Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007
Uma desculpa esfarrapada
O Governo, em declarações à Lusa, indicou que a interrupção da regularização de trabalhadores estrangeiros ilegais se deveu aos “indícios da existência de pessoas que, enganosamente, procuram difundir e influenciar imigrantes no sentido de os convencer de que o artigo 88.º permitiria requerer ao SEF a sua regularização extraordinária”. (Público, 31 Agosto, sem link) Pelo meio deixou no ar que os "intermediários inescrupulosos" são advogados. É uma desculpa, no mínimo, original. Quem sabe, não veremos o Governo daqui a uns dias a dizer que suspendeu a cobrança do IVA por causa das fraudes, ou a anunciar o fim da acção social escolar porque há famílias que fazem falsas declarações de rendimentos. Fica apenas uma dúvida. Quando é o governo que não cumpre a lei, como é que é? Suspende-se o ministério, a ministra, ou fica tudo na mesma?

Quando alguém não cumpre a lei, tenta-se descobrir o esquema e julgar os infractores, não se suspende a aplicação da legislação, como José Magalhães nos quer fazer acreditar que esteve na origem da motivação governamental. Como é bom de ver, ninguém suspendeu esta medida por causa de advogados pouco escrupulosos, nem por causa da invasão de imigrantes à espera da legalização. Ao contrário do que sucedeu em Espanha e Itália, onde foram abertos processos extraordinários de legalização, o Governo socialista sempre recusou esse processo. Não sei se as associações de imigrantes estão certas quando falam em mais de 100 mil ilegais no nosso país. Serão, certamente, muitos milhares. Já cá estavam, não foi preciso nenhuma "invasão" de paquistaneses ou indianos. Muitos estão cá há anos, inscritos e a descontar para a segurança social. São os párias da nossa sociedade, de onde só conhecem os deveres e quase ninguém se preocupa com os seus direitos. Não aparecem nas estatísticas, não têm voz, não existem.

Ao pé do emprego da minha mulher trabalha uma dessas imigrantes que o governo desconsidera. Brasileira, está há mais de 3 anos no mesmo café. Sem papéis, trabalha 12 horas por dia, seis dias por semana. Está grávida e teve várias hemorragias. Devia estar em casa a descansar, mas está a trabalhar com medo de perder o emprego e das ameaças do patrão. O que devia estar nos jornais não é a magna questão de saber se a advocacia é “uma profissão séria e de gente séria”. É o tratamento que o nosso país dá a esta gente, os novos escravos do século XXI. Há "intermediários inescrupulosos", diz o Governo. Deviam ter vergonha e olhar para as leis de imigração que têm sido aprovadas em Portugal.

publicado por Pedro Sales às 16:58
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Pode parecer estranho, mas estão a falar da mesma coisa
Hospitais EPE com resultado mais negativo que o previsto: Os 35 hospitais com gestão empresarializada (EPE - Entidade Pública Empresarial), no seu conjunto, fecharam o primeiro trimestre deste ano com um saldo negativo de 127,9 milhões de euros, quase o dobro do que estava orçamentado (71,3 milhões). E apenas oito das 35 unidades apresentam resultados positivos, três das quais já tinham dado lucro no ano passado . Um número que o Ministério da Saúde já disse que queria ver chegar aos 25 no prazo de dois anos. Jornal de Notícias, 31 de Agosto de 2007.

Prejuízo dos hospitais EPE caiu 57,4 por cento no primeiro semestre: Os 35 hospitais transformados em Entidades Públicas Empresariais (EPE) diminuíram o seu prejuízo em 57,4 por cento no primeiro semestre do ano face ao mesmo período do ano passado, para 127,9 milhões de euros, anunciou hoje o Ministério da Saúde. Público, 31 de Agosto, via Lusa.

Ambos os números estão correctos e as duas leituras são legítimas. A diferença é que o JN, apesar de dar destaque ao incumprimento governamental, reconhece que os resultados são "uma franca melhoria". Já o Público, que se baseia na Lusa, omite totalmente o gritante incumprimento das metas orçamentais traçadas pelo Governo. Vá-se lá saber porquê.

PS:A ler, A ERC deve estar de férias, por Pedro Correia, no Corta-Fitas.

publicado por Pedro Sales às 15:28
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Nem as asas do senhor nos protegem do terrorismo
A companhia de voos low cost inaugurada pelo Vaticano já estabeleceu as primeiras ligações aéreas entre Roma e Lourdes, mas a fé nas capacidades do Senhor tem os seus limites. Na primeira viagem, os seguranças confiscaram a água santa dos peregrinos invocando as precauções contra o terrorismo. Dezenas de pessoas, a maioria dos quais levavam pequenas imagens da Senhora com a esperada água milagrosa para os familiares doentes, ficaram a perceber que há mais hipóteses desta água devolver a visão a alguém do que contornar a legislação anti-terrorista.
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publicado por Pedro Sales às 10:38
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Dúvidas

Publicidade para o Renault Dauphine, anos 60, Brasil

Há só uma dúvida que me fica na cabeça. Quem estará a mentir: a publicidade brasileira dos anos 60, anunciando 16 quilómetros por litro ou a indústria automóvel actual, anunciando um admirável mundo novo no que diz respeito ao consumo de combustíveis? É que o Toyota Prius, referência global da solução eco-consciente para o novo milénio, faz uns estrondosos 17,5 km por litro.

Mesmo admitindo a falsidade de publicidade com 40 anos, o facto é que as estatísticas para os EUA mostram bem que de 1980 ao Prius não há um corte radical, mas uma lenta evolução: um automóvel novo nos EUA fazia em média 10 km/litro em 1980, 11 km/litro em 1990 e perto de 13 km/litro em 2000.

Ao mesmo tempo, e por estes dias, na Shell eco-marathon(sic) correm protótipos que chegam aos 3000 km por litro, ordens de magnitude de diferença. É certo que do protótipo à comercialização vai um grande passo, mas já podíamos começar a pôr os travões (metáfora rasteira, eu sei) ao imenso spin verde que envolve os actuais modelos comerciais 'amigos do ambiente'. Servirá para vender jornais da especialidade, preencher o vazio na televisão ou mesmo para massajar o ego do suposto consumidor consciente. Mas não venham com a conversa da 'nova mentalidade eco-responsável para um novo milénio'. É que com amigos como estes...

publicado por Vasco Carvalho às 06:13
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Quinta-feira, 30 de Agosto de 2007
Obviamente, sou contra
Vital Moreira respondeu, no Causa Nossa, às objecções que eu e o João Rodrigues levantámos ao seu artigo no Público defendendo os empréstimos bancários aos estudantes universitários. Rejeitando que se trate de um desinvestimento do Estado, Vital Moreira deixa uma “questão simples: para os destinatários, trata-se ou não de uma medida vantajosa e bem-vinda?"

De uma forma simples, então, convém dizer que é normal, e até é "uma medida vantajosa e bem-vinda", que o Estado estabeleça protocolos com instituições bancárias para oferecer taxas de juro e garantias mais favoráveis aos jovens estudantes. Coisa bem diferente é criar a ilusão que esta medida democratizará o acesso ao ensino superior, como o defende Vital Moreira e é garantido pelo primeiro-ministro: "A medida deve entrar em vigor já este ano lectivo e o objectivo é garantir que ninguém deixa de frequentar um curso superior por falta de condições económicas". Para isso existe a Acção Social Escolar, ou deveria existir, dado que a bolsa média anda nos 49 euros. Um dinheirão que mal dá para pagar metade das propinas (para quem não sabe, os bolseiros não estão isentos), quanto mais para custear as inúmeras despesas da frequência universitária.

Não é sério analisar esta medida desligada do contexto vivido no ensino superior, nomeadamente do seu financiamento. Não deveria ser preciso lembrar que, apesar de sermos o país mais pobre da UE15, temos as quintas propinas mais caras e o Estado investe menos de metade da média europeia em acção social. Os tais 49 euros por mês. É por aqui que passa a discussão da democratização, e não por esquemas de empréstimos que - conjugados com o aumento de propinas, como defende Vital Moreira - tão maus resultados estão a dar nos países que os adoptaram. Bem sei que o primeiro-ministro já garantiu que não aumentará as propinas nem desinvestirá na acção social. Mas, e quem vier a seguir? António Guterres, há 10 anos, indexou as propinas ao salário mínimo e garantiu que as mesmas seriam sempre para aumentar a qualidade das instituições, nunca para pagar despesas de funcionamento. Pois. Hoje, enquanto o salário mínimo se fica pelos 400 euros, as propinas já vão nos 900 e há muito que os reitores dizem que o seu dinheiro vai todo para pagar salários.

Nestas coisas das taxas e propinas, sabe-se como se começa mas nunca se sabe onde é que vai acabar. Ou sabe, termina sempre na desresponsabilização progressiva do Estado e na diluição das suas responsabilidades na democratização da frequência universitária, trocando-a por uma lógica cada vez mais mercantil em que passaremos a ter clientes financiados por um contrato celebrado com um operador bancário. Mesmo que, com esta medida, não gaste menos um cêntimo, o que é verdade, o Governo está a passar a mensagem de que o suporte financeiro para os alunos completarem os estudos é a banca. Por isso a minha resposta é também simples. Sou contra este regime de empréstimos.

PS:Vale a pena ler a resposta do João Rodrigues sobre o mesmo tema.
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publicado por Pedro Sales às 12:49
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Quarta-feira, 29 de Agosto de 2007
you can run but you can't hide


publicado por Vasco Carvalho às 19:45
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Democratização liberal
O João Rodrigues, no Ladrões de Bicicletas, diz quase tudo o que há a dizer sobre o mais recente artigo de Vital Moreira no Público, nomeadamente quando afirma não compreender como é que “o novo regime de crédito para estudantes do ensino superior é parte do processo de democratização do acesso à universidade”.

De facto, a experiência nos países que já seguiram esse caminho – conjugado com o aumento de propinas, também proposto por Vital Moreira - demonstra precisamente o contrário. Em Inglaterra, quando essa questão se colocou, surgiram várias notícias indicando que 63% dos jovens que não pretendiam frequentar o ensino superior faziam-no com receio do endividamento. Os elevados custos da frequência universitária são, também, uma das razões apontadas para o maior abandono escolar e percursos académicos mais curtos dos estudantes mais pobres (normalmente em escolas técnicas).

Num país como o nosso, em que todos os dias surgem notícias sobre a precariadade laboral da "geração 500 euros" e os 56 mil desempregados licenciados, não é difícil perceber as consequências sociais da generalização de um sistema de empréstimos associado ao aumento das propinas. É a fórmula mais certa para afastar os mais pobres do ensino superior e nunca para o democratizar, como parece acreditar Vital Moreira.

Os defensores do sistema de empréstimos não se cansam de dizer que esta medida chega atrasada ao nosso país, dando o exemplo dos EUA ou da Inglaterra. Deviam olhar com mais atenção, ler um bocado, e constatar que nem sempre é mau estar atrasado. Dá tempo para evitar os erros que outros já cometeram. Pena é que a lógica liberal se sobreponha, quase sempre, às evidências nas decisões mais estratégicas para o futuro do país.
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publicado por Pedro Sales às 16:14
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Terça-feira, 28 de Agosto de 2007
a especialização geográfica do império
O novo casino de Macau, o Venetian

"Macau, the world's busiest gaming hub, is the only place in China where casinos are legal. Macau last year overtook the Las Vegas Strip in revenue. Sands says the new Venetian is twice the size of its Las Vegas namesake resort, and is the world's second- largest building after Aalsmeer flower market in the Netherlands." [Bloomberg]

E o Ho? Stan, como é que é? A vida era mais fácil no século passado, não?
Faltam 6 semanas para o 17º congresso do PCC.

publicado por Vasco Carvalho às 18:09
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You're never gonna get any truth from us

Network, Sidney Lumet, 1977

publicado por Vasco Carvalho às 16:46
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Neurocepticismo
The Psychology of Subprime Mortgages, citando George Lowenstein, "[Our emotions] are not always well suited to the decisions we make in modern life. It's important to know how our emotions lead us astray so that we can design incentives and programs to help compensate for our irrational biases."
(via Frontal Cortex)

Continuo céptico.


publicado por Vasco Carvalho às 05:46
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No local errado, à hora errada
Daqui a dois dias o Estado do Texas vai executar Kenneth Foster com uma injecção letal, mais um condenado a juntar a uma longa lista com outros 400 nomes. Mas, mesmo no Texas, esta execução é um caso único e inédito. Kenneth não matou ninguém. No seu julgamento ficou provado que não disparou, nem tocou, em nenhuma arma e que estava a mais de 25 metros do local onde decorreu o homicídio que está na origem desta inacreditável decisão judicial.

Mas, apesar do verdadeiro autor do crime ter confessado agir por mote próprio e sem conhecimento dos seus companheiros no assalto que originou o homicídio, Kenneth Foster vai ser executado porque o tribunal considerou que podia ter previsto e impedido uma morte que não foi premeditada. Na origem desta inédita decisão está a “law of parties”, uma controversa lei que elimina a distinção entre o responsável criminal e os seus cúmplices - mais não seja porque os últimos têm a obrigação de prever a possibilidade do crime.

Kenneth Foster não disparou a arma do crime, não o incitou, nem combinou. Condenar alguém pela cumplicidade num crime pressupõe que exista premeditação e conspiração. Ora, a absoluta loucura deste caso é que uma lei concebida para punir a cumplicidade está a ser usada para condenar um homem num crime onde esta não existiu. Uma decisão puramente especulativa que deveria envergonhar mesmo o mais fervoroso defensor da pena de morte. Nos corredores da morte do Texas estão mais 80 prisioneiros à espera de execução com base nesta mesma lei.

publicado por Pedro Sales às 05:38
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A vizinha do Cabral


Miss Teen America 2007, concorrente da Carolina do Sul. such as South Africa, the Iraq and the Asian countries, everywhere like such as and, so that we'll be able to build up our future... for our children. O espantoso não é que não faça sentido. É que esteja quase a fazer, que milhões sigam na TV, ano após ano, a versão articulada da mesma incoerência.

publicado por Vasco Carvalho às 04:47
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Segunda-feira, 27 de Agosto de 2007
os miudos do milho, um pesadelo de adultos
O filme do Verão 2007 em Portugal. Um pesadelo de adultos num hectare de milho transgénico próximo de si. Fala-se na produção de "Miúdos do Milho II, A Vingança do Milho", onde todas as crianças são mortas com requintes de malvadez. Rated "Terrorista" por imagens chocantes de milho brutalmente ceifado.



publicado por Filipe Calvão às 05:10
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Domingo, 26 de Agosto de 2007
Escravo da banca
Na Europa dos 15 não existem propinas na Dinamarca, Grécia, Luxemburgo, França, Finlândia e Suécia. Na Alemanha, o Tribunal Federal colocou um ponto final na gratuitidade, remetendo a questão para os governos locais. A esmagadora maioria das faculdades continua sem propinas.

Portugal é o quinto país da União Europeia onde as propinas são mais elevadas, 900 euros, e o segundo em que o Estado investe menos dinheiro por aluno, 6000 euros. Pior só a Grécia, com 4285 euros anuais. Aqui ao lado, a Espanha despende 8399€, a Itália 10161 e a França 10332. Em nenhum país escandinavo a despesa fica abaixo dos 13 mil euros, valor também atingido pela Alemanha, Irlanda e Dinamarca.

Na acção social escolar o panorama não é mais animador. O nosso país fica em penúltimo lugar na percentagem de dinheiro destinada ao apoio dos estudantes mais desfavorecidos, com 6,7% do investimento total. Mais uma vez, pior só a Grécia, com 5,8%. A França investe 8,1% em bolsas, a Espanha 8,5%, Alemanha e Reino Unido à volta de 10%. A Holanda ultrapassa os 20% e a Dinamarca gasta 33% do total.

A bolsa média em Portugal é de 49 euros mensais - refere o Público de sexta-feira, citando o Eurostudents 2005 - enquanto as despesas se ficam pelos 575. Perante este cenário o que faz o Governo? Investe na acção social? Não, corta no investimento no ensino superior público (só na Universidade de Lisboa, os cortes anunciados para 2008 ascendem a 10%) e introduz um regime de empréstimos, com um spread baixo, mas taxas de juro superiores ao que já existe no mercado e que os jovens terão que começar a pagar mesmo que não tenham emprego. O ministro Mariano Gago resume este novo convite ao endividamento das famílias, dizendo que quem não tem a certeza que poderá pagar não deve contrair o empréstimo. Num país com 56 mil licenciados no desemprego, pressupõe-se que só sabe que pode pagar o empréstimo quem já não precisa dele porque tem os pais como avalistas.

José Sócrates, primeiro-ministro socialista, defende o sistema de empréstimos dizendo que a Acção Social Escolar não vai acabar. Há dez anos, António Guterres, outro primeiro-ministro socialista, dizia que o dinheiro das propinas seria destinado para aumentar a qualidade do ensino e nunca para gastar em salários e despesas de funcionamento, um facto há muito negado por todos os reitores. A história repete-se; primeiro como tragédia, depois como farsa.

PS: Os números são referentes a 2005. Quem quiser consultar os números da OCDE referentes a 2003, ponderados por Paridades de Poder de Compra, pode encontrar aqui o documento Education at a Glance 2006.

publicado por Pedro Sales às 15:09
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Sábado, 25 de Agosto de 2007
Eu hei-de ir

Ceifeiros de Cuba, Cuba, Alentejo.

E enquanto não vou, ouço os contos, aqui
(via derterrorist)

publicado por Vasco Carvalho às 22:08
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Ovos com bacon e Peste & Sida

Peste & Sida, Repressão Policial. Ao vivo, 2007, Moita.

ou preferem um bitoque?

publicado por Vasco Carvalho às 19:27
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O fado do 31
No 31 da Armada, o Francisco Mendes da Silva gostou tanto da forma como o Mário Crespo conduziu a entrevista a Francisco Louçã que até fez o favor de a resumir “para quem não viu”. Parece que ele também não, mas o que importam essas minudências quando se pode inventar que o Mário Crespo se queixou de que o seu computador estava a ser inundado de “hate mail” anónimo proveniente de computadores do Bloco de Esquerda. A entrevista pode ser vista aqui e, como se pode verificar a partir dos 14’ 35, nada disso é dito ou mesmo sugerido. Uma falsidade que, passados 4 dias, se mantém no blogue sem nenhum reparo dos autores.

Não é a primeira vez que, no espaço de uma semana, o 31 da Armada inventa declarações e sugere ligações que os seus próprios links desmentem. Não deixes que a verdade perturbe uma boa história, podia ser a máxima destes simpáticos rapazes que, apesar de passarem a vida a mandar piadas, não são para levar a sério.

Ai, ó larilólela, como este não há nenhum
Tudo bate em Portugal, o fado do 31

publicado por Pedro Sales às 14:39
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"Iraq is just like Vietnam, but in a good way"





"In what is perhaps the strangest turn in the president's effort to rally support, he agreed that Iraq is just like Vietnam, but in a good way -- and that our only mistake was not starting that war, but ending it." Jon Stewart, responde à declaração de George Bush, comparando a eventual retirada do Iraque com o Vietname. A intervenção de Bush pode ser vista aqui.
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publicado por Pedro Sales às 12:04
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Sexta-feira, 24 de Agosto de 2007
Não era mais fácil fazer o Estado cumprir a lei?
Cavaco Silva vetou o Regime de Responsabilidade Civil Extracontratual do Estado, um diploma que foi aprovado por unanimidade, e que garante o direito aos cidadãos que se sentem lesados pelo Estado de recorrerem aos tribunais para reclamar uma indemnização. Diz o Presidente da República que, a ser aprovado, este diploma teria “consequências financeiras cuja razoabilidade em termos de esforço fiscal é questionável”.

Vamos a ver se compreendi. O Presidente da República acha que o Estado passa a vida a meter os pés pelas mãos, e, portanto, em vez de defender o cumprimento da lei pelo Estado, impede que os cidadãos reclamem quando se sentem lesados! Extraordinário argumento em favor da impunidade de quem deve ser o primeiro a dar o exemplo, revelando até onde pode ir o desvario da obsessão com o défice.

publicado por Pedro Sales às 16:35
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Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
A edição de hoje do Público diz que a Procuradoria Geral da República admite “equacionar a abertura de um novo inquérito para apurar se o donativo da Somague ao PSD motivou a prática de outros crimes, designadamente corrupção e tráfico de influências”. Perante os dados apurados, a PGR julgou estar-se perante uma “fraude fiscal simples”.

Isto há coisas extraordinárias. O Tribunal Constitucional remete informação a indicar que uma das principais construtoras civis, natural concorrente a dezenas de concursos públicos, paga, por baixo da mesa, uma despesa de 233 mil euros ao partido que está no governo e ninguém, na PGR, se lembrou de ir verificar os negócios em que a Somague, alegadamente, terá sido beneficiada pelo Governo PSD. O Público, que não tem os meios de investigação da Procuradoria Geral, precisou apenas de um dia para vir com uma história bem complicada para o PSD.Custava assim tanto?

A mesma passividade acontece agora com o PS, e a trapalhada do financiamento da campanha no Brasil, envolvido no meio do escândalo da máfia dos bingos. Em Maio, Jorge Galamba, vogal da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP), e militante socialista, declarava que o PS não podia omitir as despesas feitas no Brasil. “Senão não faria sentido. Os partidos angariavam dinheiro em qualquer outro país para pagar cartazes em Portugal”. Infelizmente, tanta convicção perdeu-se pelo caminho, agora que o acórdão assinado pelo Tribunal Constitucional, seguindo os apuramento feitos pela (ECFP), não dedica uma linha ao financiamento da campanha do PS no Brasil. O assunto morreu. Até, claro, um jornal qualquer pegar no assunto e Jorge Galamba vir dizer, como o fez ontem a PGR, que não conhecia a “extensão” dos factos “divulgados na imprensa”.

Actualização: A edição de hoje do Expresso refere que a ECFP está a analisar o financiamento da campanha do PS no círculo da emigração, tendo pedido a colaboração da PJ na investigação. Menos mal, esperamos é que não seja necessário esperarmos cinco anos para sabermos o que realmente se passou na campanha do PS no Brasil.

publicado por Pedro Sales às 16:06
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Nonsense legislativo
O Decreto-lei 160/2005, de 21 de Setembro, regula o cultivo de variedades geneticamente modificadas, visando assegurar a sua coexistência com culturas convencionais e com o modo de produção biológico. O artigo 12, do mesmo decreto, regulamenta o “estabelecimento de zonas livres de cultivo de variedades geneticamente modificadas”, remetendo a sua regulamentação para legislação própria.

Um ano depois, através da Portaria 904/06, de 4 de Setembro, o Governo ”Estabelece as condições e o procedimento para o estabelecimento de zonas livres de cultivo de variedades geneticamente modificadas”, conferindo “aos municípios a iniciativa de requererem o estabelecimento de zonas livres, mediante a observação de determinadas condições e no respeito pela vontade dos agricultores de uma dada zona”. Tem sentido. Descentraliza a decisão, entregando a competência aos municípios, se for essa a vontade expressa de, pelo menos, dois terços dos agricultores. Mas, e há quase sempre um “mas” nestes obscuros documentos, a mesma portaria especifica que, “caso algum agricultor da área proposta para zona livre declare por escrito a vontade de não participar na mesma, a assembleia municipal fica impedida de prosseguir com o pedido de estabelecimento”.

De acordo com a lógica das melhores cenas dos Monty Python , o Governo decreta a existência de zonas livres de transgénicos, conferindo às Assembleias Municipais o poder para as criar, mas, no mesmo documento, decreta que basta a vontade de um agricultor para todo esse esforço legislativo ser inócuo e improcedente. Das duas uma. Ou não existem zonas livres de transgénicos, ou, havendo, e sendo a sua competência dos municípios, não tem sentido nenhum contornar, através de um esquema, o seu cumprimento. Mais a mais, quando são os próprios organismos estatais, como o ICN, que impedem a criação de zonas livres, num claro sinal de que nem o Governo leva a sério a legislação que faz publicar em Diário da República.

Este caso tornou-se mediático, mas não é exemplar único. São dezenas de portarias, decretos e projectos e propostas de lei que são sabotadas na sua regulamentação, autênticos buracos negros que desafiam qualquer lógica. Para elaborar estas obras-primas da burocracia, o governo envolve vários assessores, chefes de gabinete, solicita pareceres jurídicos e envolve os ministros e secretários de Estado, que os assinam. Da próxima vez que o Governo falar da falta de produtividade do país, talvez fosse bom alguém perguntar a José Sócrates quanto é que o erário público gasta em embustes legislativos como este que não servem rigorosamente para mais nada que do que para o Governo mostrar que trabalha.

publicado por Pedro Sales às 15:21
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Quinta-feira, 23 de Agosto de 2007
230 000 Euros? No problem (update)


Actualização, já incluindo a estratégia de Marques Mendes. A partir da frase de topo seguir: yes, yes, I know, yes, yes.

Did it work? NO!

PS: é oficial, o Blasfémias e o Insurgente não têm opinião sobre o assunto.

publicado por Vasco Carvalho às 16:49
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Uma comparação que deve ter sossegado os americanos...




George Bush é um homem desesperado. Ontem, falando numa convenção de veteranos de guerra no estrangeiro, comparou a guerra no Iraque com o Vietname, uma analogia que recusou durante vários anos. Para Bush, a retirada das tropas terias as mesmas consequências desastrosas que o fim da presença militar americana no Vietname. Vale a pena ver a excelente cobertura que a MSNBC fez destas polémicas declarações.

O discurso, integral, de George Bush pode ser lido aqui.

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publicado por Pedro Sales às 15:28
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Quem é amigo, quem é?
Não foi preciso muito. Um dia depois de se conhecer que a Somague financiou o PSD à margem da lei, a edição de hoje do Público mostra como, um mês e meio depois desse providencial cheque, a Somague foi beneficiada por uma decisão do Governo PSD. Curiosamente, o responsável por essa decisão foi o secretário de Estado das Obras Públicas, Vieira de Castro, que era o responsável financeiro do PSD quando este partido enviou uma despesa de 233 mil euros para facturação na Somague.

Uma das primeiras decisões políticas anunciadas pelo então secretário de Estado das Obras Públicas, Vieira de Castro, foi a de pedir ao Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República (PGR) um parecer jurídico para esclarecer "algumas dúvidas" relativas à concessão da auto-estrada Litoral Centro à Brisa. A Procuradoria considerou, passado poucos meses, que as “dúvidas” de Vieira de Casto não tinham cabimento, mas, entretanto, a Somague já tinha deixado de se lamentar da “posição dominante” da Brisa e tinha feito uma parceira com esta empresa, entrando desta forma na apetecível concessão da A17.

Ao contrário do que ontem tentava fazer crer o editorial do Diário de Notícias, o financiamento da Somague ao PSD não tem nada a ver com as sucessivas multas que os partidos recebem pelos erros administrativos e processuais nas suas contas. São condenáveis, claro, mas estão a léguas de ser uma “ilegalidade objectiva”. Uns dão multa decidida pelo TC, o segundo, à luz da lei actual, dá direito a pena de prisão e a pesadas coimas aos infractores. Misturar os dois casos é uma mistificação para desvalorizar o sucedido, como também o fez Pacheco Pereira, sempre tão atento e diligente para denunciar as mistificações e desvios da imprensa que não se coadunam com a sua agenda política.

publicado por Pedro Sales às 15:06
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Olha quem fala
A Polícia Judiciária não gostou da forma passiva como a GNR lidou com a destruição do campo de milho em Silves. Espera-se, com curiosidade, a resposta da GNR sobre a forma exemplar como a PJ deslindou o caso Maddie, também no Algarve.

publicado por Pedro Sales às 13:55
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The war as we saw it
Marine Wedding, Nina Berman, série Purple Hearts

A poucas semanas de ter de prestar contas sobre a situação desastrosa no Iraque, a campanha de contra-informação da administração Bush intensifica-se. Por isso mesmo, vale a pena ler the war as we saw it, o testemunho de seis sargentos do exército, recentemente publicado nas páginas de opinião do NYTimes.
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publicado por Vasco Carvalho às 02:24
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Quarta-feira, 22 de Agosto de 2007
A OPA que não dava para comprar um T5
Joe Berardo esteve semanas em tudo o que era jornal e televisão a comentar a vida interna do Benfica. Diz-se que queria comprar o clube. A novela OPA chegou ao fim na segunda-feira. Berardo tinha 145144 acções do Benfica, pouco mais de 1% do clube. Ao preço de 3,50 euros por acção, valor oferecido pelo comendador, são 508 mil euros, dinheiro que não dá para comprar um T5 em muitas freguesias de Lisboa. O DN entrevistou ontem o empresário perguntando-lhe o que pensa sobre o actual momento do clube. Berardo descobriu que a publicidade mais barata é arranjar sempre barulho mediático. Gasta 508 mil euros em meia dúzia de acções do Benfica e, como bónus, passa horas na televisão, rádio e em dezenas de páginas de jornais e revistas. É uma pechincha. O homem parece tonto mas é brilhante. A comunicação social nem por isso.
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publicado por Pedro Sales às 10:06
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230 000 Euros? No problem.

via pebkac thoughts.

Para interpretar o alegado financiamento ilegal do PSD seguir, a partir da frase do topo: yes, yes, I know, no, NO PROBLEM.
Vai uma aposta?
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publicado por Vasco Carvalho às 06:05
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Terça-feira, 21 de Agosto de 2007
Então, ilibamos? Ilibamos. Mas...condicionou? Condicionou.
"No entanto, um dos quatro conselheiros que assinam a deliberação, Luís Gonçalves da Silva, discordou, defendendo que “existem elementos probatórios no processo que revelam a prática por parte do primeiro-ministro (tanto através da sua própria intervenção, como do seu Gabinete) de actos condicionadores do exercício da actividade jornalística, relativamente ao jornal PÚBLICO e Rádio Renascença”."

A ler atentamente: o longo relatório da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, e em especial a declaração de voto de Luís Gonçalves da Silva no final do documento.

A ver também: a entrevista de Mário Crespo ao DN. "Protocensórios" é a palavra encontrada pelo jornalista para descrever a actual relação do Governo Português com os media.


publicado por Vasco Carvalho às 21:25
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Contas de Merceeiro
Possíveis agendas PSD para esta semana:

a) "Ilegalidades objectivas": violação da lei de financiamento dos partidos pelo PSD, no valor de 230 mil euros, indirectamente viciando o acto eleitoral autárquico de 2001. (ver também o post do Sales)

b) "Queixa crime", por parte de Fátima Oliveira contra o PSD no valor de 3996 euros e acusação de "manipular e censurar um acto eleitoral no partido"

c) "Destruição de menos de 1 hectare de milho", por parte de grupos de cidadãos que foram identificados pela GNR no local (e que portanto não deixarão de ser considerados culpados perante a lei, em tribunal); valor de 3900 euros. (ver post do Filipe)

Usar o megafone para c) e assobiar para o lado em a) e b) é só mais uma razão a juntar às muitas que fazem com que o PSD seja um partido em crise, pouco credível e pouco relevante para a discussão política em Portugal. E é pena, um partido Social Democrata a funcionar decentemente fazia falta em Portugal por estes dias. Se fica a este nível, mal por mal prefiro a rapaziada d´O Insurgente, que sempre tem mais entertainment value (as in Jerry Springer value).



publicado por Vasco Carvalho às 15:17
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