a necessidade, que julgo imperiosa, de se pensar a democracia enquanto movimento constituinte e enquanto forma da própria resistência. (Questão que aliás me parece estar em jogo no debate travado no dito peão a propósito das lutas estudantis em França).
A limitação higénica da ideia de democracia à figura de um sistema é um problema maior sobretudo para aqueles que se reclamem de uma tradição comunista/libertária e que necessariamente se esforçam por imaginar um estádio humano em que a vida política dispensa o Estado (e, portanto, a democracia representativa). Creio, no entanto, que a idealização da democracia deveria igualmente preocupar democratas como o próprio Renato. Não o digo apenas – ou tanto – pelo que essa idealização pode ter de afim aos projectos neoconservadores de exportação da democracia. Falo sim de algo que me parece anterior a isso: as análises tipológicas sobre a democracia correm muitas vezes o risco de só existirem “fora da história” e de só servirem num tal contexto. Neste dia 25, não queria deixar de referir que é nesse erro que uma e outra vez se incorre quando se procura abstrair a liberdade e a democracia das lutas pela libertação e contra a didatura. Lutas travadas por figuras tão impuras como o senhor da foto, alguém a quem os diagnósticos tipológicos fazem questão de interditar o acesso à condição de democrata e de homem da liberdade.

* o título deste post manipula o título de um livro de Luciano Canfora, A Democracia – História de uma Ideologia, livro que não li mas que será objecto de um interessante debate na próxima 5ª feira no ISCTE.

publicado por José Neves às 17:51
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Pasta
Enzo Rossi é um empresário italiano que, durante um mês, tentou viver com os mil euros que pagava aos operários da sua fábrica de pastas alimentares. Ele a sua mulher, que também trabalha na empresa, tentaram gerir a sua vida com dois mil euros. Como o dinheiro, mesmo poupadinho, só chegou até ao dia 20, Rossi resolveu aumentar os vinte empregados em 200 euros por mês. O episódio tornou-se um caso em Itália, e já correu mundo. Quando lhe começaram a chamar "empresário comunista", respondeu que não. Que é egoísta. Quer empregados motivados e despreocupados com a ginástica mental para pagar as contas, disse. Uma evidência.

A forma como o episódio tem sido contado pela imprensa faz lembrar uma frase de Freitas do Amaral durante a contestação à invasão do Iraque. Quando questionado porque razão se foi alinhando com posições políticas mais comuns à esquerda, Freitas respondeu que nunca mudou. O panorama politico é que se desviou para a direita. De facto, vivemos tempos extraordinários. Os trabalhadores desapareceram e deram lugar aos colaboradores, as bolsas ressuscitam a cada notícia de despedimento e o que devia ser a norma, aumentar empregados que recebem bastante abaixo do salário médio, tornou-se a excepção. Dá direito a excursão de ministros, a seminários em faculdades de gestão e a dezenas de entrevistas. É uma espécie de intervalo na programação do noticiário para apresentar um “comunista” no seu habitat natural. Um freak show. Com tanto elogio, parece que ninguém perdeu tempo para fazer as contas e reparar que o generoso aumento só vai durar até ao dia 24 de cada mês.

publicado por Pedro Sales às 07:55
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Economia espiritual? É no Bombarral

Meditação pela paz Mundial, no Bombarral, "liderada pelo reputado economista e activista espiritual, Alfredo Sfeir-Younis", Oeste-TV. Ver também a entrevista da Oeste-TV ao economista espiritual, aqui.

Um evento new age no Bombarral? Estranho, mas possível. O maior "parque oriental" da Europa? OK, um bocado forçado, mas porque não? Um movimento mundial pela paz, com meditações semelhantes em Washington, D.C. liderado pelo mesmo Dr. Alfred Younis e pelo seu "Zam
buling Institute For Human Transformation", com escritório em Lisboa e base no Bombarral? Já é exagero, não?

Não, nem por isso. A coisa fica mais estranha a cada busca no Google. Ora atentem:


Alfred Sfeir-Younis (ou aqui), reputado economista chileno, filho de distintas famílias libanesas, quadro de topo no Banco Mundial de James Wolfensohn, de nome espiritual Cho Tab Khen Zambuling e alto padre Maia, encontrou o seu retiro no Bombarral.

Há uns anos, Don Alfredo, "o Embelezador", estava nas ruas de Seattle, a vigiar os movimentos de protesto e a tomar nota das reivindicações feitas pelos manifestantes para informar os seus colegas de direcção do Banco Mundial (aqui). Hoje está em Portugal, a avançar a causa da economia espiritual.

Meditemos no assunto porque isto não é normal. Nem no Bombarral.



publicado por Vasco Carvalho às 04:51
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Sábado, 24 de Novembro de 2007
O telelixo pode matar

Svetlana é a mais recente vítima da violência doméstica em Espanha. Tendo aceite participar numa espécie de Fiel ou Infiel (o Diário de Patrícia, no canal Antena3), julgava que ia encontrar um desconhecido em directo. O que esta jovem russa não sabia, porque a produção nunca lhe disse, foi que quem iria encontrar no programa para a pedir em casamento era o seu ex-noivo. O mesmo que já tinha denunciado às autoridades pelos maus-tratos que lhe infligia e que, por isso mesmo, tinha cumprido 11 meses de pena de prisão. Depois de ter recusado o pedido de casamento, em directo, foi assassinada pelo seu ex-noivo.

O assunto está a agitar Espanha, onde uma recente sentença judicial reduziu a pena de um agressor que apunhalou a mulher depois deste ter alegado que se tinha sentido humilhado ao ver a mulher no mesmo programa. Em resposta às crescentes pressões para a regulação destes reality shows, os outros canais televisivos já disseram estar do lado da Antena 3, mostrando que serão sempre incapazes de se autoregular e parar enquanto sentirem que a morbidez e o apetite pelo “caso da vida” pode valer umas décimas de audiência extra. As pessoas vão porque querem, dizem os defensores do programa. Certo. Mas uma coisa é pensar ser surpreendida por um desconhecido num estúdio de televisão. Outra, bem diferente, é encontrar a pessoa que a agredia sistematicamente e que já cumprido pena por isso.

Será sempre possível encontrar alguém disposto a humilhar-se, e a expor a sua intimidade perante milhões de pessoas, porque é a única forma de aceder ao panteão dos “famosos”. Mas isso não basta. As televisões precisam que a surpresa seja real. Que exista fúria e decepção, sem pensar que o despeito e a humilhação pode ter consequências imprevisíveis. A escalada do telelixo é assim. O espectador não exige só cumplicidade e viver uma vida de substituição. Quer adrenalina e emoções novas e a produção destes programas manipula e mente até onde for necessário para dar o que o público quer e exige. Pouco importa que, terminado o programa, existam duas pessoas que têm que viver a sua vida. O que acontece depois de desligadas as luzes do estúdio não dá audiências. Se alguma coisa acontecer é só mais um "caso da vida", onde, com toda a certeza, ainda vai a câmara da noticiário do mesmo canal registar a comoção para encher o noticiário da noite.

A violência doméstica é um dos principais temas em Espanha. Só este ano, já foram assassinadas 69 mulheres pelos seus maridos ou companheiros. Mas, se em Espanha o assunto é discutido e merece ampla cobertura mediática, o que dizer do nosso país onde, com uma população quatro vezes menor, só no ano passado foram mortas 39 mulheres. Os portugueses só acreditam que Portugal é um país de brandos costumes porque não discutem e não questionam os seus costumes.
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publicado por Pedro Sales às 18:29
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E os outros três, Ramos? Nunca te disseram que é feio esquecer os amigos?
Ramos Horta propõe Durão Barroso para prémio Nobel da Paz.

publicado por Pedro Sales às 13:08
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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007
Vamos ajudar o Pacheco
Foi nos últimos minutos do dia, é certo, mas nem por isso estamos menos empenhados no dia de Acção Global pelo Abrupto do que o madrugador Daniel Oliveira. Saber que há falsos blogues pornográficos que falseiam os rankings da blogosfera só para ficarem à frente do Pacheco Pereira é daquelas coisa que indispõe qualquer um. Apesar do orgulho com que linkamos para o rei da bloga lusa, há uma coisa que não compreendemos e que, esperamos, não passe de um lamentável mal entendido. Já lá vai quase uma semana e Pacheco Pereira ainda não nos indicou os endereços dos falsos blogues pornográficos. Bem vistas as coisas, a única coisa que ainda nos leva ao Abrupto.
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publicado por Pedro Sales às 23:02
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Atenção...
...Manuel Alegre pede a palavra para fazer uma declaração no encerramento do Orçamento de Estado. Silêncio nas bancadas. O deputado levanta-se. Será que vai fazer uma declaração contra a "privatização encapotada" das Estradas de Portugal? Será que se vai abster? Não é à toa que se tem 1 milhão de votos. Ao Alegre ninguém cala. Agora é que o Sócrates vai ver. Vá Alegre, diz-lhe como é que as coisas são. Diz-lhes que...está frio no Parlamento.



publicado por Pedro Sales às 20:34
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"Tudo pela nação, nada contra a nação"

"O que aqui estão a fazer é um embuste, a lançar suspeições não fundamentadas e caluniosas que prejudicam a imagem internacional do país", ministro das Finanças, Teixeira Santos, dirigindo-se à oposição sobre as Estradas de Portugal e perdendo a sua habitual compostura.


publicado por Pedro Sales às 13:21
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E este, senhor ministro, também calunia a imagem do país no estrangeiro?
Campos e Cunha, a primeira escolha de José Sócrates para a pasta das finanças, escreve hoje um artigo de opinião onde afirma que a argumentação do governo sobre as Estradas de Portugal "não pega" e que o seu financiamento "junto da banca em subsitução do Estado, implica, necessariamente, um custo significamente maior".

publicado por Pedro Sales às 13:20
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Matámos os heróis, tudo bem. Mas e os líderes, deixamo-los andar por aí?
Caro Daniel, creio que estamos de acordo em relação a Chavez e à Venezuela. Pelo menos mais de acordo do que estávamos antes desta conversa se iniciar. Deve ser da dialéctica, como tu dizes.

A minha crítica às tuas posições tinha origem aqui: achava eu que essas posições se estavam a embaraçar nos mil e um debates por regra desenvolvidos em torno da figura de Chavez e que, assim, deixavas para segundas núpcias o debate sobre as transformações em curso na Venezuela. Do meu ponto de vista, tal não só tornava a tua posição susceptível de convergir com a crítica da direita a Chavez, como também tornava a tua própria posição “crente” na propaganda chavista que tende a resumir na figura de Chavez os processos revolucionários em curso na Venezuela.
(Reconheçamos no entanto, com ironia se preciso for, que este auto-culto chavista teve o condão de, no momento do golpe de estado, criar a ilusão junto da direita golpista venezuelana e dos ministérios dos negócios estrangeiros espanhol e norte-americano – e português? – de que lhes bastaria colocar Chavez atrás das grades de uma prisão para que o regime fosse à vida…)

Não creio, no entanto, que o problema do excesso de liderança de Chavez seja um problema que devamos restringir a Chavez. Explico-te sucintamente – e portanto simplisticamente – as razões pelas quais essa restrição de alguma forma me embaraça:

Tomo Chavez como uma dupla figura de liderança. A um tempo, líder de um movimento revolucionário; a um tempo, líder de Estado.

Comecemos pelo Estado. Enquanto líder de Estado, o que me afasta de Chavez é o mesmo que me afasta de qualquer outro líder de Estado, de Bill Clinton a George Bush passando por José Sócrates. Isto é, o que me afasta de Chavez enquanto líder de Estado é a própria figura de líder de Estado. Este afastamento tem que ver com o facto de eu não desejar a democracia representativa como “última etapa” da vida política em sociedade e nisto provavelmente diferimos. Embora o tipo de líderes que temos não me seja indiferente, para mim a “corrupção” não reside no facto de termos líderes populistas, carismáticos ou corruptos; a corrupção da democracia, para mim, reside no facto de termos líderes.
Esta diferente perspectivação tem implicações políticas concretas. Por exemplo: contrariamente ao que o BE fez nas autárquicas, eu não daria tanta importância, numa campanha eleitoral autárquica, à crítica dos “corruptos” de Gondomar, Felgueiras e Oeiras; eu sim daria mais importância à promoção de ideias como o orçamento participativo ou outras poetices do género.

(Sei que isto – a recusa da democracia representativa como necessidade democrática – parece muito infantil e muito pouco realista, muito aventureirista e muito irresponsável, muito perigoso e muito ingénuo. Mas te digo que não só vi, ainda há poucos dias, em plena estação de metro, um pastor de uma seita religiosa muito moderna pregar semelhantes balelas, como também te confesso que me dou à ousadia de achar que no actual estado da luta – e que vivam os “homens da luta”! – é muito difícil alguém achar-se superiormente maduro, realista, sensato e responsável. No actual estado das esquerdas europeias, julgo que ninguém tem “lata” para se armar em mais “consequente” do que outrem e, com sorte e com mais uns fracassos políticos estrondosos pelo caminho, daqui a uns poucos anitos já ninguém à esquerda começará uma frase com aquele insuportável advérbio de modo que desde logo considera o interlocutor o mais inapto dos seres políticos: Objectivamente, blá,blá,blá…)

Passemos ao Movimento e por aqui fiquemos que se faz tarde. Enquanto líder de um movimento revolucionário, o que me afasta de Chavez é o mesmo que me afasta de qualquer outro líder de movimento revolucionário. Não me interessa, na verdade, qualquer alternativa que se construa simetricamente à dominância.
Não exigo, por certo, que a alternativa seja absolutamente assimétrica e estou certo que não existe tal coisa como este "absolutamente"; mas, e para concretizar novamente com um exemplo bem perto de nós, confesso que me revejo muito mais no BE enquanto alternativa na medida em que o BE seja um partido que tem mais do que um simples rosto a “dar a cara”. (E não é que o FL - quem muito admiro - não tenha uma cara laroca, que a tem).

publicado por José Neves às 02:20
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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007
Lost in translation
As autoridades tributárias britânicas perderam os dados fiscais e bancários de 25 milhões de contribuintes, metade da população da ilha. Tudo porque os serviços responsáveis pela atribuição dos abonos familiares enviaram dois discos - com os nomes dos beneficiários, morada, historial bancário e fiscal – através do serviço expresso de entregas de uma empresa privada. Na origem desta inacreditável falha de segurança dos dados pessoais dos cidadãos, segundo os documentos revelados pelo Guardian, estão os cortes orçamentais que obrigaram o serviço a remover as medidas de segurança destinadas a proteger a informação. A obsessão com o défice no seu esplendor.

O país, entretanto, está em estado de choque e milhares de pessoas invadem as agências bancárias para alterar o pin das contas. Num país cujos cidadãos são ciosos, como poucos, dos seus direitos e liberdades individuais, não deixa de ser sintomático que o governo que mais fez para as limitar se arrisque a penar os seus últimos dias crucificado pela forma desleixada e irresponsável como concentra e trata as informações fiscais e bancárias dos seus contribuintes.

Mas este caso - limite, é certo - é também revelador sobre os perigos associados à crescente massa de dados e informações pessoais à disposição dos estados modernos. Já aqui critiquei, por várias vezes, as recentes alterações legislativas realizadas pelo governo socialista e que permitem a criação de uma base de dados de ADN ou a videovigilância nos táxis. Esta última medida é sintomática, permitindo a gravação, armazenamento e tratamento de dados a uma empresa privada que ainda ninguém faz ideia qual seja. Num país em que a protecção dos dados individuais fosse levada a sério isto era um assunto politico de primeira importância. Mas estamos em Portugal, onde a privacidade e segurança dos dados pessoais são encarados como uma coisa que só tem importa no guião de alguns filmes de Hollywood.

publicado por Pedro Sales às 20:35
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Conversa de café
O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais anunciou, há menos de uma semana, que existem grandes empresas da construção civil que fogem sistematicamente ao fisco. Hoje, no encerramento do debate sobre o Orçamento de Estado, acaba de dizer que há vários contribuintes que pagam pensões de alimentos superiores ao que declaram receber. Acredito que o cidadão Amaral Tomaz ache engraçado contar em público os mirabolantes expedientes utilizados na evasão fiscal. Só que Amaral Tomaz é o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais e era suposto que, para além das graçolas, fizesse alguma coisa para pôr um ponto final nas situações que vai contando com um sorriso maroto. Isto se não for pedir muito, claro.
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publicado por Pedro Sales às 17:08
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