Quarta-feira, 31 de Outubro de 2007
As claques são a melhor agência de comunicação
Há quem contrate uma agência de comunicação, como a LPM ou a Cunha Vaz, para lhe tratar da imagem. Luís Filipe Vieira tem mais sorte. As claques do Benfica fazem-lhe o trabalho à borla. O espectáculo da última assembleia geral do clube encarnado fez o presidente do Benfica parecer um modelo de urbanidade, ponderação e boas maneiras. Uma discussão onde entra uma claque de futebol tem sempre a vantagem de poupar trabalho aos neurotransmissores. É pavloviano, eu sei, mas concordo sempre com o outro lado mesmo sem saber o que é que está a dizer. Nem que seja o "Kadafi dos pneus".

publicado por Pedro Sales às 12:12
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Terça-feira, 30 de Outubro de 2007
Quem chega primeiro?

O TopGear, um programa da BBC que insiste em provar que é possível fazer televisão inteligente sobre qualquer tema, juntou um Bugatti Veyron e um Eurofighter Typhoon para fazer uma pequena corrida. Vale a pena ver, e comparar a montagem, o ritmo e os apresentadores ingleses com os nacionais. O resultado foi...bem, eu apostei no carro.

publicado por Pedro Sales às 23:46
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A distopia liberal sobre a escola pública I
Quando acabei o 12.º ano, estive um ano sem estudar antes de me candidatar à faculdade. Durante 3 meses trabalhei para o Circulo de Leitores. Em pouco tempo, entrei na casa de centenas de pessoas do Entroncamento e Torres Novas. Quase todas tinham a História de Portugal, de José Mattoso, nas estantes ou prateleiras. Havia outra constante. Os dois primeiros volumes estavam abertos, os restante seis repousavam dentro do saco de plástico em que vinham embalados. Um sem número de pessoas chamava enciclopédia às obras completas de Júlio Diniz, Camilo ou Eça.

São famílias inteiras que nunca tiveram hábitos de estudo, de leitura, de trabalho intelectual individual. Os seus filhos irromperam pela escola pública há pouco mais de 30 anos. Para milhares de famílias, esta é a primeira geração que tem alguma escolarização. O facilitismo do sistema público de ensino, de que fala Helena Matos, fez com que, desde cedo, tivessem mais conhecimentos a matemática ou português do que os seus pais. Em casa não há ninguém para os ajudar nos trabalhos de casa. A escola secundária do Entroncamento, onde colocavam os filhos, ficou este ano em 138.º lugar no ranking dos exames nacionais do 12.º ano. É má? Pior do que o colégio São João de Brito ou do que um selecto internato de raparigas que fez 32 exames?

A massificação do ensino teve que lidar com um país que já existia antes da democracia. Nem tudo correu bem, é certo. Partindo do mesmo atraso que também tínhamos na Saúde – sector, onde hoje temos dos melhores indicadores mundiais - ainda continuamos atrás das médias de conhecimento europeias. Mas, simplificando um pouco, a educação não é só construir hospitais e formar profissionais competentes. Tem o lastro cultural que a suporta. E que os detractores da escola pública omitem totalmente, como se o sistema educativo, a iliteracia, o analfabetismo e as dificuldades económicas tivessem aparecido há seis anos com a publicação do primeiro ranking de exames do 12.º ano. É simplista e pouco sério extrapolar uma leitura depreciativa sobre a qualidade do ensino público a partir da leitura do “top ten” dos rankings. Como veremos, nas próximos entradas sobre o assunto.
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publicado por Pedro Sales às 11:37
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A distopia liberal sobre a escola pública II

Na sua coluna do DN, o João Miranda alega que “[os defensores da escola pública dizem que o meio socioeconómico influencia mais os resultados que a qualidade da escola. Reconhecem, em última análise, que, ao contrário do que diz a utopia, a escola pública está muito longe de anular os efeitos do meio socioeconómico”. Nem a pública, nem a privada, já agora. Há seis anos que são publicados os rankings dos exames do 12.º ano. O colégio São João de Brito aparece sempre nas cinco primeiras posições. Uma escola com o tipo de ensino que a Helena Matos diz que os ricos escolhem porque sabem que é melhor e mais exigente. Vejamos.

O colégio São João de Brito é da Companhia de Jesus, a qual tem mais duas escolas com ensino secundário. O Instituto Nun´Álvares, em Santo Tirso, e o Colégio da Imaculada Conceição, em Cernache - Coimbra. Como acontece com quase todas as escolas privadas no interior, têm um contrato de associação com o Estado. Ao contrário do São João de Brito, recebem alunos de todas as classes sociais. A Companhia de Jesus afirma que os métodos de ensino, contratação e formação de professores são idênticos. Quais são, então, os resultados? O Nun´Álvares ficou em 177.º, a Imaculada Conceição em 91.º. Há quatro anos, ficaram em 164.º e 249.º, respectivamente. O São João de Brito, com os mesmos métodos pedagógicos e de ensino, ficou este ano em 3.º no ranking e, há quatro anos, foi a"melhor" escola...

Questionado, na altura, pelo "Público" sobre essa brutal disparidade entre uma escola que recruta os seus alunos entre a elite da elite e dois colégios privados com todo o tipo de estudantes, o responsável pelo São João de Brito diz que “o Colégio de Coimbra fica num meio paupérrimo”. “é um meio rural, com fraco nível cultural. Teríamos outra posição no ranking se estivéssemos mais perto de Coimbra”. Pois é, teria a Companhia de Jesus e a escola secundária de Alpiarça ou a de Campo Maior. Mas não têm, o que não as impede de ver na comunicação social que as escolas privadas são melhores do que as públicas. Uma leitura redutora que, como se vê, tem os seus dias. Ou melhor, os seus sítios e classes sociais.


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publicado por Pedro Sales às 11:33
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A distopia liberal sobre a escola pública III
A conversa sobre as virtudes da escola privada acaba, quase sempre, na desigualdade de condições entre uma, que tem que cobrar propinas, e outra que fica à borla. É preciso acabar com isso, dizem, no país em que o Estado mais apoia o ensino privado. Mais de um terço dos alunos nos colégios privados são financiados por dinheiros públicos, aos quais o Estado entraga 3343 euros por cada aluno. Não chega. A solução, dizem os defensores das virtudes privadas, é o cheque-ensino. Cada família recebe o dinheiro do Estado e escolhe a escola onde quer colocar os seus “piquenos”. Uma solução que destrói a rede pública e que traz gastos acrescidos para o Estado, que a tem que manter, e, ao mesmo tempo, financiar as escolas privadas.

Por alguma razão, apesar de toda esta campanha e pressão para a privatização do sistema educativo, essa solução não existe em quase nenhum lado, à excepção da Suécia ou do estado do Milwaukee. Os resultados são os esperados. Os alunos não alteram os seus resultados escolares por estudarem em instituições privadas, segregação dos mais pobres dos pobres, votados a uma escola pública subfinanciada e de segunda, bem como o brutal aumento das despesas públicas (a fórmula de fianciamento deve mesmo ser alterada este ano para conter a despesa). A discussão não é de hoje, basta ver o que escrevia o New York Times em editorial há quase 10 anos.

“It is absurd to argue that public education can be improved by diverting huge amounts of tax revenue into parochial and private schools. A voucher plan, such as Milwaukee’s, does not reform anything. It is a funding mechanism that forces taxpayers to underwrite religious and private education. Improving education for all students, not just the few who manage to get vouchers, requires sustained community commitment and leadership. Vouchers are a convenient political diversion from that task.” It would be far better to increase public school funding to improve education for all the students”. Editorial do New York Times, 11 de Novembro de 1998.

publicado por Pedro Sales às 11:32
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A distopia liberal sobre a escola pública IV
Helena Matos, João Miranda ou Filomena Mónica passam a vida a falar dos perigos de uma educação estatizada. Não há liberdade de escolha, o ensino é pior. Uma balda onde ninguém é avaliado. Os indicadores internacionais não existem apenas para dizer que estamos atrás dos países nórdicos ou do leste europeu. Também nos servem para pormos os olhos nos outros e vermos que há países onde não há rankings, não há retenção de alunos com piores resultados, só é possível abrir uma escola privada com aprovação do Conselho de Ministros (e estão proibidas de cobrar propinas, recebem o dinheiro do Estado). Países onde existem menos de 40 escolas privadas, mas que são, ao mesmo tempo, classificados pelo insuspeito Fórum Económico Mundial como tendo o melhor ensino secundário do mundo. O país é a Finlândia e, segundo o estudo internacional de referencia, o PISA, os seus alunos costumam ter os melhores resultados mundiais a quase todas as disciplinas.

A distopia liberal é isto. Ideologia e preconceito contra o sistema público, baseada no aproveitamento demagógico do senso comum. Não tem nenhuma base, nacional ou internacional, que a suporte. É o preconceito de classe travestido de preocupação social. Tudo em nome da liberdade da iniciativa privada que, veja-se, só é verdadeiramente livre se for o Estado a financiá-la. E diz-se esta gente liberal.

publicado por Pedro Sales às 11:28
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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007
Sem comentários
No último sábado à noite, em Lisboa, pouco depois das 23 horas, presenciei o seguinte diálogo. Três adultos, com pouco mais de 30 anos, e duas crianças entre os cinco e os seis, saem de um restaurante italiano. Perante a insistência dos pequenos em calcorrearem o passeio a grande velocidade, a mãe vira-se para o maior e diz-lhe para vir para o pé dela "se não queres que te aconteça o mesmo que à Maddie". Perante o ar despreocupado do filho, a mãe lembrou-o novamente. "Já te esqueceste? Foi aquela criança inglesa que desapareceu e que os pais nunca mais encontraram".

publicado por Pedro Sales às 16:51
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Domingo, 28 de Outubro de 2007
Já que fala nisso...
Qual foi o debate mais difícil para o governo?, pergunta o JN ao ministro Santos Silva. A taxa de desemprego que não pára de aumentar? O crescimento da economia que não há maneira de atingir a média europeia? Nada disso. O momento mais embaraçoso foi quando tiveram que atirar as culpas para o seu antecessor, responde o ministro dos assuntos parlamentares, num notável exercício de cinismo político. "Foi em Maio de 2005 quando tivemos de anunciar que o défice estimado pelo Banco de Portugal para 2005 era 6,83% e que íamos proceder imediatamente a cortes de despesa e aumento de receita". Um valor desconhecido de todos, como então garantiu o Governo Sócrates. Uma história muito mal contada. Se não, reparem no que dizia Jaime Gama, no encerramento do debate orçamental, poucos meses antes do seu partido anunciar o aumento do IVA por causa do défice de 6%.



publicado por Pedro Sales às 14:18
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O Banco de Portugal supervisiona a banca, mas quem é que supervisiona o Banco de Portugal?
Banco empresta a administradores: Três administradores do Banco de Portugal (BdP) têm créditos desta entidade pública de supervisão bancária para a compra de habitação. José Agostinho Matos e Pedro Duarte Neves, vice-governadores, obtiveram, segundo o BdP, empréstimos quando eram directores do BdP, mas Victor Manuel Pessoa, administrador do BdP, beneficiou de um crédito para compra de segunda habitação na qualidade de membro do conselho de administração. Uma notícia que deixa algumas pistas sobre o visível incómodo e lentidão com que o Banco de Portugal reagiu à crise dos empréstimos familiares no Millennium BCP.

publicado por Pedro Sales às 11:39
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Sábado, 27 de Outubro de 2007
especulação numa ciência oculta

$2,400,000,000,000. 2 milhões de 400 milhões de dólares (ou 2 triliões e 400 biliões?). É até agora a estimativa mais alta do custo da guerra. (disclosure): eu perco-me nos milhares de milhões.

Cada um dá o seu palpite. Há uns meses, o NYTimes fez as suas contas e chegou a 1.2 triliões. Há quem faça contas ao dia (300 milhões de dólares), há quem prefira a longue durée de uma semanita (2 biliões). Até agora, e em investimento aprovado pelo congresso, já se gastaram mais de 350 biliões de usd na ocupação do Iraque. Stiglitz (conselheiro Clinton I, Nobel 2001, autor de Globalization and its Discontents -- mercadoria quentinha) aposta nos 2 triliões. Certo, certo é que longe vai o tempo em que um conselheiro da Casa Branca era despedido por sugerir que o custo total da guerra andaria nos 200 biliões de usd. (NYTimes)

Mas de acordo com estas contas do congresso, e prevendo que os EUA fiquem no Iraque e Afeganistão até 2017, o governo federal Americano enterrará qualquer coisa como 1900 pontes vasco da gama (a 897 milhões de euros cada) ou o equivalente a 4.3 anos do PIB de Portugal (a 229 mil milhões de dólares/ano). Trocado por miúdos, se os EUA decidissem brindar cada cidadão português em nome da paz com soma equivalente, isso dar-nos-ia qualquer coisa como 240 mil dólares. Notem que este truque de bruxaria só inclui o investimento federal, não calculando custos indirectos como o apoio médico aos soldados feridos ou o aumento no preço do petróleo. Só por isso é que é tão optimista: a 200 biliões de dólares/ano, só para o Iraque, mais os custos da ocupação do Afeganistão, não será difícil ultrapassar os 3 biliões de dólares num espaço de 14 anos (2003-2017). Nem vale a pena tentar meter o Irão nestas contas, lá chegaremos.

Eu só sei que não me importaria com os 240 mil dólares. Em nome da paz, claro.

(Hoje houve manifs nas principais cidades americanas)
(Entrevista de Joseph Stiglitz à Rolling Stone)

Um apoio visual, tirado de Crooks&Liars:


Isto são 9 milhões de dólares, à escala humana, e juntando cada nota de dólar.E isto são 315 biliões de dólares. O pontinho preto no canto é a figura anterior. Esta figura vezes 7 e terão a massa física do dinheiro gasto na guerra.

publicado por Filipe Calvão às 22:21
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o messias hipster ataca de novo
Serei só eu que não posso com Wes Anderson? Serei só eu a achar que se este é o realizador de culto da minha geração prefiro usar ceroulas e monóculo? É que já não se pode. Sai filme novo e aí está a campanha em acção. É rádio, TV e internet. É a melhor coisa desde o pão fatiado. São as interjeições tímidas ensaiadas, as entrevistas pseudo-pseudo-intelectuais, todos os tiques da cartilha hipster-dorky. Não há pachorra.


They drink blue-collar beers but hold white-collar jobs. Or vice versa. Whether he comes from above or below, the hipster takes care never to appear to be striving. (Captain Neato)



publicado por Vasco Carvalho às 07:14
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one-hit dubbers


Anthea and Donna, Uptown Top Ranking (1978)
Aqui para melhor som; aqui para mais sobre o duo.


publicado por Vasco Carvalho às 05:53
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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007
Na Rússia, como na JSD, não há liberdade nem verdade
JSD cancela iniciativa `Sem Liberdade, não há Verdade. A JSD cancelou a iniciativa agendada para sexta-feira que previa a colocação de uma faixa em frente ao Convento de Mafra, onde decorrerá a Cimeira UE/Rússia, denunciando a violação da liberdade de imprensa na Rússia. "Para que se não diga que algo correu mal devido à iniciativa que nos propusemos, optámos por suspender a acção `Sem Liberdade, não há Verdade`", informou a JSD.
(via Blasfémias)

publicado por Pedro Sales às 20:26
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Euro Trash
Quem não aceitar o Tratado de Lisboa leva com Polónio 210.



publicado por Vasco Carvalho às 17:21
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Punição colectiva
O ministro da Defesa israelita decretou o corte de electricidade aos habitantes da faixa de Gaza, sempre que um ataque de rockets atinja Israel. Para o governo israelita, se há um míssil é porque ninguém fez nada para o parar. Se ninguém fez nada, são todos culpados. Tire-se-lhes a luz, que, às escuras, não conseguem encontrar o Katiuska. Uma medida desumana, contraproducente. Pensava-se que as punições colectivas de um povo fossem coisa do passado. Mas não. Atingindo indiscriminadamente mais de 1,5 milhões de pessoas, Israel dá mais um passo para tornar todos os palestinianos em seguidores do Hamas que dizem combater.
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publicado por Pedro Sales às 14:34
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Serviço público

A Pixar vai colocar à venda, pela primeira vez, as suas excelentes curtas metragens em DVD. É já no dia 6 de Novembro. Aqui fica a minha preferida.
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publicado por Pedro Sales às 11:31
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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007
O homem do Presidente

"We will probably have to be a country ruled by men rather than laws, in this period". A frase, de Dick Cheney, momentos depois dos ataques terroristas que destruiram as torres gémeas, são o melhor retracto do programa da administração Bush depois do 11 de Setembro. O programa de extensão dos poderes presidenciais animava Cheney, e a elite republicana, há muito tempo. A oportunidade foi-lhes dada por Bin Laden. The Cheney´s law, um documentário da PBS, é um excelente resumo desse projecto de uma república musculada, imperial e em que as leis são um empecilho a contornar quando dá jeito. No site da PBS, pode-se ver a versão completa, e em alta qualidade, deste excelente documentário.

publicado por Pedro Sales às 19:42
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E têm relações sexuais 7 vezes por semana e lêem 10 livros por mês
De acordo com o Eurobarómetro, ontem divulgado em Bruxelas, apenas 3% dos portugueses admitem fugir ao fisco, um valor inferior à dos restantes países europeus (5%). Segundo o Diário de Notícias, o mesmo estudo indica que os portugueses são o povo europeu que mais confia na máquina fiscal, acreditando que existe um elevado risco dos incumpridores serem detectados pelas autoridades.

publicado por Pedro Sales às 19:04
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Gaveta 9
Infografia "24 horas" (carregue na imagem para a aumentar)

No intervalo das suas preocupações com os barulhos do telemóvel, talvez não ficasse mal ao senhor procurador-geral da República verificar o que se passa na casa que dirige. O "24 Horas", na sua edição de hoje, dá o mais fiel exemplo do que foi a "investigação" do caso Casa Pia. O responsável pela coisa, o procurador João Guerra, omitiu do processo 83 diagramas que provavam que não existia nenhum registo telefónico entre os vários arguidos e entre estes e as vítimas de pedofilia. A informação ocultada punha em causa "apenas" o principal argumento da acusação, a de que os arguidos faziam parte de uma rede que combinava telefonicamente os encontros sexuais.

Sem se referir ao caso concrecto, Germano Marques da Silva não podia ser mais claro sobre o que está em causa:"A acusação não pode esconder qualquer elemento produzido no decurso de um processo, seja ele contra ou a favor do arguido, sob pena de procedimento disciplinar e até criminal (por prevaricação). Todos os elementos, favoráveis ou não, devem constar dos autos".

As mais altas figuras do Estado, e os principais partidos da oposição ao PSD/PP, eram escutados telefonicamente. As conversas, descontextualizadas (quem não se lembra da história do embaixador da Rússia) vieram todas para a imprensa. As provas eram seleccionadas de acordo com princípios que não tinham nada a ver com os critérios de interesse judicial. O juíz só queria aparecer na televisão a fazer desportos radicais. Cada procurador e inspector que apareceu no Parlamento contou uma história diferente sobre o envelope 9. E o procurador ouve barulhos no telefone. Haja paciência.

publicado por Pedro Sales às 17:01
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Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007
Processo Limpeza Em Curso (PLEC)
O comité central do PCP retirou a Luísa Mesquita a confiança política enquanto deputada e enquanto vereadora na câmara municipal de Santarém, deixando àquela direcção regional do partido a decisão sobre outras sanções disciplinares.

O PCP perdeu a confiança no autarca que elegeu, pela terceira vez, para a Câmara Municipal da Marinha Grande, João Barros Duarte, e retirou-lhe a confiança política. O desentendimento entre o autarca, de 73 anos, e o partido agudizou-se nas últimas semanas, a tal ponto que a concelhia anunciou a sua renúncia ao actual mandato, numa conferência de imprensa marcada para o efeito, no passado dia 2, à qual ele não compareceu. Em vez de aceitar a decisão que havia sido tomada e que, segundo o partido diz em nota à imprensa, tinha sido acordada entre o PCP e Barros Duarte no dia 11 de Setembro, este apresentou baixa médica na câmara e afastou-se, ficando incomunicável.
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publicado por Pedro Sales às 21:28
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Desculpe lá, senhor procurador, mas o deputado Nuno Melo está com a agenda muito ocupada
A audição parlamentar urgente do Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, sobre escutas telefónicas foi hoje aprovada por unanimidade, mas o próprio partido que a requereu, o CDS-PP, pediu que se realizasse depois da próxima semana.

O deputado do CDS-PP Nuno Melo foi quem pediu que não fosse agendada para a próxima semana porque se iria ausentar do Parlamento nesse período e gostaria de estar presente na audição.


publicado por Pedro Sales às 20:06
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Um relatório inconveniente
O João Miranda tem razão numa coisa. Existe um preocupante sinal de "politização da academia e do desrespeito pelas regras tradicionais de debate". Não tem é nada a ver com o caso Watson. Está na capa de hoje do Washington Post. O relatório sobre a consequência para a saúde humana do aquecimento global, elaborado pela agência federal dos EUA responsável pela prevenção e estudo das novas doenças, foi "editado de forma significativa" pela Casa Branca. Resultado, um estudo original de 14 páginas foi amputado da maioria do seu contéudo, tendo sido entregue aos congressistas e imprensa um documento com 6 páginas.

Testimony that the director of the Centers for Disease Control and Prevention planned to give yesterday to a Senate committee about the impact of climate change on health was significantly edited by the White House, according to two sources familiar with the documents. Specific scientific references to potential health risks were removed after Julie L. Gerberding submitted a draft of her prepared remarks to the White House Office of Management and Budget for review. Instead, Gerberding’s prepared testimony before the Senate Environment and Public Works Committee included few details on what effects climate change could have on the spread of disease. A CDC official familiar with both versions told the AP that Gerberding’s draft “was eviscerated.”

O politicamente incorrecto a censurar a ciência, quem diria, meu caro Watson. E o pior é que este está longe de ser o primeiro caso.

publicado por Pedro Sales às 18:41
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Para haver condicionamento da ciência tem que haver ciência
O João Miranda, retomando uma posição do André Azevedo Alves, responde ao meu post sobre o "caso" Watson, dizendo que o cancelamento de palestras "é mais um sinal da politização da academia e do desrespeito pelas regras tradicionais de debate". Nos comentários do post diz mesmo que é a "integridade do processo cientifico" que está em causa.

Exacto. Só que essa integridade foi posta em causa pelo próprio Watson ao defender, com o argumento de autoridade da ciência, conclusões que não correspondiam a nenhum esforço ou estudo científico. Aliás, na própria entrevista, o autor diz acreditar que, daqui a 10 anos, será possível provar aquilo que os empregadores de trabalhadores pretos já hoje sabem: que os africanos são menos inteligentes. Onde é que cabe, aqui, a "integridade do processo científico"? É conversa de café, na melhor das hipóteses.

Por mim pode, e deve, estudar-se tudo livremente. E também acho que a ciência não deve ser politizada. Mas não é isso que está em causa nesta questão. Watson acha que existem condicionantes genéticas que explicam que os pretos, árabes ou os judeus são menos inteligentes? Força, estude isso e apresente os resultados desse estudo. Mas não foi isso que fez. Preferiu dar voz aos preconceitos mais generalizados, emprestando-lhes a força da autoridade científica de quem sabe do assunto porque até foi ele que descobriu a estrutura do ADN. É uma impostura, como hoje lhe chama Vitor Malheiros no "Público". É normal que, nessas condições, os organizadores das palestras não se queiram ver associados a Watson. Só isso. O resto é a campanha do costume dos defensores do "politicamente incorrecto". Vale a pena ler o último parágrafo do artigo já citado de Vitor Malheiros (antigo editor da extinta secção de ciência do Público).

Se Watson guardasse alguma lucidez, teria explicado na sua entrevista que sobre a inteligência comparada ele não sabia mais do que um distribuidor de pizzas. Mas, abusivamente, permitiu que ela fosse lida como a resposta de um prémio Nobel de Medicina e Fisiologia a uma questão relativa aos atributos fisiológicos dos seres humanos e investida de dessas autoridade. Tratou-se de uma impostura.

publicado por Pedro Sales às 18:10
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A "seriedade democrática" da mentira
Vital Moreira, continuando a sua já longa sequência de entradas contra o referendo ao Tratado Reformador, utiliza um novo e derradeiro argumento. É uma questão de "seriedade democrática". E eu que, na minha ingenuidade, pensava que o primeiro princípio da tal seriedade democrática era o cumprimento do programa e das promessas eleitorais. Todos os partidos parlamentares defenderem no seu programa o referendo ao Tratado Constitucional. O mesmo acontecia no programa de Governo – que até o defendia para "reforçar a legitimação democrática do processo de construção europeia"

Por muitas diferenças que encontre entre os dois tratados, o que conta é que, até há poucos dias, não era essa a posição do primeiro-ministro. Na entrevista que concedeu à Sic nos últimos dias de Julho, José Sócrates disse que os dois tratados "são quase iguais". De resto, como já aqui lembrei, o primeiro-ministro continuava a defender o referendo há menos de seis meses...muito depois do Tratado Constitucional estar morto e enterrado. Agora, como já aconteceu com o PSD e PP, parece defender uma ratificação parlamentar e não ver nisso nenhum problema de "legitimação democrática".

A política nacional já pouco se distingue do futebol, mas Vital Moreira quer dar o último passo e legitimar intelectualmente a táctica de Pimenta Machado: "No futebol, o que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira". O povo pode não perceber o Tratado, como entende Vital Moreira, mas percebe bem quando está a ser enganado. Haja seriedade democrática.

publicado por Pedro Sales às 09:29
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Terça-feira, 23 de Outubro de 2007
Uma melodia tão agradável que tapamos os ouvidos
No nosso Clube, o ruído dos tiros, é uma melodia comparado com o dos aviões que cruzam a cidade e com o próprio ruído produzido pelo trânsito infernal ao qual felizmente escapamos neste local. No site do Clube de Tiro de Monsanto.

Pela minha parte, que costumo andar de bicicleta em Monsanto, e ainda não me habituei à melodia do chumbo a cair no capacete, confesso que gostava de perceber que música é que os responsáveis por este clube de tiro deram ao PSD, Carmona Rodrigues e Helena Roseta - que votaram contra a remoção desta bizarria lisboeta, permitindo a perpetuação de um clube de tiro dentro de um parque florestal no centro da cidade.

publicado por Pedro Sales às 17:05
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Verde menos verde não há
O preço do arroz poderá subir 50% nos próximos dias. Com o aumento do preço dos combustíveis, a associação nacional dos industriais de arroz, realça o facto do seu preço ter subido 50% no último ano e responsabiliza a subida acentuada do preço do petróleo que tornou cereais, como o milho e o trigo, "interessantes" para a produção de biocombustíveis, uma alternativa energética aos produtos petrolíferos.

A notícia passou quase despercebida, mas será apenas a primeira de muitas. A estratégia da União Europeia passa por garantir que, até 2020, 10% de todos os combustíveis serão “verdes”. Em Portugal, o governo quer garantir 10% nos transportes já em 2010. Para conseguir esse valor, tem já a funcionar um generoso pacote de incentivos fiscais às oleaginosas plantadas no nosso país para alimentar as 2 refinarias "verdes" que estão a ser construídas.

E, no entanto, os erros dos outros países estão à vista, provando que esta estratégia tem tanto de imprudente como de suicidária. No México, a produção intensiva de milho para abastecer o mercado dos EUA levou à subida em 400% deste cereal fundamental para a alimentação. A consequência foi desastrosa e levou à rápida revolta dos mais pobres, e mais afectados com a subida em flecha da tortilla, a sua tradicional base alimentar .

Para além da hiperinflação dos produtos alimentares, a tão publicitada energia "verde" tem pouco de energia e ainda menos de verde. O potencial energético dos agrocombustíveis (a terminologia mais correcta) é ínfimo, como já foi reconhecido pelo OCDE, e a sua produção obriga a regimes intensivos de monocultura, obrigando ao aumento do espaço físico dedicado à agricultura, diminuindo a biodiversidade e aumentando a utilização de fertilizantes muito pouco verdes. A União Europeia, no mês passado, acabou com os terrenos dedicados ao pousio para responder à crescente procura de cereais. A produção em massa do óleo de palma já causou a devastação de grandes extensões de florestas na Colômbia, Equador e Indonésia e Malásia. (relatório da Unesco).

Os combustíveis "verdes" têm tudo para ser uma tragédia ambiental, social e económica. O interesse da UE e dos EUA nesta fonte energética - de que são os principais defensores, juntamente com o Brasil - tem muito pouco a ver com a defesa do ambiente. Convém não esquecer que três quartos das reservas de petróleo ficam na zona mais instável do planeta. É preciso diminuir a dependência das maiores economias de uma fonte de energia que está situada sobre o barril de pólvora em que se tornou o Médio Oriente. Os agrocombustíveis podem ser produzidos em qualquer lugar que tenha espaço, muito espaço para a plantação de cerais. São uma bomba ao retardador. Os preços na mercearia e supermercado vão ser o primeiro rastilho. Ou isso ou vamos todos subsidiar, com os nossos impostos, o maior logro ambiental das últimas décadas.

Sobre este mesmo tema, vale a pena ler: How biofuels coul starve the poor, na Foreign Affairs. Worse than fossil fuel, George Monbiot, no Guardian.

publicado por Pedro Sales às 14:59
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Tanta reflexão para isto?
Fez ontem três meses que Paulo Portas anunciou que iria processar o Estado por causa do que, dizia, ser a constante violação do segredo de justiça. Três meses e nada. Tudo se ficou por uma reunião da comissão política do PP que apenas serviu para responsabilizar a divulgação das escutas (sobre o concurso dos submarinos) pelo desastre eleitoral nas intercalares de Lisboa. Foi nisto que deu a famosa reflexão anunciada no dia em que, pela primeira vez, o PP não elegeu um vereador na capital. É uma boa imagem sobre o estilo político e a substância das propostas de Paulo Portas.

publicado por Pedro Sales às 14:34
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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2007
O telefone do sr. procurador
"Penso que tenho um telemóvel sob escuta. Às vezes faz uns barulhos esquisitos". Pinto Monteiro, procurador-geral da República, ao "Sol".

A entrevista de Pinto Monteiro ao “Sol” tem gerado as mais variadas perplexidades. A mim, o que me causou mais impressão foram mesmo os barulhos do telemóvel do sr. procurador-geral da República. Uma das mais importantes figuras do Estado que, em pleno ano II Depois do Plano Tecnológico, ainda tem um telefone que faz barulhos estranhos não prestigia as nossas forças de investigação judicial.

Das duas uma. Ou as autoridades recolhem e gravam as escutas telefónicas como se fazia no tempo das centrais telefónicas analógicas - o que é preocupante pela ineficácia que revela -, ou Pinto Monteiro julga que, no século digital e em que tudo se transforma em zeros e uns, as polícias utilizam métodos de investigação dignos de um filme do Humphrey Bogart. O que também não augura nada de bom sobre o seu conhecimento da realidade. Pelo sim pelo não o melhor é o senhor procurador-geral comprar um novo telefone, de preferência com um cartão pré-pago. E sem toques polifónicos. Não há barulho mais irritante nos telemóveis.
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publicado por Pedro Sales às 18:48
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O politicamente correcto tem as costas largas
Anda para aí uma grande indignação porque James Watson, um dos cientistas que descobriu a estrutura do ADN, viu ser cancelada uma conferência científica depois das suas polémicas afirmações sobre a base genética para a menor inteligência dos africanos. José Manuel Fernandes (sem link) e João Miranda encontram neste caso o exemplo do condicionamento da ciência pelo “politicamente correcto”, impedindo a continuação do debate. Já Desidério Murcho considera que estamos perante o germe do “pesadelo orwelliano”.

Numa curiosa escolha de palavras, Desidério Murcho pergunta se “um cientista não tem direito a ter crenças falsas”? Depende. Do método, do rigor e da honestidade. É que, contrariamente ao que defendem os três nomes citados, não é o condicionamento politicamente correcto da ciência que está em causa, mas a sua credibilidade. A questão não são tanto as “crenças” de Watson - onde em nada se distingue do mais idiota dos racistas -, mas o facto de elas serem proclamadas com o argumento de autoridade da investigação genética e do “único compromisso com a ciência pura”. A prova “científica” usada por Watson para desmentir a igualdade racial da inteligência é a suposta burrice dos empregados negros. Ora, como foi rapidamente negado pelos seus pares, não só há nenhum estudo que comprove as teses de Watson, como o próprio já veio pedir desculpa pelas suas palavras e dizer que “não há bases científicas” para as suas afirmações. Curiosa “ciência pura”, cujas conclusões se desfazem ao fim de uma semana de moderada polémica...

James Watson, continuando o seu historial de proclamações polémicas na véspera do lançamento dos seus livros, tentou vender a banha da cobra. Escolheu uma polémica garantida. Não existe nenhum "tabu", como insinua JMF, na conclusão científica de James Watson. O problema é que ela não é científica, mas vende a ciência para se legitimar e defender o mais profundo dos estigmas racistas.

É a esta luz que devem ser encaradas as conferências canceladas. É normal que a comunidade académica se queira preservar e não se queira ver envolvida numa polémica que nada tem a ver com a ciência. Ou será que José Manuel Fernandes convidaria Jayson Blair (o jornalista do New York Times que inventou dezenas de reportagens sem nunca sair da sua secretária) para conferenciar numa palestra sobre deontologia jornalística? E a patrulha do politicamente correcto, também convidaria Floyd Landis (o ciclista a quem foi retirada a camisola amarela, de vencedor da Volta a França de 2006, por estar dopado) como principal orador num encontro sobre a ética desportiva? É tudo uma questão de credibilidade. Do cientista e de quem não perde uma oportunidade para fazer campanha contra a suposta ameaça do "politicamente correcto".

publicado por Pedro Sales às 03:32
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Domingo, 21 de Outubro de 2007
"Luigi segue solo le Ferrari"

Terminou há poucos minutos a telenovela mexicana em que se tornou o campeonato do mundo de Fórmula. Fiel ao guião mais tradicional, o final foi feliz e superou as melhores expectativas da audiência. Depois de uma época marcada pela espionagem industrial e pelo feitio insuportável, e nulo espírito desportivo, dos pilotos da McLaren, Raikkonen tornou-se um vencedor tão justo quanto inesperado. A esta hora, o patrão da McLaren deve estar a pensar como é que permitiu que Alonso, com quem não troca uma palavra há meses e que chantageou toda a equipa, tenha continuado a sua luta privada com o seu colega de equipa, entregando de bandeja o título mundial à Ferrari. Melhor assim, Luigi segue solo le Ferrari.
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publicado por Pedro Sales às 19:11
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