Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008
E depois do adeus

Dirty, Zero de Conduta, 2006

Zero de Conduta


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publicado por Pedro Sales às 23:54
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Adeus

Como já devem ter reparado, o Zero de Conduta "fechou as portas". A falta de tempo da maioria dos seus elementos, atarefados com o fim do seu doutoramento ou com o início da sua vida profissional, assim o ditou. Como dizia o outro, se todos vamos andar por aí, o Pedro Sales já se pisgou para aqui. Obrigado a todos quantos passaram pelo Zero e, muito especialmente, a todos os que o enriqueceram com os seus comentários. Foi mais de um ano e meio com posts quase sempre diários. Aqui fica uma breve lista das recomendações cá da casa.

 

numa esquina perto de si, Filipe Calvão, Junho de 2007.

 

O doce charme do voyeurismo, Pedro Sales, Junho de 2007.

 

decalage, Filipe Calvão, Junho de 2007.

 

Madrinha: A história de uma conversão, Vasco Carvalho, Junho de 2007.

 

E o prémio "Chafurda no Lamaçal" vai para...Caras & Associados, Vasco Carvalho, Julho de 2007.

 

Coragem, depois deste exemplo, só precisam de encontrar mais 43 milhões, Pedro Sales, Julho de 2007.
 

Martins da Cruz e a defesa dos interesses da Nação, Vasco Carvalho, Julho de 2007.
 

Prelúdio a um 4th of July, Vasco Carvalho, Julho de 2007.

 

A indústria mais estúpida do mundo, Pedro Sales, Agosto de 2007.

 

Os longos braços da censura Socrática, Vasco Carvalho, Agosto de 2007.

 

atirar poeira não-transgénica para os olhos, Filipe Calvão, Agosto de 2007.
 

Toy story e outros atlas infantis, Vasco Carvalho, Agosto de 2007.

 

Desperdício público, Pedro Sales, Setembro de 2007.

 

Escravos da banca, Pedro Sales, Agosto de 2007.

 

Não acertam uma, Vasco Carvalho, Setembro de 2007.

 

the delicate matter of middle west, Filipe Calvão, Setembro de 2007.

 

Vídeoterrorismo, Pedro Sales, Setembro de 2007.

 

o último regresso de Paulo Portas, Filipe Calvão, Setembro de 2007.


A distopia liberal sobre a escola pública I, II, III e IV., Pedro Sales, Outubro de 2007.

 

Lamentável, Pedro Sales, Outubro de 2007.

 

Uma Esquerda sem Heróis, José Neves, Novembro de 2007.

Debate à Esquerda 1, 2 e 3, José Neves, Dezembro de 2007.

O Socialismo do Século XX, José Neves, Dezembro de 2007.

 

Que país é este?, Pedro Sales, Janeiro de 2008.


O tal canal, Pedro Sales, Janeiro de 2008.

 

As novidades chegam sempre atrasadas à província, Pedro Sales, Janeiro de 2008.

 

 

Um patinho nada patusco, Pedro Sales, Abril de 2008

 

O jornalismo de "causas" e os factos do jornalismo, Pedro Sales, Abril de 2008

 

O excesso da praxe é a praxe, Pedro Sales, Maio de 2008.

 

"the dissidents continue to broadcast extravagant claims of success", Vasco Carvalho, Maio de 2008.

 

hara-kiri na net, Vasco Carvalho, Junho de 2008.

 

Publicidade enganosa, Pedro Sales, Julho de 2008.


O que o 25 de Abril fez foi pôr os pobres na escola e Saudades de uma escola de casta, Pedro Sales, Julho de 2008.

 

Num país onde ninguém gosta de desporto, todos querem medalhas (II) e Ainda a tanga do turismo olímpico, Pedro Sales, Agosto de 2008.

 

A quinta dos suspeitos e Os fins não justificam os meios, Pedro Sales, Setembro de 2008.  

 

Para o fim, mas não menos importante, o nosso canal de vídeo, quase, quase nas 35 mil visitas.

 

 

Zero de Conduta

( o post apenas está assinado Pedro Sales porque perdemos a password do utilidador Zero de Conduta)


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publicado por Pedro Sales às 23:31
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Terça-feira, 9 de Setembro de 2008
And Now for Something Completely Different

Screensavers para o Macintosh. Começando pelo do vídeo, um slideshow com fotografias de Lisboa, e um intricado, mas muito pouco prático, relógio. Deixando o melhor de todos para o fim, é justo destacar Hotel Gadget, anteriormente conhecido como Hotel Magritte, uma surrealista combinação aleatória de palavras com imagens, levando-nos a sucessivos quartos de hotel onde o paradoxal e imprevisto é a única "verdade" garantida.


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publicado por Pedro Sales às 13:08
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Diz o roto ao nu

"Eu não tenho dúvidas. São atitudes como estas dos partidos políticos, e esforços como estes, que credibilizam a política em Portugal. É o esforço de tanta gente, que quer dar o seu melhor para procurar novas ideias e novos projectos, que credibiliza e dá confiança à política no nosso país. Do que eu não tenho dúvidas é que o que não dá credibilidade à politica é o discurso do negativismo, é o discurso da maledicência, é o discurso do pessimismo, é o discurso do bota-abaixo, é o discurso de que “nada é possível fazer no nosso país”. Não. Esse é um discurso medíocre, que nada tem a oferecer ao país, e que só convida à desistência e ao conformismo". José Sócrates, 8 Setembro 2008, no lançamento da fundação Respública.


A oposição quando faz oposição ao governo é maledicente e bota-abaixo, mas quando o primeiro-ministro aproveita o lançamento de um clube de reflexão para chamar medíocre à oposição está certamente a cumprir os anunciados objectivos da nova Fundação, oferecendo “o seu melhor para procurar novas ideias e novos projectos”.



publicado por Pedro Sales às 11:36
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Domingo, 7 de Setembro de 2008
Um estudo demasiado conveniente

Gráfico retirado do Blasfémias

Depois de semanas de regular presença televisiva a zurzir nas novas leis penais, que só faltou serem responsabilizadas pela praga do nemátodo da madeira do pinheiro, e eis que o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público “saca” de um estudo que, veja-se lá, vem confirmar as suas posições. Ou seja, as recentes alterações legislativas deixaram a sociedade “desprotegida”, existindo uma relação de causa efeito entre a sua aprovação e o aumento da criminalidade violenta, causada pela diminuição da população prisional e dos presos preventivos. Uma imagem de “brandura” que foi entendida pelo mundo do crime, resume o autor do estudo, apontando o dedo para a classe política.


E como é que o sindicato dos magistrados chegou a tão convenientes conclusões, suficiente para que meia imprensa tenha dito que a “reforma penal pode ter aumentado criminalidade”? Da forma mais simplista e atabalhoada que é possível conceber. Comparando a população prisional, e a percentagem da mesma que se encontra detida preventivamente, antes e depois da alteração dos códigos penais. Recorrendo aos números da última década? Não, aos dois últimos dois anos... Assim, e como o total de presos nas cadeias nacionais desceu 16% e as prisões preventivas passaram de 22,7% para 19,07% no último ano, o sindicato encontrou uma justificação “científica” para continuar a bater no seu saco de pancada preferido. Só que, como facilmente se percebe, o rigor deste “estudo” não se aguenta de pé três segundos. Em primeiro lugar fica por explicar como é que, tendo a criminalidade violenta subido 10% em relação a 2007, os seus números ficam ao nível da registada em 2006 ou 2004...muito antes da reforma legislativa. Nem explica, também, como é que países com uma percentagem muito superior de detidos preventivos, como a Itália ou a Turquia, têm indicadores de criminalidade violenta incomparavelmente superiores aos nossos.

 

A tese do sindicato parte de uma premissa que está longe de encontrar eco nos principais estudos. Ao contrário do que defendem os magistrados, que criticam a “brandura” das novas leis, a severidade das penas tem um reduzido efeito dissuasor da criminalidade, sendo mais relevante a ideia de que a pena será cumprida. Ninguém desata a assaltar bancos porque a pena baixou dos 15 para os 12 anos. Se fosse a dureza das penas que dissuadia os criminosos, os EUA teriam uma sociedade muito mais calma do que a nossa. Mas a taxa de homicídios nos EUA é de 5,7 por 100 mil habitantes, contra os 1,3 registados em Portugal no ano passado. O que deveria incomodar os magistrados portugueses não é a diminuição do número de presos preventivos - em si mesmo um indicador positivo -, mas sim a iniquidade de um sistema judicial cuja única resposta para diminuir a criminalidade é manter na cadeia milhares de pessoas que nunca foram julgadas. 


Este “estudo” é apenas mais um instrumento na longa campanha encetada pelos magistrados para forçarem a revisão das leis penais com as quais nunca concordaram. Só que a separação de poderes não quer apenas dizer que o poder politico não se deve imiscuir no natural desenvolvimento dos processos judiciais. É uma estrada com dois sentidos e também quer dizer que compete ao poder legislativo a aprovação das leis e a análise dos efeitos da sua aplicação, sem a chantagem mediática de quem não hesita em cavalgar o sentimento de insegurança para alcançar os seus propósitos. Uma justiça governamentalizada é inaceitável, mas uma república de juízes resulta necessariamente na arbitrariedade da lei.

 

E é assim que uma alteração legislativa com menos de um ano está a caminho de ser desfeita numa ilógica manta de retalhos. Bastaram 2 semanas de noticiários televisivos. Daqui a uns anitos, quando surgirem 3 ou 4 casos mediáticos de presos que se encontram há anos na prisão sem nunca terem ido a julgamento, alguém se lembrará de olhar para a televisão e lembrar-se de revogar as normas que agora estão a ser redigidas em frente aos ecrãs televisivos.



publicado por Pedro Sales às 14:51
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Michael Moore meets Radiohead

A estreia do último documentário de Michael Moore, Slackers Uprising, terá lugar marcado apenas na internet, a 23 de Setembro, e dispensará a projecção nas salas de cinema. O documentário, que mostra os bastidores da “campanha” que levou Michael Moore a 62 cidades dos EUA para tentar convencer os jovens a votar nas eleições presidenciais de 2004, será editado em DVD a 7 de Outubro.


Slackers Uprising estará disponível aqui, no dia 23 de Setembro (apenas disponível para quem reconhecer que vive nos EUA ou Canadá...), ou em streaming de alta resolução, em Blip.tv. 


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publicado por Pedro Sales às 03:58
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Se não sabe porque é que pergunta?

Pacheco Pereira garante que o PSD vai fiscalizar o Governo “quase em tempo real”, mas adianta que o reforço do escrutínio parlamentar da acção governativa "não implica tomar posição sobre as medidas".
 


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publicado por Pedro Sales às 03:37
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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008
Estava escrito nas estrelas

Para além de serem conhecidos na Polónia, o que é que Cavaco Silva e o BCP têm em comum? Ambos descem à mesma velocidade. O gráfico é elucidativo. Nos últimos cinco meses, Cavaco Silva passou de uma taxa de aprovação de 51 pontos para 33,4%. Nem as férias de Verão valeram ao Presidente. Com a desastrada comunicação sobre os Açores e ao veto à lei do divórcio, foram mais 5 pontos que se foram. E isto apesar do abnegado esforço dos cavacologistas, especialistas em vislumbrar o dedo do Presidente da República em todas as hesitações e recuos do Governo. Pelo andar da carruagem, e apesar de ainda estarmos a quase 3 anos das presidenciais, não falta muito para começar uma nova narrativa. Será Cavaco Silva o primeiro Presidente da República a não ser reeleito depois do 25 de Abril? Poucos se têm esforçado mais do que o próprio nessa meritória tarefa.


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publicado por Pedro Sales às 15:14
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The disposable heroes of hypocrisy

Para não variar, é de Jon Stewart que vem a melhor resposta ao “caso” Sarah Palin e à histeria mediática causada pelos seus defensores, alguns dos quais descobriram, pela primeira vez na vida, termos como machismo ou sexismo. Absolutamente imperdível.



publicado por Pedro Sales às 14:35
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Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008
Os fins não justificam os meios

Vital Moreira considera “despropositadas e contraditórias as críticas às recentes operações policiais”, argumentando que “quem critica a falta de vigilância policial não pode depois criticar as demonstrações de acção policial...”. Dando de barato que, por aquilo que tenho visto e lido, as críticas ao aparato policial que tem varrido os bairros sociais não estão a ser feitas por quem reclama maior policiamento e “vende” a ideia de que estamos em Joanesburgo, não deixa de ser curioso ver Vital Moreira render-se à tese de que os fins justificam os meios.

Há sempre uma ameaça que merece que, em nome da eficácia das forças policiais ou do controlo do Estado, abdiquemos dos nossos direitos. Se é normal que a PSP se concentre, o melhor que pode e sabe, no combate à criminalidade, menos certo é considerar que a importância dessa tarefa a exime do escrutínio público dos seus actos e da leitura que a população deles faz. Porque é disso mesmo que se trata. O cerco dos bairros sociais tem muito pouco a ver com a “prevenção criminal” de que fala a PSP, e mais com a necessidade de combater o “sentimento de insegurança” que assalta os portugueses (como o próprio Vital Moreira reconhece). 

Não é aceitável suspender a presunção de inocência de todos os moradores de um bairro pelo simples facto de que, vivendo num bairro social, encaixam na percepção pública sobre a origem da criminalidade e marginalidade. Mas foi isso que aconteceu. Para sossegar a consciência de quem está a ver o noticiário da noite, milhares de pessoas têm sido impedidas de entrar ou sair do seu bairro, são revistadas, interrogadas, casas são reviradas do avesso e temos helicópteros a rasar os tectos ia a madrugada bem alta. Bairros inteiros foram conotados, perante o país, como sendo os responsáveis pelo crime violento que tem assaltados as televisões nos últimos dias. A PSP diz que escolhe os locais das suas acções com “base cientifica”. Estranha ciência que começa e acaba nos bairros sociais, onde as pessoas não têm acesso privilegiado à comunicação social, a advogados ou aos meios de defesa que abundam em qualquer condomínio ou bairro da classe média.

Mas, no que é que tem dado esta ímpar mobilização dos recursos do Estado e a convocação científica da polícia? De acordo com os números fornecidos pela própria PSP, a mobilização de mais de 1100 agentes, durante vários dias na zona de Lisboa e Porto,  conduziu à apreensão de 8 armas e fogo e 3 armas brancas... Ou seja, tem apanhado pilha galinhas. Isso e imigrantes ilegais, como se pode ouvir em cada peça televisiva. A pintura está feita. A PSP está onde é preciso, a tratar do pessoal dos bairros, e a metê-los na ordem. Pouco importa que a tal “prevenção criminal” seja uma piada e as mega-operações um fiasco. A realidade passa na TV, tudo o resto é paisagem ou ruído.

Grande parte dos homicídios em Portugal são rurais e têm origem em pequenas desavenças sobre a propriedade da terra. Por que razão não vai a GNR cercar as aldeias onde a posse de uma arma é a regra e não a excepção? Ou, o que é que a que tem impedido de vir ao meu bairro ou ao de Vital Moreira? A razão é simples. Não é essa a percepção pública que existe sobre a criminalidade. Se não é essa a ideia que a população faz do crime não é essa a preocupação da PSP. É preciso sossegar as almas.

Diz Vital Moreira que  não tem sentido criticar a PSP “com base nos seus escassos resultados”. Desculpe? Desde quando é que a utilização dos recursos e meios do Estado não devem ser escrutinados e criticados pela sua falta de produtividade? Mais a mais quando, em nome da propaganda do músculo policial, se faz tábua rasa do direito das pessoas e dos bairros à sua imagem e não se hesita em estigmatizar bairros inteiros. As imagens que passam na televisão não são neutras. Têm uma carga simbólica que não deve ser menosprezada, a começar por Vital Moreira.


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publicado por Pedro Sales às 16:43
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O partido sou eu

O secretário-geral do PP, João Almeida, diz que as demissões no partido “estão a merecer análise” e que estão a ponderar reunir a direcção para analisar as demissões, que, por enquanto, se mantêm numa "esfera interna". Paulo Portas é bem capaz de ter razão. Com uma direcção que se entretém a discutir demissões que tiveram lugar há um ano, em vez de se preocupar com as informações que lhe foram sonegadas pelo líder do partido, o mais avisado mesmo é não levar a sério a ficção de que existe alguém que conte no PP que não dê pelo nome de Paulo Portas. Mais complicado é acreditar que Paulo Portas ainda conte para alguma coisa. Mas isso são outras contas.



publicado por Pedro Sales às 15:43
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Perguntar não ofende

A esta hora já todos sabemos que a SIC, Expresso, Visão, Público e Renascença foram impedidos pelo Governo de José Eduardo dos Santos de entrar em Angola, onde pretendiam fazer a cobertura das eleições. Sendo certo que esta atitude é esclarecedora sobre a natureza da “democracia” angolana, o que eu gostava mesmo de saber é que órgãos de comunicação social portugueses é que foram bafejados com os tão desejados vistos.



publicado por Pedro Sales às 14:31
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Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008
Se não os podes vencer, tenta comovê-los

É espantoso como as melhores ideias conseguem passar despercebidas e ausentes do debate público durante tanto tempo. Andam para aí os juízes, magistrados, governo e oposição a discutirem as leis penais e a melhor forma de combater a criminalidade e, afinal, era só perguntar ao presidente da associação de revendedores de combustível como é que se coloca um ponto na onda de assaltos: contando com o bom senso e compaixão dos assaltantes.  Augusto Cymbrom apelou ainda aos assaltantes para que se recordem que «além de prejudicarem a empresa detentora do posto estão a pôr em causa postos de trabalho».

 

A esta hora já centenas de ladrões devem estar a colocar a mão na consciência e, finalmente conscientes da enormidade do seu acto, vão amanhã a correr seguir o conselho do presidente da ANAREC: "deixem de assaltar e vão trabalhar que é melhor." O problema é que, na tentativa de garantir os postos de trabalho, esta recomendação arrisca-se a aumentar em flecha a taxa de desemprego. O crime dá emprego a muito boa gente, como, num raro momento de ironia, lembrou o mais insuspeito dos autores:

Karl Marx )


publicado por Pedro Sales às 23:49
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Terça-feira, 2 de Setembro de 2008
O medo a 25 frames por segundo

Este vídeo foi montado por mim e pelo Daniel Oliveira usando apenas excertos retirados do Jornal da Noite da SIC dos dias 26, 28 e 29 de Agosto. Isso mesmo: apenas três dias. A mistura de crimes graves com crimes menores, dando sempre a ideia, através da quantidade, de uma onda incontrolável de criminalidade, é evidente. De notar a sequência: muitos crimes, reacção do poder politico, empresas que tentam aproveitar a histeria e polícia a fazer encenações para a televisão em bairros sociais.

 

Já há notícias sobre o ano lectivo e sobre o ano político. Esta onda mediática deve estar a chegar ao fim.



publicado por Pedro Sales às 14:59
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Ciência pouco exacta

“Estas zonas são escolhidas com critérios científicos da criminalidade”. Foi assim que a PSP justificou o cerco a vários bairros sociais, nas tão mediáticas “acções de prevenção da criminalidade”. Vejamos, então, os resultados de tanta ciência policial.


Na zona de Lisboa, 9 operações, envolvendo 638 agentes, permitiram a apreensão de 8 armas de fogo e 2 armas brancas.


Em cinco distritos do norte do país, a mobilização de 500 agentes durante três noites levou à apreensão de uma arma branca.


Está visto. O país não precisa de mais polícias, tem é que encontrar melhores cientistas. Na PSP davam um jeitaço.



publicado por Pedro Sales às 14:24
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Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008
A quinta dos suspeitos

A mega-operação que teve lugar na Quinta da Fonte, Quinta do Mocho e bairro da Arroja não foi uma acção isolada. Segundo a PSP, desde o dia 21 de Agosto tiveram lugar nove operações semelhantes. São nove bairros cercados, com casas reviradas do avesso e onde nenhum morador entrou sem ser revistado e interrogado. Presumivelmente suspeitos, portanto, numa grosseira inversão do ónus da prova. Nove operações de "prevenção criminal", envolvendo 638 polícias, para "apreender 8 armas de fogo e 2 armas brancas".


Mesmo tendo em conta o parco pecúlio, a porta-voz da PSP congratulou-se com o sucesso da operação, não podendo ser mais clara nos seus propósitos: “O aparato (...) e a visibilidade da acção policial era um dos nossos objectivos”. Para quem ainda tinha dúvidas, fez o favor de nos esclarecer que “a PSP sente a necessidade de, através da comunicação social, ter um espaço para dizer ao cidadão, estamos presentes, estamos a actuar, estamos onde é preciso e este é o nosso trabalho”. Nada como um bom filme de acção para devolver a confiança às pessoas. Uma única dúvida. Se era para usarem um bairro como cenário, e os seus habitantes como figurantes, só espero que o cachet tenha sido justo.

 

Actualização: A edição de hoje do Diário de Notícias diz que as acções de prevenção criminal têm continuado na zona do Porto, mobilizando mais de 500 agentes nos últimos três dias. Foi apreendida uma arma branca...



publicado por Pedro Sales às 15:23
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Próxima estação Bombaim

vídeo tirado do Esquerda.net

Da última vez que se viu o primeiro-ministro, foi para os lados de Santo Tirso anunciar 1200 novos postos de trabalho num call center da PT. Trabalho qualificado, garantiu, elogiando a criação de emprego precário por uma empresa que, desde 2005, despediu 3400 funcionários. O Esquerda.net foi ouvir a experiência de cinco jovens, na sua maioria licenciados, que tiveram que passar pelo qualificado mundo dos "centros de atendimento personalizado". Na primeira pessoa a coisa percebe-se melhor.  



publicado por Pedro Sales às 14:56
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Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008
Não disse, mas podia ter dito



publicado por Pedro Sales às 02:21
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Serviço público

Para todos aqueles que pretendam ver as mais recentes séries norte-americanas, o site de vídeos Hulu é uma boa solução. A qualidade de imagem é excelente, e, aturando muito menos anúncios do que em qualquer canal nacional, é possível assistir a grande parte das série de maior sucesso no dia seguinte à da sua emissão nos EUA. A melhor parte: entre os vários programas disponíveis, já se pode encontrar os excelentes Daily Show e Colbert Report. Infelizmente, o serviço só funciona nos EUA. Isto, claro, se não se conhecer este pequeno programa. Depois de instalado, é só corrê-lo de cada vez que se quiser ver um programa ou série em hulu.com.


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publicado por Pedro Sales às 02:17
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Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008
Marlboro MenS

O MMS, um novo partido que promete ser ainda pior do que aqueles que já conhecemos, defende um verdadeiro “combate e repressão à criminalidade”. Como? Com o abandono dos tabus da polícia na utilização de armas de fogo, a ideia peregrina de que a vítima deve ter uma palavra na escolha da pena do seu agressor, ou a convicção de que têm que ser os detidos a pagar os encargos do sistema prisional. Para defender esta barbaridade, como a classifica um conhecido constitucionalista, não é preciso um nome modernaço. O que não falta são modelos históricos de “combate e repressão à criminalidade”, como a entende o MMS, desde o faroeste das pradarias norte americanas até aos gulags, rapidamente entendidos por Estaline como uma forma de colocar os presos a pagarem os custos da sua detenção.



publicado por Pedro Sales às 19:27
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O garantismo de direitos, essa patologia do politicamente correcto

Só num país em que não se dá nenhum valor à liberdade, como é o nosso, é que é possível ver um conhecido jornalista pedir o levantamento de direitos e garantias constitucionais, alegando uma eventual "situação excepcional" causada pelo assalto a meia dúzia de bancos e bombas de gasolina. Quando a defesa do Estado de direito não resiste a uns bandidos de meia tijela, é melhor nem pensar no que seria dito e exigido se tivéssemos sofrido um ataque terrorista como os que tiveram lugar a 11 de Março ou Setembro.

  

Mas não se pense que o disparate ficou por aqui. Mais grave, porque proferidas por um juiz, foram as afirmações de que a insegurança só está a aumentar porque não são os políticos, mas os cidadãos comuns, as suas vítimas. Uma declaração inaceitável e que torna bem visível a mentalidade reinante em significativos sectores da Justiça, já patente em casos como o Envelope 9 ou as fugas de informação provenientes do gabinete do anterior PGR.



publicado por Pedro Sales às 19:00
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Terça-feira, 26 de Agosto de 2008
Prevenção e dissuasão, diziam eles

Na sequência do júbilo público com o “sucesso” da operação de resgato do BES de Campolide, o que não faltaram foi vozes a dizer que o tiro de um sniper "foi mais importante para a prevenção do crime violento do que muitas leis”, ou a defender o "efeito dissuasor" que o mesmo ia representar no "mundo do crime violento". A julgar pelas imagens que têm aberto os noticiários da última semana, das duas uma: ou o pessoal do mundo do crime violento não tem televisão em casa e ainda não percebeu o alcance da mensagem, ou os nostálgicos do faroeste nunca perderam muito a pensar no assunto, caso contrário teriam reparado no escasso impacto que a severidade das penas ou a violência policial produz na prevenção da criminalidade, como se pode facilmente reparar pelo exemplo dos EUA



publicado por Pedro Sales às 21:27
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Mãe, sou uma vedeta do Youtube

Por muito genial que seja, nem Tiger Woods consegue andar na água enquanto joga golfe. Num vídeo chamado “Jesus Shot”, um utilizador do Youtube denunciou o erro numa das séries de jogos vídeo mais famosas do planeta. A Electronic Arts é que não ficou nada convencida e, no anúncio televisivo para promover a nova versão do jogo, aproveitou para dizer que nunca houve erro nenhum, Tiger Woods é que é mesmo bom. Vale a pena ver, mais não seja para constatar a crescente importância que, depois dos políticos, também as empresas começam a conferir ao carácter viral da internet.


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publicado por Pedro Sales às 17:40
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Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008
Um partido afónico

Na sexta-feira o PSD pediu a demissão do ministro da Administração Interna, justificando o pedido com o aumento da criminalidade e com a ausência de esclarecimentos do governo. No sábado, num artigo de opinião sobre o "alarmante aumento da criminalidade" e o  "inaceitável silêncio" do primeiro-ministro sobre o assunto, em nenhum momento Manuela Ferreira Leite solicita a demissão de Rui Pereira. Está visto, o "novo" PSD fala pouco. Para o país...e uns com os outros.



publicado por Pedro Sales às 18:24
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para acabar de vez com a tanga do turismo olímpico

A propósito dos posts que eu e o maradona fomos escrevendo sobre os críticos da prestação portuguesa nos Jogos Olímpicos, O Rodrigo Moita de Deus diz que, de repente, “todos se lembraram de dizer mal do futebol”, esse nicho de qualidade e excelência que rompeu com a mediania desportiva nacional. Comecemos pelo óbvio. Faz tanto sentido dizer que alguém que assina como maradona "anda a dizer mal do futebol", como classificar de anti-comunista o tonto que acaba de chamar José Estaline ao filho. Pela parte que me toca, e enquanto o Hugo Viana se mantiver longe de Alvalade, também nada me move contra o futebol (estando até a mentalizar-me para resistir aos 238 trocadilhos idiotas que a imprensa vai inventar com o nome do novo avançado do Porto).*

 

Até concordo com quase tudo o que diz o Rodrigo (**), a começar pela natural constatação de que o futebol é o ultimo a poder ser culpado pelo desinteresse generalizado que os portugueses nutrem pelas restantes modalidades, mas a verdade é que o seu post nada nos diz sobre o clima mental que se instalou no país enquanto o Nélson Évora não saltou 17 metros e 67.


Vale a pena recapitular. Partindo de uma representação nacional que em nada se distinguiu pela negativa das anteriores, a imprensa começou a dar como certo que os atletas nacionais não tinham "brio", "honra" e "ética". Depois já não eram os resultados, eram as desculpas. Pouco interessava que as "desculpas" até nem se tenham destacado face à das restantes delegações. O veredicto estava traçado. Foram fazer turismo olímpico, ainda por cima à custa dos nossos impostos, começaram a escrever uma dúzia de colunistas, apenas interessados nos resultados de Pequim para confirmar que o nacional porreirismo é um fado nacional que nos condena como povo. Foi o que fizeram, só para dar dois exemplos mais recentes, o Henrique Raposo e o Alberto Gonçalves. Este último, capaz de pérolas  retóricas como “correr e saltar são exercícios de que qualquer bruto é capaz”, encontra a justificação suprema para a pequenez dos portugueses nas declarações de Gustavo Lima – que, em três olimpíadas, teve num 6.º lugar o seu pior resultado – e numa atleta que “ficou em 46.º lugar (entre 50)”. Ora, até mesmo o Alberto Gonçalves tem condições para perceber que essas 50 foram as que obtiveram os mínimos olímpicos - um rigoroso critério de selecção da elite mundial. Não é “46.º lugar (entre 50)”. É a 46.ª melhor do mundo na sua actividade.

 

Mas, que é isso, para o prolixo colunista? Como todos sabemos ninguém pára o Gonçalves. Ele são as palestras em Yale, Cambridge, Harvard e as constantes edições na Oxford University Press. Com tanto trabalho, de um dos 46 mais conceituados sociólogos do mundo, quem é que pode levar a mal que ele - e aos outros que se lhe juntaram na desbunda - ande para aí a criticar a preguiça nacional?

 

*. Hulk.

**. as restantes objecções ao texto do Rodrigo encontram a resposta nesta fotografia que o maradona colocou no seu blogue. Mas também podíamos falar no ABC, um clube que, num país sem tradição em andebol, conseguiu ir a 2 finais europeias de clubes.


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publicado por Pedro Sales às 17:23
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Há coisas fantásticas, não há?

Está um tipo dez dias na China a acumular todas as medalhas que encontra pela frente, para dar ao volta ao mundo e ver-se utilizado numa provinciana fotografia de um governo sedento de boas notícias nas capas de jornais


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publicado por Pedro Sales às 05:04
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Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008
Ainda a tanga do turismo olímpico

Não sei como é que o campeões de sofá ainda não repararam, mas o turismo olímpico não começou em Pequim. Há quatro anos, em Atenas, um desses atletas sem "brio", "honra" e "ética" fez o quarto pior resultado na sua modalidade.  Mais um fraco “que não aguentou a pressão” e que se divertiu à custa dos nossos impostos, tendo mesmo conseguido a proeza de terminar a sua participação com um resultado inferior ao que fazia quando ainda era júnior. O seu nome? Nélson Évora.


É um exemplo limite, mas que permite perceber a estupidez de usar o exemplo de atletas na sua maioria amadores, e que correm perante 200 pessoas no Estádio Universitário, para fazer umas graçolas com pretensão a leitura psicanalítica sobre a incapacidade lusitana para vencer e da ausência de uma mentalidade vencedora como fado lusitano.


As cíclicas depressões nacionais têm destas coisas. Exigem cada vez menos matéria para a sua combustão. Nem que se trate de crucificar atletas que fizeram os exigentes mínimos olímpicos e que, mesmo treinando a desoras e normalmente depois do trabalho ou faculdade, estão entre os melhores do mundo. Não ganharam 23 medalhas, é verdade, mas desde quando é que isso era suposto acontecer? E a Irlanda, Suécia, Grécia ou Bélgica, que ainda não levaram nenhuma medalha de ouro, e que estão a ter uma participação inferior à portuguesa? Também serão uns indolentes sem capacidade de vencer? Condenados à mediocridade porque não se conseguem superar nos momentos decisivos?


Verdade, verdadinha é que confrangedora ignorância da maioria da opinião publicada e da imprensa que percebe tanto de desporto como eu de física quântica, se está nas tintas para os atletas, interessando-lhes apenas mais um motivo para fazer umas tiradas sonoras sobre a pequenez da "alma lusitana" e do nosso triste destino. Os olímpicos de Pequim são apenas um pretexto para exultar com a humilhação dos “derrotados”. Que, pelo caminho, estejamos a criar as condições para perder uma dúzia de excelentes atletas que, como o Gustavo Lima, não está para aturar estas merdas, está longe de lhes merecer um pingo de atenção.



publicado por Pedro Sales às 18:03
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O gostinho ideológico

É duvidoso que o presidente da República alguma vez tenha lido a nova lei do divórcio antes de a devolver à Assembleia da República. Pelo menos a acreditar na sua mensagem, onde parece estar a falar de uma qualquer outra lei que não aquela que se conhece. Por três vezes se refere que o novo regime possibilita o divórcio unilateral. Ora, mesmo nas raríssimos casos em que a nova lei prevê o divórcio a pedido de um dos membros do casal, ele nunca é unilateral e tem sempre que passar por um juiz. O que o novo regime acaba é com o divórcio litigioso, terminando com a necessidade de apurar a culpa.  


É esta novidade que preocupa Cavaco Silva, dizendo que assim se está a colocar em causa "a parte mais fraca". Qual? A mulher, diz o P.R., apresentando como exemplo as vítimas de agressão doméstica. É possível que ainda não tenha reparado - até porque é do conhecimento público que não dedica mais do que cinco minutos à leitura da imprensa -, mas não é através da “alegação da culpa do outro cônjuge” no processo de divórcio que se defende o "poder negocial" das vítimas. A violência doméstica é crime. E público. 

 

O Presidente não gosta, como bem resume a jornalista Ana Paula Correia, do novo regime do divórcio. As objecções de Cavado Silva não são processuais nem formais. Têm a ver com o conteúdo do diploma. O casamento é para a vida. Nem que seja imposto. O coro da Igreja só torna tudo mais claro.



publicado por Pedro Sales às 03:03
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A palavra aos especialistas

O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa considera o novo regime do divórcio “ofensivo do valor da religião para a estabilidade das relações afectivas”. Deixando de lado a óbvia tentativa de imposição das orientações morais de uma confissão religiosa como lei, o que choca é a mundividência e arrogante convicção de que a religião é um valor necessário para a existência de relações afectivas. Estáveis, claro, até porque os ateus são todos uns empedernidos badalhocos, sem afecto e sem moral.  Haja paciência, que já começa a faltar.



publicado por Pedro Sales às 02:33
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À atenção de Cavaco Silva

Portugueses têm mais confiança nas associações ambientais que na Igreja.



publicado por Pedro Sales às 02:28
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