Domingo, 30 de Setembro de 2007
este homem é um senhor
Senhores jornalistas, sabeis o que é
o tripanário?
e a estátua do Pinto-Rei?
e a nova ponte que vai ligar o Porto a Viana, por mar,
e que é elíptica? Hum?

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publicado por Vasco Carvalho às 21:33
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Afirma Pereira que é um delito de opinião
Um dos skinheads que vandalizou o cemitério judeu, num inqualificável acto anti-semita, consta no processo no qual são acusados mais de 30 skinheads nacionais, por crimes como a posse ilegal de armas, agressões, ameaças, insultos, sequestros, distribuição de propaganda nazi e discriminação racial. O mesmo processo pelo qual Mário Machado se encontra em prisão preventiva e que, segundo Pacheco Pereira, “aponta para razões puramente políticas, o que é inadmissível numa democracia”. De resto, acrescenta, Mário Machado apenas "é acusado de incitar ao ódio racial, algo que em países genuinamente liberais não é crime nem sequer delito de opinião".

Pacheco Pereira vive obcecado em provar a correlação entre a violência da extrema-direita e da extrema-esquerda, até porque, segundo o próprio, esta última é desvalorizada socialmente pelos meios de comunicação. Para que a tese funcione tem que desvalorizar os crimes dos skinheads, como faz com Mário Machado, e reagir em catadupa sobre a alegada complacência perante a destruição dos “verdeeufémios”. Não foi por acaso que passou metade do mês de Agosto a escrever post sobre post sobre a destruição de um hectare de milho em Silves. Para quem tinha dúvidas sobre a motivação de Pacheco Pereira, bastaria esta citação: o que está esclarecido mostra nonchalance face à violência da extrema-esquerda, correlativa da excitação com a extrema-direita (tenho a certeza que Sócrates já teria aparecido a "acalmar" o povo se o incidente viesse da outra extrema). Como se vê, não só Sócrates não falou, como a imprensa não dedicou um décimo do destaque que concedeu ao campo de milho de Silves. E Pacheco continua calado.

publicado por Pedro Sales às 15:49
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Santana 2.0
Desde que António Guterres ganhou as eleições em 1995, o PSD esteve três anos no poder, e, mesmo aí, apenas em coligação com o PP. Se atendermos a que as próximas eleições legislativas só terão lugar em 2009, são 11 anos fora de São Bento. Muito tempo para um partido cuja referência ideológica é o poder e a sua base programática o seu exercício. Sem a sua expectativa, ou mesmo ilusão, o partido dilui-se em pequenos grupos e perde as suas referências políticas.

A degradação política e ética do partido, bem patente nos sucessivos episódios das “directas”, vem daí. O partido tem pressa em chegar ao poder, os métodos pouco importam. As “bases”, essa imanação “pura” da politica, impoluta e sem interesses obscuros, ratificou o seu novo salvador. Não aguentam mais continuar a assistir às nomeações dos deputados municipais e vereadores socialistas para centros de saúde ou direcções gerais ou regionais da administração pública. Já deram muito ao partido e querem o retorno. Menezes, o homem que “ganha eleições”, foi o seu escolhido, como antes tinha sido Santana pelas mesmíssimas razões. Foi este povo que encheu a sede de candidatura de Menezes na sexta-feira à noite, com evidente consternação nos jornalistas que não encontravam ninguém “conhecido” para entrevistar nos directos que se seguiram à vitória de Menezes.

Não falta quem aponte a vitória de Menezes à omissão dos barões, senadores, notáveis ou às elites do PSD, terminologia distinta para designar todos os “conhecidos” que não estiveram no Sheraton. Sabendo que José Sócrates deverá ganhar em 2009, resguardaram-se e não deram a cara nas “directas”. É verdade, mas convém ter os pés assentes no chão. A sobrevalorização da influência dos “barões” na vida interna do PSD é uma das maiores construções sociais e mediáticas dos últimos tempos. Wishful thinking de quem ainda divide o PSD entre a boa e a má moeda. Sem a ilusão da vitória nas eleições, nenhum notável arrasta as bases do partido com base no seu belo nome, valendo tanto como qualquer outro. Um voto. E votos há muitos, seja no multibanco da esquina ou nas promessas que se fazem para as próximas listas eleitorais.
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publicado por Pedro Sales às 15:35
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Solidariedade Inter-Blogues
Pacheco, amigo, a malta está contigo.


publicado por Vasco Carvalho às 05:30
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Sábado, 29 de Setembro de 2007
Indie ma non troppo

1 2 3 4, Feist

O publicidade do novo iPod nano pegou numa obviamente cool Leslie Feist e as buscas no Yahoo e no Google dispararam. O vídeo de 1 2 3 4 no YouTube está quase nos 2,5 milhões de visitas. Na caixa de comentários alguém descreveu o fenómeno como the official "macarena" of Canada. No que é a última vaga Apple, Feist chegou ao Letterman em finais de Agosto.

Feist - classificada como 'alternative' no iTunes, ou 'indie' no seu grupo anterior, Broken Social Scene - parece ser um hit publicitário, contando já com anúncios da Lacoste, HSBC, Verizon, LG, HBO, Urban Outfitters e eBay.

Indie ma non troppo. Tal qual como a Apple, que celebra a venda do iPod número 100000000 (cem milhões) e a venda do primeiro milhão de iPhones.

publicado por Vasco Carvalho às 22:28
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A nova guerra fria
(Calote gelada a esverdeado. A versão de alta definição desta imagem da
Agência Espacial Europeia pode ser encontrada aqui).


O aquecimento global está a derreter o Pólo Norte a uma velocidade superior às previsões dos modelos climáticos mais pessimistas. A calote gelada tem, actualmente, 3 milhões de quilómetros quadrados, tendo diminuído na última década a uma média anual de 100 mil quilómetros quadrados. Uma redução tão acentuada que permitiu - pela primeira vez desde que há registos - a abertura de uma nova rota de navegação marítima no topo do planeta.

Uma catástrofe ecológica eminente que deveria preocupar as principais nações, poderíamos pensar. Nem por isso. Em todas as tragédias há quem vislumbre oportunidades de negócio e as que, agora, estão à mão de semear no Pólo Norte são as mais apetecíveis: petróleo e gás natural. Em grandes quantidades. Enquanto a maioria dos líderes mundiais se juntavam em Nova Iorque para anunciar a sua preocupação com o aquecimento global, o mundo que verdadeiramente conta festeja as possibilidades entreabertas com a abertura de um novo corredor marítimo que permite revolucionar o comércio internacional. Basta ler o artigo da Time, transcrito esta semana pela Visão, para perceber como só agora começou a guerra fria pelo controlo político, e económico, desta região, envolvendo os Estados Unidos, Rússia, Canadá e Noruega.

Suprema ironia. As novas reservas de combustíveis fósseis estão agora acessíveis graças à destruição ecológica causada pela emissão poluente desses mesmos combustíveis. Na natureza, nada se perde, tudo se transforma. O problema é quando o ser humano se intromete na equação.

publicado por Pedro Sales às 16:46
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Bom dia,
são 5:30 da manhã de Sábado, 29 de Setembro de 2007. O Zero de Conduta anuncia, com algum pesar, o regresso em força desse PSD achinelado, expressão trágico-cómica da via pop-chunga para a Social Democracia Portuguesa.

Fontes próximas da nova liderança asseguram o ZdC da existência de intensos contactos de bastidores, no que parece ser um esforço para formar rapidamente o governo sombra de Dr. Menezes. Apesar dos muitos rumores, o nome que todas as fontes parecem confirmar é, como já poderiam adivinhar, o de Alexandre Frota.

Alexandre Frota - Secretário de Estado para a Baixa Cultura

PSD
Por um Portugal Pop-Chunga
(e acabou a conbersa carago)


publicado por Vasco Carvalho às 05:23
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Cheira a futuro
"O democrático calça seu aperto de mão de camurça anti-séptica e tira macacos do nariz da criança para os comer em público. Delirantes os pais servem-lhe as crias numa travessa azul andorinha com um requerimento espetado na boca. O democrático que fez constar que a liberdade é o democrático gostar de leitão ingere a criança tostada numa mastigação que os microfones traduzem numa língua para falar às baratas e dá finalmente um arroto. «Cheira a futuro» dizem os pais com a mão na algibeira acariciando o seu orgão de continuidade. E cantam hinos até a polícia vir. (...) Felizmente o democrático não é outra coisa além do que não é. Se o democrático fosse uma oleografia de Nosso Senhor Jesus Cristo, encimava as camas de todos os bordéis latinos, cristianissimamente pendurado pelo fervoroso mau gosto das prostitutas."
(Natália Correia, Poesia Completa, 2ª edição, p. 334)


publicado por Vasco Carvalho às 02:44
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As directas já têm os seus vencedores
A questão deixa de ser 2009, passa a ser por quantos e saber se estará interessado em ir a votos em 2013. Menezes ganhou as directas sem apresentar uma ideia ou uma proposta digna desse nome. ão lhe vai bastar continuar a dizer o contrário de Marques Mendes. Deu para ganhar o partido, mas agora necessita de dar corpo a propostas e alternativas. Isso é toda uma outra história, ainda por cima desconhecida para Menezes.

A inconstância política de Menezes, bem revelada no caricato marca-desmarca do debate televisivo, vai ser o dia-a-dia do PSD com Menezes. Muito barulho, mas sem nada para dizer. Não será o festim que foi com Santana, mas andará lá perto. Podem começar a reservar umas páginas no principal jornal satírico, ainda por cima sem precisar de grande trabalho de edição.
Permaneceu à margem desta campanha, reservando-se. O seu grupo, contudo, tudo fez para que Menezes ganhasse as eleições. Deverá ser o novo líder parlamentar do PSD, cargo que lhe permitirá debater quinzenalmente com o primeiro-ministro. Será dele o principal palco da actividade política da oposição.

publicado por Pedro Sales às 01:13
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Sexta-feira, 28 de Setembro de 2007
Desperdício público?
Os trabalhadores da General Motors voltaram ontem ao trabalho, depois de dois dias de greve que paralisaram as 80 fábricas do construtor nos EUA. Na origem do conflito estavam os cortes nos seguros de saúde dos 1,2 milhões de funcionários e reformados da empresa. A General Motors gasta mais em seguros de saúde do que no aço com que constrói os carros. São 5,2 mil milhões de dólares. Vale a pena comparar com o nosso Sistema Nacional de Saúde. São 11,2 mil milhões de dólares para 10 milhões de beneficiários, um custo por pessoa 4 vezes inferior.

A disparidade destes números, em benefício do sistema público, ajuda a perceber porque razão sendo os Estado Unidos o país que mais gasta em saúde, tem 46 milhões de cidadãos sem assistência médica e os seus indicadores não param de piorar. Quando os blogues liberais nos vierem novamente falar das virtudes da privatização de importantes segmentos dos serviços públicos, incluindo a saúde, vale sempre a pena lembrar este exemplo.

publicado por Pedro Sales às 23:42
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Falar para o boneco
Depois de uma acutilante, e certeira, intervenção do deputado Paulo Rangel sobre os perigos da instrumentalização política da base de dados com os perfis de ADN, o PSD votou favoravelmente a proposta do Governo. O tacticismo mais despudorado parece ter tomado deste partido. Ainda há poucos dias, Marques Guedes desdobrava-se em elogios ao veto presidencial sobre a proposta de responsabilidade civil extra-contratual do Estado, um diploma que contou com o voto favorável da sua bancada parlamentar. Doravante, quando um deputado do PSD se levantar para falar, ficamos sem saber se a coisa é para levar a sério ou se é só para aparecer um boneco nos jornais e nas televisões a fingir que estão a fazer oposição ao governo.
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publicado por Pedro Sales às 15:34
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Serviço público
O Guardian tem vindo a republicar algumas das mais importantes entrevistas feitas pelo jornal durante o século XX, como as que fizeram a Nixon, Hitler, Francis Bacon, ou Marlon Brando por Truman Capote. Sobre esse extraordinário momento jornalístico, aliás, vale a pena ler o artigo de Andrew O´Hagan: Interviewing is not a democratic art. It is neither a display of equal merits nor a test of good character: it is, as Capote says, an art, as well as a one-sided record of a human interaction, one in which the author may appear only as it suits the story and vanish without guilt.
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publicado por Pedro Sales às 10:27
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Qualquer semelhança com o que se vai passar hoje não é coincidência

"Well, this is largely as I predicted... except that the Silly Party won."
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publicado por Pedro Sales às 00:14
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Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007
Not so fast
O Francisco Almeida Leite defende que, perante a crise de legitimidade resultante das eleições do PSD, a solução é “fechar aquilo e depois abrir de novo, com novas ideias, outras gentes e um programa mais ambicioso”. Como aconteceu em França, onde o RPR se "reconverteu e transfigurou" na UMP de Nicolas Sarkozy. A ideia pode parecer atraente, e até nem é nova, mas esbarra num pequeno problema que me parece que o Francisco não está a considerar devidamente. O sistema político português é praticamente inamovível. Nos últimos 30 anos, apenas surgiram dois novos partidos, o PRD e o Bloco, e o primeiro foi um fogacho. Manuel Monteiro, que no PP valia eleitoralmente o dobro de Paulo Portas, está condenado a resultados abaixo do 1% no PND. Já que falamos no PP vale a pena ver como, depois de prometer uma nova agenda e uma revisão programática, o partido continua dependente das velhas bandeiras de sempre: a segurança e a autoridade.

Ou muito me engano, ou ninguém vai sair do PSD para fazer um novo partido e refundar a direita. Os nomes anunciados pelo Francisco, à excepção de Rui Rio, ou não têm dimensão para liderar um partido ou estão mais interessados na sua vida profissional e empresarial. Não é por acaso. Grande parte dos “barões” do PSD já não precisa do seu partido para cumprir aquele que tem sido o seu papel histórico: agir como porta-voz dos interesses da classe empresarial e da elite económica nacional. Esse papel está, em grande parte, esgotado. O PS, com José Sócrates, invadiu o seu espaço ideológico e cumpre o seu programa. Não deixa de ser sintomático verificar que, hoje, é no espaço de iniciativas como o Compromisso Portugal e das associações empresariais que se mexe grande parte da elite laranja.

O PSD que nós vemos nesta desgraçada campanha é o PSD que existe. E não me parece que vá desaparecer para dar espaço a novos personagens, como acredita o Pedro Correia. Não há grande espaço para uma alternativa, a não ser a assumpção de um programa genuinamente liberal. Uma impossibilidade num país conservador, pobre e desigual como o nosso, como até Paulo Portas reconheceu depois de sair do governo e descobriu que "Portugal não é Chicago". O PSD vai seguir o seu caminho, entregue a actores secundários, enquanto não vislumbrar o tempo para tomar o poder (que deve demorar). O seu termo de comparação não é a refundação francesa, mas a travessia do deserto dos conservadores britânicos.
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publicado por Pedro Sales às 21:47
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Admirável mundo novo(II)
Enquanto o ministro Alberto Costa anda entretido a ver se as polícias locais podem meter uma câmara de vídeo em cada esquina sem controlo judicial, a Inglaterra já nos passou a perna e anda a testar pequenas câmaras voadoras, controladas remotamente, para vigiar os mais pequenos movimentos sem serem detectadas. As forças policiais britânicas, que se encontram em negociações para adquirir o Microdone, justificam-se com a necessidade de prevenir distúrbios nos campos de futebol. Pois, sim. Visão diferente parece ter a empresa que, no vídeo publicitário, mostra as potencialidades da coisa para espiolhar as casas alheias e fazer generosos zooms sobre uma mulher a apanhar banhos de sol de bikini. Tudo em nome da luta contra o terrorismo, claro.

publicado por Pedro Sales às 14:52
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Quarta-feira, 26 de Setembro de 2007
Tão doido que até dou por mim a concordar com Santana Lopes

A Sic Notícias esteve toda a tarde a anunciar a presença de Santana Lopes para comentar a crise no PSD. Poucos minutos depois do início da entrevista, interromperam a emissão para filmar a chegada de José Mourinho a Lisboa. O treinador mais famoso do mundo não falou com ninguém e desapareceu em segundos. De volta ao estúdio, depois de umas inanidades de um repórter que não tinha nada para dizer, Santana Lopes diz que não continua e que se vai embora. “Bem sei que Mourinho é mais importante que qualquer um de nós e que esta coisa da crise dos partidos e do sistema político não interessa a ninguém, mas não me parece correcto o que acabou de acontecer. Interromperam a emissão para nos informarem que Mourinho chegou num avião privado. Acho que este país está doido.” Agradeceu o convite e foi-se embora.

publicado por Pedro Sales às 23:15
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"the normal one"
Uma forma genial de matar o pai.

publicado por Pedro Sales às 16:21
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Geração à rasca
O clube dos jornalistas entregou ontem os prémios Gazeta, a mais prestigiada distinção do jornalismo nacional. O prémio Revelação foi entregue ao jornalista João Pacheco. Vale a pena ler o discurso de agradecimento feito por este jovem jornalista, e precário, na presença de Cavaco Silva e do ministro Augusto Santos Silva.

«Não sei se é costume dedicar-se este prémio a alguém. mas vou dedicá-lo. A todos os jornalistas precários.
Passado um ano da publicação destas reportagens, após quase três anos de trabalho como jornalista, continuo a não ter qualquer contrato.
Não tenho rendimento fixo, nem direito a férias, nem protecção na doença, nem quaisquer direitos caso venha a ter filhos.
Se a minha situação fosse uma excepção, não seria grave. Mas como é generalizada – no jornalismo e em quase todas as áreas profissionais – o que está em causa é a democracia. E, no caso específico do jornalismo, está em risco a liberdade de imprensa.»

Vale a pena ler o resto da intervenção no blogue Precários Inflexíveis.

publicado por Pedro Sales às 14:50
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Estes rapazes que se cuidem, o Diário de Notícias tem um novo espaço de humor semanal
O PSD voltou a ser um partido com credibilidade institucional e política, Vasco Graça Moura, 26 de Setembro de 2007.

publicado por Pedro Sales às 08:20
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Admirável mundo novo
As notícias, que não param de surgir, sobre a nova Lei de Segurança Interna são cada vez mais inquietantes. Pouco me importa que o Governo diga que se trata apenas de um documento de trabalho. O mero facto de o executivo estar a discutir - e do ministro da Justiça afirmar publicamente que não vê quaisquer entraves constitucionais - o acesso à base de dados da ADN e a instalação de meios de videovigilância pela polícia sem controlo judicial, a ambiguidade sobre as escutas e a muito falada governamentalização das orientações da investigação, é matéria mais do que suficiente para deixar qualquer pessoa estarrecida com o filme que aí vem.

Já estou a ver o deputado Alberto Martins a levantar-se, indignado, com o insulto que é alguém duvidar das intenções democráticas de um partido com tão genuínos registos de luta pela liberdade e democracia. Até pode ter razão, mas a questão é que este já não é esse partido socialista. Agora, aparentemente, está entregue a uns aprendizes de feiticeiro que ficaram fascinados com o Patriot Act.

publicado por Pedro Sales às 07:18
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O Sócrates, estadista global, não se lembra do José, poluidor nacional
José Sócrates defendeu, na Conferência sobre as alterações climáticas promovida pela ONU, que “os países mais desenvolvidos têm que acordar metas em torno da redução de emissões". Intervindo como presidente em exercício da União Europeia, Sócrates referiu que a União está "preparada para reduzir as emissões de dióxido carbono (CO2) em 30 por cento até 2020".

Fica-lhe bem tanta ambição. O problema é que é difícil dissociar o José Sócrates presidente em exercício da União Europeia, do José Sócrates primeiro-ministro de Portugal, um dos poucos países europeus que se está a afastar dos objectivos do Protocolo de Quioto. Num relatório de Junho deste ano, a Agência Europeia de Ambiente chama a atenção para que, entre 1990 e 2005, Portugal aumentou as emissões de gases responsáveis pelo efeito de estufa em 42,8%. No mesmo período, a União Europeia dos 15 diminuiu a emissão de CO2 em 1,5% e a União dos 27 em 7,9%. Mas não se pense que o cenário tem propensão para melhorar. Em 2004-05, quando os outros países estavam a diminuir as emissões, Portugal subiu mais 1%. Até 2012, temos que dimínuir o excesso de emissões, relativamente a 1990, dos 42,8% para os 27%, caso contrário começaremos a pagar centenas de milhões de euros pelos direitos de emissão de CO2.

Faz efeito, e até dá uma certa pose de estadista em sintonia com o seu tempo, ir ao estrangeiro prometer que a Europa vai melhorar a eficiência energética e diminuir os níveis de poluição. Convinha era que não fôssemos precisamente nós a estragar a pintura. Durante os 15 anos em que os níveis de CO2 nacionais estiveram a disparar de forma alarmante, José Sócrates teve responsabilidades directas, na pasta do ambiente ou como primeiro-ministro, durante seis anos. Um registo 100% verde, como se vê.

publicado por Pedro Sales às 02:52
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Terça-feira, 25 de Setembro de 2007
Erro de casting
A Sic Notícias convidou hoje um jornalista do Correio da Manhã para comentar as eleições directas do PSD. Fizeram mal. Atendendo à forma e ao conteúdo da campanha, deviam ter escolhido este voluntarioso trio. São os maiores especialistas nacionais em chapeladas decididas pelo "sistema" e conseguem falar, durante horas, sobre os pormenores mais insignificantes decididos em obscuros órgãos de jurisdição. A campanha do PSD foi feita para eles. É uma pena que a SIC esteja a desprezar, de uma forma tão ostensiva, a prata da casa que lhe tem dado tão boas audiências.

publicado por Pedro Sales às 17:59
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Rabos de palha
Fotografia: (metrografismos)

Há pouco mais de uma semana, Marcelo Rebelo de Sousa disse que os dois candidatos à liderança do PSD deviam falar dos seus “rabos de palha”. Não foi preciso esperar muito, eles por si. Se a campanha já tinha demonstrado um vazio ideológico e programático que ficou bem espelhado no triste e inócuo debate televisivo, as notícias dos últimos dias são elucidativas sobre o estado a que chegou o PSD.

Quando são os próprios dirigentes que falam em “arrebanhamento de votos”, as regras eleitorais são alteradas para permitir que os militantes açorianos (que se pensa irem escolher Marques Mendes) possam votar sem terem as quotas em dia, ou se assiste a uma corrida às caixas multibanco, a altas horas da noite, para pagar centenas de quotas, dá para perceber quão ilusória é a ideia de que um dia a boa moeda tomará conta deste partido. A deriva populista de Menezes ou a ausência de estratégia de Mendes são o PSD que existe. Vazio, e sem nada para oferecer que o distancie programaticamente de um partido socialista que invadiu a sua área política. É essa a razão da crise do PSD. Marques Mendes e Luís Filipe Menezes são os protagonistas secundários.

Há demasiados anos que o PSD oferece este espectáculo. Santana Lopes, no país, ou Carmona Rodrigues, em Lisboa, são memórias bem frescas para alguém acreditar que a boa moeda aparecerá num qualquer dia de nevoeiro. O PSD há muito que está tomado pela má moeda. É ela que paga as quotas às duas da manhã e é ela que decide quem será o novo líder. A lógica é exemplarmente descrita hoje, no Diário de Notícias, por esse vulto do santanismo, Rui Gomes da Silva, que vota Menezes porque este é o "único capaz de ganhar eleições". É a única coisa que move esta gente. Voltar ao poder, ganhando eleições. Não espanta, pois, que nenhum dos candidatos tenha apresentado um programa eleitoral e se tenha importunado em apresentar alguma proposta para o país. Isso são minudências que não tiram o sono a esta gente. A essa hora estão nas caixas multibanco a lutar pela sua perpetuação no aparelho do partido.

publicado por Pedro Sales às 17:21
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A "benção da liberdade"
Apesar de todos os esforços e protestos do governo Iraquiano, os mercenários da Blackwater vão permanecer neste país e já retomaram mesmo as suas operações. Ao abrigo de uma lei aprovada pelo antigo administrador americano no Iraque, Paul Bremer, o Governo iraquiano não tem jurisdição sobre os actos destas companhias de mercenários. São inimputáveis por todas as mortes e crimes cometidos, tornando o Iraque numa versão moderna do velho oeste norte-americano.

A democratização do Médio Oriente começa em Bagdad e vai até Riade, assegurava há uns anos José Manuel Fernandes, quando ainda lhe escorria uma “lágrima furtiva” ao ver os soldados americanos entrarem em Bagdad para fazerem um novo “25 de Abril”. Era este o nível do debate há 4 anos, quando a imprensa estava ocupada por artigos a defender a ocupação do Iraque para garantir a a democracia, a liberdade e a soberania ao povo iraquiano. Embrenhados na sua retórica, esqueceram-se foi de nos explicar que a soberania nacional e o estado de direito têm limites muito precisos, só se aplicando quando não põem em causa os interesses e negócios da administração Bush.

Faz hoje uma semana que George Bush agradeceu a José Sócrates a sua contribuição, e o apoio do povo português, para que o povo iraquiano descobrisse a "benção da liberdade". Talvez por estar pouco à vontade com o inglês técnico, o primeiro-ministro não reagiu à forma como Bush o vinculou a uma estratégia pela qual já ninguém quer dar a cara.
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publicado por Pedro Sales às 08:04
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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2007
É o que dá ganhar no casino, dá a volta à cabeça das pessoas
O arrebanhamento de votos no PSD continua. Segundo o Diário de Notícias, quatro militantes terão pago as quotas a mais de 3000 militantes. Na Figueira, por exemplo, alguém pagou mais de 200 quotas de militantes, no mesmo terminal de multibanco, por volta das duas da madrugada - tudo num intervalo de poucos minutos.”

publicado por Pedro Sales às 18:35
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A autonomia regional, versão PSD: nos Açores não se paga, na Madeira pagamos nós
Apenas 36 dos 8217 militantes do PSD nos Açores têm as quotas em dia. Segundo a direcção do PSD, faz parte das tradições do partido não pagar as quotas nos Açores, em nome da autonomia regional.

publicado por Pedro Sales às 18:34
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Domingo, 23 de Setembro de 2007
when the circus came to town

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Entronização dos Ministros da Agricultura da União Europeia, Porto, Reunião Informal de Ministros da Agricultura, Setembro de 2007.

Em tempos supostamente menos democráticos, os senhores e o seu séquito passavam todo o ano a cavalo, de lugarejo em lugarejo, demonstrando o seu poder e recolhendo as suas rendas. Juntavam-se regularmente na corte, numa qualquer capital de província, onde reviam as velhas amizades guerreiras e decidiam os destinos da suja populaça.

Certo dia este périplo acaba, uma família ganha ascendência, o poder central fortalece-se e o rei, resplandecente, reina absoluto. Até o Pat Buchanan sabia que assim seria a história. Só falta dizerem ao povão. Por decreto claro está, que isto da ralé pronunciar-se sobre quem manda é coisa que já passou de moda.


publicado por Vasco Carvalho às 23:13
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Sabe mais do que um miúdo de 10 anos?
Para quem gosta do Tetris e tem vontade de testar os seus conhecimentos geográficos, o Statetris é o jogo ideal. Pode-se jogar com diversos continentes e países. A Carolina do Sul, que como se sabe é uma região dos EUA a necessitar urgentemente de mapas, também não foi esquecida.
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publicado por Pedro Sales às 12:57
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Já que ninguém o faz, resta sempre Paulo Portas para lembrar que o Paulo Portas é o máximo
Paulo Portas convicto que tem “missão a cumprir” como “alternativa” ao Governo. “Ontem ficou claro que o líder da oposição de quem o primeiro-ministro, José Sócrates, não gosta é o líder do CDS/PP", declarou o líder do Partido Popular.

Paulo Portas tirou Ribeiro e Castro do lugar que lhe “emprestou” durante dois anos, dizendo que só ele é que tem condições para obter um bom resultado em 2009. Ganhou as eleições do partido e afirmou que, com ele, passaria a existir uma oposição “firme e credível”. Quis transformar as eleições de Lisboa num teste à sua liderança e, depois do descalabro eleitoral, ameaçou pôr o Estado em tribunal por causa de uma alegada campanha do Ministério Público para acabar com a sua carreira política. O universo do líder do partido popular começa em Paulo e acaba em Portas.

Existindo a hipótese - remota, claro -, de ainda existir alguém que não se tenha apercebido da excelência política que ocupa a primeira fila do PP no Parlamento, e da oposição sem quartel que faz ao Governo, cá está Paulo Portas para nos chamar a atenção, na terceira pessoa, para a sua genialidade. Um dia destes talvez diga o que propõe.

publicado por Pedro Sales às 12:36
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Sábado, 22 de Setembro de 2007
Parque Natural das Pedreiras da Arrábida
As autarquias atravessadas pelo Parque Natural da Arrábida acusam o Governo de pressionar o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade para “isentar a SECIL da necessária avaliação de impacto Ambiental, para a ampliação das pedreiras que a empresa explora no Outão”. A notícia vem na edição de hoje do “SOL”, onde também se pode ler que o governo socialista revogou, em 2005, a legislação que impedia a ampliação das quotas de extracção no Parque Natural. Resultado: a SECIL pode estar prestes a conseguir aumentar as quotas, permitindo a “extracção do dobro da massa mineral (36 milhões de m3) e o prolongamento por mais 23 anos da actividade da SECIL na Serra da Arrábida, até 2044”.

Aqui chegados, vale a pena recordar que, em 1948, as pedreiras na Arrábida ocupavam 10 hectares, valor que subiu para os 40 hectares em 1958, 170 em 1978. Actualmente são 320 hectares, contribuindo para o cenário lunar de uma parte considerável das encostas da serra da Arrábida. Em 2001, o ministro do ambiente deu uma entrevista à RTP dizendo que “as pedreiras na Arrábida têm que ser fortemente limitadas”. O ministro dava pelo nome de José Sócrates.

Para além das cada vez mais comuns acusações de governamentalização dos organismos públicos, , o “SOL” refere que a SECIL forneceu um milhão de euros ao ICNB para a plantação de pradarias marinhas. “Um projecto que foi muito conduzido pela Secretaria de Estado”, como aliás se viu na televisão, com as imagens do secretário de Estado a mergulhar na baía de Sesimbra. Pode não ter nada a ver, mas o financiamento directo de um instituto público por uma empresa privada que depende de um voto favorável desse mesmo organismo, deveria, pelo menos, levar o Governo a ter algum cuidado e cautela. Há dinheiro que queima.

publicado por Pedro Sales às 14:18
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