Sábado, 30 de Junho de 2007
Estilos...
Quando era ministro da Administração Interna do primeiro governo de António Guterres, Alberto Costa deu uma entrevista onde disse que “esta não é a minha polícia”. Foi o seu fim político nesse governo, sendo remodelado pouco tempo depois.

Correia de Campos, ministro da Saúde do governo de José Sócrates, dá uma entrevista onde diz: ”nunca vou a um SAP, nem nunca irei! Não têm condições de qualidade”. Continua na Governo, a exonerar e perseguir politicamente todos os que se lembram de recordar a célebre entrevista.

publicado por Pedro Sales às 18:56
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Um governo sem sentido de humor
Sejamos claros. Os únicos comentários "jocosos", neste lamentável episódio da exoneração da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, foram todos feitos pela mesma pessoa. O ministro Correia de Campos, na polémica entrevista que está na origem de mais um caso de perseguição política na administração pública.

Senão, o que dizer do bom senso do ministro quando este diz que, ao primeiro problema de saúde que tiver de noite, vai às urgências de um hospital: ”Nunca vou a um Serviço de Atendimento Permanente, nem nunca irei!” Porquê? “Porque não têm condições de qualidade. Têm um médico e um enfermeiro e conferem uma falsa sensação de segurança”.

Não é preciso ser muito esperto para perceber que, num país em que a cultura enraizada leva cada pessoa com uma dor de cabeça às urgências, as palavras do ministro são um disparate técnico, um desastre comunicacional e um rombo na confiança que os portugueses devem colocar na qualidade dos centros de saúde. A não ser, claro, que o objectivo da entrevista fosse mesmo esse. Criar as condições para a extinção destes serviços e, com isso, poupar mais uns milhões de euros à custa do acesso de milhares de portugueses aos cuidados de saúde.

Que o ministro considere “jocosas”, e atentatórias da sua dignidade, a reprodução das suas afirmações num centro de saúde diz bem do ponto a que chegámos. Como os desígnios de Deus, também as palavras dos senhores ministros socialistas são imperscrutáveis e a sua douta interpretação só compete aos iluminados. Os detentores de um cartãozinho rosa, claro.

Não nos deixemos enganar. Podem ter sido uns jotinhas que denunciaram o caso, pode até ter sido a ARS/Norte a mexer os cordelinhos para que a senhora fosse demitida, mas quem assinou o despacho a exonerar uma funcionária pública porque esta se recusou a comportar como uma comissária política foi Correia de Campos. O mesmo Correia de Campos que foi surpreendentemente lesto a nomear para o lugar vago um vereador socialista e a vir a público, em conferência de imprensa, garantir a normalidade de toda esta trapalhada.

Tudo, nesta história, começa e acaba em Correia de Campos. Desta vez não é uma qualquer obscura directora-geral, com fama de sectarismo politico, quem está no centro das atenções. É um ministro. Não nos venham, portanto, tentar vender a ideia de que o caso Charrua foi um caso isolado. Não, a nova Margarida Moreira senta-se todas as quintas-feiras no Conselho de Ministros.

publicado por Pedro Sales às 14:43
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Madrinha: A história de uma conversão
Há uns tempos o Sales notou a estranha convergência de opiniões entre Fernando Madrinha e Telmo Correia quanto à recriminilização de cannabis (ver aqui).

Hoje chegou à nossa redacção um vídeo que demonstra que isto é mais do que uma coincidência e que a história entre os dois é mais complexa. Apesar da má qualidade das imagens decidimos, tendo em conta o interesse público, publicar esta informação.



publicado por Vasco Carvalho às 07:31
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Sexta-feira, 29 de Junho de 2007
Infoexcluídos
A polícia britânica detectou e desactivou um carro armadilhado em Haymarket, Londres. Depois disso, já foram encerradas mais duas ruas devido à presença de carros suspeitos de transportarem explosivos colocados pela Al-Quaeda.

Para além de assassinos são estúpidos, estes tipos que teimam em seguir um gajo que ninguém sabe onde é que mete os pés. Devem ser as únicas pessoas em todo o planeta que ainda não perceberam que hoje é um péssimo dia para ataques terroristas em série. Ninguém está para aí virado, Ben Laden. Hoje é o iDay. O iPhone, percebeste? Depois de 23 milhões de artigos na imprensa, o telefone mais famoso desde que Bell usou um aparelho esquisito para chamar o seu assistente, está hoje à venda. Infoexcluídos, estes barbudos não percebem nada de teorias da comunicação.

publicado por Pedro Sales às 18:50
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Encarcerex

Encontrei este vídeo na net. Os seus autores dizem que se trata de um novo tratamento para políticos com medo de perder as eleições. Não conhecem o PP, claro, que há anos que usa e abusa deste esquema. Basta ver a campanha de Telmo Correia para Lisboa:ladrões, drogados, gays e grafiteiros. Tudo junto que é para ver se pega.

publicado por Pedro Sales às 14:52
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E agora, em directo de São Bento
Interrompemos a nossa programação habitual para transmitir em directo, e na íntegra, o discurso à Nação de Sua Excelência Imperial e Fidelíssima, o Primeiro-Ministro



publicado por Vasco Carvalho às 04:44
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Quinta-feira, 28 de Junho de 2007
Por este andar, qualquer dia nem se pode fazer piadas sobre o motorista do Sócrates
Directora de Centro de Saúde demitida por não retirar cartaz "jocoso" sobre Correia de Campos.

Actualização: O assunto é bem mais grave do que parece. No mesmo dia em que a directora foi exonerada, o Governo nomeou para o mesmo cargo o vereador do Partido Socialista na Câmara Municipal de Ponte da Barca, Ricardo Armada. Como se já não fosse suficiente a censura e perseguição por delito de opinião, como aconteceu na DREN, tudo aponta para que a demissão seja mais um lamentável exemplo de "jobs for the boys". O despacho do Diário da República pode ser consultado aqui.

publicado por Pedro Sales às 18:30
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Foi você que votou neste senhor?
De seis em seis meses, já sabemos que vamos ter que gramar com as lições de governação do Compromisso Portugal. Calhou ser hoje. Desdobrando-se em entrevistas e declarações a toda imprensa, lá aparece o inevitável Carrapatoso, armado em Marcelo, a dar notas ao Governo e a explicar-nos - como se fôssemos muitos burros - do que é que o país precisa.

“As reformas mais difíceis não foram feitas”, ameaça o porta voz deste "grupo de cidadãos". Quais são? Liberalização dos despedimentos, o Estado pagar a inscrição nas escolas privadas, continuar o caminho na diminuição das reformas e aumento da idade de aposentação.

Para quem ainda tinha dúvidas sobre a bondade da flexisegurança, versão Sócrates, recomendo vivamente a entrevista à Visão deste cavaleiro andante do neoliberalismo luso. ”Não se trata de liberalizar o despedimento. É preciso criar flexibilidade na rescisão com o empregador, mas, em dadas circunstâncias, têm que existir programas de coesão social e de protecção do individuo e da sua família”.

O discurso é igual ao de Sócrates, ponto por ponto. Não é de estranhar. Afinal, foi apenas ontem que um ministro do governo socialista apresentou aos parceiros sociais um pacote negocial para facilitar os despedimentos, a diminuição das férias e do valor do seu subsídio, o fim do limite do horário de trabalho diário, a possibilidade de baixar os salários, novos tipos de contrato precário. Uma vergonhosa adulteração do compromisso eleitoral que o partido socialista assumiu com os portugueses há pouco mais de dois anos.

Compreende-se, por isso, o esforço sobre-humano de Carrapatoso na imprensa. Arvorado em provedor dos cidadãos que nunca lhe deram procuração para o efeito, as ideias deste “grupo de cidadãos” têm feito o seu rápido caminho no Largo do Rato. Se tem propostas para governar o país tem boa solução. Candidate-se e leve o seu programa a votos.

Só que isso, e Carrapatoso é o primeiro a sabê-lo, é tudo o que os nossos liberais não podem fazer. Num país como o nosso, tinha o insucesso como destino certo. Assim é muito mais fácil. Usam a força da sua máquina económica, e um acesso privilegiado à imprensa, para subverter, nos bastidores, o sentido do voto popular. Que o Partido Socialista alinhe no jogo, pondo o seu programa eleitoral na gaveta, diz-nos muito sobre o perfil do "nosso" engenheiro.

publicado por Pedro Sales às 16:50
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Louisiana em chamas
Com calor e sem sítio para se esconder do sol, um jovem estudante negro de uma escola de Jena - pequena terra do Louisiana, nos EUA -, pediu ao director para se abrigar debaixo de uma árvore “reservada para brancos”. O responsável disse que não se importava com o sítio onde os estudantes se sentavam. Não se importava ele, mas o mesmo não pensaram os habitantes da terra. No dia seguinte, quando chegaram à escola, os alunos depararam com uma imagem que há muito se julgava perdida nos confins da história: 3 cordas estavam dependuradas da árvore.

Foi o bastante para agudizar a conflitualidade racial, sentimento reforçado quando os responsáveis pela “brincadeira” de mau gosto não foram alvo de qualquer medida disciplinar. Quatro meses depois, a 4 de Dezembro, um pequeno grupo de estudantes negros agrediu um jovem branco, que ficou com algumas nódoas negras e contusões. Começou ontem o seu julgamento, com as autoridades locais a pedirem 50 anos de prisão por um incidente que não o impediu de ir às aulas no próprio dia. A acusação, pasme-se, tentativa de homicídio em segundo grau. A fiança, inalcançável para as posses de qualquer família negra de uma localidade perdida do mundo, 138000 dólares. Numa terra onde isso ainda faz toda a diferença, só há jurados brancos e os familiares dos acusados não acreditam num julgamento justo. Ninguém os pode levar a mal, são anos e anos a verem uma árvore à distância que ainda marca o racismo da América profunda.

Hoje, continua este julgamento que deveria envergonhar qualquer pessoa com um pingo de decência. Quem está no banco dos réus não são os jovens que deram uns tabefes num colega de escola. São os habitantes de Jena, e o seu estúpido preconceito, e o sistema judicial norte-americano que ainda parece refém de um racismo que se julgava enterrado com as memórias do KKK.
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publicado por Pedro Sales às 14:01
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Quarta-feira, 27 de Junho de 2007
Conhecer este senhor deve ter ajudado
Uma sondagem, publicada hoje pelo New York Times, indica que os jovens norte-americanos estão a virar-se para o partido democrata, sendo cada vez maior o número que defende a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, um sistema nacional de saúde e uma política de imigração menos restritiva.
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publicado por Pedro Sales às 23:26
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Depois de estar assinado e em vigor, toda a gente vai poder dizer o que pensa.
José Sócrates acabou de defender, no Parlamento, que “o nosso objectivo é claro: não perder a dinâmica do acordo alcançado em Bruxelas e aprovar o mais depressa possível um novo Tratado para a União Europeia”.

Uma coisa muito importante, está bom de ver, mas que o primeiro-ministro considera que não dá para referendar antes de estar assinado. Como está, e apesar de já toda a gente o conhecer, não dá, não vá o pessoal lembrar-se de lixar a “dinâmica de Bruxelas”.

publicado por Pedro Sales às 16:54
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Tudo em família


Michael Corleone, "The Godfather", 1972

A CIA desclassificou ontem, e colocou na internet, o famoso dossier sobre as "jóias da família". O documento, que cobre as operações ilegais efectuadas pela CIA de 1950 a 1970, descreve como a agência norte-americana se infiltrou nos movimentos contra a guerra, raptou os seus activistas, escutou e perseguiu jornalistas e…John Lenon.

Mais interessante, revela os pormenores das tentativas de assassinato de líderes de outros países, incluindo Fidel Castro. Porque o poder nunca mete as mãos na porcaria, contrataram o "sucessor de Al Capone", e líder da Cosa Nostra de Chicago, para fazer o trabalho sujo. É o problema do pré-pagamento. Paga-se e nunca se sabe se vamos ser bem servidos.


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publicado por Pedro Sales às 14:58
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O Canadá, esse pesadelo da burocracia socialista
A poucos dias de estrear o mais recente documentário de Michael Moore, Sicko, e os liberais cá do burgo já andam na net à procura de textos internacionais que desmintam os seus pontos de vista a favor de um sistema público de saúde. O Insurgente descobriu o argumento que faltava para nos mostrar que um sistema público funciona pior do que um exclusivamente privado: as listas de espera para cirurgia, no Canadá, são um inferno. Quatro meses, é este o tempo médio que os pobres dos canadianos têm que esperar se tiverem que tirar a vesícula ou ser operados à hérnia.

O problema, e é isso que parece escapar ao André Azevedo Alves, é que nos EUA, quem não tem posses para ter um seguro privado de saúde e precisa de fazer um Tac ou tirar a vesícula, não espera 4 meses para ser operado: fica em casa à espera de melhoras e que o problema passe. Se a doença for terminal, pode ser que até se arrume o assunto em menos de 4 meses. No Canadá, ou em Portugal, é operado.

Tenho uma dura revelação para si, André. Eu sei que é chocante, e até injusto, mas o mundo não foi só feito para os poucos que têm posses para recorrer à medicina privada, e, repare lá, o Sistema Nacional de Saúde também não.

publicado por Pedro Sales às 09:49
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Terça-feira, 26 de Junho de 2007
Um partido com agenda.Os editoriais de Fernando Madrinha
A edição de sexta-feira do Courrier Internacional tem um dossier dedicado à cannabis, considerando que chegou ao fim “o mito de que a marijuana é inofensiva”. No editorial (que já abordámos aqui e aqui), Fernando Madrinha defende o fim das políticas de despenalização que têm sido seguidas um pouco por toda a Europa. Quatro dias depois, Telmo Correia encerrou as jornadas parlamentares do PP defendendo a reavaliação da lei que discriminalizou o consumo de drogas há sete anos.

publicado por Pedro Sales às 20:10
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Big Show Berardo
O Estado Português entregou ontem a maior sala de exposições do país a Joe Berardo e à sua colecção de arte contemporânea. Se este foi um negócio que deixou extremamente satisfeito o omnipresente Berardo, mais estranho é o contentamento efusivo da ministra ou do primeiro-ministro.

O acordo assinado é uma desgraça para os contribuintes. Nem a manutenção da colecção em Portugal - aparentemente a principal razão para a conversão do CCB em museu Berardo – fica assegurada com este acordo. Não há a mínima garantia de que o Estado possa adquirir a colecção daqui a dez anos, como o próprio Berardo já admitiu ao Expresso. “O Estado compromete-se, desde já, a comprar a minha colecção, se eu quiser vender”.

 Tudo se resume a isto. O Estado compra, se Joe Berardo quiser vender.

Entretanto, 
os custos de manutenção, conservação, restauro e seguros ficam todos a cargo do Estado que cede, ainda, toda a área de exposições do CCB a custo zero. Em 2007 são três milhões de euros, mais os 250 mil anuais para a ampliação ao acervo. Se, daqui a 10 anos, o Estado não comprar a colecção, nem por isso pensem que Joe Berardo nos vai dedicar umas simpáticas palavras pelas dezenas de milhões de lhe demos para valorizar a sua colecção.

Fica uma última objecção. Esta medida compromete seriamente a autonomia de exposições do CCB, limitando a inserção deste no circuito internacional de exposições. Para quem duvida, recomendo a leitura deste documento, assinado há uns meses por Mega Ferreira, e no qual a direcção do CCB reconhece que a principal consequência do acordo é a “perda de autonomia de programação do Centro de Exposições e a redução do leque das suas actividades directas, admitindo mesmo que “pode vir a ter que proceder a uma significativa redução dos recursos humanos actualmente disponíveis, em consequência da redução de outras actividade que o citado acordo Celebrado entre o Estado e o Sr. José Berardo venha a impor”. Por agora, fechou já as portas ao centro de formação.

publicado por Pedro Sales às 15:58
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Fernando Trapalhão


Excertos da entrevista de Fernando Negrão ao Rádio Clube Português


Fernando Negrão está preocupado com a situação das empresas municipais e, garante-nos, tem um plano para acabar com o desperdício. Extingue o IPPAR, porque este foi incapaz de garantir habitação a preços reduzidos, e está preocupado com os problemas de abastecimento de água à capital causados pela ineficiência da EPUL.

Curiosamente, poucos segundos antes de nos brindar com a sua ostensiva ignorância, Negrão garantia que, com ele na Câmara, a competência será o único critério a presidir às nomeações. Eu, por mim, apenas estou à espera que os lisboetas sigam o mesmo critério e que não deixem este homem ocupar um cargo para o qual já deu suficientes sinais de não ter a mínima preparação.

Depois de Santana, Carmona e Fontão, será que Marques Mendes não percebe que já deveria estar na altura do PSD parar de insultar os lisboetas e arranjar um candidato a sério, e não alguém que parece ter ouvido falar de Lisboa no guia turístico que comprou na free shop do aeroporto?



publicado por Pedro Sales às 09:34
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Segunda-feira, 25 de Junho de 2007
Alguém me consegue explicar…
…porque raio, num estudo técnico encomendado pelo Governo sobre a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde, e que defende a diminuição da comparticipação do Estado nos custos do SNS, é incluído um inquérito de opinião sobre a popularidade das medidas propostas? Má consciência? Balão de ensaio?
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publicado por Pedro Sales às 22:14
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Tabu

Com entrada directa para os anais da parolice, a chegada ao "pelotão da frente" foi anunciada com toda a pompa aquando da entrada na zona-euro. O euro enquanto desígnio nacional cumprido tornou-se a metáfora do país moderno, decidida e finalmente europeu.

Cinco anos passados, a discussão dos efeitos do euro na crise nacional é nula. A solução do quase-engenheiro passa, aparentemente, pela terapia de choque-tecnológico. Enquanto o país espera pelos tão ansiados volts, um dos doutores do MIT contrapõe: com Portugal no contexto da zona-euro, não há, nem haverá nada a esperar.

O sumário executivo é simples: Portugal está sumamente lixado. O sprint do ciclista tuga deixou-o sem fôlego e o catarro começa a incomodar. Mas isso, tal como a maioria dos problemas nacionais é tabu. Afinal, quem é que quer confrontar o facto de o euro estar a asfixiar a economia portuguesa? Ninguém?

Pois, era o que eu pensava.

publicado por Vasco Carvalho às 19:37
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Kentucky e Portugal, a mesma luta

Os Pibs que o PIB tem. Um mapa dos Estados Unidos a que cada estado corresponde uma economia estrangeira (comparados por PIB e, parece-me, alguma semelhança geográfica -- por exemplo Coreia e Florida). Tem muitos muitos problemas (a comecar nas principais ausências: UK, Itália, Espanha, China etc; a continuar nas nuances que o PIB não mostra). Mas serve bem para mostrar o quanto cabe em 13 triliões de dólares. Via aqui (com uma boa discussão nos comentários sobre estes números, havendo quem sugira que Portugal está antes com o Louisiana), por sua vez daqui e aqui. (blog norueguês que usou o mapa para explicar o lugar ocupado no mapa pela Noruega).

publicado por Filipe Calvão às 11:25
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Para as questões importantes estou cá eu e os meus amigos
O referendo só é legítimo e adequado para as questões menores.

Sérgio Sousa Pinto, eurodeputado do PS a preparar o caminho para a ratificação do Tratado Europeu sem referendo.
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publicado por Pedro Sales às 11:12
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Jack Bauer, um herói republicano

A ficção tomou, definitivamente, conta da vida politica norte-americana. Depois de um candidato presidencial republicano ter defendido Jack Bauer, e os métodos pouco ortodoxos utilizados pelo agente anti-terrorista da série “24”, agora foi a vez de um dos todo poderosos juízes do Supremo Tribunal dos EUA provar que é um fã incondicional da tortura para combater o terrorismo.

Em tempo de crise, os agentes federais precisam de uma maior liberdade para poderem fazer o seu trabalho, defendeu Antonin Scalia num recente colóquio internacional que teve lugar no Canadá. “Jack Bauer salvou Los Angeles...salvou centenas de milhar de vidas”, justificou.

Provando ser um profundo conhecedor da série, deu como exemplo o episódio onde as brutais técnicas de interrogatório evitaram o que parecia ser um eminente ataque nuclear à Califórnia. Interpelando os seus colegas canadianos, perguntou-lhes se “condenavam Jak Bauer?”. “Diziam que a lei está contra ele?”, “que tem o direito a um julgamento?”. “Havia algum jurado que condenasse Jack Bauer? Não me parece.”

Antonim Scalia não é um juiz qualquer. É, há mais de 20 anos, um dos 9 poderosíssimos juízes do Supremo Tribunal dos EUA, a quem compete defender e interpretar a constituição da única superpotência mundial. Scalia percebe muito bem a diferença entre realidade e ficção. Se usa Jack Bauer como exemplo é porque sabe que o dramatismo das escolhas morais da série - potenciado pela aceleração do tempo de uma sucessão de crises que decorrem em 24 horas - é o caldo certo para aceitar a capitulação dos direitos civis.

É este maniqueísmo moral, imposto pela administração Bush desde o 11 de Setembro, que ajuda a perceber que Gantanamo, pese embora o seu carácter excessivo, não é uma anormalidade no sistema. É o Gulag desta administração, só possível porque o clima mental que se foi criando é o da compreensão de que, em tempos de crise, são necessárias medidas exemplares que justificam a suspensão da lei e do Direito.

A separação de poderes, assente num rigoroso sistema de checks and balances, foi a principal vítima da cruzada maniqueísta imposta pela dramatização moral organizada por Bush no pós 11 de Setembro. Em seu nome, e depois do Patriot Act, liberdades civis dadas como imutáveis há poucos anos foram sendo desmanteladas, uma a uma. De um e do outro lado do Oceano Atlântico.

Foi essa, e não a cénica destruição das torres gémeas, a maior vitória dos terroristas no dia 11 de Setembro. Que Jack Bauer se tenha tornado no seu rosto predilecto não é de admirar.

publicado por Pedro Sales às 10:35
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Domingo, 24 de Junho de 2007
Verdade?


Quem ainda acredita que a comunicação política se encontra limitada na sua liberdade criativa é porque nunca viu este tempo de antena de um candidato presidencial argentino. Mais simples é difícil, o que ainda reforça mais a força e a inteligência do texto.

Já é algo antigo, 2004, mas só agora o descobri na net. A versão disponível no Youtube é uma tradução inglesa que a empresa Savaglio\TBWA, de Buenos Aires, levou o ano passado ao festival de publicidade de Cannes para ganhar um leão de prata.

Um aviso a todos os que gostarem do clip. A derradeira prova de que é mesmo genial é ouvir o candidato. Quanto mais fala, mais certos ficamos de que o tempo de antena deveria acabar a meio... É verdade, mas nem por isso deixa de ser um grande momento televisivo.


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publicado por Pedro Sales às 10:34
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"As coisas que os capitalistas fazem"


Shi Tão, Li Zhi, Jiang Lijun são apenas três dos milhares de presos políticos na China. Em comum une-os facto de terem sido detidos porque acreditaram no anonimato da internet e tiveram o infortúnio de ter uma conta Yahoo, empresa que cedeu os registos das suas comunicações às autoridades chinesas.

Depois de dois anos de pressão para que a Yahoo altere a sua política na China, os fundos de pensões dos funcionários da cidade de Nova Iorque apresentaram uma proposta, na reunião anual de accionistas, para que a companhia estabelecesse uma política de rejeição da censura. Foi rejeitada, recolhendo 15% dos votos.

p.s: Agradeço ao Blasfémias pela contribuição - involuntária, é certo - que deram para este post.

publicado por Pedro Sales às 08:48
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Droga, loucura, morte?

O Courrier Internacional desta semana apanhou o comboio em andamento e juntou-se ao “Independent” na proclamação de que a cannabis já não é a mesma dos bons velhos tempos. Agora faz mal, descobriram. Segundo o matutino inglês, a cannabis que hoje circula nas ruas é mais potente do que a que era consumida nos anos 70 ou 90 e, por isso, o seu consumo tem mais consequências no comportamento psíquico dos consumidores do que a comunidade científica vinha dando como certo.

Em nenhum caso o jornal apresenta números ou estudos credíveis para sustentar a sua mudança de opinião. E não apresenta nenhuma novidade porque há quase 100 anos que a comunidade científica reconhece a perigosidade da cannabis. Se os riscos do consumo recreativo ocasional são bastante reduzidos, já o seu consumo intensivo, em especial no caso restrito dos consumidores que já têm um passado de patologias psíquicas, coloca o risco de exacerbar esses problemas ou, potencialmente, criar novas patologias. As drogas, principalmente o seu consumo pesado, podem prejudicar a saúde. Se só agora é que o "Independent" descobriu isso, então têm mesmo boas razões para pedir desculpa aos leitores. Não pela cannabis, mas pela azelhice.

Não por acaso, o único cientista ouvido pelo “Independent” discorda do jornal, lembrando que o estudo da “Lancet” sobre a perigosidade de diversas substâncias colocou a cannabis em 11.º lugar - atrás do álcool (5.º) ou do tabaco (9.º), duas substâncias legais. Também a comissão do governo inglês para o consumo da droga, alterou recentemente a sua classificação, colocando-a na tabela dos estupefacientes com menor perigosidade.

Nestas condições, dizer, como o faz Fernando Madrinha no editorial da versão portuguesa do Courrier Internacional, que “o mito da cannabis inofensiva acabou” e que essa é a base das “politicas de rendição” que conduziram à despenalização é partir do pressuposto, errado, que os países que avançaram com políticas de despenalização ou descriminalização o fizeram por causa do carácter inofensivo deste estupefaciente - até porque esta política não é circunscrita à cannabis.

Pelo contrário, a despenalização parte do pressuposto de que existe um problema de saúde pública. Reconhece que os consumidores de estupefacientes são doentes e que, perante isso, a solução não é a repressão ou a guetização, mas o tratamento cujo aumento exponencial causa tanta impressão ao “Independent” e a Fernando Madrinha.

O aumento do recurso ao tratamento não nos indica que se tenha andado no caminho errado, como defendem, diz-nos é que as redes de acompanhamento clínico são hoje muito mais eficazes do que eram há 10 anos. Em vez de serem perseguidos pela policia, os consumidores passaram a ter direito a um médico e as clínicas passaram a estar cheias. Uma maior atenção ao fenómeno tem permitido estudos e estatísticas mais fidedignas, daí também o aumento nos números.

Resta uma questão, o aumento da potência e dos níveis de THC hoje encontrados no material que é vendido nas ruas. Com efeito, e mesmo descontando a confusão de números apresentados pelo "Independent", é verdade que hoje não é muito difícil encontrar variedades com elevados níveis de THC. Este alarme é cíclico e recorrente, mas parece ignorar que as pessoas ajustam o seu consumo à potência daquilo que estão a fumar. Fenómeno semelhante acontece com o tabaco light, cujos fumadores, ao fim do dia, acabam quase sempre por fumar mais cigarros do que faziam antes de aderirem à versão light. Um teor de THC 3 vezes superior não quer dizer que se fica 3 vezes mais pedrado, quer dizer que se pára de fumar mais cedo.

Contrariamente ao que se pretende fazer crer, nunca ninguém falou em drogas inócuas. Argumentar nesse sentido, não hesitando em criar falsos alarmes, é que um péssimo sinal de uma “política de rendição” ao sensacionalismo mais fácil. Que o façam em nome de uma politica proibicionista que há muito provou a sua ineficácia é mesmo o pior de tudo isto.

publicado por Pedro Sales às 06:45
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Sexta-feira, 22 de Junho de 2007
Há muito boas razões para o "Independent" pedir desculpas.A cannabis não é uma delas.


A Courrier Internacional desta semana dedica um dossier à cannabis, considerando que chegou ao fim “o mito de que a marijuana é inofensiva”. Como argumento, vão buscar o “Independent”, jornal que, numa recente edição, pediu desculpas aos seus leitores por ter tomado posição, há 10 anos, a favor da despenalização da cannabis.

Os argumentos que apresenta para esta mudança de opinião são pobres, mas, repare-se, estamos a falar do mesmo jornal que considerou normal teorizar sobre o secretismo da polícia nacional ser ainda uma consequência do regime comunista que governou Portugal até à revolução de 1974.



publicado por Pedro Sales às 22:18
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Simplex, simplex, despedidex
Alice Marques viu o primeiro-ministro na televisão a anunciar o simplex. Acreditou nele. Afinal, sempre eram 333 medidas que iam pôr o país à andar e pôr um ponto final na burocracia no Estado. O que ninguém explicou à Alice Marques é que, juntamente com a papelada, também se punha um ponto final na confidencialidade dos dados. Descobriu-o agora, pela pior via. Foi despedida e prejudicada na indemnização que deveria receber.

Acreditando nas promessas do nosso primeiro, resolveu solicitar, no portal do Governo, informação sobre a situação fiscal da empresa onde trabalhava, a Mendes Godinho, que estava a fechar as portas e a negociar as rescisões com os seus empregados.

Fazer uma queixa no portal do Governo, cuja privacidade deveria ser garantida pelo Estado, foi a única medida simplex. A partir daqui, a denúncia foi andando de direcção geral em direcção geral até chegar à Parpública. Como a Parpública participa do capital da Mendes Godinho, a sua chefe ficou a conhecer toda a história. Foi encostada à parede e obrigada a aceitar o montante que a empresa fixou. Perdeu 3500 euros. Agora, a Alice Marques, que vai pôr o Estado em tribunal, já conhece como funciona o simplex. Uma propaganda bonita para esconder a confusão do costume.

publicado por Pedro Sales às 16:57
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"Como eu sempre disse, só faço isto por amor. Ao dinheiro."
Joe Berardo vai propor a criação de um banco com a marca Benfica. Segundo o próprio, em declarações ao Público, "o Benfica é uma marca valiosa, que tem de ser explorada."

publicado por Pedro Sales às 11:33
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E a etimologia de disparate?
O João Távora não concorda com o casamento de pessoas do mesmo sexo. E não concorda porque considera que se trata de uma imposição jacobina que vai contra a ordem natural das coisas. Não faz parte da tradição de família e não faz parte da tradição linguística. "A palavra "casamento" que eu saiba refere-se a "casal". Casal, pela etimologia da palavra significa a união de um homem e uma mulher", diz.

O João Távora, reconheço, tem uma grande vantagem sobre mim que é saber "muito bem o que é uma família". Eu não sei, e não sei porque a família não é um conceito ahistórico e imutável no tempo. Basta pensarmos nas alterações provocadas na vida das famílias pela brutal diminuição da natalidade ou que só muito recentemente é que o afecto passou a determinar o casamento.

Não sei o que é a família tradicional, nem acredito na existência de um modelo de família. Só sei que a minha não tem nada a ver com aquelas que o Sol -numa rubrica sugestivamente intitulada "famílias numerosas" - nos tenta convencer, todas as semanas, da alegria imensa que é viver com uma chusma de filhos numa vivenda de 10 assoalhadas com vista para o rio Tejo, Douro ou Mondego.

Etimologicamente casal remete para um homem e uma mulher, nisso o João Távora tem razão. Mas, e daí? Que razão acrescida é que isso confere a quem se opõe ao casamento de duas pessoas do mesmo sexo? A etimologia estuda apenas a origem das palavras, não a lei eterna sobre o seu significado.

A língua existe para ser alterada e apropriada pelo uso que lhe damos. Os exemplos dessa alteração no português são quase tantos como os "jacobinos" que para aí andam a abastardar a língua e a família. A etimologia de "amante" refere "aquele que ama". Acreditará o João que é essa a utilização recorrente que lhe damos nos nossos dias? E "vilão", alguém o usa contemporaneamente para falar dos habitantes das vilas? E criado, há quanto tempo é que deixou de ser aquele que, não sendo o filho original de uma determinada mulher, por ela era criado como se fosse?

Podíamos estar horas nisto, mas acho que já deu para perceber que a etimologia das palavras pode ser um assunto muito interessante, mas é um conceito muito pouco operativo para tomar decisões sobre o regime jurídico do casamento ou qualquer assunto dos nossos dias.

É que, sendo consequente, e levando a sua linha argumentativa até ao fim, ainda encontraremos o João Távora a defender necessidade do casamento envolver um dote ou o carácter acessório do afecto. Sempre se colocava um ponto final às "confusões e demais relativismos" que os jacobinos teimam em promover.

publicado por Pedro Sales às 00:27
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Quinta-feira, 21 de Junho de 2007
zero em conduta, semana 1
Uma semana depois de começarmos, os agradecimentos a todos aqueles que, por uma razão ou por outra, resolveram referenciar o Zero de Conduta, muito em especial ao Daniel que decidiu apostar a sua reputação num blogue que tinha 3 dias. Eu, que o conheço bem demais para saber que costuma perder as apostas que faz, espero que não se venha a arrepender.

A origem das espécies, Arte de roubar, Atlântico, Beco das imagens, Diário de bordo, Era uma casa muito engraçada, Esquerda republicana, Foice dos dedos, Furifunar, Irmão Lúcia, Kontratempos, Ladrões de bicicletas, Lost groove, Mala aviada, Mar salgado, Mátria minha, Novas energias, O bitoque, Spectrum, Tue-tue, Violeta agreste, Womenage a trois.

Próxima tarefa, actualizar a barra dos links.
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publicado por Pedro Sales às 22:21
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E os Paços do Concelho vão para Belém?


Será que ninguém do PSD reparou que, ao juntar as palavras “governo” e “presidente” no mesmo cartaz, o presidente em que todos pensam é em Cavaco Silva e não no presidente da autarquia? Para um cartaz que pretende criticar a falta de autonomia da António Costa face ao Governo, chamar a atenção para que o PSD tem o mesmo problema com Cavaco não me parece que seja a melhor estratégia.Uma campanha muito “À frente”, está visto.

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publicado por Pedro Sales às 15:38
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